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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 19 de maio de 2015

Pentecostes

DOMINGO DE PENTECOSTES

Evangelho - Jo 20,19-2


Recebei o Espírito Santo!

24 de Maio de 2015- Ano B

-PENTECOSTES-José Salviano


         O Espírito Santo veio num vento forte, e no fogo, assim como também pode vir na brisa suave...Ele veio purificar, iluminar, e assistir permanentemente toda a Igreja, protegendo-a das forças do mal, e norteando os passos dos seus escolhidos para continuar a missão de salvar a humanidade do pecado.Continua

 
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RECEBEI O ESPÍRITO SANTO” - Olívia Coutinho

SOLENIDADE DE PENTECOSTES!

Dia 24  Maio de 2015

Evangelho Jo 20,19-23
   
Com muita alegria, celebramos hoje  a solenidade de Pentecostes, o  coroamento do tempo Pascal, quando se cumpriu a promessa de Jesus: o envio do Espírito Santo! Espírito Santo, que já se faz presente em nós, mas que é importante percebermos a sua ação no mundo! 
A definição marcante desta festa,  podemos dizer que é a "Germinação da Igreja", pois a  caminhada missionária  da Igreja, começa  em Pentecostes, quando o Espírito Santo entra em  suas  entranhas e a torna  viva e atuante! É a partir de Pentecostes, que a igreja começa  a se abrir,  a falar a linguagem do amor, que é uma linguagem universal, e que mesmo sendo desdobrada em vários idiomas, é a única linguagem capaz de ser compreendida pelos  povos de todas as nações.
A  missão da Igreja, consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza, está na  abertura a todos os povos e culturas! A Igreja é unidade, é  a guardiã do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
 Nesta Solenidade, que  também podemos  chamar de festa missionária, devemos fazer uma “viagem interior”  pelo o mundo inteiro, chegar  onde a  igreja se faz presente na pessoa dos muitos missionários, homens e mulheres,  que apesar das inúmeras dificuldades, se prontificam a gastar a vida  na difusão do  evangelho. Unamos a estes missionários, no desejo  de fazer chegar a outros irmãos,  a Boa Nova do Reino!
Sabemos que os desafios de quem se entrega a missionariedade  são inúmeros,   mas sabemos também, que o Espírito Santo, anima e dá força a quem abraça a missão  de  anunciar e  testemunhar o Evangelho!
O evangelho deste domingo de Pentecostes, nos  apresenta  a comunidade de homens Novos, que nasceu  da cruz e da ressurreição de Jesus  e que foram  libertados pela força santificadora e libertadora do Espírito Santo! Tudo começou com o primeiro encontro de Jesus com os  discípulos,  logo após a sua ressurreição.   Foi neste  encontro, que Jesus comunicou a eles o seu Espírito, no gesto de soprar sobre eles.
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus nos recorda o sopro de Deus na criação, o sopro que deu  vida a criatura humana, gesto que Jesus repete como início de uma nova criação!
Cheios do Espírito Santo, os discípulos se libertaram do medo que os aprisionavam, e a partir deste momento, as palavras de Jesus tornaram-se  claras para eles!
 “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados;  a quem não os perdoardes, eles lhe serão retidos”.   Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede à igreja, o poder de perdoar pecados.   É Deus quem tem o poder de perdoar pecados, mas Jesus concede este poder e o transmite a sua Igreja. Trata-se do sacramento da reconciliação. Quando Jesus disse: “ a quem não perdoardes, eles (pecados)  lhe serão retidos,”  não significa condenação, e sim,  um insistente apelo à conversão.  Não é a Igreja  que não perdoa estes pecados,   pelo  contrário, a Igreja  trabalha o arrependimento, favorecendo as condições para que a pessoa  possa se redimir. Pecados “retidos,” são aqueles pecados que mesmo a gente tendo consciência deles, permanecemos neles,  não  nos abrimos ao arrependimento, com o  propósito de mudança, o que significa,  fechamento ao Espírito Santo, ou seja, o fechamento à graça do perdão.
No sopro do Espírito Santo sobre os discípulos, é expressa a criação renovada! É o Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão!
Os discípulos só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar o evangelho, depois que receberam o Espírito Santo. Era tão grande a coragem que eles  passaram a ter, e tão seguras  as suas decisões, que eles estavam dispostos a tudo, até mesmo a dar a vida pelo evangelho.
Todos nós recebemos o Espírito Santo no Sacramento do Batismo, sacramento  que é confirmado  no Crisma. A presença  permanente do Espírito Santo em nós,  nos leva a viver com mais alegria e  vontade de comunicar a todos, as maravilhas que Jesus realiza no meio de nós!
Com Pentecostes, encerra-se o tempo Pascal, mas este acontecimento não é o  final de uma história de amor,  é o começo do nosso peregrinar rumo a eternidade!
Os atos dos Apóstolos começaram com o sopro do Espírito Santo, também os nossos atos, devem começar a partir desta  força  libertadora  do Espírito Santo, que quer agir no mundo através de nós! 
A todo instante somos chamados  a sermos continuadores da comunicação  do  amor de Jesus...

