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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Trabalhar na vinha

26º DOMINGO TEMPO COMUM

Evangelho - Mt 21,28-32
28 de Setembro de 2014
Ano A

-TRABALHAR NA VINHA!-José Salviano


Qual dos dois fez a vontade do pai?
VOCÊ ESTÁ FAZENDO A VONTADE DO PAI?

Prezados irmãos.  Não é o nosso falar, mas sim o nosso agir que demonstra se estamos ou não fazendo a vontade do Pai. Infelizmente, nem sempre aqueles que falam  muito bem, que falam bonito, com discursos que impressionam, são aqueles que vivem a palavra em toda sua plenitude.  O que é muito lamentável, pois o nosso falar deveria ser seguido no nosso  agir .  Leia mais
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A Palavra de Deus deste domingo recorda-nos que nossa relação com o Senhor não é algo estático, congelado, adquirido uma vez por todas. Ninguém pode dizer que possui uma amizade permanente com o Senhor, amizade que é garantida para sempre e não poderia jamais ser perdida. Não! Não é assim! Nossa relação com o Senhor é um caminho, caminho dinâmico, que vai se configurando na nossa vida, crescendo ou diminuindo, aprofundando-se ou morrendo, conforme nossa atitude em cada fase de nossa existência. O Senhor é sempre fiel, não muda jamais; quanto a nós, devemos cuidar de ir sempre crescendo, de fé em fé, de esperança em esperança, de amor em amor, na nossa relação com o Senhor. É isto que as leituras de Ezequiel e do Evangelho nos sugerem. O profeta Ezequiel, em nome de Deus, previne: “Quando o justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre!” Eis, que exemplo trágico: o amigo de Deus que morre para a vida com Deus! E por quê? Porque se descuidou e foi matando a relação com o Senhor, a ponto de matar Deus no seu coração e morrer para a relação com Deus! Ninguém pode dizer: “Já fiz tanto, já dei tanto ao Senhor, já renunciei tanto. Agora basta! Vou estacionar!” Isso seria regredir, definhar no caminho do Senhor, morrer para a vida com Deus! Mas, o contrário também é verdadeiro. Escutemos: “Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os céus pecados, com certeza viverá; não morrerá!” Eis a bondade do Senhor, que não nos prende no passado pecaminoso: Senhor da vida, teu amor nos faz recomeçar sempre! Não há desculpas para não mudarmos de vida, para não recomeçarmos, para não deixarmos nosso atoleiro de pecado, de vício de preguiça espiritual! O Senhor nos espera sempre hoje, no aqui e no agora; ainda que não muitas vezes não acreditemos mais em nós mesmos, ele continua crendo em nós, ele nos dá sempre a chance de experimentar seu perdão e sua misericórdia!
O que o Senhor falou pela boca de Ezequiel, Jesus confirma na parábola do Evangelho deste hoje. Quem são os dois filhos? O primeiro, que não queria obedecer ao pai, mas depois se arrependeu, são os pecadores que, arrependidos e humilhados, de coração acolheram Jesus e o Reino que ele veio anunciar; o segundo filho, que prometeu fazer a vontade do pai e, depois, fez como bem quis e entendeu, são aqueles escribas e fariseus, justos aos seus próprios olhos, caprichosos e auto-suficientes, que terminaram perdendo o Reino de Deus por recusarem acolher Jesus e sua palavra. Eis, caríssimos: o que estamos sendo diante de Deus? Estamos sendo generosos para com ele? Temos acolhido sua vontade na nossa vida? Temos sido atentos aos seus apelos? Deveríamos sempre progredir no caminho do Senhor...
Progredimos quando o amamos, quando fazemos sua vontade, quando a ele nos dedicamos; progredimos quando crescemos na virtude, progredimos quando somos fiéis aos nossos compromissos para com ele... Mas, entre nós, há aqueles que regridem, que esmorecem, que esfriam e se afastam... aqueles que pensam que podem ser cristãos numa atitude de comodismo burguês...
Que fazer para não parar? Que fazer para crescer no caminho do Senhor? São Paulo nos indica um caminho de grande beleza, simplicidade e eficácia, um caminho indispensável a todos nós! Quereis crescer na estrada de Deus? Quereis experimentar seu amor? Quereis viver de verdade? Então, “tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus!” Que conselho! Contemplar Jesus, aprender dele, do seu coração, seus sentimentos de total amor e total doação em relação ao Pai e a nós; aprender sua doçura, sua humildade, sua obediência radical ao Pai: “Ele, existindo na condição divina, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se igual aos homens, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz”.
Em Cristo, temos o hábito de pensar em Jesus, de contemplar essa sua atitude? Olhemos a cruz, aprendamos a lição do Senhor! Cristo nunca se buscou a si próprio, mas esvaziou-se totalmente, desejando somente a vontade do Pai. Por isso foi livre, por isso foi a mais perfeita e completa manifestação do Reino de Deus, pois isso o Pai o exaltou, o glorificou, encheu-o de vida plena!
Pois, bem, o apóstolo nos convida a contemplar Jesus, escutar Jesus, para adquirir os sentimentos de Jesus e, assim, viver a vida de Jesus. Viver assim, é ser amigo de Deus, é viver de verdade e tornar-se sinal de vida divina para os outros. Isso os cristãos deveriam ser; isso a Igreja deve ser! Pensem no quadro encantador que São Paulo traça: “Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão... aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, e cada um não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro!” Eis, caríssimos, o que é ter os sentimentos do Cristo; eis o que é viver para Deus; eis o que é ser já agora, testemunha daquela verdadeira vida que o Senhor nos dará por toda a eternidade! Cresçamos nesse caminho, progridamos nessa vida, para vivermos de verdade. Como pede a oração inicial desta santa missa: “Ó Deus, derramai em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais!”
dom Henrique Soares da Costa

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Ensina-me, senhor, os teus caminhos (Sl. 25,4)
Os textos de hoje nos mostram que o reino de Deus entra em diálogo com o ser humano para que este possa distinguir entre o modo como se dá a ação divina e a maneira humana de proceder. O ser humano é uma tarefa, ele nunca vai estar terminado; sua existência no mundo é um constante fazer-se e refazer-se baseado nas decisões tomadas com livre-arbítrio.
Quem é bom pode deixar o caminho do bem, e quem é perverso pode abandonar a vereda do mal. Por isso, Deus está constantemente chamando o ser humano para que deixe os caminhos tortuosos e diga um “sim” consciente e maduro que seja realmente “sim”. Para isso, Deus envia mediadores, na tentativa de chegar ao coração humano.
Contudo, as pessoas podem recusar o chamado de Deus, fazer pouco caso de sua proposta ou até mesmo ser hostis com os mediadores que ele envia. É sobretudo por orgulho que opõem obstáculos à própria salvação. Por isso, exorta-nos o apóstolo: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo”.
Evangelho (Mt. 21,28-32)
João ensinou o caminho da justiça e não acreditaram nele
Jesus, para nos instruir sobre nossas próprias escolhas, conta-nos a parábola dos dois filhos que mudaram de atitude. Deus nos fez livres. A salvação que ele nos oferece é puro dom. Cabe a nós responder “sim” ou “não” a esse convite. O livre-arbítrio possibilita ao ser humano acolher em sua vida o bom ou o mau caminho. Há sempre a possibilidade de mudar de rumo. É isso o que nos mostra o texto. Ambos os irmãos mudaram de rumo. Um fez a vontade do pai e o outro não.
Estar no rumo certo não é sinônimo de segurança, pois podemos ser facilmente levados para outro caminho se não nos mantivermos atentos ao chamado constante de Deus. Por isso a necessidade constante de conversão, porque não estamos prontos. E os que se acham “santos” são muito facilmente propensos ao erro, mais do que os que têm firme consciência das próprias limitações. Os “santos” acabam afogando-se na sua soberba e se fecham à graça divina. Ao contrário, os pecadores são mais abertos para acolher a graça, pois confiam apenas na misericórdia de Deus.
Fazer a vontade de Deus é muito mais acolhê-lo na vida diária do que proclamar discursos vazios, destituídos de testemunho de vida. Deus nos chama constantemente a viver seu amor na doação total de nossa vida ao irmão. Deve-se viver esse chamado nos atos cotidianos, nas relações interpessoais, nas próprias escolhas. Fazendo assim, caminha-se na justiça e no testemunho fidedigno do reino de Deus.
1ª leitura (Ez. 18,25-28)
Deus ensina o caminho aos pecadores
O texto começa com uma estranheza: “o caminho do Senhor não é direito” (v. 25). Pensava-se dessa forma porque Deus não fazia o que se esperava, a saber: recompensar o “justo” e castigar os “injustos”. Esse modo diferente de Deus proceder irritava as pessoas tidas como santas naquela época.
Por meio do profeta, Deus toma a palavra e põe as intenções humanas às claras: os caminhos humanos é que são tortuosos, mas, apesar disso, Deus continua chamando, respeitando o livre-arbítrio e perdoando a cada um de seus filhos.
Em primeiro lugar, Deus se dirige aos tidos por justos. O que se pode dizer de uma pessoa realmente justa? Como pode ser qualificada uma pessoa convertida? Aquele que aparentemente é santo e irrepreensível e comete atos que fazem transparecer grande maldade no coração pode ser considerado justo ou convertido? Segundo o texto que foi proclamado, a pessoa que se qualifica assim não é verdadeiramente justa, e Deus, que tudo vê, considera os atos de iniquidade dela, e não sua suposta justiça externa.
Outros são tidos por pecadores, hereges, infiéis, gentinha de má conduta. A estes Deus convida à conversão e, caso tenham abertura para acolher o perdão divino, é-lhes assegurado que não serão considerados os atos praticados numa vida desregrada, muitas vezes afetada por condicionamentos sociais, religiosos e psicológicos.
Enfim, o texto bíblico exorta todos à conversão, e a todos está destinado o perdão de Deus.
2ª leitura (Fl. 2,1-11)
O esvaziamento de Cristo nos ensina o caminho para Deus
O apóstolo Paulo pede aos filipenses que tenham os mesmos sentimentos de Cristo (v. 5). Com isso, ele espera resolver o problema daquela comunidade: egoísmo e arrogância (v. 3) e dissensões internas que ameaçavam o amor, a unidade e o companheirismo. Mas quais seriam os sentimentos de Cristo que o apóstolo deseja inculcar nos filipenses?
Para definir bem de que se trata, Paulo usa o termo “esvaziamento” ou “abaixamento”, que significa privar-se de poder ou abdicar de um direito que se possui. Cristo não se apegou à sua condição divina nem usou dos privilégios dela em favor de si mesmo, mas assumiu a existência humana como servo. O abaixamento de Cristo não é apenas tornar-se humano, mas, além disso, tornar-se servo.
Isso caracteriza a totalidade da vida de Jesus, que assumiu as limitações humanas e esteve à mercê de nosso egoísmo e violência, responsáveis pela sua morte terrível na cruz. Porque, acima de tudo, ele quis atender ao bem-estar e aos interesses dos outros em vez de ter interesses egocêntricos.
Esse modo de viver de Jesus nos ensina o caminho para Deus. É descendo a escada da humildade que ascendemos ao reino definitivo. Esses critérios são diferentes dos critérios humanos, mas são o único e legítimo caminho para a verdadeira humanização e para Deus.
Pistas para reflexão
O momento atual é marcado por uma religiosidade intimista e subjetiva de relacionamento vertical: o indivíduo e Deus. Isso traz como consequência a ideologia da prosperidade: “Eu não cometo pecados escandalosos e, em troca, Deus me abençoa com o que quero”. Esse tipo de religiosidade suscita a ideia de um Deus castigador que está contra os “maus” e recompensa os “bons”. As leituras de hoje mostram que tal pensamento é tortuoso e não representa os critérios de Deus. Por isso é bom destacar na homilia a gratuidade, o cuidado com os mais fracos, a tolerância e o diálogo que constroem comunidade.
Hoje é o dia da Bíblia, palavra de Deus, “luz para os passos, lâmpada para o caminho” (Sl 119,105). Esta data não deve passar sem algum destaque na comunidade. Há um clamor uníssono para que a palavra de Deus seja o centro da vida e da missão da Igreja. Este dia é ótima oportunidade para que sejam iniciados (ou melhorados) eventos que destaquem a centralidade da palavra de Deus em toda a Igreja, começando pelas comunidades mais simples e pequenas até atingir o mundo inteiro.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj

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Há sempre a possibilidade de um recomeço
Há pessoas que dizem que são do Senhor, mas não são. Há aqueles que afirmam não quererem trabalhar na vinha do Senhor, mas vão. Mateus nos conta hoje a parábola dos dois filhos:  um disse que aceitava trabalhar na vinha, mas não foi e o outro, dizendo que não ia, foi. O sim precisa ser sim... e o não pode, quem sabe se transformar num sim...
Há pessoas que, desde a sua mais terna infância, seguem o Senhor com um gênero sólido de vida cristã, coerente, numa fidelidade criativa. Há também os que, de alguma forma,  foram se acostumando às coisas religiosas, colocando ritos, praticando isso e aquilo, mas na realidade tudo com um coração ritualístico.  Na hora dos grandes convites de Deus para ir mar a adentro não mostram coragem... dizem sim... colocam preces, mas não conseguem fazer de sua vida um hino de serviço à vinha do Senhor.
Há a epopéia desse filho da parábola que não queria aceitar o convite:  “Não quero”. Os herdeiros da tradição vetero-testamentária  não conseguiram arrumar seu interior e acolher Jesus. Os pagãos e os pecadores que, na realidade, no principio disseram um não, mudaram a orientação de sua escolha:  “Em verdade eu vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus”.
 Viver é sempre um desafio. Vamos fazendo nossa trajetória e nossas escolhas. Pode ser que muitos sem  uma família ordenada, pessoas que foram sendo levadas, por seus instintos e na pobreza de cada um, a um estilo de vida distante das insinuações e dos convites amorosos  de Deus. Esses são os filhos que disseram que não iam... mas depois se converteram, mudaram a arrumação de seu interior... as prostitutas e os cobradores de impostos  experimentaram uma festa no coração com a transformação e a conversão do coração.
A epístola aos  filipenses, uma carta de Paulo cheia de ternura,  leva seus leitores a um crescimento no amor de Deus. Os seguidores de Cristo precisam respirar unidade: “...aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando  a unidade”. Os que querem acertar no seu seguimento terão algumas  “marcas”: não fazer nada por competição e vanglória, mas tudo com humildade; nada de agir com mentalidade de competição; julgue que o outro seja mais importante;  não cuidar apenas o que é seu; ter os mesmos sentimentos de Jesus que sendo de condição divina se tornou obediente até à morte de cruz.
frei Almir Ribeiro Guimarães

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A verdadeira obediência
Ao aproximar-se o fim do ano litúrgico acentuam-se os temas da conversão e da graça, enquanto se desenha com sempre maior nitidez a perspectiva final.
Em Ez. 18,25-28 (1ª leitura), Deus se defende da acusação de injustiça levantada contra seu modo de julgar; e confirma: quando um “justo” se desvia, ele se perde; quando um malvado se converte, ele se salva. Jesus expõe esse tema na parábola dos dois filhos, o do “sim, senhor”, que promete e não faz, e o do “não”, que se arrepende e faz. Qual dos dois faz o que seu pai deseja? O último. Então é este o justo de verdade: vai bem com Deus. E, para explicar mais uma vez que “os últimos serão os primeiros”, Jesus ensina aos “bons” (os fariseus) que os publicanos e as meretrizes os precederão no Reino, pois acreditaram na pregação de penitência de João Batista e se converteram, mas os fariseus não (evangelho).
Olhemos o caso do filho que diz “sim”, mas não vai. Para entender bem o evangelho de Mateus, que continuamente opõe a graça do Reino ao cálculo auto-suficiente dos fariseus, devemos colocar-nos na pele dos que devem se converter, os fariseus. Pois se achamos que já nos convertemos o bastante, estamos perdidos. É bom identificarmos-nos com os fariseus e deixar tinir os nossos ouvidos com as palavras que Jesus lhes dirige. Estamos acostumados a dizer “sim, senhor” a Deus e a todo mundo. Já fomos batizados sem o saber, fazemos de conta de acreditar tudo o que a Igreja diz etc. O papa manda, e nós obedecemos, mas quando é muito difícil, damos um jeito... Dizemos “sim”, mas fazemos o que nós queremos.
Entretanto, há prostitutas que se prostituíram porque precisavam viver e os “bons” se prontificaram a usá-las. Há publicanos que vivem do suborno, porque há “bons” que usam seus serviços. Mas entre os publicanos e as meretrizes encontram-se os/as que, algum dia, descobrem que podem andar por outros caminhos e ser filhos e filhos de Deus tão bem como qualquer pessoa. Então, deixam a bebida e tornam-se bons pais de família e até pregadores na Assembléia de Deus...
Jesus repreende os “bons” porque não se converteram. E hoje, alguém está pregando a conversão para “os bons”? Talvez os profetas não estejam falando bastante claro. Os que optaram pelos pobres e marginalizados fogem do âmbito dos “bons cristãos” para não ter de enfrentar esse público. Mas, mesmo assim, “a voz do Batista” ainda não emudeceu. Os bons é que mais precisam de que se insista na sua conversão. Pois converter-se é mais difícil para eles do que para os pecadores reconhecidos. Converter-se significa que antes não se estava tão bem como parecia. Ora, para quem já perdeu a cara, é relativamente fácil reconhecer isso. Mas largar uma posição de estima significa entrar na incerteza... isso não é fácil para os “bons”. Mas que experimentem pelo menos!
O caso do primeiro filho se aplica aos pecadores patentes. Eles dizem “não” a Deus. Mas muitos deles - talvez por certa simplicidade de coração e por não terem o costume das falsas justificativas - são atingidos pela bondade de Deus e o desejo de lhe corresponder. E acabam fazendo sim!
A 2ª leitura incita a profunda conversão, a recebermos em nós o espírito de Jesus Cristo, que, em obediência ao plano do amor do Pai, se esvaziou por nós, tomando a figura do último dos homens. Se Jesus se esvaziou de sua justa glória divina por que não nos esvaziaríamos de uma grandeza enganadora - a justiça que nos atribuímos aos nossos próprios olhos - ou de qualquer forma de grandeza passageira (bens materiais, honra etc.), para sermos completamente doados aos nossos irmãos. Em harmonia com a 2ª leitura, pode-se escolher o prefácio dos domingos do tempo comum VII (a obediência de Cristo).
O espírito da liturgia de hoje acentua a “obediência”, que não significa submissão a rejeitável usurpação, mas dar “audiência a quem o merece. Obediência legítima e sabedoria e justiça. E mais: se sabemos que Deus nos mostra um caminho incomparável (em Jesus Cristo), então, obedecer-lhe é o melhor que podemos fazer para nós mesmos e para nossos irmãos: obedecer por amor. Nesta hipótese, a obediência já não pode ser meramente formal, do tipo “sim, senhor”. Terá de ser um movimento do interior do nosso coração e mexer com nosso íntimo, exatamente como aconteceu àquele filho que, primeiro, não quis, mas depois sentiu a injustiça que estava cometendo em relação ao “Pai de bondade” e executou o que lhe fora pedido.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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No Evangelho de hoje, Jesus está no Templo em Jerusalém ensinando ao povo. Ali os chefes dos sacerdotes e os anciãos O questionam sobre Sua autoridade. Jesus responde fazendo outra pergunta que eles preferem não responder e, por isso, Ele também não responde à pergunta.
Em seguida na presença de todo o povo, Jesus faz um questionamento para que todos reflitam sobre a realidade que vivem, e para saber como anda o entendimento daquilo que Ele vinha pregando.
Jesus conta a história de um pai e seus dois filhos a quem deu uma ordem. O filho mais velho que aparentemente demonstra ser egoísta e responde com agressividade, arrependido atende ao pedido de seu pai; e o mais novo, que pela resposta positiva, demonstra ser bom e obediente, não faz o que o pai lhe pede e não cumpre com a sua palavra.
Com esta parábola, Jesus aponta para a hipocrisia e mostra que as aparências muitas vezes enganam.
Muitas pessoas se acham mais amigas de Deus porque rezam e frequentam os templos e, por isso, se acham livres do pecado, se julgam mais justas que as outras, as mais certas, mas não se comprometem com a obra do Pai, não praticam tudo que dizem, não obedecem e não fazem a vontade de Deus. Por outro lado, tantas outras que vivem à margem da sociedade, como os mais pobres e marginalizados do tempo de Jesus, tantas vezes consideradas erradas e pecadoras, ouviram os ensinamentos de João Batista, arrependeram-se e se converteram, ou seja, mudaram a direção da sua vida e tornaram-se dignas de participar do Reino de Deus. Estes são como o filho mais velho da história que representa os pecadores e os marginalizados que aceitam a mensagem de Jesus e se comprometem com a proposta da justiça. O filho mais novo recorda ‘as pessoas de bem’, maquiadas de religiosidade e justiça, prontas a se escandalizar e a se levantar em defesa de uma suposta verdade, mas que são presas fáceis do dinheiro e do apego à matéria.
Jesus ensina, com esta parábola, que a atitude do filho mais velho é fruto da humildade, do arrependimento, do respeito e do desejo de estar próximo de Deus por amor verdadeiro a Ele, e que ser filho obediente do Pai não é uma questão apenas de pronunciar belas palavras, mas de gestos e atitudes que vêem de encontro com a prática de Jesus.

