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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 22 de maio de 2018

SANTÍSSIMA TRINDADE-Ano B



 A SANTÍSSIMA TRINDADE
27   de maio – Ano B

Evangelho Mt 28,16-20


A Trindade Santa é um mistério da nossa fé que nos foi revelado pelo próprio Jesus Cristo.

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“EIS QUE EU  ESTAREI CONVOSCO TODOS OS DIAS...” -  Olivia Coutinho


DOMINGO- SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Dia 27 de Maio de 2018

Evangelho de Mt28,16-20

Celebrarmos hoje a Solenidade da Santíssima Trindade, a  Festa da Família, quando a Igreja nos convida a contemplar o Mistério inefável e insondável da Trindade Santa! Mergulhar neste Mistério, é fazer a experiência do amor do Pai, que se doou por nós, na pessoa do  Filho, que nos devolveu a vida  no seu Espírito!
Ao Colocar esta festa, no domingo seguinte à Solenidade de Pentecostes, quando celebramos o envio do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, a Igreja vem nos lembrar de que todo  o domingo é uma festa da Santíssima Trindade, pois neste dia do Senhor, contemplamos o Mistério do Deus Família, participando da Eucaristia, a comunhão Trinitária!
No antigo testamento, não  fala da Família Trinitária, foi Jesus quem a revelou, entreabrindo o véu que encobria dos nossos olhos, o Deus amor, um Deus, que para relacionar conosco, se fez  família: Como Pai, Ele  nos criou, como Filho, nos redimiu e no seu  Espírito, Ele nos santifica...
O Espírito Santo é o guia que nos remete ao coração do Pai, que nos faz entender com clareza, os ensinamentos do Filho, que pelo Batismo, nos inseriu na Família Trinitária! 
O evangelho que a  liturgia deste domingo nos convida a refletir, narra o encontro de Jesus Ressuscitado com os discípulos na Galiléia.
Podemos nos perguntar: porque Jesus indicou a Galiléia para o encontro com os discípulos? Certamente, por ter sido ali, o ponto de partida da sua caminhada com os discípulos rumo a Jerusalém.
Refazendo esta  mesma caminhada que fizeram com Jesus, os discípulos, cheios do Espírito Santo, certamente  recordariam  tudo o que Ele  lhes  havia ensinado enquanto caminhavam.
Galiléia, era o lugar do testemunho, foi lá, que muitos testemunharam as obras que Jesus havia realizado, e passaram a crer Nele. Jesus sabia, que todos os que acreditaram Nele, tornariam seus seguidores, dando continuidade a sua missão.
É importante lembrarmos,  Jesus, não terminou a sua  missão aqui na terra, ela continua conosco,  temos a responsabilidade de continuar a presença salvífica de Jesus, no meio em que vivemos,  fazendo  o Reino de Deus acontecer entre nós.
Hoje, Jesus marca um encontro com cada um de nós, não, na Galiléia, mas dentro de nós mesmos! É a partir deste encontro, que adquirimos coragem para avançarmos  para águas mais profundas, indo ao encontro daqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecerem a verdade que liberta.
“Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos”. 
Se Jesus está conosco, do que precisamos temer?

“EM NOME DO PAI DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO!”

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Trindade no céu! Trindade no coração!
“Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os apóstolos pregaram e os santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dele se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome” (Das cartas de santo Atanásio).
A fé da Igreja nos ensina que há um só Deus em três pessoas: Pai e Filho e Espírito Santo. Nós queremos dizer hoje com a liturgia da Igreja: “Sede bendita, ó Trindade indivisível, agora e sempre e eternamente pelos séculos, vós que criais e governais todas as coisas” (Ant. do cântico evangélico de laudes). E pedimos: “Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente” (oração coleta da missa).
O Mistério da Trindade, junto com o da Encarnação do Verbo de Deus, é central na nossa fé cristã. Ele, sendo o Filho, ensinou-nos que Deus é seu Pai, ensinou-nos também que o Amor do Pai e do Filho é o Espírito Santo. O Senhor Jesus tem toda a autoridade no céu e na terra (cf. Mt. 28,18). Somos batizados em nome das três divinas Pessoas e tornamo-nos filhos de Deus. Deus aproximou-se de nós, fez-nos seus filhos: “Abba! Pai!” é a nossa oração no dia de hoje.
Deus está em todos os lugares sem circunscrever-se a nenhum lugar, ele é onipresente. Mas também está na nossa alma em graça: o Pai e o Filho e o Espírito fizeram morada no coração dos cristãos. Por que as vezes vivemos como se Deus não estivesse ao nosso lado? Um tipo de ateísmo consiste em viver como se Deus não existisse: trata-se de negar a Deus na prática. Quantos cristãos vivem como se fossem ateus! Vivem como se Deus não existisse, como se Deus não contasse para nada em suas vidas.
Há um filme intitulado “O terceiro homem”, protagonizado por Orson Welles que mostra, salvando as distâncias, como vivem alguns que dizem que acreditam em Deus e desacreditam ao mesmo tempo a religião e o sagrado. Num parque de diversões, uma roda-gigante gira lentamente acima dos telhados da Viena do tempo pós-guerra, bombardeada e ocupada pelas forças internacionais, enquanto lá em baixo, como pontos minúsculos, umas crianças se entretêm nos seus jogos.
O protagonista do filme é um adulterador de penicilina sem escrúpulos. No alto da roda, o seu amigo pergunta-lhe se chegou a ver pessoalmente a desgraça de alguma das suas vítimas, e o homem responde cinicamente: “Não me agrada falar disso. Vítimas? Não seja melodramático. Olhe aí em baixo: você sentiria compaixão se alguns desse pontinhos negros deixassem de mover-se?”
“Você antes acreditava em Deus”, recordou-lhe o amigo.
O protagonista refletiu um momento e disse: “E continuo a acreditar, amigo! Acredito em Deus e na sua misericórdia. Mas acho que os mortos estão melhor do que nós: considerando o que deixaram para trás!”
Felizmente, são poucos os que chegam a esse grau de cinismo. (…) todos corremos o risco de ser seduzidos por essa ética da normalidade, cujos slogans emblemáticos poderiam ser: “Isso é normal, todos fazem”, “hoje em dia, ninguém pensa assim”, “não se deve  complicar a vida”, “a vida é assim, que  vamos fazer?”, ou outros semelhantes. (A. Aguilló, É razoável crer, São Paulo: Quadrante, 168-169).
Pode-se observar nesse filme o comportamento de muitos que dizem acreditar em Deus. A verdade de fé que afirma que existe um só Deus em três Pessoas realmente distintas não é uma abstração mental. Esse mundo saiu das mãos amorosas de Deus, que é comunhão, e está chamado a viver em comunhão. Todos os seres humanos estão chamados a viver o céu também aqui na terra, pois o céu é Deus e ele quer morar em nós.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!
padre Françoá Costa