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia 
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“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este, que encheu hoje os apóstolos e a inteira Igreja de Cristo?
Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor: “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou (no Espírito Santo), eu também vos envio (neste mesmo Espírito)!"Depois soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo!”
Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb. 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!
Nele tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem e da terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas...
Sem ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar...
Ele é a nova Lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez. 11,19; Jr. 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm. 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a Nova Lei, o Santo Espírito nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do Amor derramado no íntimo de nós!
Ele tudo perdoa e renova e, Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados!” É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus!
Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo...” – Neste Corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é uma na diversidade de tantos dons e carismas; uma nas diferenças de seus membros...
Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo ou imitá-lo ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!
Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja e no testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo!” – para a glória de Deus Pai.
dom Henrique Soares da Costa
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A Igreja, o Espírito e a Unidade
Pentecostes é a plenificação do Mistério pascal: a comunhão com o Ressuscitado só é completa pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa.
A liturgia de hoje acentua a manifestação histórica do Espírito no milagre de Pentecostes (1ª leitura) e nos carismas da Igreja (2ª leitura), sinais da unidade e paz que o Cristo veio trazer. Isto, porque a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas, e porque a diversidade de dons na Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça. Ambos estes temas podem alimentar a reflexão de hoje.
No antigo Israel, Pentecostes era uma festa agrícola (primícias da safra, no hemisfério setentrional). Mais tarde, foi relacionada com o evento salvífico central da Aliança mosaica: ganhou o sentido de comemoração da proclamação da Lei no monte Sinai. Tomou-se uma das três grandes festas em que os judeus subiam em romaria a Jerusalém (as outras são Páscoa e Tabernáculos). Foi nesta festa que aconteceu a “explosão” do Espírito Santo, a força que levou os apóstolos a tomarem a palavra e a proclamarem, diante da multidão reunida de todos os cantos do judaísmo, o anúncio (“querigma”) de Jesus Cristo. Seria errado pensar que o Espírito tivesse sido dado naquele momento pela primeira vez. O evangelho (de João) nos ensina que Jesus comunicou o Espírito no próprio dia da Páscoa. O Espírito está sempre aí. Mas foi no dia de Pentecostes que esta realidade se manifestou ao mundo. Por isso, ele aparece em forma de línguas, operando o milagre das línguas e reparando a “confusão babilônica” (cf. vigília)15.
A essa proclamação universal aludem o canto da entrada (opção 1), a oração do dia e a 1ª leitura. O Espírito leva a proclamar os magnalia Dei em todas as línguas. O conteúdo desta proclamação, já o conhecemos dos domingos anteriores: é o querigma da ressurreição de Jesus Cristo. Novamente, o Sl. 104[103] comenta este fato (salmo responsorial).
A 2ª leitura mostra, por assim dizer, a obra “intra-eclesial” do Espírito: a multiformidade dos dons, dentro do mesmo Espírito, como as múltiplas funções em um mesmo corpo. Paulo chama isto de “carismas”, dons da graça de Deus; pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (que, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.
No evangelho encontramos a visão joanina da “exaltação” de Jesus: é a realidade única de sua morte, ressurreição e dom do Espírito, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,3 1-37; cf. vigília). Assim, no próprio dia da ressurreição, Jesus aparece aos seus para lhes comunicar a sua paz (cf. 14,27) e conceder o dom do Espírito, para tirar o pecado do mundo, ou seja, para que eles continuem sua obra salvadora (cf. 1,29.35).
Este Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação, sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Neste sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce, não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda a entender o que é renovação carismática: não uma avalanche de fenômenos estranhos, mas o espírito do perdão e da unidade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial. A antiga seqüência Veni Sancte Spiritus expressa isso maravilhosamente, e seria bom pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, novamente em contato com esse rico texto.
A Igreja, por sua unidade no Espírito, no vínculo da paz (Ef. 4,3), toma-se sacramento (sinal operante), do perdão, da unidade, da paz no inundo, na medida em que ela o coloca em contato com o senhorio do Cristo pascal, no querigma e na práxis.
15. Este tema lembra uma antiga lenda judaica, segundo a qual, no Sinal, a proclamação da Lei teria sido confiada aos setenta anciãos, em setenta línguas (no relato do Pentecostes cristão, o anúncio é confiado aos doze apóstolos, talvez em doze línguas).
Johan Konings "Liturgia dominical"


