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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

3º DOMINGO ADVENTO-Ano A

3º DOMINGO ADVENTO
11 DE DEZEMBRO-2016 – ANO A

1ª Leitura - Is 35, 1-6a.10

Salmo - Sl 145

2ª Leitura - Tg 5, 7-10

Evangelho - Mt 11,2-11


João Batista quis tirar uma dúvida, e enviou seus discípulos para perguntar a Jesus se Ele era mesmo o Messias.  A resposta de Jesus não foi direta, porém, foi mais do que eficiente. Jesus falou dos seus muitos milagres que foram sinais comprovadores da sua divindade.  Continuar lendo

   
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"IDE CONTAR A JOÃO O QUE ESTAIS OUVINDO E VENDO..."- Olivia Coutinho.

3º DOMINGO DO ADVENTO

Dia 11 de Dezembro de 2016

Evangelho de Mt11,2-11

Estamos no terceiro Domingo do advento, chamado Domingo da alegria! 
O advento é um tempo de gratidão, de reafirmarmos com atitudes, o nosso desejo de estarmos sempre com Jesus!
Neste tempo de expectativas, o nosso coração enche de júbilo para acolher Jesus que já está no meio de nós, mas que às vezes, não nos damos conta da sua presença  em  nossa vida!
Historicamente, Jesus já nasceu já esteve fisicamente entre nós, hoje, Ele não quer mais abrigar-se na gruta fria de Belém e sim, no aconchego do nosso coração!
Ao nos preparar para o Natal do Senhor Jesus, estamos também nos preparando para a segunda vinda de Jesus, que  pode acontecer a qualquer momento. Quem faz da sua vida uma oferta de amor, vive um constante Natal, por tanto, está preparado para esta  segunda vinda de Jesus. 
Em meio a este mundo tão conturbado, onde impera a competitividade, o egoísmo, Jesus vem  realimentar a nossa esperança, lembrando-nos de que  Ele estará conosco até o fim dos tempos. Mt28,20
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, começa dizendo que João Batista estava prisão.  Ao ouvir falar das obras realizadas por Jesus, envia a Ele, alguns de seus discípulos para perguntá-Lo: “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” Jesus não os responde com palavras, mas manda-os dizer a João o que eles viram e ouviram. 
Provavelmente, João Batista, como um grande profeta que era, já soubesse  que aquele homem que realiza tantas proezas, era  o Messias, mas João quis que os seus discípulos fizessem a experiência do  encontro pessoal com Jesus!  
No evangelho do domingo anterior, João fala de Jesus, no texto de hoje, é Jesus quem fala de João Batista, o profeta que continua falando ao nosso coração: “Convertei-vos e crede no evangelho. “Eis o cordeiro de Deus.” 
A prisão de João Batista não o impediu de continuar anunciando a vinda do Messias, afinal, ninguém consegue calar a voz de um profeta, nem mesmo a  morte! Por sua vez,  Jesus também não se  intimidou com a prisão de João Batista, pelo contrário foi a sua prisão, que o encorajou  a iniciar o seu  ministério.
A liturgia deste tempo, está sempre nos trazendo a figura de João Batista que  é, depois de Maria, a figura de maior relevo no tempo do advento, ele surge como protagonista da história, pois é a partir dele que Jesus se manifesta à humanidade. O profeta João Batista  representa o antigo testamento, no entanto, ele não se prendeu a mentalidade antiga, buscou sempre algo novo.  
O texto chama a nossa atenção sobre a importância da nossa experiência  pessoal com Jesus! É a partir desta experiência, que sentimos ampliar o nosso  horizonte pois  passamos a enxergar além dos que os olhos humanos alcançam! 
Os discípulos de João, não tiveram dúvidas  de que Jesus era o Messias após a  experiência que tiveram com Ele. O mesmo  acontece conosco, quando deixamos Jesus  entrar na nossa vida!
Um dia, alguém nos falou de Jesus, como João falou com os seus discípulos,  contudo, só vamos conhece-Lo de fato, através do encontro pessoal com Ele.
Imitemos o profeta João Batista, sendo a voz que grita no deserto contra tudo e contra todos os  que insistem em  manter os caminhos tortuosos como “expressão de valores”. O nosso caminho é o caminho da  justiça, do amor, um caminho   traçado por Deus, é trilhando este caminho, que encontraremos a felicidade plena!
Que a alegria da certeza da presença de Jesus no meio de nós, invada o nosso coração, intensifique a nossa disposição em dar passos ao encontro Dele, no encontro com o irmão.
 Neste tempo de preparação para o Natal, tomemos consciência da importância de estarmos, sempre vigilantes, num processo contínuo de conversão, para que assim, possamos transformar o nosso coração num  berço aconchegante para acolher Jesus, é nele que Ele  quer fazer sua  morada.
“Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele.”
João Batista, foi o profeta que preparou o povo para receber o Messias, o batismo que ele realizava era um batismo de conversão. Jesus o reconhecia como o maior dentre todos os profetas.  Ele não teve tempo de fazer a experiência daquele que ele anunciou, enquanto que, o menor no Reino dos céus, que é aquele que seve, vive esta  experiência, anunciando Jesus com a própria vida, o que o torna grande dentro da sua pequenez. 