Santíssima Trindade
Depois de ter celebrado os mistérios da Salvação, desde o nascimento de Cristo (Natal) até a vinda do Espírito Santo (Pentecostes), a liturgia propõe-nos o mistério central de nossa fé: a Santíssima Trindade.
Toda a vida da Igreja está impregnada pelo Mistério da Santíssima Trindade. E quando falamos aqui de mistério, não pensemos no incompreensível, mais na realidade mais profunda que atinge o núcleo do nosso ser e do nosso agir.
Mas é Cristo quem nos revela a intimidade do mistério trinitário e o convite para que participemos dele. “Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt. 11,27). Ele revelou-nos também a existência do Espírito Santo junto com o Pai e enviou-o à Igreja para que a santificasse até o fim dos tempos; e revelou-nos a perfeitíssima Unidade de vida entre as Pessoas divinas (cf. Jo 16,12-15).
O mistério da Santíssima Trindade é o ponto de partida de toda a verdade revelada e a fonte de que procede a vida sobrenatural e para a qual nos encaminhamos: somos filhos do Pai, irmãos e co-herdeiros do Filho, santificados continuamente pelo Espírito Santo para nos assemelharmos cada vez mais a Cristo.
Por ser o mistério central da vida da Igreja, a Santíssima Trindade é continuamente invocada em toda a liturgia. Fomos batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e em seu nome perdoam-se os pecados; ao começarmos e ao terminarmos muitas orações, dirigimo-nos ao Pai, por mediação de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Muitas vezes ao longo do dia, nós, os cristãos repetimos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Meditando sobre a Trindade dizia são Josemaria Escrivá: “Deus é o meu Pai! Se meditares nisto, não sairás dessa consoladora consideração.
Jesus é meu Amigo íntimo! (outra descoberta), que me ama com toda a divina loucura do seu coração.
O Espírito Santo é meu Consolador!, que me guia nos passos de todo o meu caminho. Pensa bem, nisso. Tu és de Deus…, e Deus é teu” (Forja, nº2).
Desde que o homem é chamado a participar da própria vida divina pela graça recebida no Batismo, está destinado a participar cada vez mais dessa Vida. É um caminho que é preciso percorrer continuamente.
A Santíssima Trindade habita na nossa alma como num templo. E São Paulo faz-nos saber que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (cf. Rm. 5,5). E aí, na intimidade da alma, temos de nos acostumar a relacionar-nos com Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo. Dizia Santa Catarina de Sena: “Vós, Trindade eterna, sois mar profundo, no qual quanto mais penetro, mais descubro, e quanto mais descubro, mais vos procuro”.
Imensa é a alegria por termos a presença da Santíssima Trindade na nossa alma! Esta alegria é destinada a todo cristão, chamado à santidade no meio dos seus afazeres profissionais e que deseja amar a Deus com todo o seu ser; se bem que, como diz Santa Teresa, “há muitas almas que permanecem rodando o castelo (da alma), no lugar onde montam guarda as sentinelas , e nada se lhes dá de penetrar nele. Não sabem o que existe em tão preciosa mansão, nem quem mora dentro dela”. Nessa “preciosa mansão”, na alma que resplandece pela graça, está Deus conosco: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Desde pequenos, aprendemos de nossos pais a fazer o sinal da cruz e chamar a Deus: de Pai, Filho e Espírito Santo.
Assim com toda a naturalidade, estávamos invocando o mistério mais profundo de nossa fé e da vida cristã: Santíssima Trindade que hoje celebramos.
Só Cristo nos revelou claramente essa verdade: Fala constantemente do Pai: Quando Felipe diz: “Mostra-nos o Pai…”, Jesus responde: “Felipe… quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,8).
Jesus promete o Espírito Santo: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena Verdade”.
Quando se despede, no dia da Ascensão, afirma: “Ide… e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
A contemplação e o louvor à Santíssima Trindade são a substância da nossa vida sobrenatural, e esse é também o nosso fim: porque no Céu, junto de Nossa Senhora – Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo: mais do que Ela, só Deus – , a nossa felicidade e o nosso júbilo serão um louvor eterno ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.
mons. José Maria Pereira



Neste domingo, em que solenizamos de um modo particular a Santíssima Trindade, vamos ter oportunidade de refletir no Deus que a Bíblia nos apresenta e que não tem os rostos que muitas vezes Lhe atribuímos. Ele é um Deus próximo do homem, o Deus conosco, que Se interessa pelos nossos problemas e intervém para nos conduzir à vida consigo.
É Deus «família», aberta a todos nós. É nessa «família» que somos incluídos pela «força» da Ressurreição de Cristo. Por isso, poderemos chamar a Deus: «Abba, Pai!».
Já tomamos consciência deste fato? Pensemos no modo como temos correspondido a esta graça ou a ela temos falhado e preparemo-nos convenientemente para participar nesta Sagrada Eucaristia.
Deuteronômio 4,32-34.39-40
Terá presidido à escolha deste texto para este dia, a preocupação de, por um lado, pôr em evidência que o mistério da Trindade divina em nada fere a sua indivisível unidade: «o Senhor é o único Deus… e não há outro» (v. 39), e, por outro, abrir-nos para a consideração de que Deus não é um mero princípio explicativo do que existe, uma força cega, mas um ser pessoal – «o Senhor teu Deus» – um pai providente, que fez pelo seu povo «tremendas maravilhas» (v. 34). A leitura é tirada da 2ª parte do 1.° discurso de Moisés, nas estepes de Moab, que aqui atinge o seu ponto culminante ao exaltar, em estilo oratório e comovente, o incomparável amor de Deus para com o seu Povo. Mas Ele não aparece como um Deus, cool (fiche), para quem tudo está sempre bem, pelo contrário, como um verdadeiro pai, que quer ver os seus filhos felizes, por isso lhes recorda como é indispensável «cumprir as sua leis e os seus mandamentos» (v. 40). Esta é uma daquelas passagens, fervorosas e ardentes, que vieram a moldar a alma do piedoso israelita.
Romanos 8,14-17