O Espírito de Jesus é chamado de Espírito da verdade, o Advogado para aqueles que enfrentam o ódio e a injustiça, Aquele que os defenderá nesta causa, não os deixando sozinhos. Este mesmo Espírito não é alguém que vai impedir os discípulos e o povo de sofrer e nem libertá-los dos conflitos, mas os acompanhará e os ajudará na tarefa de testemunhar Jesus Cristo.
Jesus diz aos discípulos que Deus enviará o Espírito que sempre esteve com Ele, e isso significa que serão Batizados no Espírito Santo e receberão um dom que todos podem receber. Não são apenas alguns privilegiados que o recebem, como se pode pensar, mas todos aqueles que são batizados!
A missão do Espírito Santo não é diferente da missão de Jesus, portanto, todo aquele que O recebe, recebe também o discernimento para desmascarar a injustiça; o dom de proclamar a Palavra e a força para anunciá-la em qualquer tempo ou lugar; e a capacidade de transformar a tristeza em alegria, o medo em coragem, a angústia em força.
O Espírito Santo é um guia constante na vida dos homens, falando-lhes ao coração o que ouve do próprio Jesus que, por sua vez, recebe do Pai.


Pentecostes era uma festa agrícola celebrada no antigo Israel que, após o recebimento dos dez mandamentos por Moisés no monte Sinai, passou a marcar a comemoração desta aliança, tornando-se juntamente com a Páscoa e Tabernáculos - ou Festa das Tendas que celebravam o tempo que os Israelitas estiveram no deserto, abrigados debaixo de tendas de ramos e folhagens - as três grandes festas em que os judeus subiam para Jerusalém.
No dia de Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa, os apóstolos se encontravam reunidos para celebrar a vitória de Jesus sobre a morte, costume que estava surgindo entre as primeiras comunidades cristãs.
As portas do local onde se encontravam estavam fechadas, atitude que demonstra o medo dessas comunidades diante das perseguições que sofriam, mas Jesus entra porque não existe barreiras para Ele ir ao encontro dos Seus. Ele fica no meio deles e diz “A paz esteja com vocês”, a mesma saudação na Sua despedida.
Esta aparição fortaleceu a fé dos discípulos para que cumprissem com mais intensidade a missão dada por Jesus, e para que acreditassem e pudessem viver uma vida autêntica, inserida nos ensinamentos que Ele deixou. Em seguida Jesus diz: “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.” Este é um momento especial em que Jesus transfere para a comunidade a Sua missão entre os homens, entregando-lhes o Seu Espírito para conduzi-los.
A partir deste momento, o Espírito Santo que esteve sempre presente em Jesus é entregue à Sua comunidade que, inundada por Ele, será capaz de levar adiante o projeto de Deus iniciado por Jesus, de anunciar o Reino de Deus e dando a eles a autoridade para perdoar os pecados através do Sacramento da Reconciliação.
Naquele dia de Pentecostes, O Espírito Santo desce sobre os apóstolos como línguas de fogo, para que eles proclamem o Evangelho a todos os povos, de forma que eles possam entendê-los. O “dom das línguas” foi dado à comunidade cristã com a finalidade de que ela professe a Palavra, e todos possam entender “a linguagem da justiça e do amor”.
A partir de então, os apóstolos repletos do Espírito Santo, começaram a proclamar as “maravilhas de Deus”. Os que creram na pregação de Pedro e seus companheiros, e se fizeram batizar, também receberam o Espírito Santo e seus dons.