 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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João, o que prepara os caminhos do Senhor
Ele, esse filho da velhice de Isabel e de Zacarias, esse João, parecia grande. Sua figura enchia os olhos. Alguns pensavam que ele fosse o Messias. Uma dúvida pairava no ar. João na admitia que as pessoas se fixassem nele. Sua missão era, de fato, preparar os caminhos do Senhor. Uma vez na prisão, segundo Mateus, João enviou discípulos a Jesus. Ele deveriam fazer uma pergunta: És tu aquele que há de vir   ou devemos esperar um outro?
Jesus responde solenemente: Sim, eu sou o que todos esperam.  Contem a João que os cegos recuperam a vista, que os paralíticos andam com toda agilidade, os cegos enxergam, os pobres são evangelizados.  Eu sou aquele que tinha que viver. Realizo em minha vida a palavra do profeta: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um servo e se desatará a língua dos mudos. Os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando  louvores com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e de contentamento,não mais conhecerão a dor e o pranto”.
Não havia dúvidas. João não era o Messias. O Messias estava lá, no meio do povo.
E Jesus faz o elogio desse homem chamado João. Lá, no deserto não estava um homem de roupas finas, mas o preparador dos caminhos do  Senhor. “O que fostes ver no deserto?  Um caniço agitado pelo vento?  O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas?  Mas os que vestem roupas finas  estão nos palácios dos reis. Então o que fostes ver?  Um profeta? Sim, eu vos afirmo, é alguém que mais do que um profeta.
É dele que está escrito: ‘Eis que envio meu mensageiro à tua frente, ele vai preparar o teu caminho diante de ti’.  Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram,nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor  no reino dos céus é maior do que ele”.
Agostinho escreve sobre o aplainar os caminhos do Senhor: “O que significa: Aplainai o caminho, senão: Orai como se deve orar? O que significa ainda: Aplainai o caminho, senão: Tende pensamentos humildes Imitai o exemplo de João. Julgam que é o Cristo e ele diz não ser aquele que julgam; não se aproveita do erro alheio para uma afirmação pessoal.  Se tivesse dito: “Eu sou o Cristo”, facilmente teriam acreditado nele, pois era considerado como tal  antes que o dissesse. Mas não disse; pelo contrário, reconheceu o que era, disse que não era, foi humilde. Viu de onde lhe vinha a salvação;  compreendeu que era uma lâmpada e temeu que o vento do orgulho pudesse apagá-la”  (Lecionário monástico I, p. 158).
No deserto como na prisão, em sua pregação revestida de autoridade e na pergunta humilde, João continua esperando aquele que vem. João é o homem da espera. É o homem que vive sob o sinal da graça. Recebeu de graça da vida (João significa “o Senhor concede graça” e espera a graça do  Messias.  Abre os lugares de morte e de fechamento que são o deserto e a prisão  para a vida e  para a liberdade.  Sua espera se torna esperança para as multidões que o procuravam no deserto e para os discípulos que o procuraram na prisão. A espera cristã da vinda do Senhor é dom de esperança para os homens.
frei Almir Ribeiro Guimarães



Jesus, causa de nossa alegria
O 3° domingo do Advento é tradicionalmente chamado, conforme a antífona de entrada gregoriana, em latim, Gaudete (= “alegrai-vos”). Neste espírito é que devemos contemplar os elementos da liturgia: a 1ª leitura, mais uma “utopia” de Isaías (cf. os dois domingos anteriores), que tem seu correspondente no evangelho (os cegos e os coxos curados: a obra do Messias); e o salmo responsorial, cantando a bondade de Deus que abre os olhos aos cegos.
Na 2ª leitura, a razão da alegria é um pouco diferente. A expectativa messiânica do Antigo Testamento, já o sabemos (cf. 1° domingo), é a figura de nossa própria esperança: recordando a espera da primeira vinda preparamo-nos para a segunda. Ora, são Tiago nos ensina a perseverar até a segunda vinda, com a paciência do lavrador que aguarda a chuva. Isso não é fatalismo, mas perseverança, constância: temos diante dos olhos a inefável proximidade do Senhor que é nossa alegria.
O povo cristão é um povo que espera (oração do dia). Pede que o Natal seja um dia de alegria, semelhante à do Batista quando reconheceu em Jesus o Messias (evangelho) - que seja um “aperitivo” da alegria do encontro definitivo. Perdoado o pecado (oração final), o Natal, como toda eucaristia, apresenta-se como festa escatológica, antecipação do Natal eterno: Emanuel, “Deus conosco” para sempre.
A liturgia de hoje é profundamente cristocêntrica. Se convém alegrar-nos e não ter medo diante do cumprimento do plano de Deus é porque sua manifestação definitiva em Jesus Cristo é uma revelação do amor e da ternura de Deus, como os anunciou o profeta. A perspectiva da plena realização suscita, portanto, alegria. A existência concreta de Jesus, sua boa mensagem aos pobres e abandonados, é revelação do Deus que nos chama e que vem a nós. E assim como João teve de considerar os sinais do Messias, nós também podemos contemplar as maravilhas que sob o impulso do Espírito de Jesus são operadas nas comunidades pobres e humildes: sinais de que Deus se aproxima cada dia mais.
A alegre esperança do cristão
A esperança que temos é a mola propulsora de nossa vida. Que é que você espera da vida? Como ela se tornaria melhor? Quem poderia ajudá-lo para isso? São essas as perguntas de todo o mundo e também do cristão, perguntas que a liturgia deste domingo suscita em nós.
Deus mesmo é a esperança do fiel. Ele não é um castigador, um fiscal de nossos pecados e nem mesmo da “desordem estabelecida” na sociedade em que vivemos. Ele não deseja castigar, mas transformar aquilo que está errado: ele vem salvar. Esta é a esperança anunciada pelos profetas (1ª leitura).
Com a vinda de Jesus começou irreversivelmente a realização desta esperança, a realização da profecia. João Batista não percebe bem o que Jesus está fazendo. Manda perguntar se ele é o Messias, ou se é para esperar outro (evangelho). Jesus aponta os sinais que ele está realizando: aquilo que os profetas anunciaram. Daí a conclusão: já não precisamos aguardar outro.
Ora, Jesus apenas iniciou. Implantou. A plantação deve ainda crescer. Com a paciência e a firmeza do agricultor, devemos esperar o amadurecimento de seu reino na História. Com o “sofrimento e paciência dos profetas que o anunciaram...(2ª leitura)
A esperança suscita em nós alegria confiante: Deus deu início à realização de seu projeto. Quando se olha com objetividade o que a palavra de Cristo já realizou no mundo, apesar das constantes recaídas de uma humanidade inconstante, reconhecemos que ela foi eficaz. Devemos também olhar para os sinais que se realizam hoje: a transformação impulsionada pelo evangelho de Cristo se reflete na nova consciência do povo, que assume sua própria história na construção de uma sociedade mais fraterna.
A esperança fundamenta uma firmeza permanente, confiante de que Deus erradicará o mal que ainda persiste.
A esperança exterioriza-se na celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança.
A esperança do cristão é Jesus. Ele é aquele que havia de vir. Não precisamos ir atrás de outro messias, oferecidos pelo mundo do consumo, por promessas políticas ambíguas e assim por diante. Consumo e política são propostas humanas, e podemos servir-nos delas conforme convém, com liberdade. Mas o Messias vem de Deus; ele merece nossa adesão, nele podemos acreditar. Chama-se Jesus. Feliz quem não se deixa abalar em relação a ele (cf. Mt. 11,6)!
Esperamos que o amor e a justiça que Cristo veio trazer ao mundo, e nos quais somos chamados a participar ativamente, realizem o plano de Deus para a humanidade, desde já e para sempre, “assim na terra como no céu”.
Johan Konings "Liturgia dominical"