Esta belíssima passagem põe em relação com as três Pessoas divinas a nossa vida cristã, que é uma vida trinitária. Pela obra redentora de «Cristo» o Filho (v. 17), recebemos o «Espírito Santo» que se une ao nosso espírito (v. 16) e que nos põe em relação com o «Pai», levando-nos a bradar: «Abbá, ó Pai!» (v. 15). Esta filiação adotiva, põe-nos em relação com cada uma das Pessoas divinas. Tem-se discutido muito sobre o sentido desta repetição: Abbá, ó Pai!; parece não se tratar de uma simples tradução do próprio termo arameu usado pelo Senhor, mas antes de uma filial explosão de piedosa ternura para com Deus – Pai Nosso! –, uma espécie de jaculatória pessoal, correspondente à exclamação: «ó Pai, Tu que és Pai!» (M. J. Lagrange).
Mateus 28,16-20
Estamos perante o final, sóbrio mas solene de Mateus, que condensa todo o seu Evangelho num trítico deveras paradigmático. Assim, temos: no v. 18 Jesus ressuscitado, como o Pantokrátor – «todo o poder me foi dado no Céu e na Terra!» –; no v. 17, temos a Igreja nascente que O reconhece como Senhor, apesar da vacilação de alguns – «adoraram-no, mas alguns ainda duvidaram» –; nos vv. 19-20 está a sua Igreja em missão – «ide… até ao fim dos tempos». Ao mesmo tempo, o Evangelista introduz-nos numa visão holística e cósmica da história da salvação centrada em Cristo (cf. Ef. 1,10.23; 3, 9; Fl. 3,21; Cl. 1,16.17.18.20; 3,11), projetada para todo o Universo na abrangência dos quatro pontos cardeais, através do recurso à quádrupla repetição da palavra todo:» todo o poder» (v. 18), «todas as nações» (v. 19), «tudo o que vos mandei»(v. 20a), «todos os dias» (v. 20b), que a tradução litúrgica traduziu por «sempre», empobrecendo assim a força expressiva do texto.
16 «O monte que Jesus lhes indicara», na Galileia, mas sem mais precisão. Há quem queira ver esta aparição como a referida por são Paulo a mais de 500 irmãos (1Cor. 15,6).
19-20 «Batizando… em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo». Em nome de não significa em vez de, mas, tendo em conta o sentido dinâmico da preposição grega eis, trata-se de ser batizado para Deus; tenha-se em conta que o nome não é um simples apelativo, mas um hebraísmo que designa o próprio ser de alguém. Sendo assim, as palavras da forma do batismo sugerem a substância cristã deste Sacramento, a saber, ficar radicalmente dedicado para Deus, a fim de, em todas as circunstâncias da vida, Lhe dar glória (é o chamado sacerdócio batismal comum de todos os fiéis: LG 10; cf. 1Pe. 2,4-10). A fórmula encerra a referência mais explícita ao mistério da própria vida de Deus, o mistério da SS. Trindade: a unidade de natureza é sugerida pelo singular – em nome, não nos nomes –, e a distinção de hipóstases (não se trata de pessoas como indivíduos ou realidades separadas e autônomas!), pela indicação de cada uma delas como realmente distintas, pois para cada uma se usa o artigo grego: «em nome de o Pai e de o Filho e de o Espírito Santo». Por outro lado, a proposição de parece corresponder à tradução de um genitivo epexegético (à maneira dum aposto), o que nos leva a entender a fórmula assim: batizando… para (dedicar a) Deus, que é Pai e Filho e Espírito Santo.
20 «Eu estou convosco, todos os dias, até ao fim dos tempos». Podemos ver todo o Evangelho de Mateus marcado por uma inclusão: Mt. 1,23 – «Deus conosco» – e Mt. 28,20 – «estou sempre convosco» –. Jesus garante a assistência contínua e a indefectibilidade à sua Igreja. A História da Igreja é a melhor confirmação destas palavras de Jesus; mas Ele não prometeu que não haveria crises na sua Igreja – as provocadas quer por perseguições, quer pelo  mau comportamento  dos seus filhos – mas sim que todas estas seriam seguramente superadas.
Sugestões para a homilia
Deus não está longe de nós
No nosso coração fomos criando falsas imagens de Deus que não correspondem ao Deus que nos foi manifestado por Seu Filho Jesus Cristo. As leituras deste domingo ajudam-nos a purificar o nosso coração dessas falsas imagens.
O trecho da primeira leitura, extraído do Livro do Deuteronômio, foi escrito para acalentar os israelitas que estavam presos e escravizados na Babilônia. Destinava-se a apoiar a sua esperança de salvação. Nele, como ouvimos, o autor convida-os a reconsiderar a história dos seus antepassados, repleta de maravilhas operadas pelo Senhor em favor do Seu povo. Recorda-lhes que em todo o mundo jamais se ouviu dizer que algum deus tenha atuado com tal poder para libertar o seu povo como o fizera Javé por Israel.
Sabendo como foram amados e auxiliados por Deus, que ficou tão contristado pelos problemas e sofrimentos dos homens, os prisioneiros israelitas não poderão desanimar, pois o Senhor de novo virá para os libertar da escravidão em que se encontram. Deus não é um ente distante, mas um Deus próximo, amigo e protetor que Se interessa pelos seus problemas e intervém em seu favor. Por isso, é motivo de alegria, de paz e tranquilidade para aqueles que acreditam n’Ele.
No meio dos contratempos e problemas da vida também nós devemos aprender que Deus nunca nos deixa sós ou desamparados. Por vezes somos tentados a depor a nossa confiança «noutros deuses» que nos parecem mais razoáveis, que não nos obrigam a mudar o coração, que nos possibilitam conservar ressentimento, ser maus, injustos, vingativos, corruptos ou desonestos.
Porém, há só um Deus que nos dá a vida e a felicidade e esse Deus é uma «família» aberta a todos os homens de boa vontade.
É uma família aberta a todos os homens
A «família» de Deus, a Trindade, está sempre aberta para acolher os seus novos filhos. O Pai quer que o Seu amor chegue a todas as criaturas.
Jesus, diz-nos no Evangelho, que o Pai Lhe concedeu todo o «poder» no céu e na terra e que nada escapa ao «domínio» que o Pai Lhe conferiu. Este «domínio» não se identifica com prepotência, mas consiste num serviço que se reconhece com a força de salvar, de levar a Deus todos os homens. E Ele comunica aos seus discípulos esse «poder» que o Pai Lhe deu. Os discípulos terão de ser o prolongamento de Cristo no mundo, para conduzir todos à redenção, ensinando e batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, com a garantia de que continuaria com eles até ao fim dos tempos. Depois da Ressurreição declara solenemente que será para sempre o «Deus-conosco», nessa Trindade.
No seu ensinamento diz-nos que Deus não é um Deus sozinho mas uma «família», modelo de unidade e de comunhão de pessoas. Esta «família» de Deus, a Trindade, é a imagem perfeita da harmonia, da plena integração, da total realização, que acontece na abertura do encontro em diálogo de amor com as outras pessoas. Esta unidade de todos na paz da «casa» do Pai realizar-se-á plenamente quando todos os homens, por intermédio dos Seus discípulos, receberem a Boa Nova da salvação, pela Ressurreição de Cristo.
E ensina-nos de que, como família, temos a graça de poder chamar a Deus: «Abba, Pai!»
E ensina-nos a chamar-Lhe «Abba, Pai»!
Não somos já meras criaturas, não somos servos que ajudam o patrão na esperança de conseguir um prêmio ou no receio de receber um castigo. Somos filhos que alcançaram d’Ele a mesma vida. O Espírito que nos foi comunicado leva-nos a gritar a Deus, cheios de confiança e alegria: «Abba, Pai!».
A religião dos castigos, do receio, dos méritos, a religião de quem reza a um Deus distante que não sente dentro de si, é inconciliável com a profissão de fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Estaremos nós repletos da presença deste Deus no mundo, especialmente ante quem sofre, quem erra, para quem é pobre? Confiamos que Ele não nos abandona? Acreditamos que o «poder» dado a Jesus e por Ele comunicado através do Espírito Santo acabará por levar todos os homens à salvação?
Então, mantenhamo-nos fiéis ao baptismo que recebemos em nome da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, para difundirmos no mundo este amor de Deus por todos os homens.
Fala o Santo Padre
«Deus é comunhão de luz e de amor»
Neste domingo que se segue ao Pentecostes celebramos a solenidade da Santíssima Trindade. Graças ao Espírito Santo, que ajuda a compreender as palavras de Jesus e orienta para a Verdade completa (cf. Jo 14,26; 16,13), os fiéis podem conhecer, por assim dizer, a intimidade do próprio Deus, descobrindo que Ele não é solidão infinita, mas comunhão de luz e de amor, vida doada e recebida num eterno diálogo entre o Pai e o Filho, no Espírito Santo Amante, Amado e Amor, para citar santo Agostinho. Neste mundo, ninguém pode ver Deus, mas foi Ele mesmo quem se fez conhecer a fim de que, com o apóstolo João, possamos afirmar: «Deus é amor» (1Jo 4,8.16), «nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem» (Encíclica Deus caritas est, 1; cf. 1Jo 4,16). Quem encontra Cristo e estabelece com Ele um relacionamento de amizade, acolhe a própria comunhão trinitária na sua alma, segundo a promessa de Jesus aos discípulos: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23).
Para quem tem fé, todo o universo fala de Deus Uno e Trino. Desde os espaços interestelares até às partículas microscópicas, tudo o que existe remete a um Ser que se comunica na multiplicidade e variedade dos elementos, como numa imensa sinfonia. Todos os seres são ordenados segundo um dinamismo harmonioso que, analogicamente, podemos definir: «amor». Mas é somente na pessoa humana, livre e racional, que este dinamismo se torna espiritual, se faz amor responsável, como resposta a Deus e ao próximo, num dom sincero de si. Neste amor o ser humano encontra a sua verdade e a sua felicidade. Entre as diferentes analogias do mistério inefável de Deus Uno e Trino, que os fiéis são capazes de entrever, gostaria de citar a da família. Ela é chamada a ser uma comunidade de amor e de vida, em que as diversidades devem concorrer para formar uma «parábola de comunhão». […] (Bento XVI, Angelus, 11 de junho de 2006)
António Elísio Portela - Geraldo Morujão







A solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas"; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para fazê-los comungar nesse mistério de amor.
Na primeira leitura, Jahwéh revela-se como o Deus da relação, empenhado em estabelecer comunhão e familiaridade com o seu Povo. É um Deus que vem ao encontro dos homens, que lhes fala, que lhes indica caminhos seguros de liberdade e de vida, que está permanentemente atento aos problemas dos homens, que intervém no mundo para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime e para nos oferecer perspectivas de vida plena e verdadeira.
A segunda leitura confirma a mensagem da primeira: o Deus em quem acreditamos não é um Deus distante e inacessível, que se demitiu do seu papel de Criador e que assiste com indiferença e impassibilidade aos dramas dos homens; mas é um Deus que acompanha com paixão a caminhada da humanidade e que não desiste de oferecer aos homens a vida plena e definitiva.
No Evangelho, Jesus dá a entender que ser seu discípulo é aceitar o convite para se vincular com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os discípulos de Jesus recebem a missão de testemunhar a sua proposta de vida no meio do mundo e são enviados a apresentar, a todos os homens e mulheres, sem exceção, o convite de Deus para integrar a comunidade trinitária.
Um Deus amigo e próximo
Muitos pensam que o mistério da Trindade é o produto da imaginação ardente de ociosos teólogos medievais, uma maneira de provar nossa fé, ou nossa credulidade, a base de pôr ante nossos olhos uma imagem de Deus longínqua e misteriosa, precisamente por seu caráter contraditório: três pessoas em uma só substância divina, na qual cada uma das pessoas é Deus em sentido pleno...
Na realidade, vale a pena meditar sobre este mistério, que embora nos superem sempre, nos fala de algo muito diferente de um Deus longínquo e incompreensível. Comecemos dizendo que não foram teólogos medievais os que pensaram este dogma. O caráter trinitária da fé cristã aparece desde os primeiros escritos do Novo Testamento: o mais antigo de todos, a primeira carta aos Tessalonicenses (em torno do ano 50), tem já claras formulações trinitárias. Não é estranho se temos em conta que o centro da consciência messiânica de Jesus consiste precisamente na filiação divina, em ser Filho de Deus, e em um sentido que dista muito de ser uma mera metáfora. Os judeus que lhe acusavam de blasfêmia por se equiparar com Deus entendiam muito bem que Jesus reivindicava uma familiaridade com seu Pai que transcendia os símbolos.
Porém é que, ademais, a fé no Deus trinitário não é em absoluto algo “ocioso”, carente de consequências práticas. As discussões trinitárias nos primeiros séculos de era cristã, que se servem com liberdade de diversas categorias gregas (substância, relacionamento, etc.), dão local a um novo mundo conceitual, do que ainda vivemos: a noção de pessoa, que teve enormes consequências na cultura ocidental e mundial, que fala do valor absoluto de cada ser humano, de sua dignidade e de seus direitos inalienáveis, é produto da formulação teológica do dado revelado claramente no Novo Testamento: é ao fio da reflexão sobre a vida e os relacionamentos entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, como se chega à noção de pessoa, absolutamente inovadora para a cultura grega e helenista, e que nos oferece um novo entendimento de Deus e, como consequência, do homem que é sua imagem.
As leituras de hoje iluminam com grande intensidade o caráter existencial da festa que celebramos. O livro do Deuteronômio não só sublinha o monoteísmo (“o Senhor é o único Deus”; não há outro...), senão, sobretudo, a cercania deste Deus único “lá acima no céu, e aqui abaixo na terra”. O Deus de Israel é um Deus que vem ao encontro, que o faz libertando e, ademais, respeitando a liberdade humana: não se impõe despoticamente, senão que propõe um pacto. Os pactos só podem ser subscritos entre seres livres e, em verdadeiro modo, iguais ou, ao menos, semelhantes. Se Deus propõe um pacto, é porque considera-nos semelhantes a Ele. Essa semelhança é a fonte de nossa liberdade (por isso Ele atua libertando), e de nossa dignidade (por isso nos respeita, inclusive se nos afastamos dele). De modo que se trata de um Deus que vem ao encontro, mas sem invadir o espaço próprio do homem; é um Deus que se mostra e interpela e que busca o diálogo e a comunicação.
Um Deus assim não pode ser um déspota solitário, que de relacionamentos não sabe nada. Ao invés, sendo absolutamente único, sua interna substância é a comunicação, o relacionamento, o amor. E o amor é sempre, em si mesmo, uma boa notícia, que tende a se comunicar, a se compartilhar. De modo que Deus cria o mundo e ao homem para incluir nesse relacionamento em que consiste misteriosamente seu próprio ser. Não nos chama a uma aliança qualquer (por exemplo, comercial ou de interesses), senão a essa aliança profunda e decisiva que são os relacionamentos familiares. Esta é a grande novidade que nos trouxe Jesus Cristo.
Sabemos que nossas imagens não podem expressar adequadamente o mistério inacessível de Deus. Mas, se há imagens que o expressam melhor, essas são as que melhor nos definem a nós mesmos: as unidas aos relacionamentos familiares. Deus como Pai quer incluir na filiação por meio de seu Filho. Jesus referia-se a Deus em termos de extraordinária proximidade e familiaridade: ao falar de Deus como de seu Abba, que é o equivalente no aramaico “papai”, Jesus está sublinhando um relacionamento de inaudita intimidade, que o equipara com Deus. E seu Evangelho, sua Boa notícia, consiste em que esse relacionamento paterno-filial se abre como uma possibilidade de vida para todos os seres humanos.
Disto nos fala Paulo na carta aos Romanos. Se nos abrimos ao Deus que vem ao encontro, se nos deixamos tocar por seu Espírito, descobrimos de maneira não só teórica, senão vital, que Deus não é um abstrato Princípio de tudo, nem só um Primeiro Motor do mecanismo universal, senão um ser pessoal que funda e sustenta nossa liberdade; um Deus que ao vir ao encontro e se fazer próximo em seu Filho Jesus Cristo chega inclusive a padecer conosco e por nós, para assim se compadecer de todos. E se Ele se une a nós em nossos padecimentos, ao participar nós nos seus, podemos sentir que o Abba de Jesus é também o nosso, e assim nos fazemos partícipes de sua glória, nos convertemos nele em filhos de Deus e coerdeiros de sua vida ressuscitada.
O Evangelho, por fim, recorda-nos que essa proximidade de Deus é um projeto, algo que está sempre a caminho, e do que todos o que achamos somos responsáveis ante os demais, ante o mundo inteiro. Convertemo-nos em verdadeiro sentido na voz do Deus que chama ao encontro e convida à comunicação com Ele por meio do batismo. Jesus envia-nos a anunciar ao Deus próximo sendo nós próximos, anunciando com palavras e obras a proximidade de Deus. Quando tratamos de fazê-lo, a sentimos em nós mesmos e podem a sentir os demais: Jesus e, com Ele, o Pai, pela mediação do Espírito Santo, está conosco “até o fim do mundo”. Este “até o fim do mundo” pode ser entendido: sempre, até que o mundo se acabe (não sabemos quando); em todas as partes, até os últimos recantos do mundo (também em meu próprio recanto); e até as últimas consequências, passe o que passe, incondicionalmente (até a morte).
Em um Deus assim, a verdade, merece a pena crer.
José María Vegas, cmf




