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I N T E R N A U T A S - M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

QUEM É JESUS?

    21º DOMINGO TEMPO COMUM

Evangelho - Mt 16,13-20

24 de Agosto de 2014 

Ano   A

QUEM DIZ O POVO QUE EU SOU?

VOCÊ CONHECE JESUS?-José Salviano




Estamos diante do primeiro "IBOPE"  de que se tem notícia. Jesus queria saber  o  que o povo pensava sobre ele.  Espere aí. Jesus não sabia mesmo o que pensavam dele?  É claro que sabia. Continua


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“E VÓS, QUEM DIZEIS QUE EU SOU”? – Olívia Coutinho

21° DOMINGO COMUM

Dia 24 de Agosto de 2014

Evangelho de Mt 16,13-20

 É pela fé que reconhecemos Jesus como o nosso Deus e Senhor, o que não é fruto do esforço humano e sim, do acolhimento a este dom de Deus que é a fé. Mas não basta reconhecer Jesus como o Nosso Deus e Senhor e nem ser somente um admirador de suas palavras, é preciso comprometer-se com Ele, testemunhá-Lo no nosso dia a dia, aceitar o seu chamado, aderindo à sua proposta de vida nova!
Muitas vezes, professamos a nossa fé em Jesus, e até sentimos atraídos pelas suas palavras, mas quando tomamos conhecimento de que no seguimento a Ele inclui a cruz, tendemos a recuar, temos medo, um sinal de que ainda não temos uma fé suficientemente madura para aceitarmos o desafio da cruz!
O evangelho que a liturgia deste Domingo nos apresenta, vêm nos despertar para a importância de conhecermos  bem Jesus, de nos tornar íntimos Dele!  Sem aprofundarmos no conhecimento à Jesus, ficamos no superficial da fé, na lógica dos homens, não vamos compreender que para ganhar a vida, é preciso passar pela cruz.
O texto nos diz que Jesus, no desejo de saber se os seus discípulos já haviam entendido o seu messianismo, pergunta-lhes: “Quem dizem  as pessoas ser o Filho do Homem? Para esta pergunta, surgiram várias resposta, afinal, é fácil responder em nome do outro, não compromete! Já quando esta mesma pergunta, é direcionada aos próprios discípulos, vem o silencio, pois desta vez, a pergunta requer uma resposta pessoal, uma resposta  que exige comprometimento. 
Pedro foi o único que respondeu, e respondeu com firmeza: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” Esta resposta agradou Jesus, pois Ele sabia que esta afirmação de Pedro, era fruto da sua convivência com Ele! Por esta  profissão de fé,  Pedro é convocado para  uma missão desafiadora: ser a pedra, sobre a qual, Jesus  edificaria  a sua Igreja. “... Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja...”
Este episódio chama a nossa atenção sobre a responsabilidade de quem afirma conhecer Jesus! Saber quem é Jesus, é muito mais do que saber que Ele  é Deus, afirmar que O conhecemos implica em comprometimento com a sua causa.
Olhando a escolha de Pedro, para conduzir a  Igreja, podemos perceber que Jesus fundou  a sua Igreja sobre a fragilidade humana! Jesus não edificou a sua igreja sobre homens considerados grandes aos olhos do mundo, mas sobre Pedro, um homem de origem simples, que representa os homens de toda história da Igreja: homens santos e pecadores!
O texto nos diz  ainda que Jesus proibiu  os discípulos de revelar a sua identidade a quem quer que fosse, afinal, um povo que esperava um Messias triunfalista com poderes políticos, jamais aceitaria um Messias na condição de servo, alguém com  o olhar voltado para os pequenos! Jesus sabia que não seria reconhecido como Filho de Deus, sem antes passar pela cruz!
Numa comunidade, cujo o centro é Jesus, um líder não se destaca pela sua autoridade, e sim, pelo seu amor à Jesus transformado em serviço!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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Quem dizem os homens que eu sou? - José Salviano
17 de Fevereiro

Qual a resposta que você daria hoje a essa pergunta de Jesus?  Que significa Jesus na sua vida? Qual o seu relacionamento com Jesus? Você reconhece Jesus como o Messias, o enviado de Deus, o Ungido, o Salvador? Ou você é um daqueles que vê um Jesus Cristo apenas histórico que ficou lá no passado? Você se submete a Jesus e aceita os seus caminhos de salvação veiculados pela Igreja criada por Ele? Você é um daquele que bate no peito e diz que Jesus é amor, mas na sua vida prática você não  ama? Ou você afirma  que Jesus é  Deus Senhor nosso, mas não o serve? Ou você aceita que Jesus é o enviado do Pai, mas não o escuta? Ah! Já sei. Você anda dizendo por aí que Jesus  é nosso irmão, mas na sua vida mesmo você não pratica a fraternidade.
            Prezados irmãos. O Evangelho de hoje nos conduz a parar por um momento e nos perguntar. Quem é Jesus na minha vida? Qual o melhor lugar para eu me encontrar com Jesus? Sabemos que Deus na Pessoa de Jesus está em toda parte, especialmente na Igreja e na pessoa do irmão. Jesus funda a Igreja humana escolhendo e enviando os primeiros padres e o primeiro Papa. Portanto, Cristo "é a Cabeça do Corpo que é a Igreja". Ao criar a Igreja, Jesus cria a redenção de todos nós principalmente para aqueles movidos de boa vontade e fé. Jesus após ressuscitar, investiu na Igreja e por meio da qual Ele estende seu reino sobre todas as coisas.
Como cabeça desta instituição Santa  que é a presença de Deus no mundo, Ele nos une dizendo: "Eu vos dou a minha paz,... Amem us aos outros...  ... pois é nesse amor que tendes uns pelos outros  que o povo vai reconhecer que sois meus seguidores, meus imitadores". E somente assim, prezados irmãos, é que poderemos anunciar a mensagem de Jesus ao mundo. Desse modo somos inseridos nos mistérios de sua vida associamo-nos a suas dores como o corpo à Cabeça, para que padecendo com ele, sejamos com ele também glorificados.
Ele nos escolhe, nos chama, provê a nossa subsistência. Porém respeita a nossa decisão de aceitar ou não o seu convite.  Uma vez que aceitamos o seu chamado, é grande a alegria no céu porque passamos a fazer parte daqueles que constituem a  Igreja, doando os nossos dons e talentos os quais recebemos de presente pelo próprio Pai, para contribuir comunitariamente para com  os caminhos da salvação, que foi iniciada por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
José Salviano.
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Quem diz o povo que eu sou?- José Salviano
Evangelho - Lc 9,18-24

Como sempre o fazia, Jesus estava rezando num lugar retirado para melhor se concentrar, e talvez para apresentar o relatório do seu trabalho e pedir mais orientações ao Pai. Ao término daquela oração, Jesus interroga os discípulos os quais estavam ali com ele: “'Quem diz o povo que eu sou?' Jesus não precisava fazer aquela pergunta. Ele, era Deus, e sabia de tudo o que se passava nas mentes das pessoas. Mas queria ouvir das bocas dos discípulos uma resposta. 'Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou...' Esta foram as respostas dos seus amigos. Porque eles escutavam o que o povo andava dizendo. É muito importante, escutar a voz do povo. Para saber até que ponto o nosso trabalho pastoral está atingindo ou não os seus objetivos. Não podemos ficar sentados na sacristia, lendo, atendendo, fazendo reuniões nas quais nem sempre os fiéis paroquianos expõem tudo que pensam, com receio de desagradar. Precisamos sair para o campo, misturar-nos com o povo, até seria bom que estivéssemos a paisana, sem as nossas identificações visuais, para que pudéssemos ouviu o que todos falam a nosso respeito por aí. Sentir o palpitar dos pagãos, dos desgarrados, daqueles que precisamos levar a palavra de Cristo, em vez de continuar evangelizando tão somente para os mesmos que vem a nós nas missas.
Foi assim que Jesus fez. Ele ia aos povoados, às pequenas cidades, encontrar-se com os excluídos não só para curar as doenças do corpo, mas para anunciar a boa Nova. E o fazia numa linguagem simples que o povo entendia. Jesus não usava palavreado bonito e sofisticado, nem palavras difíceis. Expressava numa linguagem direta sem meias palavras, “...se tua mão direita te lava a pecar, corta-a. Por que é melhor entrar na vida eterna sem uma mão, do que ter as duas e se queimar no fogo dos infernos!