João Batista ao anunciar a vinda do Messias, é severo e exige arrependimento e mudança de vida. Preso por Herodes que se incomodava com a sua missão de preparar o caminho para a chegada do Salvador, João Batista ouve falar de Jesus que é um Homem manso e cheio de compaixão, e que não exige, e sim convida à conversão.
As dúvidas sobre quem era Jesus tomam conta de João Batista e as ações Dele o intrigam, pois esse Messias se apresenta muito diferente daquele profetizado por ele, então, envia alguns de seus discípulos para confirmar se Ele é mesmo o Messias. Mas, não são com palavras que Jesus responde às suas perguntas. Ele confirma as profecias através de ações, realizando os seis sinais de libertação anunciados por Isaías, um dos profetas maiores. (1ª leitura – Is 35, 1-6a.10)
Logo após a partida dos discípulos de João Batista, Jesus começa a falar às multidões a seu respeito, e os instigam a pensar no porque de o terem procurado no deserto e o que esperavam encontrar?
João Batista era um homem de aparência humilde, vestido com roupas feitas com pêlos de camelo, mas Jesus lhes afirma que ele é o maior entre os homens que já haviam nascido até aquele momento, e mostra que ele não se deixou levar pelo sistema, como um “caniço agitado pelo vento, e nem estava de acordo com o a sociedade que privilegia uns e exclui outros como “vestir roupas finas e morar em palácios”.
João Batista é sem sombra de dúvidas o maior dos profetas, pois, era digno de preparar o caminho para a chegada de Jesus, contudo, ao mesmo tempo em que Jesus afirma que ele é o maior entre os homens que nasceram antes dele, e com isso se inclui os profeta, Elias, Isaías…, e também diz que “o menor no Reino do Céu é maior do que ele”.
Quem é o “menor do Reino”? Provavelmente o próprio Jesus, entregando Sua vida para que uma nova humanidade possa acontecer, ou talvez, ”o menor” são os que a sociedade exclui, e que Jesus resgata com sua atividade libertadora. Como compreender afirmações tão contraditórias?
João Batista, o maior de todos os profetas, apesar de sua grande missão cumprida com compromisso e amor, pertence ao tempo da espera, da preparação, e só com a presença de Jesus inicia-se o tempo da realização.
Os profetas não viveram somente no passado, não são somente aqueles que anunciavam a chegada do Reino de Deus. Profetas são todos os que nos dias de hoje levam a alegria de pertencer a este Reino de amor a todos os que ainda não O conhecem ou se esqueceram do caminho.
Pequeninos do Senhor



As obras do Messias
Ao ser interrogado a respeito de sua condição messiânica, Jesus não se perdeu em longas considerações teóricas para justificar sua identidade e missão de Messias. Sugeriu que referissem a João Batista, cujos emissários tinham sido enviados para questioná-lo, tudo quanto estava realizando e que era de conhecimento público. Por obra sua, os cegos recuperavam a vista, os paralíticos punham-se a caminhar, os leprosos viam-se livres de sua enfermidade, os surdos passavam a ouvir, os mortos voltavam à vida, os pobres escutavam a Boa-Nova do Reino.
Tratava-se, portanto, de fazer um discernimento sobre a prática de Jesus e reconhecer sua verdadeira identidade. Uma simples resposta positiva, mesmo saindo da boca de Jesus, seria insuficiente. Outros, antes dele, já haviam se apresentado com pretensões messiânicas, autoproclamando-se messias. E todos falsos messias. Jesus seguiu um caminho contrário: revelava sua condição messiânica com suas obras.
Os fatos indicados aos discípulos do Batista eram simbolicamente importantes, pois correspondiam às obras atribuídas pelos antigos profetas ao Messias vindouro. Todos eles tinham a ver com a restauração da vida e da dignidade humana, com a superação da marginalização social e religiosa, com a recuperação da esperança nos corações abatidos. Tudo isto era sinal de que o Reino estava irrompendo na história humana, por obra do enviado de Deus.
padre Jaldemir Vitório