Em todo o Antigo Testamento, o sábado é respeitado como o dia do Senhor, lembrando o dia em que Deus descansou após criar o mundo, porém, após a ressurreição de Jesus, o Dia do Senhor passa a ser o domingo, onde todo o Seu povo se reúne para celebrar a vitória de Jesus sobre a morte.
Os apóstolos estão reunidos, com as portas fechadas por temerem represália dos líderes judeus, pois se sentem sozinhos, sem a presença de Jesus. Acuado, o povo cristão não poderá promover a vitória da vida sobre a morte, pois, para que esta vitória ocorra é preciso coragem para enfrentar os desafios do mundo. Eles estão com medo, porque ainda não receberam o Espírito Jesus, e o medo é um freio que impede as ações de testemunharem o Cristo Ressuscitado.
Jesus vem ao encontro de seus apóstolos, e mesmo com as portas fechadas, Ele se põe diante deles, demonstrando que para Ele não existem barreiras que não possam ser vencidas, e lhes deseja a paz que os liberta da aflição e do medo. ”A paz esteja com vocês” é a mesma saudação que Ele usou na sua despedida (Jo. 14,27). É a saudação de um vencedor do mundo e da morte e, por isso, Ele pode comunicar a paz. É a saudação do Cordeiro que irá alimentar a comunidade.
A atitude de Jesus de mostrar-lhes as marcas da crucificação, por um lado é para que eles O reconheçam mas, por outro demonstra que a vitória da vida sobre a morte não apaga a crueldade da crucificação, mas fortalece os cristãos para que, com a alegria da vitória, possam assumir a missão maior que Jesus entregou a seu povo. Quem vai garantir a missão dos cristão é o Espírito Santo. Jesus soprou sobre eles o Seu Espírito, o sopro da vida nova que remete ao sopro de Javé quando criou o Homem. Aqui nasce uma nova comunidade.
De agora em diante,batizados no Espírito Santo, Jesus envia seus discípulos para a missão de dar continuidade ao Seu projeto de vida, projeto este que consiste em mostrar, através de palavras e, principalmente ações, que a vida ofertada por Jesus é a vida livre do pecado, pois o maior poder que Ele deixa à humanidade é o de perdoar. Mas, Jesus não os envia sozinhos. Todo aquele que aceita a missão de Jesus em sua vida, recebe Dele o Espírito Santo de Deus, um elo com o Pai, através do qual, todos compreendem os ensinamentos de Jesus e promovem ações de transformação da humanidade pelo Amor Divino.
Johan Konings "Liturgia dominical"