'E vós, quem dizeis que eu sou?' 'O Cristo de Deus.' Esta foi a resposta daquele que seria o Primeiro Papa da Igreja. E em outros textos, Jesus afirma que quem revelou a Pedro aquela resposta, foi o Espírito Santo. Justificando assim, por que a nossa fé é um dom de Deus. O Espírito Santo revela os mistérios de Deus para todos, convidando-nos a aderir à sua causa. Mais, infelizmente só uma porção da humanidade responde a este chamado de fé. Somente alguns aceitam, somente alguns dizem SIM. E Deus respeita a nossa decisão, porém avisou através da boca do Seu Filho amado: “Quem responder sim, quem crer, será salvo. Quem me ignorar, quem não crer já está condenado.” Observe aí que Deus não nos condena, mas sim nós é que nos condenamos ao rejeitá-lo.
'Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, ao seu egoísmo, os seus instintos, a idolatria dos bens materiais, ao poder do dinheiro, a sua vaidade, à fama, ao conforto excessivo, as prazeres da boa comida, da bebida, da embriaguês, e de tudo aquilo que é supérfluo, e que nos distancia de Deus. Tudo aquilo que nos impede de seguir Jesus, de continuar o seu trabalho missionário no mundo.
“Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim,esse a salvará”.
José Salviano.

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QUEM É JESUS PARA VOCÊ? - José Salviano

            Quem o povo diz que eu sou? Jesus fez esta pergunta de surpresa aos discípulos, e depois que eles responderam, Ele perguntou, e vocês quem dizem que eu sou? Seria o mesmo que dizer. Quem sou eu para vocês?
            Quem é Jesus para você? Boa pergunta.  Seria aquele Deus que lhe ajuda a realizar os seus planos egoístas? É Ele quem lhe ajuda a conquistar a namorada do seu velho amigo, que faz o seu time ser campeão, ou lhe dá o grande prêmio da Mega Sena?
            Ah! Nada disso aconteceu e você está decepcionado com Jesus?
            Você percebeu que temos a tentação de criar um Deus que satisfaça os nossos desejos e pedidos? Que esteja do nosso lado nos nossos desentendimentos com as pessoas, um Deus que permita que eu tenha várias mulheres, que eu possa matar quem me atrapalhar a ensinar o evangelho, etc.
            Não, meu irmão. Essa imagem de Deus está errada, fabricada, e distorcida. Jesus que é Deus, e nos dá a paz, transforma a nossa vida, mais não nos garante que não vamos ter problemas se o seguir. Teremos problemas, sim, mais podemos contar com a ajuda e proteção de Deus para solução destes mesmos problemas. Cairemos, mais teremos Jesus que nos dá a mão para levantar e continuar a caminhada. O sofrimento do cristão com toda certeza é menor que o sofrimento do não-cristão. E quem é cristão praticante, sabe disso. Porque  "Meu peso é leve o meu jugo é suave" .  No entanto "quem quiser me seguir, pegue a sua cruz..."   Aqui Jesus não nos engana, não nos garante que estamos livres de sofrimento. Porém, sofrer com Ele é mais fácil. Bem mais fácil!
            Seguir Jesus é pensar e agir como Jesus. Não é apenas admirá-lo como um grande homem.
            E como Jesus pensava? Ele pensava como Deus. Não pensava como os homens com seus planos e desejos egoístas. Por isso Ele repreendeu Satanás que tentou Pedro para dizer aquelas palavras inadequadas para o plano de Deus.  Do jeito que Jesus pensava, Ele  agia. Jesus não fazia e nem faz como muitos de nós que pensa fala ou promete uma coisa e faz outra totalmente o contrário.  Prometemos no altar ser fiéis às nossas esposas, ou aos maridos, às esposas, e nem sempre essas promessas são cumpridas. Prometemos rios de projetos  para o bem do povo nos nossos discursos como candidatos. E quando ganhamos a eleição, esquecemos de tudo. Esquecemos até que aquele mesmo povo vai de novo votar nas próximas eleições.
José Salviano
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Tome a sua cruz e siga-me- José Salviano.


Jesus anuncia a sua morte, e tudo o que lhe acontecerá. E porque Ele sabe o seu futuro? Primeiro porque Ele é Deus.  E sendo Deus, sabia tudo o que iria acontecer, até os pensamentos das pessoas em sua volta. Enxergava milhares e bilhões de quilômetros na sua frente..

Segundo, porque tudo faz parte do projeto do Pai que foi anunciado pelo Espírito Santo através das bocas dos profetas.

Em seguida, Jesus disse: "Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me."
Talvez seja esta afirmação de Jesus, o segundo motivo pelo qual os sacerdotes são celibatários. Negar a si mesmo. O primeiro motivo talvez seja porque Jesus disse. "Quem deixar mulheres e filhos para me seguir terá cem vezes mais nesta vida e mais a vida eterna, com direito a perseguições"; e o terceiro motivo dos padres não se casarem talvez seja pelo fato de Jesus não ter se casado. O sacerdote imitando a Cristo, não se casa.
"Tome cada dia a sua cruz..." Que dureza! Cada um de nós tem a sua cruz para carregar. É o cheiro da fumaça do cigarro do marido, é a sogra monopolizando a família, é a esposa reclamando de tudo e de todos que desarrumam a casa (mas ela está certa), é o cachorro do vizinho que não pára de latir nos nossos ouvidos quando precisamos estudar, etc.
Temos vários tipos de cruzes. Algumas cruzes são produzidas ou feitas por nós mesmo. Aquele jovem cheio de vida, apostando corrida na madrugada com seus amigos, bateu com o carro e hoje tem de carregar uma merecida cruz! Uma perna mecânica.
Ele é jovem, cheio de saúde, de boa aparência e por isso vive rodeado de muitas garotas, bom emprego, arrasa nas madrugadas, e na praia só dá ele, não tem pra ninguém... "peraí." Adianta a fita, digo o DVD. Vamos ver como é o final desse filme, o final da vida deste campeão.
...Hoje, aposentado, ele tem de pagar 3 pensões alimentícias para suas ex-esposas. Não é que ele fosse um mau marido, um traidor, mas acontece que as garotas não o deixava respirar, dando em cima dele, e exigindo que deixasse a sua esposa e ficasse elas. E isso aconteceu por três vezes.
Hoje esse ex-campeão mora sozinho na casa de sua falecida mãe, e está carregando várias cruzes, pois o que ganha, já descontado na fonte as pensões, mal dá para se alimentar. Como se não bastasse, agora surgiu mais uma dolorosa cruz, uma DST (Doença Sexualmente Transmissível), deixando-o magro, desanimado e sem os amigos das horas boas.
Depois de comentar algumas cruzes adquiridas, vamos tentar examinar algumas cruzes acidentais. Aquelas em que dizemos que não tivemos culpa de nada.
Ela ia passando pela praça, surge de repente um tiroteio, uma bala atinge sua coluna, e hoje sua cruz é uma cadeira de rodas. Porque aconteceu aquilo? Uma fatalidade? É muito complicado, e apesar de que Jesus disse que não cai uma folha da árvore sem a vontade de Deus, neste caso é bom a gente não emitir nenhuma opinião. Até que ponto ela mereceu aquilo? Não nos cabe julgar. Simplesmente dizemos que aconteceu, sem mais comentários.
As cruzes são importantes, pois elas nos purificam e nos santificam, desde que não reclamamos do seu peso, e o pior, desde que não nos revoltemos com elas, ou contra Deus, carregando-as com paciência como o fez o Filho de Deus, e oferecendo diariamente aquele sofrimento a Deus..
Cruzes injustas. É importante não generalizar, atribuindo a todo tipo de sofrimento, a denominação de cruz. Não confundir cruz com injustiça. O seu vizinho abusado e injusto, para não dizer louco, começa a dar tiros da sua janela aterrorizando os vizinhos. Alguém muito beata diz. Não chame a polícia. É a nossa cruz...
Aí, realmente é um caso de injustiça que produz conflito, e, portanto é um caso de polícia imediatamente.
Outro exemplo. Sua vizinha liga seu possante aparelho de som na maior altura por volta de meia noite, e você precisa dormir. Isso é uma cruz que você vai ter de engolir, digo, carregar? Acho que não! Vai ter de tomar providências, reclamando os seus direitos. Por ser cristão, não é ser bobinho.
Prezados irmão. Cruz é um assunto complicado e longo, mas o espaço acabou. Vamos rezar para Deus perdoa os nossos pecados, nos tornando assim, merecedores da redução do peso das nossas cruzes. Vamos pedir também para Ele nos livre das cruzes acidentais e das cruzes injustas. Amém.
José Salviano.
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Quem o povo diz que eu sou? -Pe. Antônio Queiroz

Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira! (Che Guevara)
Pedro crê e testemunha
 "Tu és o Cristo de Deus", foi a resposta de Pedro a Jesus, quando este perguntou aos discípulos: "Quem dizeis que eu sou?" Este Evangelho narra que Jesus fez duas perguntas aos discípulos.
A primeira: "Quem diz o povo que eu sou?" Eles relataram as várias opiniões que ouviam sobre Jesus. A segunda foi mais direta: "E vós, quem dizeis que eu sou?"
Diante da resposta correta de Pedro, Jesus pediu a todos que não contassem a ninguém quem ele era, para que ele sofresse a sorte comum de todo ser humano que quer viver segundo o plano de Deus, no meio de um mundo corrompido.
Jesus é o próprio Deus encarnado para nos salvar. Através dele, todos nós recebemos a plenitude da vida. Mas para isso precisamos acolhê-lo com generosidade, pois ele é o nosso caminho, verdade e vida. Mais ainda, ser discípulo de Jesus inclui ser missionário como ele foi: "Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (Jo 20,21).
Ser discípulo de Jesus é caminhar com ele, seguindo os seus passos e enfrentando todas as realidades da vida humana do jeito que ele enfrentou. Se cairmos, devemos nos levantar, sem perder a esperança.
Seguir a Jesus é estar sempre caminhando, como o povo hebreu no deserto. Se alguém arma a sua tenda, e não quer desarmá-la mais, pensando que já chegou à terra prometida, é sinal do contrário, isto é, que se afastou do caminho de Jesus.
A esperança é como uma estrela, que está sempre na nossa frente, mas que nunca a atingimos aqui na terra, por isso sempre caminhamos.
Faz parte da nossa missão, convidar outros para a nossa caminhada. "Vem, entra na roda com a gente. Também você é muito importante, vem!"
Imagine que Jesus está perguntando para você, agora: "Quem sou eu?" Responda a ele relatando a sua vida, destacando aquelas partes que são assim por causa dele. O mundo está cheio de respostas teóricas sobre Jesus, mas deixando a vida de lado: Deus, Segunda Pessoa da SS. Trindade, Redentor... Ele quer uma resposta com a vida, como deram os mártires e os santos e santas.
Só podemos dizer que Jesus é o nosso caminho, quando seguimos de fato, não o nosso caminho, mas o dele. Só podemos dizer que Jesus é a nossa verdade, quando acreditamos em tudo o que ele ensinou, inclusive naqueles pontos mais complexos, que a Santa Igreja traduz para nós. Só podemos dizer que Jesus é a nossa vida, quando a nossa vida é um xerox da vida dele.
Certa vez, um homem estava carregando a sua cruz, mas ele a achava um pouco pesada. Ao passar por uma casa de sítio, viu o sitiante com um serrote, serrando uma madeira. Ele pediu o serrote emprestado e serrou um pedaço da cruz.
Ao colocá-la novamente no ombro, gostou. Agora sim, pensou ele, dá para carregar mais fácil. Agradeceu o sitiante e foi embora.
Lá na frente, havia um rio que ele devia atravessar. Os barrancos eram altos, e lá no fundo a correnteza era forte. Não havia por ali nenhuma pinguela ou madeira para ele usar. Ele tentou usar a sua cruz como pinguela, mas faltava exatamente aquela parte que ele cortou! E assim, o pobre homem ficou ali, enquanto todos os viandantes usavam a sua cruz como pinguela, e passavam.
O surgimento de seitas tem, como motivo principal, querer cortar um pedaço da cruz. Que nunca falsifiquemos o Evangelho de Jesus, pois ele é o nosso único caminho, verdade e vida.
Maria Santíssima, desde a anunciação, sabia quem era Jesus, pois o anjo Gabriel lhe explicou. E a prima Isabel completou: "Como mereço que a mãe do seu Senhor venha me visitar?" (Lc 1,43). Que ela nos ajude a conhecer cada vez melhor o seu Filho, e viver de acordo com esse conhecimento.
"Tu és o Cristo de Deus", foi a resposta de Pedro a Jesus, quando este perguntou aos discípulos: "Quem dizeis que eu sou?"
Pe. Antônio Queiroz CSsR

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Quem dizem os homens que eu sou? - Nancy


"Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo"

            "Quem dizem as pessoas ser o Filho do Homem?" – era esta a pergunta de Jesus aos seus discípulos naquele tempo em Israel.
            Hoje, talvez muitas pessoas façam a mesma pergunta, ou até quem sabe, fiquem interrogando silenciosamente, para si mesmos, sobre a pessoa de Jesus Cristo.
            E a resposta dos discípulos era a voz daquele povo humilde, simples, excluído, renegado, doente, possesso, que ecoava por todos os lugares: "Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias..." 
            Muito pelo contrário, o pensamento dos escribas, doutores da Lei e da classe culta dos judeus, a respeito da pessoa de Jesus Cristo, era outro: consideravam-no um blasfemo, transgressor dos costumes e das Leis de Israel.
            Podemos perceber os dois pontos de vista das diferentes classes sociais. Mas percebemos também o quanto João Batista, Elias, Jeremias e outros grandes profetas foram significativos na vida dos israelitas, razão do povo estabelecer relações de similaridade entre esses e Jesus – virtuosos, carismáticos, com poder e autoridade. E esse era o maior medo dos poderosos que, por inveja, o mataram. 
            Porém, Jesus era e é maior do que todos os profetas, pois era o Filho do Homem, do qual o próprio João Batista, o precursor da vinda de Jesus, dizia ser indigno de desamarrar as suas sandálias... 
            Pedro, entretanto, sabia que Jesus Cristo era o filho de Deus, o Messias. Ele respondera para Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo."
            Pedro, que se tornou a pedra angular, não admitia o final de Jesus Cristo martirizado; queria vê-lo coroado como Rei de Israel. Não concebia a idéia de coroá-lo com uma coroa de espinhos, morto e crucificado... E por isso Jesus lhe chama a atenção para que não pense como os humanos, pois Ele viera para cumprir a vontade do Pai.
            Irmãos: Quem é Jesus para nós? Fica aí a pergunta.
            Que possamos afirmar: "Eu creio que Ele é o Cristo, o Filho de Deus", assim como Pedro, um dos seus discípulos, respondera convictamente, antes de qualquer outro discípulo. Amém!
            Abraços fraternos.
            Nancy – professora 

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Quem dizem as multidões que Eu sou?

A liturgia deste domingo coloca no centro da nossa reflexão a figura de Jesus: quem é Ele e qual o impacto que a sua proposta de vida tem em nós? A Palavra de Deus que nos é proposta impele-nos a descobrir em Jesus o “messias” de Deus, que realiza a libertação dos homens através do amor e do dom da vida; e convida cada “cristão” à identificação com Cristo – isto é, a “tomar a cruz”, a fazer da própria vida um dom generoso aos outros.

O Evangelho confronta-nos com a pergunta de Jesus: “e vós, quem dizeis que Eu sou?”
Paralelamente, apresenta o caminho messiânico de Jesus, não como um caminho de glória e de triunfos humanos, mas como um caminho de amor e de cruz. “Conhecer Jesus” é aderir a Ele e segui-l’O nesse caminho de entrega, de doação, de amor total.

A primeira leitura apresenta-nos um misterioso profeta “trespassado”, cuja entrega trouxe conversão e purificação para os seus concidadãos. Revela, pois, que o caminho da entrega não é um caminho de fracasso, mas um caminho que gera vida nova para nós e para os outros. João, o autor do Quarto Evangelho, identificará essa misteriosa figura profética com o próprio Cristo.