A alegria da vinda do Messias
Terceiro domingo do Advento – domingo gaudete, domingo em que todos somos chamados a suplicar e viver a alegria da proximidade do nascimento do Verbo que assumiu a nossa humanidade: “Alegrem-se o deserto e a terra seca… Dizei aos aflitos: Coragem! Nada de medo! Aí está o vosso Deus […], ele vem para vos salvar” (Is. 35,1.4).
As obras de Cristo são desconcertantes até para João Batista. Elas exigem discernimento para poder reconhecer o tempo da visita salvífica de Deus e acolhê-lo com alegria. Por isso João, estando na prisão (v. 2), envia alguns dentre os discípulos para perguntar a Jesus: “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?” (v. 3). Jesus responde sobre a base do texto do profeta Isaías: “... cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa Nova” (vv. 4-5; cf. Is 35,5-6). A resposta de Jesus a João é suficiente para que este reconheça que o “hoje” da salvação se realiza nas palavras e em tudo o que Jesus faz. Em outros termos, Jesus é o Messias, não é preciso esperar outro. Os discípulos de João retornam a ele para comunicar não só a resposta de Jesus, mas também aquilo de que eles mesmos são testemunhas: a vida vai sendo transformada pela presença do Senhor. É a vez de Jesus dar testemunho de João. É preciso não se deixar levar pela aparência – João é mais que um profeta, é o precursor do Messias (cf. v. 10): “... entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior” (v. 11).
É tempo de firmar o coração, pois a vinda do Senhor está próxima (cf. Tg. 5,8). Alegrai-vos!
Carlos Alberto Contieri,sj



Nas comunidades do Reino vive-se o serviço humilde
João anunciara o juízo iminente de Deus sobre os homens. Agora, preso, ouvindo falar das obras de Jesus, estranha que não tenha havido julgamentos e castigos. Envia alguns discípulos para perguntar a Jesus se era ele que faria este juízo, ou devia-se esperar outro. Jesus, em resposta, explicita suas obras: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova. Estas obras são sinais da chegada de tempos novos, em uma perspectiva messiânica que, por outro lado, de modo nacionalista, anunciava a vingança de Deus (primeira leitura). Além dos sinais da vida que é restaurada, há o sinal maior do anúncio da Boa-Nova libertadora dos pobres. A ação libertadora de Jesus provoca escândalo naqueles que estão sob o jugo da ideologia opressora do Templo. É feita, então, a proclamação da bem-aventurança daqueles que não se escandalizarem.
A resposta de Jesus visa abrir os olhos dos discípulos para entenderem sua missão de amor e libertação. Jesus exalta a autenticidade de João. Não é um oportunista (caniço ao vento) nem um acomodado ao sistema (roupas finas), mas um profeta que anuncia a justiça e denuncia os opressores prepotentes. João é o mensageiro que, com seu anúncio, prepara o caminho de Jesus. Dentre os profetas do Primeiro Testamento, ele é o maior. Contudo o menor no Reino dos Céus é maior do que João Batista. A afirmação não significa uma competição, mas sim a novidade do Reino em relação aos tempos antigos.
Nas comunidades do Reino vive-se o serviço humilde, a valorização de cada membro com seu carisma próprio, a fraternidade sem rivalidade e a partilha amorosa, no anúncio destemido do Reino.
José Raimundo Oliva




Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl. 4,4s).
Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!
Contudo, antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão... Não é dessa que falamos aqui...
Pois bem! A nossa vida – a minha, a sua! - gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos... E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos... Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido... Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? O Governo Lula começa a dar os primeiros passos para legalizar o assassinato de crianças no útero materno – vamos concordar? Vamos ainda votar nos deputados e senadores de Alagoas que votarem a favor desse crime pagão? Vamos reeleger esse presidente, caso ele aprove esse crime hediondo? Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante... E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo... Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel - Deus conosco!
Pensemos nas palavras tão consoladoras das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos... um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados!" Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia: “A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!
As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo e a teimosia humana... A consequência, é a falta de uma alegria verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo! Esperemos nele: na sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago: “Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”
O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final! Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”