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O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.
O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas conseqüências.
Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.
Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
1ª leitura - AMBIENTE
Já vimos que o livro dos “Actos” não pretende ser uma reportagem jornalística de acontecimentos históricos, mas sim ajudar os cristãos – desiludidos porque o “Reino” não chega – a redescobrir o seu papel e a tomar consciência do compromisso que assumiram, no dia do seu batismo.
No que diz respeito ao texto que nos é proposto e que descreve os acontecimentos do dia do Pentecostes, não existem dúvidas de que é uma construção artificial, criada por Lucas com uma clara intenção teológica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre às imagens, aos símbolos, à linguagem poética das metáforas. Resta-nos decodificar os símbolos para chegarmos à interpelação essencial que a catequese primitiva, pela palavra de Lucas, nos deixa. Uma interpretação literal deste relato seria, portanto, uma boa forma de passarmos ao lado do essencial da mensagem; far-nos-ia reparar na roupagem exterior, no folclore, e ignorar o fundamental. Ora, o interesse fundamental do autor é apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que é assistida pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai.
MENSAGEM
Antes de mais, Lucas coloca a experiência do Espírito no dia de Pentecostes. O Pentecostes era uma festa judaica, celebrada cinqüenta dias após a Páscoa. Originariamente, era uma festa agrícola, na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo; mas, no séc. I, tornou-se a festa histórica que celebrava a aliança, o dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. Ao situar neste dia o dom do Espírito, Lucas sugere que o Espírito é a lei da nova aliança (pois é Ele que, no tempo da Igreja, dinamiza a vida dos crentes) e que, por Ele, se constitui a nova comunidade do Povo de Deus – a comunidade messiânica, que viverá da lei inscrita, pelo Espírito, no coração de cada discípulo (cf. Ez. 36,26-28)
Vem, depois, a narrativa da manifestação do Espírito (At. 2,2-4). O Espírito é apresentado como “a força de Deus”, através de dois símbolos: o vento de tempestade e o fogo. São os símbolos da revelação de Deus no Sinai, quando Deus deu ao Povo a Lei e constituiu Israel como Povo de Deus (cf. Ex. 19,16.18; Dt. 4,36). Estes símbolos evocam a força irresistível de Deus, que vem ao encontro do homem, comunica com o homem e que, dando ao homem o Espírito, constitui a comunidade de Deus.
O Espírito (força de Deus) é apresentado em forma de língua de fogo. A língua não é somente a expressão da identidade cultural de um grupo humano, mas é também a maneira de comunicar, de estabelecer laços duradouros entre as pessoas, de criar comunidade. “Falar outras línguas” é criar relações, é a possibilidade de superar o gueto, o egoísmo, a divisão, o racismo, a marginalização… Aqui, temos o reverso de Babel (cf. Gn. 11,1-9): lá, os homens escolheram o orgulho, a ambição desmedida que conduziu à separação e ao desentendimento; aqui, regressa-se à unidade, à relação, à construção de uma comunidade capaz do diálogo, do entendimento, da comunicação. É o surgimento de uma humanidade unida, não pela força, mas pela partilha da mesma experiência interior, fonte de liberdade, de comunhão, de amor. A comunidade messiânica é a comunidade onde a ação de Deus (pelo Espírito) modifica profundamente as relações humanas, levando à partilha, à relação, ao amor.
É neste enquadramento que devemos entender os efeitos da manifestação do Espírito (cf. At. 2,5-13): todos “os ouviam proclamar na sua própria língua as maravilhas de Deus”. O elenco dos povos convocados e unidos pelo Espírito atinge representantes de todo o mundo antigo, desde a Mesopotâmia, passando por Canaã, pela Ásia Menor, pelo norte de África, até Roma: a todos deve chegar a proposta libertadora de Jesus, que faz de todos os povos uma comunidade de amor e de partilha. A comunidade de Jesus é assim capacitada pelo Espírito para criar a nova humanidade, a anti-Babel. A possibilidade de ouvir na própria língua “as maravilhas de Deus” outra coisa não é do que a comunicação do Evangelho, que irá gerar uma comunidade universal. Sem deixarem a sua cultura e as suas diferenças, todos os povos escutarão a proposta de Jesus e terão a possibilidade de integrar a comunidade da salvação, onde se fala a mesma língua e onde todos poderão experimentar esse amor e essa comunhão que tornam povos tão diferentes, irmãos. O essencial passa a ser a experiência do amor que, no respeito pela liberdade e pelas diferenças, deve unir todas as nações da terra.
O Pentecostes dos “Actos” é, podemos dizê-lo, a página programática da Igreja e anuncia aquilo que será o resultado da ação das “testemunhas” de Jesus: a humanidade nova, a anti-Babel, nascida da ação do Espírito, onde todos serão capazes de comunicar e de se relacionar como irmãos, porque o Espírito reside no coração de todos como lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.
ATUALIZAÇÃO
• Temos, neste texto, os elementos essenciais que definem a Igreja: uma comunidade de irmãos reunidos por causa de Jesus, animada pelo Espírito do Senhor ressuscitado e que testemunha na história o projeto libertador de Jesus. Desse testemunho resulta a comunidade universal da salvação, que vive no amor e na partilha, apesar das diferenças culturais e étnicas. A Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Está reunida por causa de Jesus e à volta de Jesus? Tem consciência de que o Espírito está presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?
• Nunca será demais realçar o papel do Espírito na tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja… Antes do Pentecostes, tínhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limitações humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consciência de que é o Espírito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espaço à ação do Espírito, em nós e nas nossas comunidades?
• Para se tornar cristão, ninguém deve ser espoliado da própria cultura: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos são convidados, com as suas diferenças, a acolher esse projeto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte é esse espaço de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e são acolhidos com amor e com respeito – mesmo os de outras raças, mesmo aqueles de quem não gostamos, mesmo aqueles que não fazem parte do nosso círculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta?
2ª leitura - AMBIENTE
A comunidade cristã de Corinto era viva e fervorosa, mas não era uma comunidade exemplar no que diz respeito à vivência do amor e da fraternidade: os partidos, as divisões, as contendas e rivalidades perturbavam a comunhão e constituíam um contra-testemunho. As questões à volta dos “carismas” (dons especiais concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas ou grupos para proveito de todos) faziam-se sentir com especial acuidade: os detentores desses dons carismáticos consideravam-se os “escolhidos” de Deus, apresentavam-se como “iluminados” e assumiam com freqüência atitudes de autoritarismo e de prepotência que não favorecia a fraternidade e a liberdade; por outro lado, os que não tinham sido dotados destes dons eram desprezados e desclassificados, considerados quase como “cristãos de segunda”, sem vez nem voz na comunidade.
Paulo não pode ignorar esta situação. Na primeira carta aos Coríntios, ele corrige, admoesta, dá conselhos, mostra a incoerência destes comportamentos, incompatíveis com o Evangelho. No texto que nos é proposto, Paulo aborda a questão dos “carismas”.
MENSAGEM
Em primeiro lugar, Paulo acha que é preciso saber ajuizar da validade dos dons carismáticos, para que não se fale em “carismas” a propósito de comportamentos que pretendem apenas garantir os privilégios de certas figuras. Segundo Paulo, o verdadeiro “carisma” é o que leva a confessar que “Jesus é o Senhor” (pois não pode haver oposição entre Cristo e o Espírito) e que é útil para o bem da comunidade.
De resto, é preciso que os membros da comunidade tenham consciência de que, apesar da diversidade de dons espirituais, é o mesmo Espírito que atua em todos; que apesar da diversidade de funções, é o mesmo Senhor Jesus que está presente em todos; que apesar da diversidade de ações, é o mesmo Deus que age em todos. Não há, portanto, “cristãos de primeira” e “cristãos de segunda”. O que é importante é que os dons do Espírito resultem no bem de todos e sejam usados – não para melhorar a própria posição ou o próprio “ego” – mas para o bem de toda a comunidade.
Paulo conclui o seu raciocínio comparando a comunidade cristã a um “corpo” com muitos membros. Apesar da diversidade de membros e de funções, o “corpo” é um só. Em todos os membros circula a mesma vida, pois todos foram batizadas num só Espírito e “beberam” um único Espírito.
O Espírito é, pois, apresentado como Aquele que alimenta e que dá vida ao “corpo de Cristo”; dessa forma, Ele fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é o responsável pela unidade desses diversos membros que formam a comunidade.
ATUALIZAÇÃO
• Temos todos consciência de que somos membros de um único “corpo” – o corpo de Cristo – e é o mesmo Espírito que nos alimenta, embora desempenhemos funções diversas (não mais dignas ou mais importantes, mas diversas). No entanto, encontramos, com alguma freqüência, cristãos com uma consciência viva da sua superioridade e da sua situação “à parte” na comunidade (seja em razão da função que desempenham, seja em razão das suas “qualidades” humanas), que gostam de mandar e de fazer-se notar. Às vezes, vêem-se atitudes de prepotência e de autoritarismo por parte daqueles que se consideram depositários de dons especiais; às vezes, a Igreja continua a dar a impressão – mesmo após o Vaticano II – de ser uma pirâmide no topo da qual há uma elite que preside e toma as decisões e em cuja base está o rebanho silencioso, cuja função é obedecer. Isto faz algum sentido, à luz da doutrina que Paulo expõe?
• Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. As nossas comunidades são espaços de partilha fraterna, ou são campos de batalha onde se digladiam interesses próprios, atitudes egoístas, tentativas de afirmação pessoal?
• É preciso ter consciência da presença do Espírito: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consciência da presença do Espírito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indicações? Temos consciência de que, pelo fato de desempenharmos esta ou aquela função, não somos as únicas vozes autorizadas a falar em nome do Espírito?
Evangelho - AMBIENTE
Este texto situa-nos no cenáculo, no próprio dia da ressurreição. Apresenta-nos a comunidade da nova aliança, nascida da ação criadora e vivificadora do Messias. No entanto, esta comunidade ainda não se encontrou com Cristo ressuscitado e ainda não tomou consciência das implicações da ressurreição. É uma comunidade fechada, insegura, com medo… Necessita de fazer a experiência do Espírito; só depois, estará preparada para assumir a sua missão no mundo e dar testemunho do projeto libertador de Jesus.
Nos “Atos”, Lucas narra a descida do Espírito sobre os discípulos no dia do Pentecostes, cinqüenta dias após a Páscoa (sem dúvida por razões teológicas e para fazer coincidir a descida do Espírito com a festa judaica do Pentecostes, a festa do dom da Lei e da constituição do Povo de Deus); mas João situa no anoitecer do dia de Páscoa a recepção do Espírito pelos discípulos.
MENSAGEM
João começa por pôr em relevo a situação da comunidade. O “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo” (v. 19a), são o quadro que reproduz a situação de uma comunidade desamparada no meio de um ambiente hostil e, portanto, desorientada e insegura. É uma comunidade que perdeu as suas referências e a sua identidade e que não sabe, agora, a que se agarrar.
Entretanto, Jesus aparece “no meio deles” (vers. 19b). João indica desta forma que os discípulos, fazendo a experiência do encontro com Jesus ressuscitado, redescobriram o seu centro, o seu ponto de referência, a coordenada fundamental à volta do qual a comunidade se constrói e toma consciência da sua identidade. A comunidade cristã só existe de forma consistente se está centrada em Jesus ressuscitado.
Jesus começa por saudá-los, desejando-lhes “a paz” (“shalom”, em hebraico). A “paz” é um dom messiânico; mas, neste contexto, significa, sobretudo, a transmissão da serenidade, da tranqüilidade, da confiança que permitirão aos discípulos superar o medo e a insegurança: a partir de agora, nem o sofrimento, nem a morte, nem a hostilidade do mundo poderão derrotar os discípulos, porque Jesus ressuscitado está “no meio deles”.
Em seguida, Jesus “mostrou-lhes as mãos e o lado”. São os “sinais” que evocam a entrega de Jesus, o amor total expresso na cruz. É nesses “sinais” (na entrega da vida, no amor oferecido até à última gota de sangue) que os discípulos reconhecem Jesus. O fato de esses “sinais” permanecerem no ressuscitado, indica que Jesus será, de forma permanente, o Messias cujo amor se derramará sobre os discípulos e cuja entrega alimentará a comunidade.
Vem, depois, a comunicação do Espírito. O gesto de Jesus de soprar sobre os discípulos reproduz o gesto de Deus ao comunicar a vida ao homem de argila (João utiliza, aqui, precisamente o mesmo verbo do texto grego de Gn. 2,7). Com o “sopro” de Deus de Gn. 2,7, o homem tornou-se um “ser vivente”; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova e faz nascer o Homem Novo. Agora, os discípulos possuem a vida em plenitude e estão capacitados – como Jesus – para fazerem da sua vida um dom de amor aos homens. Animados pelo Espírito, eles formam a comunidade da nova aliança e são chamados a testemunhar – com gestos e com palavras – o amor de Jesus.