A segunda leitura reforça a mensagem geral da liturgia deste domingo, insistindo que o cristão deve “revestir-se” de Jesus, renunciar ao egoísmo e ao orgulho e percorrer o caminho do amor e do dom da vida. Esse caminho faz dos crentes uma única família de irmãos, iguais em dignidade e herdeiros da vida em plenitude.
Comentário - Quem dizem as multidões que Eu sou?
Está claro que vivemos tempos complicados, mais também é verdade que não são mais complicados nem difíceis que outros tempos. Frente aos profetas de desgraças e ameaças apocalípticas, que sempre os teve, devemos proclamar a palavra serena, pacificadora e criadora de esperança da Boa Nova. Nós os crentes olhamos Jesus, estamos fundamentados nele. A âncora de nossa fé está fixa no fundo e por mais que se mova a superfície, sabemos e confiamos em que Deus levará a termo a obra que ele mesmo começou.
Devemos dizer e repetir esta mensagem muitas vezes. Porque há muitos que falam e falam do mal em que estamos, de que já não há valores em nossa sociedade, de que tudo são guerras, assassinatos, roubos. De que o sexo parece ser o único objetivo de todos, etc. Poderíamos seguir dizendo coisas similares. Os que assim falam anunciam mais graves catástrofes ainda. Não há mais solução que atender ao que eles dizem. Temos que cumprir as normas, atuar de outra forma, temos que... E perguntamo-nos se, sendo tão maus como eles nos dizem, poderemos cumprir com todos esses “temos que” que nos propõem. Definitivamente sua mensagem não abre caminhos de esperança senão de desespero. Não há saída. Não há futuro.
Otimista porque cremos

Ainda bem que se apoiar na Palavra de Deus nos abre caminhos de vida. As leituras deste domingo, como as de tantos outros, são um bom antídoto contra esse pessimismo dominante. O Evangelho centra-nos no fundamental. Nós achamos que Jesus é o Messias de Deus. Não é um profeta a mais. Não lhe seguimos porque estejamos convencidos de que sua doutrina é melhor que a de outros. Nem porque faça uns milagres glamorosos como ninguém tem feito nunca. Cremos, estamos convencidos, que é o Filho de Deus, que nele se fez carne o amor de Deus por nós, pela humanidade inteira, por este mundo nosso. Deus não tem dado as costas à sua criação. Não deseja nossa morte senão nossa vida.
Essa vontade de Deus manifestou-se em Jesus. Nele reconhecemos e experimentamos o amor gratuito de Deus. Somos muito conscientes de nossas limitações, de nossas falhas e erros. Mas sabemos que o amor de Deus é maior que tudo isso. E que a vida triunfa sobre a morte. E a graça sobre o pecado. Por isso, caminhamos pela vida cheia de esperanças e com a face bem alta. Não porque nossas obras sejam justas e com elas tenhamos ganhado a salvação. Senão porque temos experimentado o dom da graça, sabemo-nos amados por Deus em Jesus. Não olhamos nosso umbigo – não queremos salvar nossa vida – senão que saímos à vida a cada dia anunciando a boa nova de Jesus, a esperança de vida que temos posto nele. E ele não nos defrauda.
Voltar ao fundamental: “É o Messias”

Passa que, como diz a primeira leitura, em nossos corações se derramou um espírito de graça e de ciência. De Jesus, morto por salvar-nos, brota um manancial de vida, de esperança, de amor, que faz desaparecer os pecados e impurezas desta humanidade nossa tão limitada e tão pobre. Não procuramos a salvação no esforço ético, no cumprimento de normas. Não compramos a vida futura com sacrifícios nesta vida. Mais, sentimos o gozo de participar na construção do Reino, de criar fraternidade, porque temos experimentado o amor de Deus.
Nessa perspectiva temos que ler a segunda leitura. “Todos somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus”. Achamos que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e isso nos faz irmãos. Seguir-lhe leva consigo penúrias e sacrifícios, mais vale a pena porque é a única maneira de construir a fraternidade, de dar passos que superem o ódio e a guerra, de criar espaços para a esperança e a vida.
Por isso temos que voltar ao fundamental, a nos perguntar quem é Jesus para nós e ao responder desde o mais fundo de nosso coração, ali onde temos experimentado o amor gratuito e incondicional de Deus. Nessa resposta jogamo-nos à vida. Nessa resposta jogamo-nos ao futuro, nosso futuro. Porque não são só umas palavras. A resposta se dá com a vida, dia a dia, amando, lutando, levantando-nos quando caímos, esperando, dando a mão ao irmão.
Pe. Fernando Torres, cmf
http://www.ciudadredonda.org/
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TU ÉS O CRISTO DE DEUS
Santos do Dia: Adalberto de Magdeburgo (monge, bispo), Baino de Calais (monge, bispo), Benigno de Breslau (monge, mártir), Edburga de Caistor (virgem), Florentina de Cartagena (abadessa), Goban de Laon (presbítero, mártir), Hélia de Öhren (abadessa), João de Matera (abade), Macário de Petra (bispo), Novato de Roma (mártir), Paulo e Ciríaco (mártires de Tomes), Silvério (papa, mártir).
Primeira leitura: Zacarias 12, 10-11
Contemplarão aquele a quem transpassaram. 
Salmo responsorial: 62, 2.3-4.5-6.8-9
A minh’alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus! 
Segunda leitura: Gálatas 3, 26-29
Vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.
Evangelho: Lucas 9, 18-24
Tu és o Cristo de Deus. O Filho do Homem deve sofrer muito.
A primeira leitura faz referencia aos tempos messiânicos. “Derramarei sobre a casa de Davi um espírito de graça e de oração. E olharão aquele que transpassaram”e chorarão como quem chora um primogênito. O “transpassado” lembra o Servo de Javé, figura de Cristo em sua Paixão. O evangelista João inclui a crucifixão de Jesus dizendo: “para que se cumpram as Escrituras: olharão aquele que transpassaram”. Deus concede a conversão do coração por meio de uma vítima que é Cristo, o Servo padecente, seu corpo transpassado será contemplado com o olhar salvador da fé.

Na segunda leitura, o tema da lei mosaica como desnecessária e abolida depois da vinda de Cristo, pois a fé nele é o que justifica diante de Deus, é o problema básico da carta aos Gálatas, que Paulo responde aos judeus-cristãos, que não conseguiam se desprender das formas judaizantes e que viam com receio a doutrina e a práxis do apóstolo.
Por isso, depois de afirmar a função transitória e pedagógica da lei, Paulo firma a passagem da realização atual das promessas para a vinda de Cristo e na fé do Evangelho.

Cristo é o acontecimento decisivo da história da salvação; pela fé nele e pelo batismo todos somos constituídos em filhos de Deus, quer dizer, somos justificados. Ao dizer todos Paulo acentua que não somente os judeus, como também as demais raças e povos.

Quanto ao Evangelho, pode ser dividido em três partes: 1. A confissão messiânica de Pedro (vv. 18-21); o primeiro anúncio da Paixão (v. 22); Lucas omitiu a reprimenda que Jesus dirige a Pedro, quando este, diante do anúncio da Paixão, se opõe a ela; 3. As condições para o seguimento de Cristo (vv. 23-24).

Lucas é o único que nota significativamente a oração de Jesus que precede a confissão de messianidade e o anúncio da Paixão (v. 18). Como a figura do Messias na mente dos apóstolos estava permeada de triunfalismos terrenos, Jesus os educa nesse grande mistério do Reino: sua própria Paixão e Morte (v. 22). Continua finalmente uma passagem que nos recorda o discurso apostólico de Mateus 10: condições que Jesus pede a seus seguidores: abnegação, disponibilidade absoluta e sofrimento afetivo (vv. 23-24).

Se queremos seguir Jesus, temos que aceitar suas condições e entendê-las como ele as entende. Negar-se a si mesmo equivale a “não ter nada que ver” com a pessoa da qual se renega. Negar-se a si mesmo é descentrar-se, não ser já o centro de seu próprio projeto. É colocar a vida inteira a serviço do outro, neste caso, o projeto de Jesus. A isto Jesus o chama a perder a vida por ele. E quem consegue realizar isto, “ganhará”, salvará sua vida. A condição que põe Jesus para segui-lo não pretende tirar valor, mas orientar nossas energias e valores para a construção do Reino que ele iniciou negando-se, também ele, a si mesmo, para cumprir em tudo a vontade do Pai.

Em que consiste carregar a cruz? Acaso é supor tudo sem reclamar como se toda contrariedade fosse mandada por Deus mesmo? É submeter-se à dor pela dor, como se a dor fosse um valor em si mesmo? Se a entendemos assim, não tem nada que ver com a condição que Jesus coloca para que sigamos seus passos.