SEGUNDA HOMILIA

Este terceiro domingo do Advento é conhecido como domingo Gaudete, isto é, domingo “Alegrai-vos”. Com efeito, são as palavras do apóstolo são Paulo (Fl. 4,4s), colocadas no Missal para o início da missa de hoje: “Alegrai-vos sempre no Senhor; o Senhor está perto!” Alegrar-se, mesmo nas lutas da vida e nas incertezas da existência, alegrar-se mesmo no duro combate deste mundo... Mas, alegrar-se não por uma alegria qualquer! Alegra-se verdadeiramente, alegra-se com a alegria que dura e edifica a vida, aquele que se alegra no Senhor! Ele sim, é a fonte da perfeita alegria, porque é o Deus que nunca nos abandona, Deus fiel, que nos ama e permanece conosco!
Dessa alegria fala o Profeta Isaías na primeira leitura de hoje: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão. Germine de alegria e louvores!” Que terra é essa, que deserto, que solidão? São o nosso mundo, o nosso coração, a nossa vida. Alegre-se o homem, espere cheio de esperança o nosso coração! Fortaleçamos nossas mãos enfraquecidas e nossos joelhos debilitados pelo duro caminho deste mundo! E por quê? Vivemos uma vida tão estressante, a luta pela sobrevivência é tão pesada, os conflitos nas nossas relações são tão presentes, o que vemos de desafios e loucuras no mundo atual é tão assustador, a impiedade da humanidade é sempre tão surpreendente! Temos mesmo motivos para nos alegrar, para esperar, para fortalecer nossas mãos e continuar lutando, firmar nossos joelhos e prosseguir caminhando? Sim, temos: “Vede! É vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar!” Eis, meus caros! O Senhor vem para salvar, vem para vingar-se do pecado - e sua vingança é o amor que salva, o amor que liberta, e dá vida...
Mesmo que pareça o contrário, o mundo não é uma realidade sem sentido e sem rumo, a existência humana não é o um pesado fruto do acaso cego... Há um Senhor, há um Deus de Amor que tudo toma em suas mãos e tudo dirige; um Deus que não está distante, mas nos conhece pelo nome e inclina-se sobre cada um de nós! Há um Deus que não é frio e indiferente, mas nos visitou pessoalmente no Filho Jesus! Neste Jesus bendito, um dia o Senhor Deus tudo julgará, tudo colocará às claras, tudo vingará, tudo purificará, tudo salvará! É importante não esquecermos isso, pois um dos grandes motivos do esfriamento da fé por parte de tantos na Igreja é a perda da consciência de que o Senhor Jesus nos julgará e julgará toda a história humana: ele virá, ele julgará, ele consolará, ele colocará às claras, ele salvará! Seu juízo terá como critério o amor, amor a ele e, nele e por ele, amor e profundo respeito pelos irmãos... Portanto, “ficai firmes até a vinda do Senhor! Façamos como o agricultor que espera (espera porque cultivou!) e fica firme! Deve encher-nos de consolo a exortação de São Tiago Apóstolo: “Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!” Vede bem, meus caros: São Tiago nos exorta a permanecer firmes, nos avisa que o Senhor está próximo – e estará sempre próximo, desde quando partiu para o céu, nunca deixou de estar próximo... Mas, também nos convida a recordar que os que servem a Deus não estão livres dos combates e sofrimentos da vida. Pelo contrário, devem suportar combates exteriores e interiores! Combates não nos devem desanimar; dificuldades não nos devem esfriar a fé, decepções não nos devem fazer duvidar da providente presença de Deus na nossa vida e na vida do mundo!
Um belo exemplo de combate e fidelidade a Deus é-nos dado no evangelho de hoje. Pensai bem, meus amados no Senhor: um profeta tão grande, tão santo, tão fiel quanto João Batista! E aparece preso, abandonado, jogado numa masmorra, derrotado! – Senhor, por que permites? Senhor, por que diriges o mundo deste modo? Senhor, por que não defendes teus amigos? – João tem de suportar o combate exterior, tem de colocar no Senhor sua esperança, esperando na perseverança! Mas, há ainda um outro combate, pior, mais grave, mais doloroso: o combate interior. Onde aparece tal combate no evangelho que escutamos? Recordai que João havia anunciado um Messias forte e vingador; havia apontado Jesus como o Messias: ele viria para peneirar otrigo, viria para queimar a palha... E agora, na prisão, o Batista ouvira falar que Jesus era manso, misericordioso, compassivo... Jesus havia entrado na casa dos fariseus, sentado-se à mesa com os publicanos, perdoado mulheres pecadoras... João fica confuso: “Mas, não era bem assim que eu tinha imaginado o Messias!”... Manda seus discípulos perguntarem ao Carpinteiro de Nazaré: “És tu aquele que há de vir? És tu mesmo o Santo Messias tão esperado? Ou devemos ainda esperar um outro?” Eta, meus caros, que muitas vezes também temos vontade de fazer tais perguntas! Quando vemos os acontecimentos da vida, as coisas do mundo, o modo como vivemos, vem uma vontade de perguntar ao Senhor: “Mas, será que existes mesmo? Será que és fidelidade, que és amor, que te preocupas conosco? És tu mesmo a nossa esperança e a nossa vida? És tu o Salvador que a tudo dá sentido? Tu estás ou não no nosso meio? Tu és ou não um Deus próximo?”
A resposta de Jesus a João é clara e desafiadora: Ele é o Messias anunciado pelos profetas, com ele cumprem-se as palavras da primeira leitura de hoje: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo esse desatará a língua dos mudos!” Mas, ele não é um Messias de encomenda, não um Messias como nós desejamos ou pensamos! Ele é o Messias vindo do coração do Pai, um Messias surpreendente, um Messias que revela a própria ternura, a própria misericórdia de Deus! Para acolhê-lo, para compreendê-lo, para ver sua beleza é necessário converter-se a ele! Por isso, Jesus manda dizer a João: “Feliz aquele que não se escandalizar por causa de mim!” E João faz sua última conversão: crê em Jesus, aceita o Messias Jesus como ele é, como o Pai o enviou, e não como ele gostaria que fosse! Por isso João é grande, por isso é o maior dos profetas, por isso hoje se encontra na glória e na gratidão da Igreja! Também nós, irmãos, se esperarmos o Senhor, se acolhermos o Senhor, se não duvidarmos do Senhor, se no Senhor permanecermos firmes, veremos a sua glória, nele nos alegraremos e dele experimentaremos a salvação. A cor deste Domingo, além do roxo, pode ser o rosa (mistura do roxo do Advento com o branco do Natal que se aproxima). Vamos, alegremo-nos! Que a espera e a vigilância deste santo Tempo já se mistura hoje com a alegre expectativa do Santo Natal! Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está próximo! Que ele venha! Que ele nos encontre vigilantes! Que ele nos veja abertos de coração!
dom Henrique Soares da Costa