É bom rezar a Deus pedindo que Ele nos dê tempo para uma verdadeira penitência. E podemos pedir-lhe tal tempo porque Ele não desiste de nós e está sempre à espera do nosso retorno. Vivemos dizendo “sim” e fazendo o “não”. Dizemos e não praticamos; ouvimos, cantamos, e fazemos o contrário.
Outros dizem “não”. Não acredito em Deus, não sou praticante, não leio o Evangelho, mas depois acabam fazendo o que sua consciência manda que façam. Se a consciência for bem formada, farão o que Deus quer. Deus olha os corações e vê nossos gestos concretos. Eles revelam nosso projeto de vida. É evidente que as palavras devem expressar a verdade do nosso pensamento e da nossa vontade, mas nem sempre é assim. Nem sempre as palavras correspondem ao nosso projeto de vida.
Mt. 21,28-32 – Conversando com os sacerdotes do Templo e os anciãos do povo, Jesus lhes faz uma pergunta contando uma pequena história, muito simples, mas reveladora do pensamento de Deus.
Um homem tinha dois filhos. Pediu a um que fosse trabalhar na sua plantação. Ele disse que não ia e depois foi. O outro disse logo que ia, mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do Pai? Aquele que foi trabalhar, é claro. Há muita gente dizendo “não” a Deus, mas depois cai em si, se arrepende e faz o que Deus quer. Assim aconteceu com as prostitutas e os cobradores de impostos que ouviram a pregação de João Batista e mudaram de vida. Os sacerdotes e os anciãos, porém, viram isso e não aceitaram a pregação de João Batista nem se converteram. Certamente eles achavam que não tinham nada para se converter porque não eram nem prostitutas nem cobradores de impostos, mas deviam pelo menos prestar atenção na pregação de João e rever a própria vida. Por isso, acrescenta Jesus, na fila de entrada no céu, as prostitutas e os cobradores de impostos irão na frente dos sacerdotes do Templo e dos anciãos do povo.
Ez. 18,25-28 – Não critiquemos a Deus na sua bondade e misericórdia, diz o profeta Ezequiel. O justo não deve se desviar da justiça, e a pessoa má, que mostra o seu arrependimento praticando o direito e a justiça, terá a vida que não termina. O homem justo também tem os seus erros, mas não os reconhece e com isso os seus erros aumentam. O grande erro de quem se considera justo é não aceitar que Deus perdoe o pecador.
Sl. 24 (25) – O Senhor é piedade e retidão por isso Ele reconduz os pecadores ao bom caminho, dirige os humildes na justiça e ensina o seu caminho aos pobres.
Fl. 2,1-11 – Vivamos todos em harmonia, procurando a unidade. Não façamos nada por competição ou por vaidade, mas com humildade. Pense que o outro é mais importante do que você. Não cuide só do que é seu, cuide também do que é do outro. Quem assim vive tem os mesmos sentimentos do coração de Jesus Cristo. Ele é Deus como o Pai e o Espírito Santo e, no entanto, aceitou se tornar homem como nós, rebaixando-se, fazendo-se em tudo semelhante a nós, menos no pecado. Ele se humilhou e se fez obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus, o Pai, o colocou lá no alto, acima de tudo, e aqui na terra todos se ajoelham diante d’Ele e proclamam, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor.
cônego Celso Pedro da Silva
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O tema central da liturgia de hoje é a justiça do Reino. A primeira leitura está no contexto do Exílio da Babilônia. O povo acusa Deus de injusto e de agir incorretamente. Entre o povo havia a idéia de que o pecado marcava para sempre a vida e a descendência de quem pecava. O profeta, como porta voz de Deus, mostra que a salvação de uma pessoa não depende de seus antepassados e parentes.
Deus nos julga conforme o que somos hoje. Nunca é tarde para nos arrependermos, porque Deus quer a vida para todos. Ezequiel nos fala em praticar o direito e a justiça, nos convertermos constantemente. Julgar que somos “justos” é uma cegueira pessoal que faz semear dúvidas sobre a conduta e as crenças de quem é diferente de nós. Filipos, comunidade dividida por causa do espírito de competição e egoísmo, foi a primeira cidade da Europa a receber a mensagem cristã, entre os anos 55-57. Por isso, Paulo apresenta Jesus como modelo de filho fiel e obediente que se torna servo e convida os que se dizem seguidores dele a terem “o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”. Para fazermos a vontade do Pai, a Carta aos Filipenses nos mostra o caminho assumido por Jesus: “Esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo”. O fato de sermos cristãos, de exercermos um ministério na Igreja, não deve ser motivo de elogios, de prepotência, de nos sentirmos mais e melhores que outras pessoas. É motivo sim de solidariedade, de espírito de comunhão e serviço; de um permanente processo de encarnação no mundo dos excluídos. Nesta carta, Paulo nos lembra que o esvaziar-se de qualquer orgulho é o caminho de quem deseja seguir Jesus até as últimas consequências. O Evangelho de hoje conta a parábola do filho que diz “não”, mas se arrepende e vai trabalhar na vinha do Pai; e do outro filho que diz “sim, senhor” ao pai, mas não vai. Jesus pergunta quem fez a vontade do Pai. Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo dizem que é o filho que disse “não”, mas cumpriu a vontade do Pai. Jesus completa dizendo que os cobradores de impostos e as prostitutas vão preceder no Reino de Deus os chefes que não acreditaram na pregação de João Batista e no caminho de justiça que ele ensinou. Fazendo o que Deus espera, quem é pecador torna-se justo; não fazendo, quem se considera justo torna-se pecador.
Hoje ouvimos uma das frases mais duras de Jesus: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”. A lei que Jesus exige é colocar em prática a vontade do Pai que ama toda pessoa e, em especial, os mais necessitados e desprezados. Jesus nos ensina a reconhecer a justiça das pessoas que não têm boa fama, mas praticam a justiça. Ensina-nos a denunciar, para o bem delas e de todos que sofrem sua influência, as que têm boa fama, os considerados santos, mas não praticam a justiça, conforme o projeto do Pai. Jesus é o filho que diz “sim” e faz o que o Pai


A liturgia do 26º domingo do tempo comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer “sim” a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus – um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilônia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança.
O Evangelho diz como se concretiza o compromisso do crente com Deus… O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.
A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana, fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projetos.
1ª leitura: Ez. 18,25-28 - Ambiente
Ezequiel, o “profeta da esperança”, exerceu o seu ministério na Babilônia no meio dos exilados judeus. O profeta fez parte dessa primeira leva de exilados que, em 597 a.C., Nabucodonosor deportou para a Babilônia.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento à vocação profética) e 586 a.C. (data em que Jerusalém foi conquistada uma segunda vez pelos exércitos de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados foi encaminhada para a Babilônia). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperanças dos exilados (convencidos de que o exílio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente à sua terra) e em denunciar a multiplicação das infidelidades a Jahwéh por parte desses membros do Povo judeu que escaparam ao primeiro exílio e que ficaram em Jerusalém.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrolou-se a partir de 586 a.C. e prolongou-se até cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerdócio e de culto, os exilados estavam desiludidos e duvidavam de Jahwéh e do compromisso que Deus tinha assumido com o seu Povo. Nessa fase, Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador não tinha abandonado nem esquecido o seu Povo.
Até esta altura, Israel refletia a sua relação com Deus em termos coletivos e não em termos individuais. A catequese de Israel considerava que a Aliança tinha sido feita, não com cada israelita individualmente, mas com toda a comunidade. Assim, as infidelidades de uns (inclusive dos antepassados) traziam sofrimento e morte a toda a comunidade; e a fidelidade de outros (inclusive dos antepassados) era fonte de vida e de bênção para todos.
Os exilados liam à luz desta perspectiva teológica o drama que tinha caído sobre eles. Consideravam que eram justos e bons, que não tinham pecado e que estavam ali a expiar os pecados de toda a nação. Havia até um refrão muito repetido por esta altura: “os pais comeram as uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados” (Ez. 18,2b). Parece ser uma reprovação velada à ação de Deus que, na perspectiva da teologia da época, fez dos exilados o bode expiatório de todas as infidelidades da nação. É justo, isto? Está certo que os justos paguem pelos pecadores?
É a estas questões que o profeta Ezequiel vai tentar responder.
Mensagem
Na verdade, os membros do Povo de Deus que estão exilados na Babilônia não podem “sacudir a água do capote” e presumir de justos e inocentes: não há justos e inocentes neste processo, uma vez que todos, sem exceção, são responsáveis por atitudes de infidelidade a Jahwéh e de desrespeito pelos seus mandamentos. Fará algum sentido que os exilados acusem Jahwéh de ser injusto, depois de terem violado sistematicamente a aliança e terem cometido tantos pecados e infidelidades (v. 25)?
Para além disso, Israel não pode continuar a esconder-se atrás de uma responsabilidade coletiva, que implica todos, mas não responsabiliza ninguém. Chegou a altura de cada membro do Povo de Deus se sentir pessoalmente responsável diante de Deus pelas suas ações e pelos compromissos assumidos no âmbito da Aliança. Cada membro do Povo de Deus tem de descobrir que, quando fizer escolhas erradas e se obstinar nelas, sofrerá as consequências; e que quando abandonar os caminhos de egoísmo e de pecado e optar por Deus e pelos seus valores, encontrará a vida (vs. 26-28).
Significa isto que o pecado de um membro da comunidade não afeta os outros irmãos, membros da mesma comunidade? É claro que afeta. O pecado introduz sempre elementos de desequilíbrio, de desarmonia, de egoísmo, de ruptura, que atingem todos aqueles que caminham conosco… Mas o que Ezequiel aqui pretende sublinhar é que cada homem ou mulher tem de sentir-se pessoalmente responsável diante de Deus pelas suas opções e pelos seus atos.
Esta superação da mentalidade coletiva, dando lugar à responsabilidade individual, é um dos grandes progressos na história teológica de Israel. Doravante, o Povo aprenderá a reagir em termos individuais e não em termos de massa. Está aberto o caminho para uma Nova Aliança: uma Aliança que não é feita genericamente com uma comunidade, mas uma Aliança pessoal e interior, feita com cada crente.
Atualização
Antes de mais, a leitura convida-nos a tomar consciência de que um compromisso com Deus é algo que nos implica profundamente e que devemos sentir pessoalmente, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. No nosso tempo – no tempo da cultura do plástico, do “light”, do efêmero – há alguma tendência a não assumir responsabilidades, a não absolutizar os compromissos (no mundo do futebol e da política há até uma máxima que define a flutuabilidade, a incoerência, a contradição em que as pessoas se movem: “o que é verdade hoje, é mentira amanhã”). Mas, com Deus, não há meias tintas: ou se assume, ou não se assume. Como é que eu sinto esses compromissos que assumi com Deus no dia do meu Batismo e que ao longo da vida, nas mais diversas circunstâncias, confirmei? Trata-se de algo que eu levo a sério e que eu aplico coerentemente a toda a minha existência e às opções que faço, ou de algo que eu só me lembro quando se trata de fazer uma bonita festa de casamento na igreja ou de cumprir a tradição e batiza os filhos?
O profeta Ezequiel convida-nos também a assumir, com verdade e coerência, a nossa responsabilidade pelos nossos gestos de egoísmo e de auto-suficiência em relação a Deus e em relação aos irmãos. Entre nós, no entanto, muitas vezes “a culpa morre solteira”. Há homens e mulheres que não têm o mínimo para viver dignamente? A culpa é da conjuntura econômica internacional… Há situações de violência extrema e de injustiça? A culpa é do governo que não legisla nem coloca suficientes polícias nas ruas… A minha comunidade cristã está dividida, estagnada e não testemunha suficientemente o amor de Jesus? A culpa é do Papa, ou do bispo, ou do padre… E a minha culpa? Eu não terei, muitas vezes, a minha quota-parte de responsabilidades em tantas situações negativas com que, dia a dia, convivo pacificamente? Eu não precisarei de me “converter”?