Jesus quer dizer que todos os discípulos têm que estar dispostos a viver da mesma maneira que ele viveu, mesmo sabendo que este estilo de vida pode acarretar a perseguição e talvez a morte. Essa é a cruz de Jesus e também deve ser a nossa. Não inventamos cruzes à maldade, não as buscamos nem nos preocupemos demais por elas. Sigamos os passos de Jesus e outros colocarão as cruzes em nossos ombros, antes mesmo que o pensemos.

Negar-se a si mesmo é carregar a cruz equivale a fazer seu, cada um de nós, o caminho de Jesus. Ele se negou a tomar o poder, a forca e a fama como meios para servir e salvar os homens. Jesus escolheu o único caminho que conduz ao coração do homem: a solidariedade com todos os excluídos da terra.

Este foi o caminho de Jesus e este tem que ser nosso caminho se queremos estar com ele e segui-lo. Tentar seguir Jesus no comodismo, na falta de compromisso, no pacto com os poderosos, ainda que possa parecer muito razoável, é um caminho falso. É “pensar como os homens e não como Deus”.
Missionários Claretianos
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QUEM DIZ O POVO QUE EU SOU?” - Helena Serpa
A palavra deste domingo coloca no centro da nossa reflexão a figura de Jesus: quem é Ele e qual o impacto que a sua proposta de vida tem em nós?
O Evangelho confronta-nos com a pergunta de Jesus: “e vós, quem dizeis que Eu sou?” Boa esta pergunta! Serve para refletir e pensar o essencial da nossa fé cristã. Todos sabem muito de Jesus e ao mesmo tempo ninguém sabe nada. Tudo o que se possa dizer acerca Dele, fica sempre muito aquém daquilo que Ele é verdadeiramente.
O conhecimento de Jesus, é sempre muito pouco face à realidade que Ele é e provavelmente não nos foram dados sentidos suficientes para abarcar tal conhecimento. Jesus é sempre um desafio. Uma meta que se vê ao longe para a qual se corre, na esperança que um dia se chegue ao seu término e aí sim, revela-se em plenitude essa realidade escondida.
O próprio Jesus não nos desampara e revela já o que Ele pode ser em cada um de nós: «Eu sou a luz do mundo, aquele que Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8,12). Esse desafio que nos é dado para «tomar a cruz todos os dias», mostra que no empenho da vida revelamos o amor por Jesus e como estamos conscientes dos Seus ensinamentos.
A Palavra de Deus que nos é proposta impele-nos a descobrir em Jesus o “messias” de Deus, que realiza a libertação dos homens através do amor e do dom da vida; e convida cada “cristão” à identificação com Cristo isto é, a “tomar a cruz”, a fazer da própria vida um dom generoso aos outros
Paralelamente, apresenta o caminho messiânico de Jesus, não como um caminho de glória e de triunfos humanos, mas como um caminho de amor e de cruz. “Conhecer Jesus” é aderir a Ele e segui-l’O nesse caminho de entrega, de doação, de amor total.
A vida por Jesus Cristo, mostra-se no zelo do dever, na partilha fraterna, no coração aberto à compaixão pelos outros, especialmente, os sem lugar e vez na sociedade. A vida iluminada por Jesus Cristo está no sorriso da criança que se mostra disponível para amar desinteressadamente, está nos braços imensos de homens e mulheres que limpam e alimentam os incapacitados, está naquele que diz não ao roubo e à infidelidade dos princípios e compromissos pessoais e sociais. Está na vida que se transmite de todas as formas.
Afinal, “Quem Eu sou” pode estar em todas as faces do mundo e da vida toda. Ora bem, para dar o salto de cristãos acomodados e atrofiados pelo costumeiro ritualismo fica o seguinte ensinamento: «Muitos seguem a Jesus até a distribuição do pão, mas poucos até beberem o cálice da paixão. Falta gente que tome, corajosamente, ao modo de Jesus, o cálice da entrega na construção do mundo para todos. E mais ainda nos ensina Pascal: «Cristo morreu de braços abertos, para que nós não vivamos de braços cruzados». Pois bem, quem é Jesus para ti?

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ANUNCIANDO A PAIXÃO

A questão apresentada por Jesus aos discípulos, a respeito de sua identidade, situa-se num momento crucial de sua vida. Por um lado, as multidões não haviam compreendido bem o tipo de messianismo vivido pelo Mestre. Ele se apresentava como Messias-servo, ao passo que o povo esperava um Messias cheio de glória e majestade. Por outro lado, autoridades políticas, como Herodes, perguntavam-se: "Quem poderá ser este de quem ouço tais coisas?" O que se passava com os discípulos? Sua fé era consistente e estavam realmente preparados para subir com Jesus até Jerusalém?
A questão apresentada aos discípulos visava explicitar-lhes a fé no Messias Jesus. A resposta de Pedro, embora verdadeira, carecia de reparos. O Messias estava destinado a sofrer nas mãos dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitar no terceiro dia. A causa do sofrimento estaria relacionada com seu modo de viver. Longe de buscar glórias mundanas, Jesus colocava-se ao lado dos pobres e marginalizados, vivia uma experiência de Deus muito diferente da preconizada pela religiosidade da época, anunciava um Reino de igualdade e solidariedade, muito mais exigente do que, até então, se conhecia. Sua morte decorreria de sua opção de ser solidário e servidor. Daí o Pai decidir ressuscitá-lo.
Quem quisesse segui-lo, deveria considerar atentamente este aspecto. Caso contrário, estaria nutrindo esperanças vãs.

Prece
Espírito do Messias solidário e servidor, não me deixes nutrir esperanças vãs de um messianismo glorioso e mundano, que não corresponde à opção do Senhor Jesus.

(Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE )

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'E vós, quem dizeis que eu sou?' 

Como sempre o fazia, Jesus estava rezando num lugar retirado para melhor se concentrar, e talvez para apresentar o relatório do seu trabalho e pedir mais orientações ao Pai. Ao término daquela oração, Jesus interroga os discípulos os quais estavam ali com ele: “'Quem diz o povo que eu sou?' Jesus não precisava fazer aquela pergunta. Ele, era Deus, e sabia de tudo o que se passava nas mentes das pessoas. Mas queria ouvir das bocas dos discípulos uma resposta. 'Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou...'esta foi as respostas dos seus amigos. Porque eles escutavam o que o povo andava dizendo. É muito importante, escutar a voz do povo. Para saber até que ponto o nosso trabalho pastoral está atingindo ou não os seus objetivos. Não podemos ficar sentados na sacristia, lendo, atendendo, fazendo reuniões nas quais nem sempre os fiéis paroquianos expõem tudo que pensam, com receio de desagradar. Precisamos sair para o campo, misturar-nos com o povo, até seria bom que estivéssemos a paisana, sem as nossas identificações visuais, para que pudéssemos ouviu o que todos falam a nosso respeito por aí. Sentir o palpitar dos pagãos, dos desgarrados, daqueles que precisamos levar a palavra de Cristo, em vez de continuar evangelizando tão somente para os mesmos que vem a nós nas missas.
Foi assim que Jesus fez. Ele ia aos povoados, às pequenas cidades, encontrar-se com os excluídos não só para curar as doenças do corpo, mas para anunciar a boa Nov. E o fazia numa linguagem simples que o povo entendia. Jesus não usava palavreado bonito e sofisticado, nem palavras difíceis. Expressava numa linguagem direta sem meias palavras, “...se tua mão direita te lava a pecar, corta-a. Por que é melhor entrar na vida eterna sem uma mão, do que ter as duas e se queimar no fogo dos infernos!