A liturgia deste domingo lembra a proximidade da intervenção libertadora de Deus e acende a esperança no coração dos crentes. Diz-nos: “não vos inquieteis; alegrai-vos, pois a libertação está a chegar”.
A primeira leitura anuncia a chegada de Deus, para dar vida nova ao seu Povo, para o libertar e para o conduzir – num cenário de alegria e de festa – para a terra da liberdade.
O Evangelho descreve-nos, de forma bem sugestiva, a ação de Jesus, o Messias (esse mesmo que esperamos neste Advento): Ele irá dar vista aos cegos, fazer com que os coxos recuperem o movimento, curar os leprosos, fazer com que os surdos ouçam, ressuscitar os mortos, anunciar aos pobres que o “Reino” da justiça e da paz chegou. É este quadro de vida nova e de esperança que Jesus nos vai oferecer.
A segunda leitura convida-nos a não deixar que o desespero nos envolva enquanto esperamos e aguardarmos a vinda do Senhor com paciência e confiança.
1º leitura: Is. 35,1-6a.10 - AMBIENTE
Os capítulos 34-35 do livro de Isaías são habitualmente chamados “pequeno apocalipse de Isaías” (para distinguir do “grande apocalipse de Isaías”, que aparece nos capítulos 24-27); descrevem os últimos combates travados por Jahwéh contra as nações, particularmente contra Edom e a vitória definitiva do Povo de Deus. Estes dois capítulos parecem poder ser relacionados com os capítulos 40-55 do Livro de Isaías (cujo autor é esse Deutero-Isaías que atuou na Babilônia entre os exilados, na fase final do Exílio). Por que razão estes dois capítulos se apresentam separados do seu “ambiente natural” (Is. 40-55)? Provavelmente, foram atraídos pelas peças escatológicas soltas de Is 28-33 e, especialmente, pelo capítulo 33.
Depois de apresentar o julgamento de Deus (cf. Is. 34,1-4) e o castigo de Edom (cf. Is. 34,5-15), o autor descreve, por contraste, a transformação extraordinária do deserto sírio, pelo qual vão passar os israelitas libertados, que retornam do Exílio. A intenção do profeta é consolar os exilados, desanimados, frustrados e mergulhados no desespero, porque a libertação tarda e parece que Deus os abandonou. Este tema será desenvolvido em profundidade nos capítulos 40-55 do livro de Isaías.
MENSAGEM
Temos aqui um autêntico “hino à alegria”, destinado a acordar a esperança e a revitalizar o ânimo dos exilados. Qual a razão dessa alegria? É que Deus “aí está para fazer justiça”: Ele vai intervir na história, vai salvar Judá do cativeiro, vai abrir uma estrada no deserto para que o seu Povo possa regressar em triunfo a Sião.
O profeta começa por interpelar a natureza e pedir-lhe que se prepare para a ação libertadora de Deus em favor do seu Povo: o deserto e o descampado, estéreis e desolados, são convidados a revestir-se de vida abundante (como o Líbano, o monte Carmelo ou a planície do Sharon, zonas proverbiais de vida e de fecundidade) e a enfeitar-se de flores de todas as formas e cores (vs. 1-2). Dessa forma, a própria natureza manifestará a sua alegria pela intervenção salvadora de Jahwéh; mas, sobretudo, será o cenário adequado para essa intervenção de Deus, destinada a levar vida nova ao Povo. Além disso, a magnificência das árvores e das plantas será a imagem da glória e da beleza do Senhor e falará a todos da grandeza de Deus, da sua capacidade para fazer brotar vida onde só há morte, desolação, esterilidade.
Depois, a palavra do profeta dirige-se aos homens (vs. 3-4). Nada de desânimo, nada de cobardia, nada de baixar os braços: Deus aí está para salvar e libertar o seu Povo. Os exilados devem unir-se à natureza nessa corrente de alegria e de vida nova, pois a libertação chegou.
O resultado da iniciativa salvadora e libertadora de Deus será que os olhos dos cegos se abrirão e se desimpedirão os ouvidos dos surdos… O coxo não apenas andará, mas saltará como um veado; o mudo não apenas falará, mas cantará de alegria (vs. 5-6). A ação de Deus é excessiva, verdadeiramente transformadora e geradora de vida nova em abundância.
A marcha do Povo da terra da escravidão para a terra da liberdade será, pois, um novo êxodo, onde se repetirão as maravilhas operadas pelo Deus libertador aquando do primeiro êxodo; no entanto, este segundo êxodo será ainda mais grandioso, quanto à manifestação e à ação de Deus. Será uma peregrinação festiva, uma procissão solene, feita na alegria e na festa. O resultado final desse segundo êxodo será o reencontro com Sião, a eterna felicidade, a alegria sem fim (v. 10).
ATUALIZAÇÃO
♦ Para os otimistas, o nosso tempo é um tempo de grandes realizações, de grandes descobertas, em que se abre todo um mundo de possibilidades ao homem; para os pessimistas, o nosso tempo é um tempo de sobreaquecimento do planeta, de subida do nível do mar, de destruição da camada do ozono, de eliminação das florestas, de risco de holocausto nuclear… Para uns e para outros, é um tempo de desafios, de interpelações, de procura, de risco… Como é que nós nos relacionamos com este mundo? Vemo-lo com os olhos da esperança, ou com os óculos negros do desespero?
♦ Os crentes não podem, contudo, esquecer que “Deus aí está”: a sua intervenção faz com que o deserto se revista de vida e que na planície árida do desespero brote a flor da esperança. É com esta certeza da presença de Deus e com a convicção de que Ele não nos deixará abandonados nas mãos das forças da morte que somos convidados a caminhar pela vida e a enfrentar a história.
♦ O Advento é o tempo em que se anuncia e espera a intervenção salvadora de Deus em favor do seu Povo. No entanto, Ele só virá, se eu estiver disposto a acolhê-l’O; Ele só intervirá, se eu estiver disposto a receber de braços abertos a proposta de libertação que Ele me vem fazer… Estou preparado para acolher o Senhor? Ele tem lugar na minha vida? A sua proposta libertadora encontrará eco no meu coração?