2ª leitura: Fl. 2,1-11 - Ambiente
Filipos, cidade situada no norte da Grécia, era uma cidade habitada majoritariamente por veteranos romanos do exército. Estava organizada à maneira de Roma e era uma espécie de Roma em miniatura. Os seus habitantes gozavam dos mesmos privilégios dos habitantes das cidades de Itália.
A comunidade cristã de Filipos foi fundada por Paulo no verão de 49, no decurso da sua segunda viagem missionária. Numa das estadias de Paulo na prisão (em Éfeso?), a comunidade enviou um dos seus membros para o ajudar e uma generosa quantia em dinheiro para prover às necessidades do apóstolo.
Apesar de ser uma comunidade viva, piedosa e generosa, a comunidade cristã de Filipos não era uma comunidade perfeita. O desprendimento, a humildade, a simplicidade, não eram valores demasiado apreciados entre os altivos patrícios romanos que compunham a comunidade.
É neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Trata-se de um texto que, em termos literários, apresenta duas partes. A primeira (vs. 1-5), em prosa, contém recomendações concretas de Paulo aos Filipenses acerca dos valores que devem cultivar. A segunda (vs. 6-11), em poesia, apresenta aos Filipenses o exemplo de Cristo (trata-se, provavelmente, de um hino pré-paulino, recitado nas celebrações litúrgicas cristãs e que Paulo integrou no texto da carta).
Mensagem
Na primeira parte (vs. 1-5), Paulo, em tom solene, pede aos altivos romanos que constituem a comunidade de Filipos que não se deixem dominar pelo orgulho, pela auto-suficiência, pela vaidade, pela ambição, que só provocam egoísmo e divisão. Recomenda-lhes que vivam unidos, que se amem e que sejam solidários, pois foi isso que Cristo, não só com palavras, mas com a própria vida, ensinou aos seus discípulos. Na segunda parte (vs. 6-11), Paulo vai referir-se, com mais pormenor, ao exemplo de Cristo. Para apresentar esse exemplo, Paulo recorre, então, ao tal hino litúrgico, que celebrava a “Kenosis” (“despojamento”) de Cristo e a sua exaltação.
Cristo Jesus – nomeado no princípio, no meio e no fim – constitui o motivo do hino. Dado que os Filipenses são cristãos, quer dizer, dado que Cristo é o protótipo a cuja imagem está configurada, têm a iniludível obrigação de comportar-se como Cristo. Como é o exemplo de Cristo?
O hino começa por aludir subtilmente ao contraste entre Adão (o homem que reivindicou ser como Deus e lhe desobedeceu – cf. Gn. 3,5.22) e Cristo (o Homem Novo que, ao orgulho e revolta de Adão responde com a humildade e a obediência ao Pai). A atitude de Adão trouxe fracasso e morte; a atitude de Jesus trouxe exaltação e vida.
Em traços precisos, o hino define o “despojamento” (“kenosis”) de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Não deixou de ser Deus; mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse “abaixamento” assumiu mesmo foros de escândalo: Ele aceitou uma morte infamante – a morte de cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical, da entrega total da vida.
No entanto, essa entrega completa ao plano do Pai não foi uma perda nem um fracasso: a obediência e entrega de Cristo aos projetos do Pai resultaram em ressurreição e glória. Em consequência da sua obediência, do seu amor, da sua entrega, Deus fez d’Ele o “Kyrios” (“Senhor” – nome que, no Antigo Testamento, substituía o nome impronunciável de Deus); e a humanidade inteira (“os céus, a terra e os infernos”) reconhece Jesus como “o senhor” que reina sobre toda a terra e que preside à história.
É óbvio o apelo à humildade, ao desprendimento, ao dom da vida que Paulo faz aos Filipenses e a todos os crentes: o cristão deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos; esse caminho não levará ao aniquilamento, mas à glorificação, à vida plena.
Atualização
Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados em muitos dos nossos ambientes contemporâneos. De acordo com os critérios que presidem ao nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com auto-suficiência e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros. Como pode um cristão (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?
Paulo tem consciência de que está a pedir aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo. Também a nós é pedido um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?
Evangelho: Mt. 21,28-32 - Ambiente
O texto que nos é proposto neste domingo situa-nos em Jerusalém, na etapa final da caminhada terrena de Jesus. Pouco antes, Jesus entrara em Jerusalém e fora recebido em triunfo pela multidão (cf. Mt. 21,1-11); no entanto, o entusiasmo inicial da cidade foi sendo substituído, aos poucos, por uma recusa categórica em acolher Jesus e o seu projeto.
Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo – os líderes religiosos judaicos – aparecem como o motor da oposição a Jesus. Eles não estão dispostos a reconhecer Jesus como o Messias de Deus e a aceitar que Ele tenha um mandato de Deus para propor aos homens uma nova realidade – a realidade do Reino. Há uma tensão no ar, que anuncia a proximidade da paixão e da morte de Jesus.
No quadro que antecede o episódio que nos é hoje proposto – mas que está em relação direta com ele – os líderes judeus encontraram-se com Jesus no Templo; perguntaram-Lhe com que autoridade Ele agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt. 21,23-27). Jesus respondeu-lhes convidando-os a pronunciarem-se sobre a origem do batismo de João. Os líderes judaicos não quiseram responder: se dissessem que João Baptista não vinha de Deus, tinham medo da reação da multidão (que considerava João um profeta); se admitissem que o batismo de João vinha de Deus, temiam que Jesus lhes perguntasse porque não o aceitaram… Diante do silêncio embaraçado dos seus interlocutores, Jesus deu-lhes a entender que não tinha uma resposta para lhes dar, enquanto eles continuassem de coração fechado, na recusa obstinada da novidade de Deus (anunciada por João e proposta pelo próprio Jesus).
Na sequência, Jesus vai apresentar três parábolas, destinadas a ilustrar a recusa de Israel em acolher a proposta do Reino. Com elas, Jesus convida os líderes da nação judaica a refletir sobre a situação de “gueto” em que se instalaram e a reconhecerem o sem sentido das suas posições fixistas e conservadoras. O nosso texto é a primeira dessas três parábolas.
Mensagem
A parábola dos dois filhos ilustra duas atitudes diversas diante dos desafios e das propostas de Deus.
O primeiro filho foi convidado pelo pai a trabalhar “na vinha”. A sua primeira resposta foi negativa: “não quero”. No contexto familiar da Palestina do tempo de Jesus, trata-se de uma resposta totalmente reprovável, particularmente porque uma atitude deste tipo ia contra todas as convenções sociais… Enchia um pai de vergonha e punha em causa a sua autoridade diante dos familiares, dos amigos, dos vizinhos. No entanto, este primeiro filho acabou por reconsiderar e por ir trabalhar na vinha (vs. 28-29).
O segundo filho, diante do mesmo convite, respondeu: “vou, sim, senhor”. Deu ao pai uma resposta satisfatória, que não punha em causa a sua autoridade e a sua “honra”. Ficou bem visto diante de todos e todos o consideraram um filho exemplar. No entanto, acabou por não ir trabalhar na vinha (v. 30).
A questão posta, em seguida, por Jesus, é: “qual dos dois fez a vontade do pai?” A resposta é tão óbvia que os próprios interlocutores de Jesus não têm qualquer pejo em a dar: “o primeiro” (v. 31).
A parábola ensina que, na perspectiva de Deus, o importante não é quem se comportou bem e não escandalizou os outros; mas, de acordo com a lógica de Deus, o importante é cumprir, realmente, a vontade do pai. Na perspectiva de Deus, não bastam palavras bonitas ou declarações de boas intenções; mas é preciso uma resposta adequada e coerente aos desafios e às propostas do Pai (Deus).
É certo que os fariseus, os sacerdotes, os anciãos do Povo, disseram “sim” a Deus ao aceitar a Lei de Moisés… A sua atitude – como a do filho que disse “sim” e depois não foi trabalhar para a vinha – foi irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas, do ponto de vista do cumprimento da vontade de Deus, a sua atitude foi uma mentira, pois recusaram-se a acolher o convite de João à conversão. Em contrapartida, aqueles que, de acordo com o “política e religiosamente correto” disseram “não” (por exemplo, os cobradores de impostos e as prostitutas), cumpriram a vontade do Pai: acolheram o convite de João à conversão e acolheram a proposta do Reino que Jesus veio apresentar (v. 32).
Lida no contexto do ministério de Jesus, esta parábola dava uma resposta àqueles que O acusavam de acolher os pecadores e os marginais – isto é, aqueles que, de acordo com as “convenções”, disseram não a Deus. Jesus deixa claro que, na perspectiva de Deus, não interessam as convenções externas, mas a atitude interior. O que honra a Deus não é o que cumpre ritos externos e que dá “boa impressão” às massas; mas é o que cumpre a vontade de Deus.
Mais tarde, a comunidade de Mateus leu a mesma parábola numa perspectiva um pouco diversa. Ela serviu para iluminar a recusa do Evangelho por parte dos judeus e o seu acolhimento por parte dos pagãos. Israel seria esse “filho” que aceitou trabalhar na vinha mas, na realidade, não cumpriu a vontade do Pai; os pagãos seriam esse “filho” que, aparentemente, esteve sempre à margem dos projetos do Pai, mas aceitou o Evangelho de Jesus e aderiu ao Reino.
Atualização
Antes de mais, a parábola dos dois filhos chamados para trabalhar “na vinha” do pai sugere que, na perspectiva de Deus, todos os seus filhos são iguais e têm a mesma responsabilidade na construção do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e quer ver todos os seus filhos – sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, de formação intelectual – implicados na concretização desse projeto. Ninguém está dispensado de colaborar com Deus na construção de um mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno. Tenho consciência de que também eu sou chamado a trabalhar na vinha de Deus?
Diante do chamamento de Deus, há dois tipos de resposta… Há aqueles que escutam o chamamento de Deus, mas não são capazes de vencer o imobilismo, a preguiça, o comodismo, o egoísmo, a auto-suficiência e não vão trabalhar para a vinha (mesmo que tenham dito “sim” a Deus e tenham sido batizados); e há aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa. De que lado estou eu? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os seus desafios, a empenhar-me na construção de um mundo mais bonito e mais feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um papel ativo no projeto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o mundo?
O que é que significa, exatamente, dizer “sim” a Deus? É ser batizado ou crismado? É casar na igreja? É fazer parte de uma confraria qualquer da paróquia? É fazer parte da equipa que gere a Fábrica da Igreja? É ter feito votos num qualquer instituto religiosos? É ir todos os dias à missa e rezar diariamente a liturgia das horas? Atenção: na parábola apresentada por Jesus, não chega dizer um “sim” inicial a Deus; mas é preciso que esse “sim” inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na “vinha” do Senhor. Ou seja: não bastam palavras e declarações de boas intenções; é preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de paz. Como me situo face a isto: sou um cristão “de registro”, que tem o nome nos livros da paróquia, ou sou um cristão “de fato”, que dia a dia procura acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus apelos e colaborar com Ele na construção de uma nova terra, de justiça, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens?
Nas nossas comunidades cristãs aparecem, com alguma frequência, pessoas que sabem tudo sobre Deus, que se consideram família privilegiada de Deus, mas que desprezam esses irmãos que não têm um comportamento “religiosamente correto” ou que não cumprem estritamente as regras do “bom comportamento” cristão… Atenção: não temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e marginalizar… Na perspectiva de Deus, o importante não é que alguém se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado trabalhar “na vinha”. A este propósito, Jesus diz algo de inaudito aos “santos” príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo: “os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus”. Hoje, que é que isto significa? Hoje, quem são os “vós”? Hoje, quem são os “publicanos e mulheres de má vida”?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