'E vós, quem dizeis que eu sou?' 'O Cristo de Deus.' Esta foi a resposta daquele que seria o Primeiro Papa da Igreja. E em outros textos, Jesus afirma que quem revelou a Pedro aquela resposta, foi o Espírito Santo. Justificando assim, por que a nossa fé é um dom de Deus. O Espírito Santo revela os mistérios de Deus para todos, convidando-nos a aderir à sua causa. Mais, infelizmente só uma porção da humanidade responde a este chamado de fé. Somente alguns aceitam, somente alguns dizem SIM. E Deus respeita a nossa decisão, porém avisou através da boca do Seu Filho amado: “Quem responder sim, quem crer, será salvo. Quem me ignorar, quem não crer já está condenado.” Observe aí que Deus não nos condena, mas sim nós é que nos condenamos ao rejeitá-lo.
'Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, ao seu egoísmo, os seus instintos, a idolatria dos bens materiais, ao poder do dinheiro, a sua vaidade, à fama, ao conforto excessivo, as prazeres da boa comida, da bebida, da embriaguês, e de tudo aquilo que é supérfluo, e que nos distancia de Deus. Tudo aquilo que nos impede de seguir Jesus, de continuar o seu trabalho missionário no mundo.
“Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim,esse a salvará”.
Sal.
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QUEM DIZEM QUE EU SOU -José Salviano
Seguir Jesus é pensar e agir como Ele. Não apenas admirá-lo. Quem é Jesus para você?
Era difícil aos discípulos aceitar o fato de Jesus ter de sofrer.
Até hoje ficamos consternados ao pensar como foi possível o próprio Filho de Deus ter sofrido até a cru­cifixão.
Mas Jesus é o Mestre e ensina que só encontra sentido para a exis­tência quem se desgasta por causa dele em favor dos irmãos. Pedro não compreende isso e quer afastar o sofrimento do caminho de Jesus. Recebe deste, em outras palavras, a dura advertência: "Eu aqui sou o Mestre, e você é o seguidor; ponha­se, portanto, no meu seguimento e não queira estar adiante, sendo meu mestre ou adversário".
Um dos grandes enganos do cris­tianismo, ao longo destes dois mi­lênios, é ter transformado a cruz de Jesus de consequência em princí­pio. Jesus foi parar na cruz como resultado de toda uma vida doada em favor dos outros. Ele perdoou, libertou, trouxe à dignidade e à vida todos os que encontrou. Incomodou os acomodados, questionou os po­derosos. Foi condenado como cri­minoso político, tendo passado pelo julgamento das autoridades judai­cas e romanas.Assumiu o sofrimen­to na própria vida como consequên­cia de suas ações em favor da hu­manidade.
Quando a cruz se transforma em princípio para a vida cristã, no en­tanto, a cruz de Jesus é traída. A cruz como princípio se torna facilmente dissociada da vida, levando a um espiritualismo vazio que nada trans­forma e pode chegar ao masoquis­mo. Porque Deus não quer o sofri­mento, e muito menos quer sofre­dores sem causa.
Quando Jesus nos convida a se­gui-Ia, não promete um mar de ro­sas, mas recorda nosso condiciona­mento humano.Sofremos tanto fa­zendo o bem quanto fazendo o mal. A questão, portanto, não é o sofrimen­to em si, mas em favor do que e de quem estamos sofrendo, gastando nossa vida. O único bem que temos é a vida, presente de Deus, e somen­te a encontraremos à medida que a entregarmos em favor dos irmãos, pela mesma causa de Jesus.
Sal
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QUE SIGNIFICA TOMAR A CRUZ?
O que é “renunciar a si mesmo”? É não deixar que o egoísmo, o orgulho, o comodismo, a auto-suficiência dominem a vida. O seguidor de Jesus não vive fechado no seu cantinho indiferente aos dramas que se passam à sua volta, insensível às necessidades dos irmãos, alheado das lutas e reivindicações dos outros homens; mas vive para Deus e na solidariedade, na partilha e no serviço aos irmãos.
O que é “tomar a cruz”? É amar até às últimas conseqüências, até à morte. O seguidor de Jesus é aquele que está disposto a dar a vida para que os seus irmãos sejam mais livres e mais felizes. Por isso, o cristão não tem medo de lutar contra a injustiça, a exploração, a miséria, o pecado, mesmo que isso signifique enfrentar a morte, a tortura, as represálias dos poderosos.
Comentário
Jogar a toalha!
Quem é Jesus? Aquele que não joga a toalha! O homem coerente, fiel, que decide viver segundo suas mais profundas convicções. Jesus queria isso mesmo de seus discípulos. Por isso, a Simão Pedro, que tenta “desencorajá-lo”, o fazer “negociar” para que evite o fim previsível, Jesus lhe pede que se afaste e o chama de “Satanás”. E depois disto, diz a seus discípulos algumas palavras que continuam, ainda hoje, extremamente exigentes:

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”. 

Jesus "não jogou a toalha". Utilizamos esta expressão “jogar a tolha” quando alguém se sente derrotado e desiste. Em princípio, quem joga a tolha não é uma pessoa frágil; é alguém que esta lutando para conseguir algo, se trata de alguém que sofre por ser coerente, porém se encontra quase no limite de suas forças e não consegue chegar à sua meta! Desiste! Joga a tolha!

Se nós contemplarmos as pessoas que nos rodeiam e, sobre tudo, a nos mesmos, veremos que em mais de uma ocasião eles e nós, temos jogado a tolha. 
Isto acontece, por exemplo, quando:
rompemos uma relação, que nos parece insuportável e não responde a nossos sonhos (matrimonio, amizade...); ou abandonamos um grupo, uma comunidade, porque nós não concordamos com as posições dos seus membros e linhas de ação;
nós sentimos "inferiores" por pertencer a uma comunidade cristã que defende valores que não são óbvios na sociedade na qual vivemos;
reconhecendo o valor da vida de oração, da espiritualidade e a mística, damos como impossível continuar naquela estrada;
depois de assumir um serviço missionário, uma responsabilidade eclesiástica, desistimos ante as dificuldades que nos apresenta e, ante determinadas provas, renunciamos.
Ante as dificuldades e obstáculos não muitas são as pessoas que mantêm seus ideais. Quase sempre se adaptam à nova realidade. Os resultados deste comportamento normalmente se manifestam em vidas medíocres, vocações “sem sal”, hipocrisias vitais, vida sem autenticidade.

O mesmo ocorre naqueles grupos que nascem com idéias “muita altas” e pouco a pouco adaptam suas idéias às pessoas as quais se pretende atrair. Os resultados disto são: socialismos, liberalismos, cristianismos, vidas religiosos e eclesiásticos “sem sal” e sem mordente profético. A luz é insuficiente.

Aterroriza-nos a marginação, o desprezo. Por isso, negociamos e colocamos uma vela a Deus e outra ao diabo. Isto é, porque, a grande pergunta: 
o que é inegociável em minha vida?

Falar de coerência é não falar de imobilidade, da cegueira obstinada. A arrogância pode ser atada à nossa verdade e nos impedir de estar aberto à verdade. Há coerências vitais que têm muito que ver com a auto-suficiência e o encerramento em nos mesmos. Essas pessoas não lutam: ficam imobilizadas.

Neste domingo o profeta Servo de Yahweh, Tiago e Jesus, nosso Senhor, nos falam da coerência e o do seu preço, quando é autentica.
O Servo não se lança para trás: oferece as costas aos que o espanca, as bochechas aos que arrancam sua barba; não cobre o rosto ante insultos nem cusparadas.
Jesus mantém sua forma de vida coerente, embora as autoridades se lancem sobre Ele e o condenem; ninguém vai silenciar sua voz, embora a morte seja seu destino. Não quer negociar para não reduzir sua mensagem. Quer pensar de acordo com Deus e não de acordo com os homens.
Tiago também diz em sua carta que não basta proclamar a fé, é necessário traduzi-la em obras de hospitalidade, de acolhimento e de ajuda ao irmão.
A fidelidade a um estilo de vida, a algumas convicções, ao crescimento espiritual, não se baseia em uma obstinada fixação na própria forma de pensar e nas próprias convicções. Baseia-se - isto é decisivo - na experiência que se vai tendo de Deus. O profeta Isaias o expressa muito bem: “O Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. O Senhor Deus é meu Auxiliador; quem é que me vai condenar?”

Somente nosso Deus impede que joguemos a tolha. Quando a pessoa puser as mãos nos controles do navio da própria vida, então Deus mesmo torna possível a coerência vital, põem em nós suas convicções mais íntimas e torna possível em nossa fraqueza sua força.

Na hora de ser coerente, de não jogar a toalha, nós temos que olhar para Deus e não para nós. A fidelidade vem do céu. Comunica-nos nosso Deus.

Assim foi Jesus. Em sua oração no Getsemaní encontrou a força necessária para não se lançar para trás. Ao fim pode exclamar: Abbá, missão cumprida!

Abbá, conheces nossas debilidades. Sabes quantas vezes sentimos a tentação de nos lançar para trás, de jogar a toalha. De nos defender em vez de Te defender. De seguir nossas convicções no lugar das Tuas. Seja força em nossa debilidade. Permita-nos seguir Jesus, sem o abandonar em nenhum momento. E que sejamos conscientes de que nesta luta, a vitória nos dá Tu e também a vida que não acaba.