♦ O profeta é o homem que rema contra a maré… Quando todos cruzam os braços e se afundam no desespero, o profeta é capaz de olhar para o futuro com os olhos de Deus e ver, para lá do horizonte do sol poente, um novo amanhã. Ele vai, então, gritar aos quatro ventos a esperança, fazer com que o desespero se transforme em alegria e que o imobilismo se transforme em luta empenhada por um mundo melhor. É este testemunho de esperança que procuramos dar?
1ª leitura: Tg. 5,7-10 - AMBIENTE
A carta de onde foi extraída a nossa segunda leitura de hoje é um escrito de um tal Tiago (cf. Tg. 1,1), que a tradição liga a esse Tiago “irmão” do Senhor, que presidiu à Igreja de Jerusalém e do qual os Evangelhos falam, acidentalmente, como filho de certa Maria (cf. Mt. 13,55;27,56). Teria morrido decapitado em Jerusalém no ano 62…
No entanto, a atribuição deste escrito a tal personagem levanta bastantes dificuldades.
O mais certo é estarmos perante um outro qualquer Tiago, desconhecido até agora (o “Tiago, filho de Alfeu” – de que se fala em Mc. 3,18 e par. – e o “Tiago, filho de Zebedeu” e irmão de João – de que se fala em Mc. 1,19 e par. – também não se encaixam neste perfil). É, de qualquer forma, um autor que escreve em excelente grego, recorrendo até, com frequência, à “diatribe” – um gênero muito usado pela filosofia popular helênica. Inspira-se particularmente na literatura sapiencial, para extrair dela lições de moral prática; mas depende também profundamente dos ensinamentos do Evangelho. Trata-se de um sábio judeo-cristão que repensa, de maneira original, as máximas da sabedoria judaica, em função do cumprimento que elas encontraram na boca e no ensinamento de Jesus.
A carta foi enviada “às doze tribos que vivem na Diáspora” (Tg. 1,1). Provavelmente, a expressão alude a cristãos de origem judaica, dispersos no mundo greco-romano, sobretudo nas regiões próximas da Palestina – como a Síria ou o Egito; mas, no geral, a carta parece dirigir-se a todos os crentes, exortando-os a que não percam os valores cristãos autênticos herdados do judaísmo através dos ensinamentos de Cristo.
Denuncia, sobretudo, certas interpretações consideradas abusivas da doutrina paulina da salvação pela fé, sublinhando a importância das obras; e ataca com extrema severidade os ricos (cf. Tg. 1,9-11;2,5-7;4,13-17;5,1-6).
O nosso texto pertence à terceira parte da carta (Tg. 3,14-5,20). Aí, o autor apresenta, num conjunto de desenvolvimentos e de sentenças aparentemente sem ordem nem lógica, indicações concretas destinadas a favorecer uma vida cristã mais autêntica.
MENSAGEM
Depois de uma violenta denúncia dos ricos que oprimem os pobres e que enriquecem retendo os salários dos seus trabalhadores (cf. Tg. 5,1-6), o autor da carta dirige-se aos pobres e convida-os a esperar com paciência a vinda do Senhor (como o agricultor, depois de ter feito o seu trabalho, fica pacientemente, mas cheio de esperança, à espera que a terra produza os seus frutos). Todo o enquadramento está dominado pela perspectiva da vinda do Senhor.
A questão é, portanto, esta: os pobres vivem numa situação intolerável de exploração e de injustiça; mas não devem resolver o seu problema com queixas e violências: devem confiar em Deus e esperar a intervenção que os salvará e libertará. A paciência e a espera confiada no Senhor são as atitudes corretas, nestes tempos em que se prepara a intervenção final de Deus na história.
Haverá, aqui, um apelo à passividade, a cruzar os braços, a demitir-se da luta pelo mundo melhor? Não devemos entender o apelo de Tiago nesta perspectiva; o que há aqui é um apelo a confiar no Senhor e a não embarcar no mesmo esquema injusto e violento dos opressores… O acento é posto na esperança que deve alumiar o coração de quem sofre: a libertação está a chegar.
ATUALIZAÇÃO
♦ Muitos irmãos nossos fazem, todos os dias, a experiência intolerável de viver na injustiça, no medo, no sofrimento, à margem da vida, privados de dignidade…
Tiago diz-lhes: “apesar do sem sentido da vida, apesar do sofrimento, Deus não vos abandonou nem esqueceu, mas vai libertar-vos; aproxima-se a dia da intervenção salvadora de Deus… Esperai-O, não com o coração cheio de revolta (que vos destrói e que magoa todos aqueles que, sem ter culpa, vivem e caminham a vosso lado), mas com esperança e confiança”.
♦ Atenção: isto não significa instalar-se numa resignação que aliena e numa passividade que é renúncia à própria dignidade humana… Isto significa, sobretudo, não deixar que sentimentos agressivos e destrutivos tomem posse de nós, pois a libertação de Deus não pode chegar a qualquer coração dominado pelo ódio, pelo rancor, pelo desejo de vingança.
♦ Nós, Igreja de Jesus, testemunhas do projeto libertador de Deus, temos de anunciar o projeto libertador de Deus aos escravos e oprimidos e não deixar que a luz da esperança se apague… Anunciamos a salvação aos pobres e oprimidos, com as nossas palavras e com os nossos gestos?
♦ A salvação de Deus chega ao mundo através do nosso testemunho… Lutamos, objetivamente, para tornar realidade o projeto libertador de Deus e para silenciar a opressão, a injustiça, tudo o que rouba a vida e a dignidade a qualquer homem ou a qualquer mulher?
Evangelho: Mt 11,2-11 - AMBIENTE