OS PRIMEIROS SERÃO OS ÚLTIMOS

25º DOMINGO TEMPO COMUM

Comentários-Prof.Fernando


21 de Setembro de 2014

AnoA

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS-José salviano


OS PRIMEIROS SERÃO OS ÚLTIMOS

Evangelho - Mt 20,1-16a



         Os parâmetros da justiça de Deus são diferentes dos nossos.  Aparentemente, os trabalhadores da primeira hora estavam certos em reclamar pelo modo injusto do patrão pagar os trabalhadores da última hora com o mesmo valor que pagaram a eles, que deram duro desde as primeiras horas da madrugada.  Continua...



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NO REINO DE DEUS TODOS SÃO IGUAIS! – Olívia Coutinho

25° DOMINGO COMUM

Dia 21 de Setembro de 2014

Evangelho de Mt 20,1-16

Estamos no mês da Bíblia, um tempo especial, que tem como propósito nos despertar  para a  importância de darmos uma atenção maior à   palavra de Deus! A Bíblia não é somente um livro de estudo, de referencias históricas, ela é muito mais que isto, a Bíblia é fonte de  transformação de vida, é o guia para a nossa vida diária!  
Quando fechada, a bíblia é um livro comum, mas quando aberta, ela se torna o livro da vida, a bússola que nos orienta na nossa trajetória terrena!
Numa comunidade que alimenta a sua intimidade com a bíblia,  acontece muitas mudanças significativas, tanto na catequese, quanto na liturgia, como também na vivencia  do dia a dia, pois através da leitura profunda,  todos vão se inteirando  do querer de Deus, se  colocando na dinâmica do Reino!
O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, chama a nossa atenção para a importância da igualdade entre irmãos! A narrativa  nos mostra que para os homens, há diferença entre as pessoas, mas para  Deus todos são iguais!  O amor de Deus é igualitário para com todos!
Os primeiros cristãos sentiram-se enciumados vendo Jesus acolher os pagãos. Estes cristãos de origem judaica,  tinham muitas dificuldades em aceitar os pagãos em pé de igualdade diante de Jesus.  Eles  se sentiam no direito de terem  privilégios,  por se considerarem  o povo escolhido! Esta, certamente, deve ter sido uma das razões que levou Jesus a contar esta parábola, no sentido de fazê-los compreender, de  que o Reino de Deus, é para todos!  
Os pagãos, vistos pelos judeus  como pecadores, representam os que hoje, chegam na última hora, ora, porque ainda não haviam sido convidados, ora, porque  demoraram a se decidirem! A comparação feita por Jesus, vem nos dizer, que entre  os cristãos, não pode haver diferença, entre os que já estão na comunidade a mais tempo, e os que estão chegando!
Através de uma parábola, Jesus nos mostra  que a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens! Para os homens, uma pessoa vale por aquilo que ela produz, aquele que não produz, é descartado, podemos constatar isto claramente vendo o descaso da sociedade  para com os idosos, os doentes... Enquanto que para Deus, o valor da pessoa está na sua essência!
Na parábola, o patrão simboliza o Pai, a Vinha, o Reino de Deus! O sentido principal desta Parábola, é destacar a incomparável generosidade de Deus! Deus é um Pai solícito, Ele está  sempre pronto para  nos acolher, sem considerar o tempo da nossa adesão a sua proposta de vida nova, anunciada por Jesus!  A Salvação é graça de Deus, não a alcançaremos por nossos méritos,  e sim, pela sua misericórdia! 
Todos são convidados a trabalhar na Vinha do Senhor, uns acolhe o seu chamado no alvorecer de sua vida, isto é, no auge da  sua juventude, outros, já mais maduros e outros, já  na idade avançada! O importante para o dono da vinha, não é o tempo que acontece a adesão, e sim a resposta que se dá ao chamado!
No Reino de Deus, todos tem  os mesmos direitos, independente  do tempo de serviços prestados!  A recompensa,  é  igual para todos, isto é: um lugar definitivo no coração do Pai!
Como operários antigos  da vinha do Senhor, não temos o direito de reivindicar privilégios,  pelo contrário, devemos privilegiar, acolhendo  com carinho os novos trabalhadores que vão se somando a nós, no cultivo da vinha!
Para Deus, o que é creditado a nosso favor, é  a gratuidade no servir, afinal, tudo que temos e que somos, nos foi dado gratuitamente por Ele, portanto, todos os nossos dons, devem  ser colocado à serviço do Reino!
Muitos,  tem muito a oferecer, mais ainda vagueiam por aí, ao invés de barreira, sejamos caminho, para que estes, encontrem o seu lugar no reino de Deus, construído por cada um de nós, aqui na terra!
 No Reino dos céus, os valores, são  completamente diferentes, do que o mundo vê como valores! No Reino dos céus, a vida é o maior valor!
 O verdadeiro seguidor de Jesus não faz questão de ser o maior,  o que  importa para ele, é estar à serviço!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia

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Tomemos como norte de nossa meditação da Palavra que o Senhor nos dirige neste domingo a leitura primeira desta liturgia sagrada, retirada da profecia de Isaías. O profeta convida-nos, dirige-nos um apelo para que busquemos o Senhor, o invoquemos, voltemos para ele. Eis aqui, caríssimos, um grito tão necessário nesses tempos do homem cheio de si, preocupado consigo, embriagado pelos seus próprios feitos e tão confiado em suas próprias idéias! O profeta grita-nos, quase que nos prevenindo, ameaçando-nos: “Buscai o Senhor; invocai-o! Que volte para o Senhor!”
Mas, isso significa ter a coragem de sair de si mesmo para abraçar os pensamentos e caminhos do Senhor. Pensem bem, caríssimos, que felicidade, que graça: abraçar os desígnios de Deus, entrar no seu projeto, viver a sua proposta! Pensem bem: não seria isso a sabedoria plena, a felicidade verdadeira da humanidade e do mundo? E, no entanto, isso não é possível sem um doloroso e generoso processo de conversão. Porque, infelizmente, os pensamentos do Senhor não são os nossos e os nossos caminhos não são os do Senhor! Que triste desacordo, que desencontro danado! Escutem: “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor!” Isto não é brincadeira: o homem sozinho não pensa como Deus, não caminha no caminho de Deus: nem na ONU nem na Casa Branca nem no Palácio do Planalto nem no Congresso nem mesmo no nosso coração! Somente a conversão pode nos elevar ao pensamento de Deus e fazer com que nossos caminhos sejam os dele: “Abandone o ímpio seu caminho e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor!” Voltar para o Senhor! Volte, ó homem do século XXI, para o Senhor! Deixe sua auto-suficiência, seu cinismo, deixe sua ilusão de pensar que sabe tudo, que é maduro o bastante para prescindir de Deus! “Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto está perto; volte para o Senhor, que terá piedade, volte para o nosso Deus, que é generoso no perdão!”
O Senhor nos procura, como o dono da vinha do Evangelho de hoje – e procura-nos com insistência: sai de madrugada à nossa procura, porque o amor tem pressa, o amor anseia encontrar a pessoa amada. E, como o amor é insistente, o Senhor vem sempre, a cada momento, em cada ocasião, sempre à nossa procura: pelas nove, ao meio-dia, pelas três... e até mesmo às cinco da tarde, quando o sol já se esconde, o Senhor vem novamente! Sempre é tempo de conversão, sempre é tempo de voltar para o Senhor! Aí, então, experimentaremos que tudo é graça, que o pensamento de Deus para nós é amor que não é mesquinho, que sabe tratar a todos com generosidade, fazendo primeiro no seu Reino aquele que tem coragem de crer no amor, de ir ao encontro do Senhor mesmo que seja a última hora! Ó mundo, ó humanidade, ó cristão, voltai para o Senhor! A única coisa que vos pede é que acrediteis no seu amor generoso e no seu perdão abundante e vos convertais de todo o coração!
Converter-se, significa entrar na maravilhosa experiência que são Paulo testemunha na segunda leitura de hoje: viver de um modo novo, de um viver diferente: “Para mim, viver é Cristo! Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte!” Para que idéia mais bela do que seja a conversão: viver em Cristo! Notemos os passos do pensamento do apóstolo. Ele é tão unido a Cristo, tão apaixonado por ele, que seja na vida seja na morte sabe que está unido ao seu Senhor e em tudo o Senhor é nele glorificado. Que é a vida para quem voltou para o Senhor? A vida é Cristo! Que é a morte para quem vive mergulhado no Senhor? A morte é estar com Cristo e, por isso, é lucro! Por isso, a vida de Paulo – e a do cristão, com Paulo – é atraída para o seu Senhor: “Tenho o desejo de partir para estar com Cristo!” Eis por que Paulo vive, eis para que vive: para estar com Cristo! Aqui, uma observação: prestem atenção que São Paulo sabe muito bem que assim que morrer vai estar com Cristo. Por isso mesmo ele diz que isso “para mim, seria de longe o melhor!” Jamais o apóstolo compartilharia a afirmação errônea das seitas protestantes, que pensam que os que morrem em Cristo ficam dormindo. Se ficassem, não seria melhor para Paulo partir para estar com Cristo; seria melhor continuar vivendo e trabalhando pelos irmãos. Portanto, nem a vida nem a morte nos podem mais separar do amor de Cristo. É só voltarmos para o Senhor, é só procurá-lo de todo o coração com nosso afeto, com nossos atos, com nosso desejo sincero de a ele nos converter de todo coração!
Buscai o Senhor, voltai para o Senhor, invocai o Senhor! E, lembrai-vos: ele é tão bom, que se deixa encontrar! Primeiro nos atrai e, depois, deixa que o encontremos e, como o senhor da parábola, nos enche de dons, sem levar em conta a hora em que nos convertemos em trabalhadores da sua vinha. Mas, querem saber qual é a hora da conversão? Esta, agora! Voltai para o Senhor!
dom Henrique Soares da Costa
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Meus caminhos não são os vossos (Is 55,8)
As leituras de hoje exortam-nos a tomar cuidado para não reduzir Deus aos critérios humanos, por melhor que eles sejam. Deus ultrapassa tudo o que se pode pensar ou dizer sobre ele. Muitas vezes seus planos se tornam incompreensíveis ao ser humano. Quando isso acontece, resta-nos perseverar na fidelidade sem mudar de caminho, a exemplo de Jesus, que disse: “Pai, afasta de mim este cálice, contudo não se faça a minha vontade, mas, sim, a tua” (cf. Mt. 26,39).
Evangelho (Mt. 20,1-16a)
“Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”.
O texto situa-se no “sermão sobre a comunidade”. Jesus continua instruindo seus seguidores sobre como se comportar no mundo.
O reino dos céus é aqui comparado ao proprietário que contratou vários trabalhadores para sua vinha, em horários diferentes. No final, paga a todos igualmente, começando pelos últimos, contratados à tardinha, até os primeiros, contratados de manhã.
A maneira como o patrão trata seus operários nos chama a atenção para a gratuidade com que Deus nos acolhe em seu reino. Não é segundo os critérios humanos que Deus age em favor da humanidade. A estranheza das palavras de Jesus nessa parábola deve nos chamar a atenção para nossa maneira de julgar a Deus ou de atribuir-lhe atitudes especificamente humanas.
Geralmente o ser humano quer recompensa por suas boas ações. E, quando não se sente recompensado, acha que Deus é injusto, ou não o ama, ou esqueceu-se dele. Costuma-se até dizer: “Por que Deus não atende às minhas preces? Sou tão dedicado, tenho tanta fé!”.
Mas a maneira de Deus agir não se iguala à nossa. Ele é absolutamente livre para agir como quiser. E essa liberdade é pontuada por seu amor incondicional e sua generosidade inestimável. Deus nos ama e deu-nos mais do que ousamos pedir. Deu-nos a vida. Deu-nos a si mesmo no seu Filho. Deu-nos a eternidade ao seu lado.
Por isso, o reino dos céus não se apresenta como recompensa por nossos méritos pessoais. É puro dom de Deus, que nos chama gratuitamente a participar da vida plena. Cabe a nós acolhê-lo como dom ou ficar numa atitude mesquinha de sempre esperar recompensas por méritos prévios. Isso não é cristianismo, não é gratuidade. Isso não é resposta amorosa a Deus.
1ª leitura (Is. 55,6-9)
Que o perverso deixe o seu caminho
O texto da primeira leitura é uma oferta de perdão, de paz e de felicidade para os pecadores. Em primeiro lugar, assegura que as orações e o arrependimento serão acolhidos por Deus: “buscai o Senhor... invocai-o... deixe o mau caminho... converta-se... que o Senhor se compadecerá” (v. 6-7).
Deus não é como o ser humano, seus pensamentos são totalmente diferentes. Deus é infinitamente fiel: não desiste de seus filhos, não cessa de ofertar-lhes sua misericórdia sem limites. Ao contrário, o ser humano desiste de Deus, trilha outros caminhos bem diferentes daqueles que são propostos pelo Senhor.
“Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor... volte-se para o nosso Deus” (v. 7).
Em primeiro lugar, arrepender-se é mudar de caminho, de atitudes, é tomar outros tipos de decisões, fazer outras escolhas. Mas não é só isso: há que mudar também os pensamentos, ou seja, transformar-se internamente, mudando de mentalidade em relação ao mundo, às pessoas e às situações; mudar de idéia a respeito de si mesmo, mudar até mesmo as concepções sobre Deus e sobre seus caminhos, porque o Senhor sempre estará muito além do que se pode dizer e pensar a respeito dele.
Converter-se é mudar de mente e voltar aos caminhos do Senhor. Mas voltar a ele não porque houve total compreensão do seu projeto, e sim porque ele é soberano e misericordioso. A vida humana só tem sentido no relacionamento com Deus, e, quando seus caminhos são difíceis de entender e de trilhar, resta, acima de tudo, perseverar na fidelidade.
2ª leitura (Fl. 1,20c-24.27a)
Meu viver é Cristo
Grande exemplo de perseverança, mesmo que os planos de Deus se tornem incompreensíveis, é-nos dado na leitura da epístola aos Filipenses. O cristão vive unicamente para Deus, não em função de recompensas por méritos pessoais. Qualquer que seja a situação, boa ou ruim, deve perseverar no bem e na busca de agradar unicamente a Deus, seguindo em frente sem hesitar.
O cristão não deve desanimar nunca, mesmo se, depois de repetidos esforços, sentir-se fracassado ou mesmo perseguido, como o apóstolo Paulo. É necessário confiar somente em Deus, pois só ele pode dar eficácia à atividade humana. Mesmo sem entender o que acontece consigo, o cristão deve viver de modo digno do evangelho (v. 27).
Pistas para reflexão
Não considerar a parábola no plano da justiça social, mas respeitar a estranheza das palavras de Jesus, que tem por objetivo nos conscientizar de que o reino de Deus não se baseia em mérito-recompensa, mas é puro dom. O próximo domingo será o dia da Bíblia; é bom destacar a importância do itinerário do povo de Deus, comparando-o ao daqueles trabalhadores das primeiras horas. Os hebreus foram os primeiros a responder “sim” ao apelo do dono da vinha. As demais nações herdaram desse povo as alianças, as promessas, a história e principalmente o Messias. Sejamos gratos a Deus e a Israel, nosso irmão mais velho, fatigado pelo dia inteiro de trabalho.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj
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Histórias de muitas vidas
Cada um de nós teve seu encontro particular com o Senhor. Há os que desde a infância estiveram perto do Senhor. Nasceram num ambiente profundamente cristão, sentiram a presença do Senhor no jeito como seus pais se dirigiam a ele, sentiam-no presente na festa dos domingos. Foram operários desde a primeira hora.  Alguns construíram belamente sua vida conjugal e familiar. Outros optaram por um caminho de vida consagrada e dedicada às missões.  Isto desde a primeira hora. E alguns desses morrem quase centenários cheios de virtudes que foram sendo adquiridas desde a infância.
Outros, no meio dia da vida, despertaram para a fé. Depois de viverem, quem sabe um sofrimento duro ou uma alegria inesperada se jogaram aos pés do Senhor, deixaram ilusões e quimeras e passaram a fazer com que seu coração tivesse as batidas do coração de Deus. Reorganizaram sua vida, arrumaram sua história, passaram a ter um contato íntimo e vigoroso com o Senhor e a trabalhar na vinha.
Outros ainda, já quando os filhos cresceram, pelas três da tarde da vida, depois de uma vida sem nada de tão errado, mas superficial, sentiram uma vontade louca  de se perderem em Deus.
Passaram a frequentar as Escrituras, procuraram perambular pelos espaços onde pudessem encontrar  Cristo no rosto dos mais abandonados e desvalidos. Deram parte de seus bens para os pobres e o tempo todo de seus dias para viverem a ventura do amor.
Finalmente há histórias que, por circunstâncias diversas,  estiveram  longe do coração de Deus. Vidas estraçalhadas, vazias, marginalizadas, prostituídas, esquecidas. Pessoas que estavam na iminência de uma total auto-destruição. Tais histórias receberam um convite de uma passagem dos evangelhos, de um amigo, de um sacerdote zeloso a que, mesmo no fim da vida, na última hora,  passassem a ser do Senhor. Estes são os operários da última hora....
Há histórias diferentes... há diferentes trajetórias entre aqueles que buscam a Deus... O importante é continuar, não desanimar, recomeçar... é sempre tempo de recomeçar...
“Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?”
frei Almir Ribeiro Guimaeães

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Os operários da última hora
Para nós, justiça é pagar algo com o preço equivalente. Mas para Deus, justo é o que é bom, certo. Para nós, justiça é pagar algo com o preço equivalente. Mas para Deus, justo é o que é bom, certo. Como uma tampa é justa quando ela serve direitinho. Deus, na sua justiça, “ajusta” tudo o que faz (Sl. 146[145], 17; salmo responsorial). Assim, a justiça de Deus não é contrária à sua
bondade. E idêntica! Em Ez. 18,25, Deus se defende da acusação de ser injusto quando perdoa ao pecador que se converte. Deus não está interessado em pagamento, mas em vida: “Não quero a morte do pecador, mas sim, que ele se converta e viva” (Ez. 18,23). A mesma mensagem traz a 1ª leitura de hoje, Is. 55,6-9, convite para o tempo messiânico, que é também o tempo da plena revelação da estranha justiça de Deus, que tanto ultrapassa a nossa quanto o céu transcende a terra.
Nessa perspectiva, a parábola de Jesus no evangelho não é apenas uma lição para fazer-nos refletir sobre a justiça de Deus, mas ainda uma proclamação de que chegou o Reino de Deus, a realidade messiânica: buscai o Senhor, é o momento (cf. Is 55,6)! Como é, então, esse tempo messiânico, esse Reino em que se realiza sem restrição o que Deus deseja? É como um dono que, em vários momentos do dia, contrata operários por uma diária e os manda trabalhar na vinha. Ainda às cinco da tarde (“undécima hora’) encontra alguns que até então não foram contratados (pormenor importante!) e também os manda à vinha. Ao pôr-do-sol, fazem-se as contas. Para escândalo dos “bons”, que trabalharam desde cedo, o dono começa pelos últimos, pagando-lhes a diária completa, tanto quanto aos primeiros... Aí descarrilam os nossos cálculos de retribuição. Mas Deus não está retribuindo, ele está fazendo o melhor que pode: “Me olhas de mau olhar porque sou bom?” Os primeiros tiveram tudo de que precisavam: trabalho, segurança e diária. Os últimos sofreram a insegurança, mas eles também devem viver, portanto, é bom dar a diária completa a eles também. Entendemos isso apenas quando temos uma mentalidade de comunhão, não de varejista. Tudo é de Deus. Não importa que eu receba menos ou mais que um outro; o importante é que todos tenham o necessário. E, se depender de Deus, é isso que acontecerá, pois “ele acerta em todas as suas obras” (Sl. 145[l44],17).
“Os últimos serão os primeiros, e os primeiros os últimos” (Mt. 20,16). Deus desafia a justiça calculista, auto-suficiente... Se achamos que podemos colocar-nos na frente da fila para acertar nossas contas com ele, estamos enganados. Os israelitas foram chamados primeiros e se gloriavam disso, achando que, por serem filhos de Abraão, por circuncidarem-se e observarem a Lei e a tradição, podiam reclamar o céu. Na última hora, Deus encontrou os que ainda não tinham sido convidados, os gentios, e estes precederam os israelitas auto-suficientes no Reino. Inclusive, isso serve para que esses israelitas mudem de idéia e se abram para o espírito de participação e gratuidade, que é o espírito do Reino. A graça não se paga; recebe-se. As pessoas “muito de Igreja” incorrem no perigo do farisaísmo, de achar que merecem o céu. Um presente não se merece. Ser bom cristão não é merecer o céu: é guardar-se sempre em prontidão para o receber de graça. E não querer mal àqueles que recebem essa oportunidade “em cima do laço”.
Pensemos em Paulo (2ª leitura), que não sabe o que escolher: viver para um frutuoso trabalho ou morrer para estar com Cristo. Continuar a trabalhar não teria para ele o sentido de ganhar o céu; desejá-lo-ia somente porque seria bom para os filipenses. Mas o que ele deseja mesmo é participar plenamente da proximidade do Senhor Jesus. Viver, para ele, é Cristo. Uma vida animada pela amizade por Cristo, não pelo cálculo... Na mesma carta, ele dirá que seu espírito de merecimento, suas vantagens conforme os critérios farisaicos, ele considera tudo isso como perda, como esterco (FI. 3,7-8)! Só o impulsiona ainda a graça, a gratuita bondade que Deus lhe manifestou em Jesus Cristo.
É difícil para o cristão tradicional assimilar esse espírito. Deve converter-se da preocupação de fazer tudo direitinho para ganhar o céu! Pois deve saber que sempre ficará devendo (cf. 6º dom, do T.C.) e terá de contar com a gratuita bondade de Deus tanto quanto os pecadores, que, muitas vezes, compreendem melhor a necessidade da graça.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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1. A Palavra de Deus não tem somente um sentido espiritual, mas também existencial. Isso quer dizer que para entendermos o sentido das paginas da Bíblia e, sobretudo do Evangelho, devemos aprender a entrarmos nela com a nossa vida. A final de conta, a Bíblia é uma Palavra que Deus dirige aos homens e mulheres de todos os tempos para salvar-nos de uma vida vazia, perdida. Se as vezes sentimos a distancia entre nós e a Bíblia é porque não deixamos que ela penetre na nossa existência. Por isso as vezes, sentimos indiferença no confronto da Palavra, talvez porque achamos que Ela não tem nada pra dizer a nós de importante e por isso não prestamos atenção. Para que a palavra de Deus possa revelar os seus sentidos pela nossa existência, precisa de duas condições essenciais. A primeira é o tempo. É impossível entender algo de profundo da Palavra de Deus se não dedicarmos o tempo necessário. A segunda é a docilidade ao Espírito Santo. É aquilo que nos aconselho são Paulo na segunda leitura de hoje: “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza” (Rom. 8,26). De que fraqueza se trata? Talvez da nossa capacidade de entender, compreender os conteúdos profundos da palavra de Deus. É com estas atitudes que abrimos as paginas da Palavra de hoje e, para agilizar a nossa compreensão, podemos também formular algumas perguntas. De fato, o pano de fundo existencial das parábolas de Jesus que hoje ouvimos, pode ser referido a nossa maneira de criar laços humanos, de fazer amizades. Por isso podemos nos perguntar: quem são hoje os nossos amigos? Quais são os critérios que utilizamos para discerni-los?
2. “Deixai crescer um e outro até a colheita!” (Mt. 13,30).
Na parábola do joio, Jesus pronuncia uma sentença importante. No tempo presente é impossível separar o trigo do joio, porque o perigo imediato seria aquele de arrancar o trigo junto com o joio. Este trabalho de divisão do trigo do joio será feito só no final dos tempos. Qual é o sentido existencial e espiritual destas palavras de Jesus? Jesus está ajudando os discípulos a aprender a conviver com as pessoas ruim. O motivo disso talvez seja contido na outra parábola que Jesus narra hoje no Evangelho. “O reino dos céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado” (Mt. 13,33). Este é o interesse de Jesus: que tudo fique fermentado, ou seja, que nada seja desperdiçado. Por isso Jesus nos convida a aprender a lidar com as pessoas ruim, a rezar e até amar os nossos inimigos, a perdoar sempre, porque a esperança é que tudo se salve, que a semente do Evangelho possa no tempo, nos séculos, fermentar toda a realidade, também a humanidade ruim. Jesus não apenas falou isso, mas viveu aquilo que pregava pelos outros. Olhando a turma dos seus discípulos, Jesus conviveu com pessoas que, enquanto escutavam as suas palavras e partilhavam a sua vida, matutavam outros planos. É o caso de Judá, o discípulo que traiu o Mestre. A mesma coisa podemos falar de Pedro. Apesar de ter sido escolhido como chefe dos discípulos, na hora da perseguição renegou o Senhor por três vezes. Jesus nos ensina que a caridade é paciente, sabe esperar o tempo da passagem do Seu Espírito no coração das pessoas, para que possam mudar. Esta, talvez, seja uma das características da vivencia cristã, que marca a nossa caminhada. Se, de fato, o mundo descarta logo quem julgou que não presta, o cristão sabe que não cabe a ele o julgamento, mas ao Senhor. Tempo presente é o tempo da conversão, da esperança que algo mude. Só Deus conhece os nossos corações, só Ele sabe aquilo que está acontecendo no coração do homem e da mulher. É esta uma grande indicação ao mesmo tempo espiritual e existencial para entrarmos nas nossas famílias, comunidades, grupos de amigos, lugares de trabalho com uma atitude diferente, menos arrogante e mundana e mais cristã e humana, respeitosa dos tempos dos outros.
3. “O reino dos céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo” (Mt. 13,31).
Também nesta breve parábola Jesus nos oferece um ensinamento de grande importância, que vale a pena salientar. O mundo nos acostuma a pensar que vale somente aquilo que se apresenta com as características da grandeza, aquilo que é deslumbrante. Muitas pessoas fascinadas com esta miragem passam a vida toda sonhado conseguir alcançar objetos de valor, dinheiro, fama, gloria. Jesus com poucas palavras revela que a dignidade de uma pessoa não passa por ai. O reino dos Céus, no qual nós batizados somos envolvidos, é como uma semente de mostarda, ou seja, pequeno e não grande. É a menor semente e não a maior. É escondida dentro da terra e não manifestada perante todos. Quer dizer isso para nós? Que a lógica do reino, a lógica do Evangelho é totalmente diferente da lógica do mundo. Quem busca a Deus com todas as forças, não precisa daquilo que o mundo oferece. A sede do poder, do dinheiro, das coisas materiais são sintomas daquilo que está dentro do coração do homem: não precisa falar, se explicar, se justificar. Aonde é o meu coração lá e o meu tesouro. Se o nosso coração é repleto de Deus e do seu amor, na nossa vida, no nosso dia a dia buscaremos aquilo que é menor, escondido, pequeno. Se o Evangelho está preenchendo a nossa alma, então os nossos desejos serão os mesmo desejos de Cristo, que de rico que era se fez pobre para nos encontrar e que, apesar de ser de natureza divina se despojou disso para encontrar a nossa humanidade. O cristianismo, o caminho que Jesus traçou não é um punhado de palavras, mas sim um estilo de vida, uma maneira diferente de viver. E este estilo de vida não se expressa apenas na vida consagrada, mas deve brilhar na vida corriqueira das pessoas casadas em Cristo, nas famílias que tem no Evangelho o programa de vida, nos jovens que anseiam o amor de Jesus, nos adolescentes que estão aprendendo os primeiros passos da vida cristã, nos namorados que desejam viver o amor conforme se manifestou na vida de Jesus. A semente de mostarda que é o Evangelho, que é Jesus, quer transformar toda a nossa humanidade, toda a historia e o mundo em amor. E o amor não é vulgarmente exposto ao olhar do mundo, mas é escondido nos pequenos gestos da vida concreta. Por isso precisamos da Eucaristia, precisamos que Deus derrame este amor nos nossos corações, para que aprendemos a conviver com todos, também com as pessoas ruim, esperando no julgamento final. Precisamos da Eucaristia para vencermos as ilusões de gloria e grandeza que o mundo coloca na nossa frente, para continuarmos a almejar a vida escondida de Cristo, que da pequena e humilde cidade de Nazaré, transformou e continua transformando a humanidade toda.
padre Paolo Cugini


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A justiça se manifesta como gratuidade
1. Para mim, viver é Cristo 
Paulo, na carta aos Filipenses, dá-nos o belo testemunho de uma vida cristã totalmente unida a Cristo. O quê não sofreu por Cristo? Mas nada o fez separar-se de Cristo. Ele é assim, porque foi conquistado por Cristo (FI. 3,12). Sua correspondência foi total, a ponto de dizer: "Para mim, viver é Cristo" (FI. 1,23). 
O apóstolo tem de onde tirar essa "loucura" por Cristo (1Cor. 2,14). É a sabedoria do Espírito, que o leva a viver à altura do evangelho de Cristo. Vivendo o Evangelho, vive a vida do Espírito e vive Cristo - "meu viver é Cristo". 
Para Paulo, era a mesma coisa viver ou morrer, pois dos dois modos estava unido a Cristo. Deus é abundante, por Cristo nos dá tudo. O que o mundo oferece é bom, mas nem sempre é necessário ou urgente. Passamos bem unidos a Cristo! 
Viver em Cristo é a maior contribuição que podemos dar às pessoas, às instituições e à sabedoria do mundo. Em Cristo, Deus nos deu todas as coisas e, oferecendo-o às pessoas, através de nossa vida, estamos dando mais do que poderiam pedir. 
2. O Senhor é amor, paciência e compaixão 
Nossa união com Cristo funda-se em um grande dom: O Pai nos deu o Filho quando ainda éramos pecadores (Rm. 5,8). O Pai "é misericórdia e piedade, amor, paciência e compaixão. Muito bom para com todos. Sua ternura abraça toda a criatura" (SI. 144). 
Cristo é a encarnação desta bondade do Pai. Paulo diz, referindo-se à entrada de Jesus no mundo: "Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens" (Tt. 3,4). 
Estar à altura do evangelho de Cristo é refletir esta bondade em nossa vida. Nosso viver será a vida de Cristo. 
3. Deus é Generoso Demais 
Na parábola dos operários da última hora, entendemos que Deus nos faz justiça e, ainda mais, é maior do que nossas exigências. Tudo que pensamos receber de Deus por termos feito o bem ou cumprido nosso dever, Ele nos faz por justiça.
Mas a justiça de Deus é misericórdia e generosidade. A parábola nos mostra que não devemos ficar enciumados dos dons que Deus oferece a todos, mesmo àqueles que julgamos não merecer. Basta contemplar o que temos e que nos vem de Deus. Veremos que ultrapassa todas as nossas expectativas e vai mais longe do que merecemos. 
dom Emanuel Messias de Oliveira
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Os cristãos judeus achavam que, como povo escolhido por Deus, deveriam ter certos privilégios e direitos diferenciados dos demais cristãos, e eram condicionados a cumprir a lei acreditando que não havia o perdão para o erro, mas somente a punição.
No Evangelho de hoje Jesus conta uma parábola para que eles compreendam que a justiça do Reino de Deus é diferente daquela justiça que eles conhecem. Ele ensina novas referências de pesos e medidas para a vida em harmonia, porque, neste tempo em que Ele está presente entre eles, a mentalidade não pode mais ser de individualismo, e sim de comunhão, onde todos são iguais perante o Pai, que provê o necessário para cada um, indiferente ao tempo e ao caminho que foi percorrido para chegar até Ele.
A parábola mostra que o patrão praticou a justiça porque pagou a cada trabalhador o que havia combinado, e conforme as suas necessidades. O salário não é imposto pelo patrão, e sim fruto de um acordo entre ele e o empregado que concordou com o salário estipulado. Aqueles trabalhadores que por último foram contratados não eram vagabundos ou preguiçosos, apenas não tiveram a oportunidade do chamado.
A decisão do patrão assemelha-se ao comportamento de Deus, que é justo e dá a todos conforme a necessidade. Esse é o coração da parábola, a lição que mostra a diferença entre a justiça da sociedade e a justiça do Reino de Deus que tem o seguinte princípio: todos têm direito à vida em abundancia. Assim, ninguém é o primeiro nem o último. Todos são iguais, e não há, portanto, lugar para o ciúme ou a inveja, para a competição nem para a desigualdade.
O trabalho não deve ser visto como um meio que cria a desigualdade. O ciúme do operário da primeira hora é uma pequena amostra de todos os conflitos que Jesus enfrentou por causa de sua opção de fazer justiça aos últimos, aos pobres, aos marginalizados, aos doentes e excluídos. O resultado final desse ciúme é a condenação e a morte.
Soa, portanto, aos ouvidos, mais uma vez, o programa de Jesus: ”Devemos cumprir toda a justiça” e o programa dos seus seguidores: “Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus,
vocês não entrarão no Reino do Céu.”



Nem sempre é fácil compreender a bondade de Deus ou imaginar como ela age com os bons e os maus, com os melhores e os piores, com os da primeira hora e os da última. A dificuldade vem de que nós somos mesquinhos em nossas medidas, enquanto Deus é generoso.
Os trabalhadores da primeira hora, no Evangelho, são o povo de Israel, que penou no Egito, agüentou a fome e a sede no deserto, e enfrentou as agruras da conquista da Terra Prometida. Os da última hora são os cristãos, enxertados na raiz de Israel, que recebem de graça o enorme presente que é o Messias prometido. Os primeiros podem não gostar dos que agora estão chegando e recebem a mesma herança.
A Escritura nos ensina que Deus é generoso, sobretudo no perdão, e, por isso, nos convida a voltar a Ele sem medo. A descoberta da grandiosidade do coração do nosso Deus deve nos levar a ser sumamente atenciosos e respeitosos para com Ele. O perdão e a escolha na última hora não significam privilégio que permite abusos.
Mt. 20,1-16a – O Reino dos Céus é parecido com a história do dono de um campo que saiu procurando gente para trabalhar na sua plantação. Ele cultivava uvas. Durante todo o dia contratou gente por uma moeda de prata. O trabalho terminava às 6 da tarde e ele ainda contratou algumas pessoas às 17 horas. Estes evidentemente trabalharam apenas uma hora, enquanto outros trabalharam o dia inteiro, e o dono do campo deu a cada um o que tinha combinado: uma moeda de prata. Ele pagou o que tinha combinado e não foi injusto com ninguém, mas é claro que houve reclamações, sobretudo dos que trabalharam mais e não aceitaram receber o mesmo pagamento dos que trabalharam menos. Os da primeira hora reclamaram dos colegas da última hora.
Is. 55,6-9 – Os pensamentos de Deus não são como os nossos, nem os seus caminhos. São muito diferentes e estão muito distantes uns dos outros. É o que nos diz o profeta Isaías. Ele quer que percebamos o quanto Deus é generoso e bondoso. Ele não é de forma alguma mesquinho, sobretudo no perdão. O pecador pode sempre voltar para Ele, que será muito bem recebido. Aquele que está sempre arquitetando o mal contra os outros e se dá conta da sua maldade, não deve perguntar: “Será que Deus me perdoa?”. Volte-se ele mesmo ao Senhor, que é generoso no perdão.
Sl. 144 (145) – O salmista não se cansa de cantar que o Senhor nosso Deus é misericórdia e piedade. É amor, paciência e compaixão, é muito bom para com todos e nos abraça com ternura.
Fl. 1,20c-24.27a – Sendo Deus tão generoso, bondoso e compassivo, só nos resta viver de acordo com sua vontade, com atitudes que lhe agradem. Alguém poderia pensar o contrário: “Podemos fazer o mal sem receio porque, no fim, Deus acaba perdoando tudo”. Deus sabe que o filho pródigo volta por necessidade e não por amor, e assim mesmo o acolhe. No entanto, a alma sensível e o coração generoso, diante de tanto amor, só podem querer viver para Deus. O que diz São Paulo aos filipenses? “Para mim o viver é Cristo.” “Tenho desejo de partir para estar com Cristo”. Se estar com Ele é o que há de melhor, “vivamos vida digna do Evangelho de Cristo”, não por temor e sim para corresponder ao amor que Ele tem por nós.
cônego Celso Pedro da Silva
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