«Concedei-nos que na profissão da verdadeira fé
reconheçamos a glória da eterna Trindade»
A alma que ama a Deus nunca está saciada, embora falar de Deus seja tanto mais audacioso quanto o nosso espírito se encontra muito longe de tão alta tarefa; [...] e, quanto mais avançamos no conhecimento de Deus, tanto mais sentimos a sua impotência. Assim foi com Abraão, assim com Moisés, que, quando puderam ver a Deus, pelo menos do modo como tal visão é concedida aos homens, tanto um como o outro se faziam o mais pequeno de todos: Abraão considerava-se «cinza e pó» (Gn. 18,27) e Moisés dizia de si próprio que tinha «a boca e a língua pesadas» (Ex. 4,10), comprovando a fraqueza das suas palavras em traduzir a imensidão d'Aquele que a sua alma experimentava, já que não falamos de Deus tal como Ele é, mas como somos capazes de O alcançar.
Quanto a ti, se quiseres dizer ou escutar seja o que for de Deus, abandona a tua corporalidade, repudia os teus sentidos [...], eleva a tua alma acima de tudo o que foi criado e contempla a natureza divina: encontrá-la-ás imutável, indivisa, a luz inacessível, a glória resplandecente, a bondade almejada, a beleza inigualável que fere a alma sem que ela possa explicá-La.
Assim encontrarás o Pai, o Filho e o Espírito Santo. [...] O Pai como princípio de tudo, causa do ser de tudo quanto existe e raiz de todos os seres vivos; d'Ele corre a Fonte da vida, a Sabedoria e o Poder (1Cor. 1,24), a Imagem perfeita e fiel do Deus invisível (Heb. 1,3): o Filho gerado do Pai, o Verbo eterno que é Deus e voltado para Deus (Jo. 1,1). Por este nome de Filho temos a certeza de que Ele partilha a mesma natureza, uma vez que não foi criado por uma ordem, mas brilha sem cessar a partir da Sua substância, unido ao Pai desde toda a eternidade, igual a Ele em bondade, igual em poder, compartilhando da Sua glória. [...] E quando a nossa inteligência for purificada das paixões terrenas e puser de lado toda e qualquer criatura sensível, qual peixe que emerge das profundezas até à superfície entregue à pureza da sua criação, então contemplará o Espírito Santo onde estão o Filho e o Pai. Este Espírito, sendo da mesma essência segundo a Sua natureza, possui também todos os bens: a bondade, a retidão, a santidade e a vida. [...] E, tal como queimar é próprio do fogo e alumiar da luz, também do Espírito Santo são próprias a bondade e a retidão, e não Lhe pode ser tirada a capacidade de santificar ou fazer viver.
São Basílio



1. Estamos celebrando o mistério da Santíssima Trindade. Não se trata de uma fórmula matemática, para resolver ou decifrar o enigma de Deus. Não. Trata-se de um mistério de amor, divino e pessoal: o amor dado no Pai, acolhido no Filho e comunicado pelo Espírito Santo. Este amor, pessoal, imenso e eterno, ao mesmo tempo que nos alcança, também nos ultrapassa, porque Deus é sempre maior que o nosso coração e não cabe, de todo, na nossa “cabeça”.
2. É o próprio Deus, que se nos vai revelando, que se vai manifestando, que nos vai falando, sobretudo na vida e na história. O Povo diz que “Deus escreve direito por linhas tortas”. Isto é, nós podemos captar os sinais e a mensagem de Deus, a sua palavra de amor, ao longo do nosso caminho, ao longo da nossa história, em toda a nossa peregrinação sobre a terra. Os livros da Bíblia não são mais que um olhar de fé, sobre o que Deus disse, por meio de tudo o que realizou em nosso favor!
3. Por isso mesmo, Moisés convidava-nos a lembrar a história do amor de Deus por nós: o Deus Criador do Céu e da Terra é também o Deus libertador do seu Povo. O Deus Altíssimo é também o Deus que nos fala ao coração, que desce até junto do Seu Povo. Moisés lembra que Deus formou um Povo, para poder manifestar todo o seu amor por nós. Lembra-nos que libertou este Povo e o fez viver maravilhas inesquecíveis. E assim podemos concluir: o Deus Criador é o Deus do Amor, é o Deus Libertador, é o Deus que está conosco, desde sempre e para sempre.
4. E este Deus, quis aproximar-se tanto de nós, que nos enviou o seu Filho. E no Filho Jesus descobrimos afinal que este Deus Criador é também Pai, o Pai que, no seu Filho, nos ama e alcança a todos como filhos. Afinal, o Deus do princípio, é também o Deus de agora e é o Deus de sempre, o Deus que está conosco, o Deus que Se fez Homem em Jesus de Nazaré. E por isso, este Deus não é um Deus do passado, mas um Deus sempre presente. Ele está sempre conosco. Ele constrói a sua história de amor conosco, todos os dias, até ao fim dos tempos. Isso mesmo nos garantiu Jesus: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”.
5. Por isso, é que, no seu Amor por nós, o Pai e o Filho, nos dão a nós o Espírito Santo. E deste modo, sabemos que nunca mais estamos sós. Não caminhamos sozinhos, nem caminhamos para o nada ou para o abismo. Ele está conosco e até ao fim dos tempos. A história do seu amor por nós tem, de certeza, um final feliz, um fim que ainda não atingimos, um fim, por que ainda esperamos, até que Ele venha e possamos todos contemplar os novos céus e a nova terra. Os novos céus, não são estes céus, que vemos, mais ou menos nebulados. Sabemos que o seu Reino não se encontra em nenhum território deste mundo: O novo céu e a nova terra, a terra prometida e o céu esperado, é o próprio Deus, no seu mistério de amor. “O seu reino está presente onde Deus é amado e onde o seu amor nos alcança” (Spe Salvi, 31). Portanto, só Deus é a nossa Terra prometida. E só nEle está o fundamento da nossa esperança.
6. Vamos entregar-vos, por isso, uma âncora, símbolo da esperança. Na verdade, no meio das tempestades e dificuldades do caminho, é a esperança que nos permite encontrar um ponto de apoio, firme, para chegar ao trono ou ao coração de Deus (cf. Spe Salvi, 37). Somente o seu amor, nos dá a possibilidade de perseverar, dia após dia, sem perder o ardor da esperança. É Deus a meta da nossa esperança! E a esperança é a verdadeira âncora do coração, que nos fará subir e chegar até Deus. Ele é a nossa origem e a nossa Pátria definitiva.

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1. "O Senhor é um Deus clemente e compassivo, cheio de misericórdia e fidelidade" (Ex. 34,6). Estas palavras dizem-nos a verdade sobre Deus; fazem-nos ver, com os olhos da mente, o rosto do Invisível; exprimem o nome do Inefável: este nome é «misericórdia e bondade, graça e fidelidade». São palavras que apontam para um Ser divino, em relação, para um Ser único, pessoal e vital, que Se oferece, que Se quer doar e perdoar, que deseja estabelecer um vínculo sólido e duradouro, com aqueles que ama! Está fora deste santo nome, qualquer ideia de um Deus solitário, abstrato, longínquo e indiferente à condição humana!
2. No Novo Testamento, são João resume estas palavras, numa única palavra: «Deus é Amor»! (cf. 1Jo 4,8.16). Ouvimo-lo, da boca de Jesus, no Evangelho: "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o Seu Filho Unigênito" (Jo 3,16)! Neste doar-se de Deus, na Pessoa do Filho, está em ação toda a Trindade: o Pai põe à nossa disposição o que tem de mais querido: o Filho! O Filho, em comunhão com o Pai, despoja-se da sua glória, para Se dar por nós e Se doar a nós! O Espírito Santo sai do pacífico abraço divino, para irrigar os desertos do coração humano e assim renovar a face da terra!
3. Por conseguinte, o Deus da Bíblia não é uma espécie de “super-potência divina”, orgulhosamente só, satisfeita por se bastar a si mesma! Não. O Deus que se revela em Cristo e que Se nos revela pelo Espírito Santo, é um Deus que deseja comunicar-se: é abertura, é relação, é dom, é aliança, é família, é comunhão de pessoas diferentes, naquele Amor infinito, que as une e distingue!
4. Se Deus é assim, unidade num diálogo interpessoal, se Deus é assim um «Ser de relação, em relação e para a relação», então toda a pessoa humana, criada à imagem e semelhança deste Deus, é chamada a realizar-se no diálogo, na abertura, no encontro: cada pessoa é um ser em relação e para a relação, um ser de comunhão e para a comunhão. Nenhum de nós é, pois, um «eu solitário», nenhum de nós «é» nada, sozinho ou por si ou para si mesmo. À luz do mistério divino do Amor, dado do Pai, acolhido no Filho e comunicado pelo Espírito, a pessoa humana não se realiza numa autonomia absoluta, iludindo-se que é Deus ou que se pode bastar a si própria; pelo contrário, na luz deste mistério divino de comunhão, cada pessoa realiza-se e reconhece-se enquanto filho, criatura aberta, inclinada para Deus e para os irmãos, em cujo rosto, encontra a imagem do Pai comum. E por isso, cada pessoa cresce na medida em que aceita o desafio de renunciar ao «eu solitário», apostado em si próprio, para viver como um «nós solidário», em que o outro goza sempre de prioridade, sobre mim!
5. Queridos irmãos e irmãs: Rezamos e rezemos à Santíssima Trindade, para não cairmos na tentação do conforto do «amor a dois», que pode tornar-se numa relação de perigosa «conveniência». A inclusão do “terceiro” é o critério de verdade do amor! «O terceiro é aquele que entra na relação entre um e outro e escancara a vida de um e de outro a uma lógica de pura gratuidade. Deste modo, já não sou eu próprio e o meu sentir. Nem conta apenas a satisfação de encontrar no outro, a parte que me falta! O terceiro obriga-me a descolar de mim, a fazer do centro da minha vida, não as minhas necessidades e desejos, mas o dom, a dádiva, o amor” (cf. J. Tolentino Mendonça, Um Deus que dança. 83)! Só deste modo, por exemplo, o amor conjugal se pode construir, por laços duradouros de mútua pertença e de abertura à vida! Só assim a família humana pode tornar-se o reflexo visível do Amor, que é e que há em Deus, eterna e verdadeira “família divina”!

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«Deus é Amor» (1Jo. 4,16). Estas palavras exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã, definem a imagem cristã de Deus e indicam a imagem do homem e do seu caminho” (cf. Bento XVI, Deus Caritas est). Fomos criados, bem à imagem desta Trindade, deste mistério do Amor divino! O Amor é, por assim dizer, como que o verdadeiro “DNA” dos filhos de Deus! Gostaria por isso, de partir do dinamismo desta comunhão plena de Amor, que há entre as três pessoas da Trindade, para vos sugerir, três atitudes para a construção de uma rica personalidade humana!
1º. Em primeiro lugar, na Trindade, cada uma das pessoas divinas, necessita das outras, para ser ela mesma. Se, por hipótese absurda, o Pai, deixasse, por um momento, de se dar ao Filho, não só não existiria o Filho, como deixaria de existir o Pai. A própria relação, que é o Espírito Santo, não subsistiria, separando as pessoas. Jesus definiu isto de modo simples, na sua oração ao Pai: «Tudo o que meu é Teu e tudo o que é teu é meu» (Jo 17,10).
Sendo assim, a pessoa humana, se quer crescer à imagem de Deus, lutará contra a presunção de construir sozinha a sua vida, como se quisesse a todo o custo ver-se “livre” dos demais. Devemos a vossa vida, em primeiro lugar, aos nossos pais; nunca a teríamos, pelas vossas próprias mãos; devemos o que somos aos vossos irmãos, aos nossos colegas e educadores, à escola, à igreja, à sociedade e ao mundo que nos rodeia. Só cresceremos se vos mantivermos nesse círculo aberto de comunhão, de partilha de necessidades e capacidades, de limites e possibilidades. A ideia tão moderna de se bastar a si próprio, de não querer precisar do outro, de chegar a ser independente de tudo e de todos, é suicidária, para a afirmação de uma personalidade humana, social e cristã e tem sido semente maligna da destruição do casamento e da família. Por isso vos digo: Gostai antes de ser o que sois, graças àqueles que encontrais na vossa vida. Sede sempre gratos e humildes. Sabei ouvir, escutar; aprendei a precisar e sabei pedir e receber! “Que tens tu, afinal, que não tenhas recebido”? (1Cor. 4,7)
2º Segundo ponto: na Trindade, cada pessoa divina é quem é, precisamente no ato próprio de se dar às outras! O Pai é tanto mais Pai, quanto mais faz o «Filho» ser e crescer. O Filho é tanto mais Filho, quanto mais ama e «reconhece o Pai». E o Pai e o Filho reconhecem-se precisamente no Amor, com que se nos dão, por meio do Espírito Santo. Quer dizer: cada pessoa divina vive das outras, com as outras, pelas outras e para as outras.
Que significa isto significa, no concreto das nossas relações? Quer dizer: as pessoas, as comunidades, as famílias, sociedades, as escolas e as instituições só crescem quando cada um aprender a viver com os outros, para os outros, nos outros e graças aos outros! Digo-vos, por isso, que não aposteis a vossa vida, no autismo e no egoísmo, de quem pensa vir a ganhar a vida, sem alguma vez a dar ou a perder, por amor! Procurai fazer do estudo e da profissão, um serviço aos outros, um contributo pessoal para o bem comum! Chegou o tempo, de dizer, sobretudo aos mais novos, de dizer também aos cristãos, que não basta pedir, exigir, receber. Aprendei a dar, a aplicar os vossos dons, a servir com alegria, com todo o vosso ser e saber.
3. Há um terceiro ponto de suma importância: na unidade das três pessoas da Trindade, cada uma é ela mesma; não é a outra. Assim, o mesmo Amor que as une, também as distingue.
Esta unidade na diferença, tem implicações práticas.
Só seremos úteis à sociedade, à Igreja, ao mundo, se formos nós próprios, com a nossa originalidade, o nosso carisma, a nossa cabeça e a nossa alma. Digo-vos: Não vos conformeis com a mentalidade dominante, não vos deixeis seduzir pelo “politicamente correto”, nem vos deixeis guiar pelo “pensamento único” do mercado e do consumo globais. Cultivai a diferença, até mesmo a diferença do ser cristão, no meio de um mundo pagão, sem embarcar acriticamente, em todos os ventos de doutrina e de costumes, pois nem sempre o frequente é o mais saudável, nem sempre o comum é, por norma, o melhor.
Este é o caminho do amor! Nunca encontrareis a vida, apoderando-vos dela. A vida é um dom que se recebe, para se tornar um dom que se dá. Cada um só tem aquilo que recebe, como cada um só tem aquilo que dá! Sereis felizes se o puserdes em prática!


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Trindade, poder e fraqueza de Deus
Quando O  viram, adoraram-nO, mas alguns ainda duvidaram.
1. Deus não é uma evidência, que se imponha a partir de cima, nem uma conclusão que se demonstre, a partir de baixo. Para o cristianismo, a novidade nem é sequer que Deus exista. Mas sim que este Deus é Amor (I Jo.4,8.16). E este amor de Deus manifesta-se, retraindo-se a nossos olhos, provocando-nos à adoração humilde do mistério, na fé, pura e simples.
É, para nós, um paradoxo, uma aparente contradição, que Deus se revele escondendo-se. Mas de facto, no seio da Santíssima Trindade, cada Pessoa é Pessoa, fazendo a outra ser… Cada pessoa, afirma-se, «desaparecendo» na outra. Por Amor, cada uma se dá e se perde, para se encontrar e realizar na Outra Pessoa. Assim, por exemplo, Deus Pai “desaparece” no esplendor da sua glória, para se fazer aparecer na fragilidade humana do Filho. Ele é tanto mais Pai, quanto mais faz o Filho ser e aparecer. E O Filho é tanto mais Filho, quanto mais se dá ao Pai e o manifesta ao mundo. E o Pai e o Filho existem e subsistem, vivem e convivem nesta comunhão de vida e amor amor, graças ao Espírito Santo.
2. Diríamos que este modo de ser de Deus em si mesmo, em que cada Pessoa divina se realiza na outra, é também o modo de ser de Deus para conosco. Ele morre para nos fazer viver. Ele “apaga-se” para nos fazer brilhar… Ele “diminui-se” para nos engrandecer. Ele oculta-se para nos fazer aparecer. Ele parte para nos dar lugar. Ele “afasta-se”, para nos responsabilizar. Mesmo no quadro de uma relação humana e familiar, se percebe bem quanto o amor implica a mais íntima proximidade e entrega ao outro, mas ao mesmo tempo supõe a máxima distinção e respeito pela autonomia de cada um. Amar é dar tudo de si para fazer o outro ser ele próprio. Aceitando, para isso e por causa disso mesmo, não se fazer aparecer. Deus «esconde-se»… não se «exibe» na sua grandeza e poder, e isso é uma necessidade intrínseca daquele Amor que se retrai, para dar espaço ao Outro. É um Deus que se esconde, para nos dar espaço a nós, para que nós nos afirmemos e cresçamos no seu Amor, à sua imagem e semelhança.
3. É, de fato, do próprio ser de Deus Amor, não se pôr à frente, não se impor, não nos «convencer». Dá-nos mesmo o direito de duvidar. Ao ser assim, Deus propõe-se-nos, no Amor, abrindo um espaço de liberdade à nossa relação com Ele, permitindo-nos até chegar ao ponto de O negar. Eu creio que aqueles que desacreditam de Deus, ou que o negam porque o mal existe, estão apenas a questionar e a protestar por esta forma original de Deus ser amor, de Deus ser, não sendo; de Deus ser, desaparecendo; de Deus ser, fazendo-nos ser mais, a cada um de nós.
Todo o poder me foi dado no Céu e na Terra!
4. É por isso que não nos assusta o poder de Deus, de que Cristo, se diz agora «constituído»: Todo o poder me foi dado no Céu e na Terra. Este poder manifestou-se na fragilidade de um Amor que se aniquilou até à Cruz, tal era o «fraquinho» do Amor de Deus por nós…
Este poder não se manifestou num despotismo esmagador da autonomia do Homem. Pelo contrário, Deus retrai-se e expõe-se à nossa mercê, sem fazer valer «à força» os seus mandamentos e preceitos. Somos nós que precisamos de O reconhecer, para encontrar nEle a garantia dos nossos próprios direitos e o caminho da felicidade que Ele quer para nós.
5. Pelo que a afirmação do mistério de Deus, como comunhão de Pessoas diferentes, redunda sempre na defesa da dignidade de cada Homem e na aprendizagem humilde do seu mistério de amor. De Deus aprenderemos sempre a viver… com os outros, para os outros e graças aos outros. É isso viver na comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

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Trindade e batismo
«Ide e fazei discípulos de todas as nações batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»...
1. A partir daqui os discípulos sabem as linhas com que se cozem. Não vão por sua iniciativa. Mas são enviados do Pai, que a todos ama e “quer que se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. Não vão começar tudo de novo. Mas continuar no mundo a obra mesma de salvação, realizada pelo Filho. Não vão sozinhos e por sua conta, mas assistidos e guiados pela força do Espírito Santo. Numa palavra, vão “em nome” de Alguém. “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Partem em nome da Santíssima Trindade. Em relação viva e permanente com esse mistério divino de Amor. Vivendo desse Amor. Vivendo para esse Amor. É daí que tudo vem. É para aí que tudo vai. A Igreja não aparece como um grupo de conquista, não é uma associação de amigos; não nasce da vontade destemida dos Homens. É, antes de tudo, uma “comunidade congregada no amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Cipriano, De Dominica Oratione, 23; LG 1).
2. A essa luz, o objetivo da missão da Igreja não é o de ter mais e mais gente, mas o de fazer discípulos... o mesmo é dizer, formar homens e mulheres, que escutam a Palavra do Pai, que seguem o caminho do Filho e se deixam guiar pelo Espírito de Deus. De modo que a Trindade deixe de ser um estranho e distante enigma, para nós e passe a ser o grande Mistério de Amor, no qual, de facto, “nos movemos, somos e existimos” (At. 17,28).
3. Criados à imagem e semelhança de Deus, somos, por natureza, reflexo dessa Trindade de Amor. Mas foi no nosso batismo que nos tornamos, por graça de Deus,  verdadeiros filhos do Pai,  herdeiros da salvação de Cristo e templos vivos do Espírito Santo. Por isso o batismo não é uma espécie de matrícula de inscrição de mais um associado na Igreja. É o acontecimento pelo qual entramos em comunhão de vida e amor com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
De fato, uma vez «batizados em nome do Pai», «todos nós somos filhos de Deus, pela fé em Cristo» (Gl. 3,26). Do Pai recebemos o amor, a troco de nada. Ele amou-nos primeiro. Escolheu-nos como sua herança. Deu-nos a graça de sermos filhos de Deus, sem mérito algum da nossa parte, antes de qualquer contra-partida. Daí nos sentirmos, à imagem do Pai, chamados a amar... e a amar simplesmente por amor. Para assim, à sua imagem, vivermos a nossa vida desinteressadamente no amor, que tudo cria e dá.
Enxertados em Cristo, participamos da sua vitória sobre o pecado e a morte. O batismo em nome do Filho faz-nos participar da Páscoa do Senhor. E, neste sentido, impele-nos a viver a nossa vida em atitude de escuta, de resposta, de doação da própria vida, sem ter em conta o interesse pessoal. Porque «amor com amor se paga», só nos realizamos na correspondência a este Amor recebido, dando a vida que recebemos, como Jesus, o Filho amado do Pai. De modo que possamos dizer, como são Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em Mim» (Gl. 2,20).
Ungidos do Espírito Santo, entramos neste circuito de amor entre o Pai e o Filho e por isso sentimo-nos filhos de Deus Pai, identificados inteiramente com Cristo. E nEle membros uns dos outros, a formar o Templo Santo do Senhor. «Todos os que foram batizados num só Espírito, formam um só Corpo» (1Cor.12,13).
Acreditai nisto e não duvideis. Adorai Cristo e não pergunteis. Rezai ao Pai e não expliqueis. Bebei deste Espírito e não vos inquieteis. Voltai à fonte do Baptismo e aí vos vereis «imagem e semelhança» do Pai, do Filho e do Espírito Santo. É nesse mistério que se entende o mistério da nossa própria vida. Mistério de Amor, dado, acolhido e partilhado. Simplesmente!


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Trindade e o Deus Cristão
I- Será «um Deus cristão» o «deus dos cristãos»?
A pergunta é pertinente, quando confrontamos a ideia e a experiência que os cristãos têm de Deus com aquela que a Palavra de Deus hoje nos revela.
1. Para alguns de nós, Deus é simplesmente «algo» de muito misterioso, um Poder sobrenatural que não dominamos, uma onipotência divina, que a todos governa... Limitamo-nos então a reconhecer que Ele existe, que «há alguma coisa». Tendo assim  a imagem de um Deus que «está lá no alto dos céus» e nada tem a ver com a Terra. E por isso a nossa vida não muda em nada pelo fato de ele existir...
2. Para outros, Deus é um Ser superior, tão distante e isolado do nosso mundo, que nada tem a ver com o correr dos nossos dias. É um Deus que «mete respeito», «com quem não brincamos». Daí mais o nosso temor que o amor. Mais o nosso medo que a nossa confiança.
3. Outras vezes, imaginamos um «Deus lá» e «nós cá». Como se Ele criasse o mundo e o Homem e depois os deixasse entregues à sua sorte. Quando muito, chamaremos por Ele, no meio das dificuldades. E julgamos então, que Ele nos poderá valer, se assim lhe aprouver.
II- Mas nós, os cristãos, podemos entrar no mistério e no coração de Deus. Não tanto pelo esforço da razão, mas «considerando e meditando em nosso coração» o que Ele fez por nós. Pois Deus, pelo seu modo de ser, de falar e de agir, revela-nos a profundidade e a beleza do seu mistério de amor. Partindo da Palavra que hoje escutamos, Deus revela-se como um:
1. «Deus para nós», «Deus por nós». Ele que criou todas as coisas, que deu o ser a tudo quanto existe, está próximo dos seus filhos, metido nos seus caminhos, atento às suas provas, solícito nas suas necessidades. Deus não abandona aquilo a que dá vida, mas sustenta com o seu amor a obra das suas mãos. Ele «age em nosso favor», está próximo de quantos O invocam...
2. «Deus em nós». O seu mistério oculta-se no coração do Homem. Aí, na intimidade dos seus desejos e anseios mais profundos, Deus oferece-se como «íntimo do homem». É um Deus que nos habita, que nos envolve, que nos abraça no seu amor. De tal modo, que deixa derramar-se em  nossos corações o seu amor, e assim nos faz sentir  filhos queridos, de fato. Perdemos o medo e abeiramo-nos dEle, cheios de confiança, chamando-lhe «nosso Pai».
3. «Deus conosco». O Deus que criou o mundo e ao mundo enviou o seu Filho, não nos deixou «à deriva», ficando como espectador passivo da obra realizada. Ele «está conosco até ao fim dos tempos». A história segue o seu desígnio. A vida está nas suas mãos. O homem está sob o seu olhar misericordioso. Continuamos no mundo, envoltos no seu amor.
III- Diante de um Deus  que se revela assim como mistério de amor, qual a atitude da nossa fé?
1. O abandono confiante de todo o nosso ser a esse grande mistério de amor, que sabemos ser muito maior do que nós. Sem ter a pretensão de o «dominar», de o explicar, de o manobrar... Mas a sabedoria de O acolher amorosamente.
2. A confiança filial. Fiar-se a Ele, confiar plenamente nEle, entregar-se a Ele, como filho a um  Deus-Pai, deixar-se amar por Ele, como «criança ao colo de sua mãe»...
3. A adoração humilde, que nos faça reconhecer a nossa condição de criaturas. E como criaturas amadas infinitamente por Ele, buscá-lo e servi-lo de todo o coração...sabendo que é «nEle que nos movemos, somos e existimos».
Paróquia N.S. da Hora     


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