Na secção precedente do Evangelho (cf. Mt. 4,17-11,1), Mateus apresentou de forma sistemática o anúncio do “Reino”, manifestado nas palavras e nos gestos de Jesus, e difundido pelos seus discípulos… Agora, começa outra secção, em que todo o interesse do evangelista é mostrar as atitudes que as distintas pessoas ou grupos vão assumir diante de Jesus (cf. Mt. 11,2-12,50). A narração é retomada com a pergunta dos enviados de João Batista (que está na prisão, por ordem de Herodes Antipas, a quem o Batista havia criticado por viver maritalmente com a cunhada – cf. Mt. 14,1-5): Jesus é mesmo “o que está para vir”?
A pergunta não é ociosa… João esperava um Messias que viesse lançar fogo à terra, castigar os maus e os pecadores, dar início ao “juízo de Deus” (cf. Mt. 3,11-12); e, ao contrário, Jesus aproximou-Se dos pecadores, dos marginais, dos impuros, estendeu-lhes a mão, mostrou-lhes o amor de Deus, ofereceu-lhes a salvação (cf. Mt. 8-9). João e os seus discípulos estão, pois, desconcertados: Jesus será o Messias esperado, ou é preciso esperar um outro que venha atuar de uma forma mais decidida, mais lógica e mais justiceira?
Mateus tem um interesse especial pela figura de João Batista. Para ele, João é o precursor, que veio preparar os homens para acolher Jesus. É provável que, ao fazer esta apresentação, o evangelista se queira dirigir aos discípulos de João que ainda continuavam ativos na época em que o Evangelho foi escrito… Mateus pretende clarificar as coisas e “piscar o olho” aos discípulos de João, no sentido de que eles adiram à proposta cristã e entrem na Igreja de Jesus.
MENSAGEM
O nosso texto divide-se em duas partes… Na primeira, Jesus responde à pergunta de João e dá a entender que Ele é o Messias (vs. 2-6); na segunda, temos a apreciação que o  próprio Jesus faz  da figura e da  ação profética de João (vs. 7-11).
Jesus tem consciência de ser o Messias? A resposta é obviamente positiva; para dá-la, Jesus recorre a um conjunto de citações de Isaías que definem, na perspectiva dos profetas, a ação do Messias enviado de Deus: dar vida aos mortos (cf. Is. 26,19), curar os surdos (cf. Is. 29,18), dar vista aos cegos, dar liberdade de movimentos aos coxos (cf. Is. 35,5-6), anunciar a Boa Nova aos pobres (cf. Is. 61,1). Ora, se Jesus realizou estas obras (cf. Mt. 8-9), é porque Ele é o Messias, enviado por Deus para libertar os homens e para lhes trazer o “Reino”. A sua mensagem e os seus gestos contêm uma proposta libertadora que Deus faz aos homens.
Na segunda parte, temos a declaração de Jesus sobre o Batista. Mateus utiliza um recurso retórico muito conhecido: uma série de perguntas que convidam os ouvintes a dar uma resposta concreta. A resposta às duas primeiras questões é, evidentemente, negativa: João não é um pregador oportunista cuja mensagem segue as modas, nem um elegante convencido que vive no luxo. A resposta à terceira é positiva: João é um profeta e mais do que um profeta. A declaração, que começa com uma referência à Escritura (cf. Ex. 23,20; Mal. 3,1) pretende clarificar qual a relação entre ambos e o lugar de João no “Reino”: João é o precursor do Messias; é “Elias”, aquele que tinha de vir antes, a fim de preparar o caminho para o Messias (cf. Mal. 3,23-24)… No entanto, aqueles que entraram no “Reino” através do seguimento de Jesus são mais do que Ele.
ATUALIZAÇÃO
♦ O nosso texto identifica Jesus com a presença salvadora e libertadora de Deus no meio dos homens. Neste tempo de espera, somos convidados a aguardar a sua chegada, com a certeza de que Deus não nos abandonou, mas continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-nos a salvação.
♦ Os “sinais” que Jesus realizou enquanto esteve entre nós têm de continuar a acontecer na história; agora, são os discípulos de Jesus que têm de continuar a sua missão e de perpetuar no mundo, em nome de Jesus, a ação libertadora de Deus. Os que vivem amarrados ao desespero de uma doença incurável encontram em nós um sinal vivo do Cristo libertador que lhes traz a salvação? Os “surdos”, fechados num mundo sem comunicação e sem diálogo, encontram em nós a Palavra viva de Deus que os desperta para a comunhão e para o amor? Os “cegos”, encerrados nas trevas do egoísmo ou da violência, encontram em nós o desafio que Deus lhes apresenta de abrir os olhos à luz? Os “coxos”, privados de movimento e de liberdade, escondidos atrás das grades em que a sociedade os encerra, encontram em nós a Boa Nova da liberdade? Os “pobres”, marginalizados, sem voz nem dignidade, sentem em nós o amor de Deus?
♦ Mais uma vez, somos interpelados e questionados pela figura vertical e coerente de João… Ele não é um pregador da moda, cujas ideias variam conforme as flutuações da opinião pública ou os interesses dos poderosos; nem é um charlatão bem vestido, que prega apara ganhar dinheiro, para defender os seus interesses, ou para ter uma vida cômoda e sem grandes exigências… Mas é um profeta, que recebeu de Deus uma missão e que procura cumpri-la, com fidelidade e sem medo. A minha vida e o meu testemunho profético cumprem-se com a mesma verticalidade e honestidade, ou estou disposto e vender-me a interesses menos próprios, se isso me trouxer benefícios?
♦ A “dúvida” de João acerca da messianidade de Jesus não é chocante, mas é sinal de uma profunda honestidade… Devemos ter mais medo daqueles que têm certezas inamovíveis, que estão absolutamente certos das suas verdades e dos seus dogmas, do que daqueles que procuram, honestamente, as respostas às questões que a vida todos os dias põe. Sou um fundamentalista, que nunca se engana e raramente tem dúvidas, ou alguém que sabe que não tem o monopólio da verdade, que ouve os irmãos, e que procura, com eles, descobrir o caminho verdadeiro?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho