.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 28 de março de 2015

Domingo de Ramos

DOMINGO DE RAMOS DA PAIXÃO DO SENHOR

 

Comentários Prof.Fernando

29 de Março de 2015
ANO  A

Evangelho - Procissão - Mc 11,1-10


Evangelho - Mc 14,1-15,47


         A entrada do Filho de Deus na cidade de Jerusalém foi na verdade, uma grande provocação, um ato revolucionário, de quem está disposto a tudo, disposto a enfrentar, satirizando o poder dos reis e os hipócritas vestidos de religiosos da época. Continua

============================
“ HOSANA! BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR”! - Olívia Coutinho

DIA 29 DE MARÇO DE 2015 – DOMINGO DE RAMOS.

  
Iniciamos hoje a semana Santa!
Para nós, cristãos católicos, a semana Santa é um tempo forte, quando estaremos reunidos  em comunidade, para contemplarmos  os últimos  passos de Jesus à caminho da cruz e principalmente, para celebrarmos  a vida que a morte não venceu! 
A liturgia deste domingo, nos faz entrar no mistério do amor do Pai, a nos preparar  para vivenciarmos  de maneira intensa, livre e amorosa, o acontecimento mais importante do ano litúrgico: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
Aprendemos muito durante esta  nossa caminhada de preparação para a Páscoa, mas ainda há muito que aprender, afinal,  temos uma missão muito importante pela frente: fazer chegar a muitos  corações sombrios, a Luz do Cristo Ressuscitado!
O caminho que percorremos durante estes quarenta dias da Quaresma, nos aproximou mais do amor, da bondade, nos trouxe  a certeza de que temos tudo para sermos  felizes: Temos um Pai que nos ama, que não desiste de nós, que enviou o seu  Filho para nos ensinar o caminho que nos leva a Ele!
Não pensemos que foi fácil para Jesus, passar por tamanho sofrimento, mesmo, Ele  sendo  Deus, Jesus, ao assumir a natureza humana,  assumiu-a por inteiro, exceto no pecado,  assim como nós, Ele não estava isento das dores do corpo e da alma!
 Jesus, se quisesse,  poderia ter recusado a cruz, mas não o fez, em obediência ao Pai, em querer levar frente o seu projeto de Salvação. Uma  obediência que resultou na sua morte.  Morte, que  também não foi da vontade de Deus e sim, uma consequência da maldade humana. Deus, poderia ter evitado o sofrimento de Jesus, mas o seu amor por cada um de nós, falou mais alto,  para reconstruir a aliança de amor entre  Ele e o homem, quebrada pelo pecado,  Deus deixou que o seu Filho, pagasse com a vida, o preço do nosso resgate.
A entrada festiva de Jesus em Jerusalém marca o início de seu calvário.
Jesus entra em Jerusalém aclamado como Rei e Senhor da gloria, o Rei  e Senhor do  povo oprimido, do povo sem voz e sem vez. E para  identificar-se  com estes,  Ele entra na cidade, montado num jumentinho, o meio de transporte  dos pobres!
A entrada triunfal de Jesus  em Jerusalém, foi uma maneira forte de proclamar a chegada do Messias, o Rei tão esperado e desejado pelos “pequenos!”
“As multidões que iam à frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam:  “Bendito o que vem em nome do Senhor”! Tamanha aclamação, provocou  ira nos seus adversários, que ao sentir  ameaçados de perder os seus  tronos,  apressaram em dar fim na pessoa de Jesus.
Nas celebrações da semana santa, nós nos comovemos diante das encenações da Paixão e morte de Jesus, achamos uma maldade imensa  o que fizeram com Ele, mas será que hoje,  nós não continuamos, de alguma forma, fazendo o mesmo com Ele na pessoa do nosso irmão? Será que nós também, não estamos crucificando Jesus, nas  nossas atitudes do dia a dia? Toda vez que não praticamos a justiça, a solidariedade, que negamos ajuda ao nosso  irmão,  estamos também crucificando Jesus! E ao contrário, todo vez que praticamos a justiça, que promovemos o nosso irmão, estamos ressuscitando Jesus!
Rasguemos, pois, as vestes do “homem” velho, para nos revestir do “homem” novo, que aprendeu com Jesus a partilhar a vida, a ser vida para o outro, para que  assim, possamos  desde já, vivenciar o grande sentido da Páscoa, que significa: Passagem... Vida nova... Renovação...
Celebrar a Páscoa é celebrar a vida, é resgatar valores hoje tão esquecidos, como a fidelidade a Deus, a defesa da vida, o respeito para com o humano...
Como verdadeiros seguidores de Jesus, devemos estar sempre disposto a enfrentar todo e qualquer desafio, para levar em frente a nossa missão de portadores e de anunciadores da grande notícia: Jesus ressuscitou Ele vive entre nós!!
Com os pés no chão e o olhar para o alto, carreguemos a nossa cruz na certeza de que com Jesus, a nossa cruz torna mais leve!
Contemplando os últimos passos de Jesus, chegaremos a ressurreição!
Quiseram eliminar aquele que acolheu os pobres, os abandonados, que defendeu a vida, mas não conseguiram, pois a vida vence quando o amor se faz presente!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

 Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook:https://www.facebook.com/groups/552336931551388/



============================

Baste-nos alguns pensamentos, nesta eucaristia solene que abre a grande semana da nossa fé, a Semana santíssima, que culminará com a solenidade da Páscoa, domingo próximo.
Já fizemos memória da entrada do Senhor Jesus em Jerusalém. Ele é o Filho de Davi, o Messias esperado por Israel, que vem tomar posse de sua Cidade santa. Mas, que surpresa! É um Messias humilde, que entra não a cavalo, mas num humilde burrico, sinal de serviço e pequenez! Ei-lo: seu serviço será dar a vida pela multidão. Ele é Rei, mas rei coroado de espinhos e não de humana vanglória. Termos seguido o Senhor nessa solene procissão com ramos é tê-lo reconhecido como nosso rei, rei pobre e humilde. Tê-lo seguido é nos dispor a segui-lo nas pobrezas e humildades da vida, dispondo-nos a participar de sua paixão e cruz para ter parte na glória de sua ressurreição.
Primeiro: o meio que Deus escolheu para nos salvar não foi o que é grande e vistoso, tão apreciado pelo mundo. Ao invés, o Pai nos salvou pela humilde obediência do Filho Jesus. Reconheçamos na voz do Servo sofredor da primeira leitura a voz do Filho de Deus: “O Senhor Deus me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhes resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para arrancarem a barba. O Senhor é o meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, porque sei que não serei humilhado”. Palavras impressionantes, caríssimos! O Filho buscou humildemente, na obediência de um discípulo, a vontade do Pai – e aí encontrou força e consolo, encontrou a certeza de sua vida. São Paulo, na segunda leitura de hoje, confirma isso com palavras não menos impressionantes: “Jesus Cristo, existindo na condição divina, esvaziou-se de si mesmo, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz”. Caríssimos em Cristo, num mundo que nos tenta a ser os donos da verdade, desprezando os preceitos do Senhor Deus e seus planos para nós, aprendamos a humilde obediência de Cristo Jesus, entremos em comunhão com o Cristo obediente ao Pai até a morte. Só então seremos livres realmente, somente então viveremos de verdade!
Um segundo pensamento: o breve e concreto relato da Paixão segundo São Marcos, apresenta-nos ao menos três modos de nos colocar diante do Cristo nosso Senhor. Dois modos inadequados, que deveremos evitar, apesar de tantas vezes neles cairmos; e um modo correto, a que somos continuamente chamados.
Ei-los: primeiramente, o modo dos discípulos, tão vergonhoso: “Então todos o abandonaram e figuram”. Oh! que desde o início temos sido covardes, desde os princípios somos um mísero bando de infiéis! Quantas vezes, nos apertos da vida, fugimos e o abandonamos: no vício, no comodismo, na busca de crendices e seitas, no fascínio por ideologias, idéias e filosofias opostas à nossa fé! Como é fácil fugir, como é fácil, ainda agora, abandoná-lo! – Perdoa-nos, Senhor Jesus, porque ainda hoje somos assim, ainda somos como os primeiros discípulos: frágeis, inconstantes, covardes mesmo! Perdoa-nos pelo pouco amor, pela falta de compromisso!
Depois, o modo de Pedro, que “seguiu Jesus de longe”. Atenção, caríssimos Pedros aqui presentes! Não se pode seguir Jesus de longe! Quem o segue assim? Quem pensa poder ser discípulo pela metade; quem se ilude, pensando seguir o Senhor sem combater seus vícios e pecados; quem imagina poder servir a Deus e ao dinheiro, ao Senhor e aos costumes e modos e pensamentos do mundo! Como terminarão esses? Como terminou Pedro: negando conhecer Jesus! – Senhor, olha para nós, como olhaste para Pedro; dá-nos o arrependimento e o pranto pela covardia e frieza em te seguir! Faze-nos verdadeiros discípulos teus, que te sigam de perto até a cruz, como o discípulo amado, ao lado de tua santíssima Mãe!
Finalmente, uma atitude bela e digna de um verdadeiro discípulo do Senhor: aquele gesto, da misteriosa mulher, que ungiu a cabeça do Senhor com nardo puro, caríssimo! Notaram, o detalhe de Marcos? “Ela quebrou o vaso e derramou o perfume na cabeça de Jesus”. Quebrou o vaso... isto é, derramou todo o perfume, sem reservas, sem pena, com amoroso estrago... Para o Senhor, tudo; para o Salvador o melhor! E São João diz que “a casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo” (Jo 12,3). Ó mulher feliz, discípula generosa! Dando tudo ao Senhor, perfumou toda a casa com o bom odor de um amor ser reservas! Quanta generosidade dessa mulher politicamente incorreta! Quanta hipocrisia, quanta mesquinhez dos apóstolos politicamente corretos, que não compreenderam seu gesto de amor gratuito! – Senhor Jesus, faz-nos generosos para contigo! Que te amemos como essa mulher: sem reservas, sem fazer contas! Ó Senhor, que nos amaste até o extremo, ensina-nos a te amar assim também, colocando nossos perfumes, isto é, aquilo que temos de precioso, a teus pés! Então, o mundo será melhor, porque o bom odor do amor haverá de se espalhar como testemunho da tua presença!
Fiquemos com estes santos pensamentos, preparando-nos durante toda esta semana para o tríduo pascal, que terá seu cume na santa vigília da Ressurreição! Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
dom Henrique Soares da Costa
============================

A vitória pela humildade e resistência
A história da Paixão de Jesus segundo Marcos, lida no domingo de Ramos este ano, inspira-se visivelmente nos cânticos do Servo de Javé. Esses quatro poemas, situados em diferentes lugares do Segundo Isaías (Is. 42,1-7; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12), falam de um justo sofredor que vence pela coerência, que resiste a todo tipo de insulto, tortura e perseguição.
Se é contrário à violência, ele não pratica nenhum tipo de violência, mesmo sendo massacrado por ela. Se é contrário à opressão, “não quebra o ramo já machucado nem apaga o pavio fraco de chama”. Sua coerência e resistência acabam vencendo. O quarto cântico traz em seus versos a voz de Javé, que diz ser este o seu plano, o seu caminho, e faz também os opressores reconhecerem que estavam errados e que eles é que mereceriam tudo o que sofreu o Servo.
O texto da primeira leitura de hoje é bem característico. O Servo está atento à palavra de Deus dia a dia e sabe que não será derrotado. É o aparentemente fracassado que vence.
A leitura de Filipenses faz-lhe eco. Atento à palavra do Senhor, Jesus se mantém coerente até a morte, e morte de cruz, considerada pelo judeu (Dt. 21,23) uma maldição.
1ª leitura (Is. 50,4-7)
Os quatro cânticos do Servo de Javé são da época do exílio, cerca de 400 anos antes de Cristo. Leem-se, na missa da Paixão do domingo de Ramos, alguns versículos do terceiro cântico, que vão bem ao cerne da questão. Falam de alguém que vence a violência, dela sendo vítima e resistindo, sem praticar violência e sem se sentir derrotado.
Em quem estaria pensando o autor dos poemas quando os escreveu? Tentaram identificar, mas não convenceram. Seria um personagem coletivo, figura dos exilados ou dos mais fiéis e mais pobres deles? Seria Jeremias, que, como o Servo, também se diz chamado por Deus desde o ventre da mãe?
Para quem foi feita a roupa não se sabe, o que se sabe é que ela ficou muito grande e não há quem a possa ocupar inteiramente. Já no tempo de Jesus havia expectativa de um Messias que correspondesse ao que dizem esses cânticos, um Messias sofredor. Para os evangelistas, a começar de Marcos, a roupa grande demais serviu bem para Jesus, ele realizou o Messias sofredor.
No trecho de hoje, o Servo é obediente, entendendo-se obediência como estar atento aos fatos para aí descobrir os apelos de Deus. Toda manhã ou todo dia, ele se põe como o mais atento discípulo para saber resistir e dar forças aos que são tentados a desanimar. Atento, ele se faz obediente até a morte, e morte de cruz, vai dizer Paulo.
Consciente de que esse é o caminho de Deus e de que Deus o defenderá, ele resiste a todo tipo de insultos e humilhações. O que é dito aqui brevemente se explicita nos outros cânticos, especialmente no último (Is. 52,13-53,12).
As agressões e, do outro lado, o silêncio e a resistência que vão fazer os agressores reconhecerem seu erro e a vitória do Servo tornam-se inspiração para Marcos narrar a paixão de Jesus.
2ª  leitura (Fl 2,6-11)
São Jerônimo, ao traduzir esse texto, sofreu influência dos debates de seu tempo sobre a divindade de Cristo. Onde o texto grego diz que Jesus não pensou que fosse usurpação “aquele ser igual a Deus” (to einai isa Theo), Jerônimo traduziu “ser ele igual a Deus” (se esse aequalem Deo). A igualdade com Deus seria a que Jesus já possuía. Isso complicou tremendamente as modernas traduções desse texto.
“Aquele ser igual a Deus” é o ser igual a Deus sugerido pela serpente aos primeiros pais. Paulo compara Jesus ao Adão primitivo, segundo os conceitos de seu tempo. Conforme escritos judaicos da época, o Adão primitivo era andrógino, tinha cem côvados (cerca de 50 metros) de altura e era a imagem ou forma de Deus. Pretendeu, porém, usurpar a igualdade plena com Deus, comendo a fruta do conhecimento do bem e do mal. Com esse pecado, deixou de ser a imagem ou forma de Deus.
Para Paulo, então, Jesus é o novo Adão, começo da nova humanidade. É forma ou imagem de Deus como o Adão primitivo, mas, ao contrário daquele, não pretendeu fazer da igualdade com Deus uma usurpação, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a forma de escravo, apresentando-se como um ser humano comum.
Nas orientações à comunidade de Filipos (Fl. 2,1-4), Paulo dizia que o que faltava para completar a sua alegria era que cada um se considerasse o último de todos e que não pensasse no seu interesse, mas apenas no dos outros. Pouca coisa, mas quem é capaz de se esquecer totalmente de si e assumir o último lugar? A resposta é Jesus, o novo Adão, começo da nova humanidade.
Aqui estamos no texto de hoje. A tradução do Lecionário, como a esmagadora maioria das outras, não deixa entrever que se trata de um paralelo entre Jesus e Adão.
Ao contrário do Adão primitivo, que pretendeu adquirir a igualdade com Deus raptando o fruto proibido, Jesus assumiu ser o último de todos (a morte de cruz era o pior que poderia acontecer a um judeu – cf. Dt. 21,23) e sacrificou a própria vida pela humanidade. Só assim ele reverte a lei do pecado, ou seja, cada qual pretender ser igual a Deus, absoluto e senhor de tudo.
Obedecer tem que ver com ouvir, estar atento aos fatos. Obedecer é estar atento ao livro da vida e responder a ele coerentemente, mesmo que isso pareça ir contra o livro da Escritura que diz que um crucificado é alguém maldito por Deus.
Evangelho (Mc. 14,1-15,47)
O Evangelho de Marcos foi escrito muito próximo da chamada Guerra Judaica. Geograficamente próximo, na hipótese cada vez mais aceita de o evangelho refletir a vida dos cristãos da Galileia, de onde saíram os “bandidos”. Cronologicamente próximo, porque foi escrito exatamente entre a tomada de Jerusalém pelos “bandidos” e a destruição da cidade pelo exército romano.
Pequenos proprietários rurais da Galileia, que haviam perdido suas terras por causa dos altos impostos, da baixa fertilidade, do ano sabático (um ano sem plantar) e, especialmente, dos juros extorsivos cobrados pelos judeus ricos que lhes emprestavam dinheiro, passaram a viver de assaltos e a formar grupos de assaltantes. Refugiavam-se em grutas e gozavam da simpatia do povo, porque repartiam nas aldeias os alimentos tomados, por exemplo, de uma caravana romana que assaltavam. Eram chamados de “bandidos”.
No ano 66, eles se uniram e tomaram Jerusalém, onde estavam arquivados os documentos de suas dívidas e onde morava a maioria dos seus credores, os anciãos, membros do Sinédrio. Queimaram os documentos e mataram os anciãos e os sumos sacerdotes, colocando outros no lugar.
Jesus é preterido em favor de Barrabás e é morto entre dois bandidos, como se fosse mais um deles.
O evangelista tem também no pensamento os quatro poemas do livro de Isaías, os cânticos do Servo do Senhor, que falam de um justo e inocente que sofre e é massacrado exatamente por ser justo. Ele, porém, resiste, fica firme, até que os perseguidores reconheçam o próprio erro. Ele vence pela firmeza e coerência diante das violências sofridas.
A morte de Jesus já estava decidida pelas autoridades. A intenção era apenas pegá-lo quando menos se esperasse. Por isso mesmo, Jesus só ficava em Jerusalém durante o dia, à noite ia dormir fora da cidade. Havia um traidor entre os doze. Na preparação para a Ceia, Marcos deixa bem visível o aspecto clandestino da ida de Jesus à noite a uma casa da cidade para celebrar a Páscoa.
Ele é preso num lugar chamado Getsêmani, que significa espremedor de azeitonas. “Sem ordem de prisão e sem sentença ele foi detido, e quem se preocupou com a vida dele?” (Is. 53,8).
O misterioso jovem, vestido apenas com um lençol sobre o corpo nu, que deixa o lençol nas mãos dos que prendiam Jesus e foge nu, parece significar aquele que tenta seguir Jesus coberto apenas com uma capa de discípulo, mas, à primeira ameaça, foge nu e desarmado, como falava Amós em 2,16.
“Como cordeiro levado ao matadouro ou ovelha diante do tosquiador, ele ficou calado, sem abrir a boca” (Is. 53,7). “Apresentei as costas aos que me queriam bater, ofereci o queixo aos que me queriam arrancar a barba nem desviei o rosto dos insultos e dos escarros. O Senhor Deus é o meu aliado, por isso jamais ficarei derrotado” (Is. 50,6-7).
O Salmo 22(21), oração de um doente que, curado, agradece a Deus, também inspira o evangelista. Jesus recita na cruz: “Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?” Lucas e João, para evitar mal-entendidos, não colocam nos lábios de Jesus essas primeiras palavras do salmo.
O salmo, porém, já aponta para a ressurreição: “Quanto a mim, para ele viverei, a ele servirá a minha descendência. Do Senhor se falará à geração futura; anunciarão sua justiça” (Sl. 22,30-32).
Dicas para reflexão
– A repetição anual, para não dizer semanal ou até diária, da celebração da Paixão do Senhor é necessária e indispensável para nos fazer entender o que significa a vitória do derrotado, o sucesso do fracassado, a glória da humilhação, a vida que nasce da morte. Nada melhor do que isso para derrotar a lei que impera sobre nós, a qual dá força a quem é forte, promete vitória ao mais poderoso, exclui como sentimentalismo tolo qualquer preocupação com as dificuldades do outro. Nessa mentalidade, os considerados incompetentes que se danem, ai dos vencidos!
– Acreditar em Jesus como salvação da humanidade é acreditar na vitória do vencido. Aquele que sacrifica tudo em favor dos outros e se coloca em último lugar é o maior fracassado no mundo governado pelos que se consideram “competentes” e poderosos. No entanto, é ele que vence e dá novo rumo à história.
padre José Luiz Gonzaga do Prado

============================

O rei humilde entra na cidade santa
Começamos a semana das semanas, chegou o tempo santificado pela paixão, morte e ressurreição do Senhor. Isaias nos fala do servo sofredor, Paulo escreve aos filipenses a respeito do abaixamento de Cristo Jesus e Marcos faz sua leitura da paixão do Senhor.
Tinha-se a impressão de um rei entrando vitoriosamente na cidade real. Verdade que não entrava em carro refulgente de ouro e em potente viatura. Há tapetes de folhagens e gritos de hosana ao rei que entra sim, mas montado num burrico. Assim, na primeira parte da cerimônia do domingo de ramos há a glória e logo em seguida desce uma nuvem de sombra que anuncia a paixão. Muitos ficaram admirados de sua glória, semelhante à de um rei quando ele entrava em Jerusalém. Pouco depois seu rosto perdia o brilho e a beleza. Depois da procissão dos ramos, em que acompanhamos o Cristo rei, entrando no templo, somos envolvidos por profunda tristeza.
Guerrico d’Igny nos ajuda meditar na comemoração do domingo dos ramos: “A procissão nos leva a pensar em honras reservadas ao rei; a leitura da paixão mostra os castigos reservados aos ladrões. Num primeiro momento ele é cercado de glória e honra, do outro não tem beleza nem formosura (Is. 53,2). Na procissão ele é a alegria dos homens e glória do povo, do outro lado, o opróbrio dos homens e objeto de desprezo dos homens” (Sl. 22,7). De um lado é aclamado: hosana ao filho de Davi. Bendito o que vem, o rei, em nome do Senhor” (Mc. 11,10); de outro lado é declarado digno de morte e é ridicularizado o que se dizia rei de Israel. Num primeiro momento vai-se ao encontro dele com ramos de palmas. Do outro lado as mesmas mãos machucam seu rosto e o golpeiam com uma cana. Na procissão é cumulado de louvores, na liturgia no templo é coberto de insultos. De um lado as pessoas cobrem a estrada por onde ele passa com vestes e mantos, de outro lado é despojado de suas vestes. Num momento é acolhido em Jerusalém como rei justo e salvador e de outro é expulso de Jerusalém como um criminoso e um impostor. Senta-se sobre um asno, cercado de honra, depois é suspenso no madeiro da cruz, marcado pela flagelação, coberto de chagas, abandonado pelos seus… Se queremos, irmãos, seguir nosso caminho sem vacilar tanto nos momentos felizes como nas adversidades, contemplemos o senhor cercado de honra na procissão dos ramos, coberto de ultrajes e de sofrimentos na paixão… tal mudança de circunstâncias não mudou seus pensamentos….”
Ai estão esses dois aspectos presentes na liturgia do domingo de ramos. Guerrico d’Igny dirige uma bela e breve oração do Cristo dos ramos e da missa da paixão: “ Senhor Jesus, todos te bendizemos, tu alegria e salvação de todos, seja quando te vemos sentado num burrico, seja quando te contemplamos suspenso no lenho da cruz”.
frei Almir Ribeiro Guimarães

============================

O Messias e Filho de Deus
A primeira parte de Mc é marcada pelo caráter velado da obra messiânica de Jesus. Este traz o Reino de Deus presente, mas não de modo manifesto. Apenas o deixa entrever em sinais de sua “autoridade” (1,21 etc.; cf. 2,10 etc.), melhor reconhecidos pelos demônios do que pelos próprios discípulos. Aponta a presença escondida do Reino, narrando parábolas (Mc 4). Suscita admiração por seus grandes milagres, que mostram seu domínio da natureza (4,41 etc.). Prefigura o banquete escatológico (5,34-44). Mas o mistério de sua missão e personalidade fica escondido, até para os discípulos (8,14-21). A abertura dos olhos do cego de Betsaida marca um início de mudança (8,22-26). Os discípulos reconhecem Jesus como Messias (8,27-29), porém, entendem-no em categorias humanas e não divinas (8,31-33). Mediante as predições da Paixão e o ensinamento sobre o seguimento e o serviço, Jesus prepara seus discípulos para a reta compreensão de seu messianismo: não à maneira de um militaresco “filho de Davi”, mas à maneira do rei-messias humilde e esmagado de Zc. 9 (cf. Zc. 12,10) (Mc. 8,27-10,45; cf. 11.1-10). A cura do cego de Jericó é o sinal de uma visão crescente (10,46-52), mas Jerusalém fica ainda na ambigüidade: aclama como rei davídico aquele que entra sentado num burrinho (como o rei de Zc 9) e que, no fim de seu ensinamento em Jerusalém declarará absurda a mera identificação do Messias com o filho de Davi (12,37).
Jesus é mais do que o filho de Davi. Ele é o filho querido de Deus (1,11, 9,7, 15,39), o “Servo” que, em obediência ao incansável amor de Deus para com os homens, dá sua vida, realizando em plenitude o que o Servo de Deus em Is 52-53 prefigurou. Mas como Filho de Deus, ele é também o Filho do Homem, portador dos plenos poderes escatológicos. Sua condenação sob falsas alegações religiosas e políticas significa o primeiro passo para sua vinda gloriosa e o juízo sobre o mundo (Mc 14,62), que ele havia anunciado imediatamente antes de sua paixão (Mc 13). É a dispersão escatológica (Mc. 14,27; cf. 13,7), prelúdio da reunião do rebanho pelo pastor escatológico, depois da ressurreição (14,28; cf. 16,7). É o início do tempo final, prelúdio da vinda definitiva (que os primeiros cristãos esperavam para breve).
Para nós, hoje, esta cristologia de Mc significa uma crítica a qualquer messianismo imediatista, que recorre à imposição e não à paciência do testemunho até o sangue (= martírio).
padre Johan Konings "Liturgia dominical"
============================

Jesus e seus discípulos estavam indo para a cidade mais importante da região, e onde estava concentrado o poder político na época, Jerusalém, que neste momento, representa dois aspectos opostos e importantes na vida de Jesus.
O primeiro Ele é apresentado como o Filho de Deus, porque ela é a cidade Santa de Deus e, a forma como Jesus adentra a cidade indica a vinda do Salvador de Israel profetizada por Zacarias 9,9: “Eis que teu rei vem…. montado num jumento, sobre um jumentinho bem novo”, fazendo desse fato uma ligação clara de que era Ele o Messias esperado.
O segundo é que ela é a cidade onde Jesus sofrerá sua Paixão e Morte. Marcos não faz da entrada em Jerusalém um momento de entusiasmo do povo. Existe o reconhecimento de que Jesus é o Senhor, mas ao mesmo tempo existe também a realidade do preço de ser discípulo Dele, de ter de negar a si mesmo e carregar a sua própria cruz e seguir os passos do Cristo.
Jesus sabia que a sua chegada naquela cidade causaria tumulto porque O consideravam uma ameaça ao poder político.
O Monte das Oliveiras é o local onde Jesus se recolhe para fazer a sua entrega ao Pai na hora de sua maior dor e agonia. E é ali que Ele ordena a dois de seus discípulos o que devem fazer. Ele, novamente dá ordem para irem dois discípulos, da mesma forma como fizera outras vezes, pois, ir de dois em dois dá um sentido de confirmação daquilo que estão fazendo, um confirma a ação e as palavras do outro, um é testemunha do outro, além de ser apoio e estímulo.
O jumento é um animal humilde, não tem aparência bonita, não tem porte elegante e tem capacidade para carregar grandes cargas. E foi exatamente este o animal que Ele escolheu para entrar em Jerusalém. Desta forma, humilde e simples, entra o Rei aclamado pelo povo.
Jesus nunca quis aclamações e sempre pediu a discrição das pessoas com relação ao que fazia e a Ele próprio, e neste momento, se deixa conduzir com louvores e honra, e ser reconhecido como Rei, nas vésperas de sua morte. Um Rei com características inconfundíveis: humilde e manso.
Aqueles que aclamavam a Jesus, O reconheciam como Filho do Deus altíssimo, e muitos O acompanharam nesta hora de triunfo e glória e O seguiram até o Calvário onde iria morrer na cruz.
Estender no chão os mantos e ramos era uma atitude de ação de graças, de abrir caminho ao Rei.
O primeiro ato simbólico da Paixão de Cristo estava realizado. Aparentemente era um ato sem grandes efeitos, mas que já colocava em sobressalto o poder religioso e político: Jesus que já causara problemas na Galiléia está aí aclamado como Messias.
Jesus não se apegou a sua igualdade com Deus, esvaziou-se, tornou-se servo, semelhante aos homens, humilhou-se, fez-se obediente até a morte de cruz

============================

Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
Com o Domingo de ramos e da paixão do Senhor tem início a semana santa. A primeira idéia a considerar é que Jesus é o servo obediente de Deus; obediência que o Senhor aprendeu pelo sofrimento. Toda a vida de Jesus é movida pela escuta de Deus, escuta que o sustentou ao longo de toda a sua vida; escuta que fez com que ele não esmorecesse diante da traição, do sofrimento e da morte. A segunda consideração nos vem do relato da paixão: Jesus é traído por um dos seus, que partilhou com ele a vida e a fé. Mas não foi somente um que o traiu, mas todos os seus discípulos também o fizeram, pois negar e abandonar é também trair. Não tiveram a coragem de permanecer com o Senhor que eles diziam amar. Pedro, porta-voz do grupo dos discípulos, havia dito que as palavras de Jesus continham a vida eterna que lhes fazia experimentar a força da vida de Deus (cf. Jo. 6,67-68). Mas naquele momento de profundo sofrimento para Jesus, não conseguiram permanecer fiéis àquele que era a Palavra encarnada do Pai. Que dor pode ser maior que a traição e o abandono? A espada mais cortante do que a que feriu a orelha do servo do centurião é a traição, pois essa atinge a confiança, o coração. Uma terceira consideração é que Jesus é o inocente condenado injustamente à morte. A inveja, segundo Marcos, é o motivo da condenação e morte de Jesus. A inveja não é racional; como toda paixão que afeta o coração do ser humano, ela é irracional. Dominado pela inveja, o ser humano age perversamente buscando eliminar quem quer que seja. Pilatos, diz o evangelho, sabia da inocência de Jesus e do motivo sórdido pelo qual ele foi entregue, mas por razões políticas a sua decisão foi conivente com a injustiça dos que acusaram e entregaram Jesus à morte. Na paixão, Jesus permanece praticamente calado. O silêncio do Senhor denuncia a maldade daqueles que o condenam à morte. O silêncio de Jesus revela também a sua compreensão de que no desfecho dramático da sua existência terrena se realiza o desígnio de Deus. O silêncio é sinal de sua entrega nas mãos do Pai. Jesus sofre, se angustia, mas nem uma coisa nem outra o faz desistir de realizar a vontade de Deus. Ao contrário, do alto da cruz, ele faz a sua entrega definitiva: “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. Do ponto de vista puramente humano, a paixão de Jesus é dolorosa e escandalosa, mas, do ponto de vista teológico, a paixão do Senhor é positiva, pois ela é a manifestação mais completa do imenso amor de Deus pela humanidade.
Carlos Alberto Contieri,sj



Comentários Prof.Fernando

Comentários Prof.Fernando* Início Semana Santa (Ramos e Paixão)
 29 de MARÇO de 2015
riem de mim todos aqueles que me vêem,...
cães numerosos me rodeiam furiosos...
por um bando de malvados fui cercado...
eles repartem entre si as minhas vestes
(Salmo21/22)
Sentido da vida, sentido da morte
1-   A leitura inicial é de Isaías. Começamos contemplando o mistério da vida humana que só completa seu sentido quando serve para ajudar outras vidas humanas. Ser discípulo, seguir um Mestre, significa saber reconfortar pela palavra o que está abatido. Às vezes não podemos fazer muito pelo outro. Mas sempre podemos ter uma palavra, mesmo não pronunciada pela boca, mas por outros sinais de presença e atenção. Os pais confortam os filhos, esposos e esposas uns aos outros, os filhos cuidam dos pais na velhice. Amigos dão a vida por seus amigos. Ninguém tem maior amor, disse Jesus.
2-   A segunda leitura – um dos resumos mais fantásticos sobre o sentido da vida de Jesus, e de sua morte até a vitória final – mostra o Mestre que se tornou discípulo. Um de nós. Menor que nós. Escravo. Resgatado da morte, Deus o exaltou para ser o único Senhor, por isso não aceitamos nenhuma ditadura nem domínio dos inimigos contra nossa liberdade. Ele é o único.
3-   A leitura do evangelho, segundo Marcos, introduz a semana santa. O sofrimento do justo e inocente Jesus de Nazaré que, por inveja, foi preso e morto pelos que se achavam donos de outras vidas humanas. O domingo de Ramos diz que Deus entra em nossa vida não como os antigos generais e reis na Cidade. Até as pedras podem reconhecer quem é o único “Rei” que, no entanto, vem para aceitar todos os riscos de suas atitudes de bondade.

Leitura da Paixão
·                    Na 6ªfeira lê-se outro relato (o joanino) da Paixão, carregado de reflexões teológicas sobre os últimos dias e horas da vida de Jesus, aquele que lavou os pés de seus discípulos como os escravos faziam, indicando até que ponto entrega sua vida entrega pelos seus. Ninguém tem maior amor... Hoje a Paixão é descrita por Marcos.
·                    Relato cruel, seco, direto, sem mencionar a ressurreição (as pessoas que ouvem seus líderes e seus companheiros nas primeiras décadas, conhecem os resumos que circulam nas comunidades e ser cristão já significava acreditar nas testemunhas da Ressurreição). Tristeza e angústia do Mestre diante da frustração de suas pregações anunciando um mundo novo – o Reino. Dor pela traição de amigos (sobretudo Judas e Pedro) e a fuga de todos na hora difícil. Medo ao enfrentar a certeza de seria preso com a perspectiva de ser morto. Depois a crucificação – tortura reservada aos bandidos mais desprezíveis.
·                    Da agonia na oração do Horto à agonia da cruz, ele passa pela experiência do vazio, gritando a Deus sentindo-se abandonado. Ele é, em carne e osso, o “Servo Sofredor” pré-figurado por Isaías, ou Inocente injustiçado pré-figurado em Jó e em outras comparações como as do salmo 21 que hoje lemos. O resumo duro de Marcos não relata nem mesmo as palavras de entrega nas mãos do Pai, conhecidas a partir de outros relatórios (cf.Lucas23,46).
·                    No evangelho de Marcos, será pela voz de um soldado do exército romano de ocupação que o autor revela o “segredo” indicado desde o início deste livro: o reconhecimento de que Jesus é o próprio Filho de Deus. Num canto das cenas algumas mulheres realizam a solidariedade prevista nos profetas e indicada por Jesus Nazareno em suas pregações. Numa sociedade machista e patriarcal elas serão as primeiras discípulas a anunciar a Ressurreição.
·                     
Ramos e Semana Santa
·                    Assim começa a Semana da Paixão e Ressurreição: pela meditação dura e seca da condição humana, agitada, de um lado pelas perguntas que não têm resposta e, por outro lado,  pelas dores de muitos em favor dos quais, na Ceia, o Mestre disse que oferecia sua vida. A paixão também continua em muitos, na doença, na angústia e na morte. Até na morte “inesperada” como a dos estilhaçados entre o avião e a pedra. Aclamar “aquele que vem em nome de Deus” ou crer nessa entrada “triunfal em Jerusalém” é perceber que Deus vem para ser... humano. É Deus entrando na Cidade humana, que o vai matar. Mas é neste paradoxo misterioso que se tem acesso à Vida total e plena. O que chamamos também de “Salvação”. Ela passa a ser “Eterna”, na recuperação do projeto indicado no Paraíso do Gênesis. Aclamar o “Rei” seguindo o cortejo de ramos e bandeiras, seguindo um pobre rabino de Nazaré, é aceitar Glória não se resume a prosperidades, mas passa pelos tribunais políticos de Pilatos ou pelos Sinédrios religiosos dos donos do Poder. Semana Santa é passagem para a Ressurreição., podendo chegar à injustiça e à morte. Passagens para a Ressurreição. A entrada na Cidade humana é só o começo, pois a conclusão é um salto no escuro. “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus” (título de zombaria dado por Pilatos) passa a ser o “Ecce Homo” (“profecia” do mesmo covarde governador romano), isto é, passa a ser o Homem das Dores que, no entanto, ao final da vida se joga nas mãos do Pai, ao acreditar naquele “hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (dito ao companheiro de cruz) e ao crer, no seu último grito, que não será desapontado por Deus.
·                    Terminemos com a palavra do profeta Isaías, lida no início da liturgia de hoje: Mas Deus vem em meu auxílio: por isso resisti com o rosto feito uma pedra, convicto que não serei frustrado (Isaías50,7).

ooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

( * ) Prof.(1975-2012)Edu/Teo/Filo/Ética, fesomor2@gmail.com