Padres Claretianos
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“Escolhendo a vida”
A quem iremos?
Jesus é muito claro que, quem quiser seguí-lo tem que fazer uma opção radical: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Lc 9,23). Jesus, depois de mostrar sua identidade como Pão do Céu, dando sua carne comida e seu sangue como bebida, provocou a murmuração. Diziam: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” (Jo 6,60). Escandalizaram-se. Gostaram do pão multiplicado pelo milagre, mas não foi suficiente para aceitarem a proposta de crer nEle e tê-lo como alimento. Não bastam milagres para a fé. Se o homem simples de Nazaré não era aceito, o que se dirá quando subir ao Céu? (v. 62). Para acolher Jesus é preciso um ato de fé nele, não nas aparências. É preciso tomar decisões por Jesus. E toda de decisão se faz dentro das mesmas condições exigidas dos discípulos. Há sempre um desafio a superar. Optamos por uma pessoa que tem um caminho a oferecer. Nem sempre o caminho condiz com nosso modo de encarar as coisas. O convite à tomada de decisão é a atração que Deus realiza em nós. Os apóstolos ficaram como que envergonhados diante das palavras de Jesus. Torna-se, então, mais duro: “Não quereis partir também?” (Jo 6,67). Ele não precisa de nós quando queremos fazer uma fé a nosso modo. Pedro faz uma declaração de opção por Jesus que nos anima a repetí-la: “A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (v. 68-69). Pedro mostra como se crê: não em milagres, mas nEle que é o Milagre, a fonte da vida. Podemos ter os mesmo sentimentos de recusa diante da Eucaristia, que é o Corpo e Sangue do Senhor para a vida eterna. Se não negamos o mistério, nós o negamos pelo modo como o tratamos. Mas a quem iremos, senão a Ele?
Escolher o Senhor é escolher o irmão
Esse domingo, é o domingo das escolhas. Josué reúne o povo em Siquém e convida-o escolher entre servir ou não servir o Senhor; ou os deuses antigos ou o Deus que os libertou do Egito (Js. 241,18). Servir é aderir com liberdade e alegria. Nós estamos sempre diante de muitos deuses que criamos e diante de muitas possibilidades de escolhas. A escolha não pode ser somente por um ato de fé distanciado da vida. Paulo mostra que a fé penetra os relacionamentos humanos, como no caso do casamento (Ef. 5,21-32). A conseqüência da fé é o amor. O modelo é Cristo, como amou sua Igreja. Cremos em Jesus na comunidade Igreja e o realizamos no relacionamento com os irmãos.
Relendo a própria história
Refletindo o evangelho de hoje, nós pensamos em nossa história espiritual. Fizemos escolhas em nossa vida. Podemos até pensar: já fomos melhores e mais fiéis. Na verdade, não pioramos. A opção se tornou sempre mais clara e, por isso, mais exigente. É preciso sempre voltar ao primeiro amor, como escreve Oséias (Os 2,14), lembrando os dias em que o escolhemos como razão de nossa vida. Lembrando as maravilhas que Deus realizou em nossa vida, podemos reafirmar nossa opção fundamental e fazer escolhas condizentes. Cada celebração é um momento de escolher o Senhor, como o faz Josué. A Eucaristia nos distingue de outras religiões, pois não temos somente o alimento pão e vinho para uma recordação espiritualizada. Nós cremos no Corpo e o Sangue do Senhor que alimentam em nós a Vida Eterna e nos unem a nossos irmãos.
Jesus pede uma opção radical. Ao ensinar sua identidade como Pão do Céu, dando sua carne como comida e seu sangue como bebida, provocou murmuração. Os discípulos recusam e se afastam. Gostaram do pão multiplicado, mas não creram no Pão da Vida. O ato de fé se faz na pessoa e não nas aparências. Os apóstolos ficaram como que envergonhados. Jesus não precisa deles sem fé e lhes diz: “Não quereis partir também?”. Pedro, professa sua fé: “A quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos que tu és o Santo de Deus”. Podemos ter os mesmos sentimentos de recusa diante da Eucaristia. Não negamos o Mistério, mas o tratamos como se não fosse.
Estamos no domingo das escolhas. Josué convida o povo a se definir por Deus que os libertou do Egito ou pelos deuses antigos. Servir é aderir com liberdade e alegria. Temos sempre que fazer escolhas. O ato de fé não é distanciado da vida, mas penetra os relacionamentos humanos, como no casamento. Cremos em Jesus em uma comunidade.
Em nossa história espiritual fizemos tantas escolhas. Pensamos que decaímos. Na verdade é que as opções são sempre mais exigentes. Temos que voltar ao primeiro amor. É na Eucaristia que refundamos nossa escolhas.
Escolhendo o pão
Os apóstolos ficaram encurralados. Dá a impressão que estavam pensando: ‘Ia tudo muito bem, mas agora... deu bobeira’. As palavras de Jesus foram duras demais: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Minha carne é verdadeira comida e meu sangue, verdadeira bebida”(Jo 6,54-55).
Diante destas palavras, muitos se afastaram dele. Jesus aperta os apóstolos: “Vocês também não querem ir embora?”. Pedro faz uma bela profissão de fé: “Senhor, a quem iremos: tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus” (v. 67-69).
Josué (Js 24,15-18) coloca o povo diante de uma escolha: ou por Deus ou longe dele. Na fé cristã é preciso escolher e tomar decisões que cheguem à vida prática (Ef 5,21-32).
Nós escolhemos o Pão da Vida.
padre Luiz Carlos de Oliveira

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1. O sucessor de Pedro, o papa Bento XVI, está em Madrid, desde o dia 18 e até ao final do dia, deste Domingo. O venerável ancião, de cabelos brancos, veio até à capital espanhola, encontrar-se com jovens do mundo inteiro, para os confirmar na fé em Cristo, «num momento em que a própria Europa tem grande necessidade de reencontrar as suas raízes cristãs» (cf. Mensagem para a JMJ 2011)! Desde há muito tempo, e por estes dias, os jovens preparam esta Jornada Mundial, tendo como ponto de reflexão uma interessante frase de são Paulo: «Enraizados e edificados em Cristo... firmes na fé» (cf. Col. 2,7).
2. O Evangelho deste domingo permite-nos, aliás, com grande oportunidade e actualidade, e até em continuidade com o dos domingos anteriores, desenvolver a nossa reflexão, em torno da fé, que se quer «enraizada, edificada e firme».
2.1. Comecemos então pela primeira pergunta de Jesus aos seus discípulos: «Quem dizem os homens, que é o Filho do Homem»? É uma espécie de sondagem à opinião pública, sobre Jesus. E pelo eco das respostas, vemos que Jesus era tido em boa conta, na galeria dos grandes da história do seu Povo. Mas faltava ainda conhecer e reconhecer a sua verdadeira identidade, enquanto Messias e Filho de Deus! Naquele tempo, como agora, “o acesso a Jesus tornou-se difícil. Circulam tantas imagens de Jesus que se fazem passar por científicas e O privam da sua grandeza, da singularidade da Sua pessoa” (cf. Mensagem). E, nesse contexto, o Papa desafiou os jovens, a enraizar o conhecimento pessoal e vital de Cristo, a partir das verdadeiras fontes, «tal como a árvore plantada, perto da água, que estende as raízes para a corrente» (cf. Jr 17, 7-8). E enuncia as fontes onde a fé se enraíza: «Abri e cultivai um diálogo pessoal com Jesus Cristo, na fé. Entrai em diálogo com Cristo, na oração, dai-lhe a vossa confiança: ele nunca a trairá! Conhecei-o mediante a leitura dos Evangelhos e do Catecismo da Igreja Católica. Aprendei a «ver», a «encontrar» Jesus na Eucaristia, onde está presente e próximo. No Sacramento da Penitência, encontrai o seu perdão. Reconhecei e servi Jesus também nos pobres, nos doentes, nos irmãos que estão em dificuldade e precisam de ajuda». Só assim se alcança uma fé madura, sólida, que não estará unicamente fundada, num sentimento religioso, ou numa vaga recordação da catequese da vossa infância (cf. Mensagem para a JMJ 2011).
2.2. Só assim é possível responder, pessoalmente, à segunda pergunta, a mais difícil: «E vós quem dizeis que eu sou»? Agora, já não basta uma fé de «ouvir dizer», uma fé herdada, aprendida, porventura estudada! Porque «a fé cristã não é tanto crer em verdades, mas é acima de tudo uma relação pessoal com Jesus Cristo, é o encontro com o Filho de Deus, que dá a toda a existência um novo dinamismo» (cf. Mensagem para a JMJ 2011) «um novo horizonte e deste modo um rumo decisivo» (DCE 1)! Para chegar à fé, é preciso tocar a Cristo, topar com Ele e confessar, com Pedro e como Pedro: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Ou dito de outro modo, é preciso chegar a dizer, do mais fundo da alma: “Tu, ó Cristo, és o verdadeiro tesouro, pelo qual vale a pena sacrificar tudo! Tu, ó Cristo, és o amigo que nunca nos abandona, porque conhece as expectativas mais íntimas do nosso coração! Jesus, Tu é o Filho de Deus vivo, o Messias prometido, que veio à terra oferecer à humanidade a salvação e satisfazer a sede de vida e de amor que habita dentro de mim”.
2.3. A esta profissão de fé da parte de Pedro, Jesus responde: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja". Pedro torna-se então a pedra, aquele de quem Cristo se serve, na Igreja, para confirmar a fé dos irmãos! Vede: Cristo quer tornar-nos firmes na fé, através da Igreja! Assim, a nossa fé pessoal em Cristo, nascida do diálogo com Ele, está ligada à fé da Igreja: não somos crentes isolados, mas, pelo Baptismo, somos membros desta grande família! É a fé professada pela Igreja que dá segurança à nossa fé pessoal! O credo que proclamamos na Missa Dominical protege-nos precisamente do perigo de crer num Deus que não é o que Jesus nos revelou: «Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer sozinho, sem ser motivado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para guiar os outros na fé» (Catecismo da Igreja Católica, n. 166). Não acreditemos em quantos nos dizem que não temos necessidade dos outros, para chegar a fé ou para construir a nossa vida! Ao contrário, diz o Papa aos jovens e digo-vos eu também: «apoiai-vos na fé dos vossos familiares, na fé da Igreja, e agradecei ao Senhor por a terdes recebido e feito vossa»!
A opção de crer em Cristo e de O seguir não é fácil; é dificultada pelas nossas infidelidades pessoais, e por tantas vozes que indicam caminhos mais fáceis. Não nos deixemos desencorajar! Procuremos antes o apoio da comunidade cristã, o apoio da Igreja. E, sobretudo, agradeçamos sempre ao Senhor pelo dom da Igreja; ela faz-nos progredir com segurança na fé, que nos dá a vida verdadeira (cf. Jo 20, 31). Queira Deus, que, para todos os jovens (e para todos os homens), que desejam professar a sua fé pessoal em Cristo e torná-la firme, na fé da Igreja, o papa Bento XVI se torne aquela “pedra” sobre a qual todos se possam apoiar com segurança!

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Pedro-pedra que dá solidez à Missão e à Unidade
Jesus faz uma sondagem de opinião sobre a sua Pessoa, mas vai além dos resultados da sondagem. Quem é Jesus? Qual é a sua verdadeira identidade? Que pensam as pessoas acerca dele?... São perguntas que nos reenviam do passado para o presente e são sempre atuais. A afirmação central deste domingo é a resposta de Simão Pedro (Evangelho), em nome também dos outros, sobre a identidade de Jesus: «Tu é o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16). É a conclusão da sondagem de opinião que Jesus faz aos seus discípulos, perguntando-lhes, primeiro, o que pensam as pessoas e, depois, o que pensam eles mesmos, sobre Jesus. A opinião das pessoas (v. 14) coloca Jesus ao nível dos grandes profetas de Israel (Elias, Jeremias, João Baptista); o que é já uma boa aproximação, mas ainda a nível espectacular. As pessoas captam a grandeza de Jesus, mas não a sua profunda originalidade. Para chegar aí, são precisos critérios interpretativos novos. É preciso um suplemento de fé. A resposta de Pedro, de facto, vai para além do entender humano (da carne e do sangue); é fruto de uma luz superior, que vem do Pai (v. 17). A revelação do Pai é completa, mas Pedro compreende-a apenas parcialmente: é prova disso o texto que se segue relativo à cruz. Será essa a lição seguinte de Jesus (Mt. 16,21-27).
Num intercâmbio de confissões recíprocas, Pedro reconhece a identidade de Jesus (Tu és o Messias…), e Jesus revela a identidade de Pedro (Tu és Pedro e…) e torna-o participe do Seu projeto em prol de uma nova comunidade: a sua Igreja, que perdurará nos séculos (v. 18). Não obstante as dificuldades históricas e as resistências contrapostas a este texto de Mateus, o plano de Jesus relativo à sua Igreja subsiste no tempo. Segundo a tradicional interpretação católica das três metáforas da pedra (v. 18), das chaves (v. 19) e o binômio ligar-desligar completam-se na atribuição pós-pascal a Pedro do serviço de apascentar, no amor, o povo da nova aliança (cf. Jo 21, 15s). A fé de Pedro – e dos sucessores – é prioritária e fundamental: só assim, nasce, se funda, cresce a Igreja. O Senhor «pôs o fundamento da nossa fé no testemunho humilde do apóstolo Pedro», para que também nós nos tornemos pedras vivas para a edificação da Igreja (Oração coleta).
Não é qualquer modo de exercer a autoridade que é aceite por Deus e ajuda o povo, como o confirma o afastamento de Chebna, funcionário intriguista do palácio (1ª leitura, v. 19), porque o Senhor quer «um pai para os habitantes de Jerusalém» (v. 21). Segundo Jesus, que é «Senhor e Mestre» (Jo 13,14), que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida» (Mt. 20,28), a autoridade (as chaves) é dada a Pedro e à Igreja para um serviço ao povo de Deus numa diaconia sem fim. Quanto mais ampla é a autoridade maior e mais intenso há-de ser o amor e generoso o serviço. Para que no mundo todos tenham vida e a família humana viva unida! É este o objetivo da missão que o Papa repropõe sempre que fala da Igreja. (*)
O Concílio dá-nos a dimensão teológica e missionária do projecto eclesial de Jesus: «A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária» (AG 2). Porque «ela existe para evangelizar» (Paulo VI, in EV 14). Não é marginal o facto que Jesus fale do seu projeto de Igreja encontrando-se ele num território pagão (v. 13: região de Cesareia de Filipe), num contexto geográfico e étnico semelhante ao da mulher cananeia. Estes dois fatos narrados por Mateus revelam o carácter universal da missão de Cristo e da Igreja.
Uma sondagem de opinião, feita nos nossos dias, daria resultados aproximativos e redutivos acerca da identidade de Jesus. É mais que sabido, de fato, que uma elevada proporção de fiéis batizados se afastaram de Cristo, do Evangelho e da Igreja. Para esses é necessário uma nova evangelização, com os conteúdos e os métodos da missão ad gentes, isto é, a primeira evangelização (cf. Rm. 33). Para muitos é preciso partir novamente dos fundamentos da fé cristã e fazer uso de todos os métodos pedagógicos. O Evangelho de hoje e outras celebrações deste período repropõem três elementos típicos do identikit do católico, que reforçam a sua fé, o caracterizam missionariamente, o ajudam a ser sal e luz no interior do confuso universo religioso do nosso tempo, diante de si mesmo, dos não crentes, dos protestantes, dos ortodoxos e dos outros grupos. Tais elementos são: a Eucaristia, Nossa Senhora e o Papa. São três amores irrenunciáveis, a partilhar; são valores que reforçam a identidade cristã, dão sentido e enchem de alegria a vida e a missão dos cristãos em toda a parte do mundo.

(*) «O serviço mais importante que podemos oferecer aos nossos irmãos é o anúncio claro e humilde de Jesus Cristo, que veio a este mundo para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância (Jo 10,10). De nós, portanto, que, sem qualquer mérito nosso, somos seus discípulos, espera-se um testemunho muito credível de santidade e empenho. Desejando e procurando esta santidade, não vivemos pior, mas melhor, porque quando Deus pede mais é porque está a oferecer muito mais». (Bento XVI - Mensagem ao 3º Congresso Missionário Americano, em Quito – Equador - 12.8.2008)


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