Finalmente, Jesus explicita qual a missão dos discípulos (v. 23): a eliminação do pecado. As palavras de Jesus não significam que os discípulos possam ou não – conforme os seus interesses ou a sua disposição – perdoar os pecados. Significam, apenas, que os discípulos são chamados a testemunhar no mundo essa vida que o Pai quer oferecer a todos os homens. Quem aceitar essa proposta será integrado na comunidade de Jesus; quem não a aceitar, continuará a percorrer caminhos de egoísmo e de morte (isto é, de pecado). A comunidade, animada pelo Espírito, será a mediadora desta oferta de salvação.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos à aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? É com Ele que nos identificamos, ou é num qualquer ídolo de pés de barro que procuramos a nossa identidade? Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes?
• Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos “sinais” que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os “sinais” do amor de Jesus?
• As comunidades construídas à volta de Jesus são animadas pelo Espírito. O Espírito é esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o egoísmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em serviço simples e humilde… É Ele que nos faz vencer os medos, superar as cobardias e fracassos, derrotar o cepticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a audácia profética, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo. É preciso ter consciência da presença contínua do Espírito em nós e nas nossas comunidades e estar atentos aos seus apelos, às suas indicações, aos seus questionamentos.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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A vinda do Espírito Santo
I. O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que habita em nós. Aleluia1.
Pentecostes era uma das três grandes festas judaicas; muitos israelitas iam nesses dias em peregrinação a Jerusalém, para adorar a Deus no Templo. A origem da festa remontava a uma antiquíssima celebração em que se davam graças a Deus pela safra do ano, em vésperas de ser colhida. Depois acrescentou-se a essa comemoração, que se celebrava cinqüenta dias depois da Páscoa, a da promulgação da Lei dada por Deus no monte Sinai. Por desígnio divino, a colheita material que os judeus festejavam com tanto júbilo converteu-se, na Nova Aliança, numa festa de imensa alegria: a vinda do Espírito Santo com todos os seus dons e frutos.
Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos juntos num mesmo lugar. E sobreveio de repente um ruído do céu, como de um vento impetuoso, que encheu toda a casa em que se encontravam2. O Espírito Santo manifestou-se por meio dos elementos que costumavam acompanhar a presença de Deus no Antigo Testamento: o vento e o fogo3.
O fogo aparece na Sagrada Escritura como imagem do amor que penetra todas as coisas e como elemento purificador4. É uma imagem que nos ajuda a compreender melhor a ação que o Espírito Santo realiza nas almas: Ure igneSancti Spiritus renes nostros et cor nostrumDomine... Purificai, Senhor, com o fogo do Espírito Santo as nossas entranhas e o nosso coração...
O fogo também produz luz, e significa o novo resplendor com que o Espírito Santo faz compreender a doutrina de Jesus Cristo. Quando vier o Espírito de verdade, guiar-vos-á para a verdade completa... Ele me glorificará, porque tomará do que é meu e vo-lo dará a conhecer5. Numa ocasião anterior, Jesus havia comunicado aos seus: O Advogado, o Espírito Santo... vos ensinará tudo e vos trará à memória tudo quanto eu vos disse6. É Ele quem nos conduz à plena compreensão da verdade ensinada por Cristo: “Tendo enviado finalmente o Espírito de verdade, completou, culminou e confirmou a revelação com o testemunho divino” (7).
No Antigo Testamento, a obra do Espírito Santo é freqüentemente sugerida pela palavra “sopro”, a fim de exprimir ao mesmo tempo a delicadeza e a força do amor divino. Não há nada mais sutil que o vento, que penetra por toda a parte, que parece até percorrer os corpos inanimados e dar-lhes vida própria. O vento impetuoso do dia de Pentecostes exprime a nova força com que o Amor divino irrompe na Igreja e nas almas.
São Pedro, diante da multidão de pessoas que se encontravam nas imediações do Cenáculo, fez-lhes ver que se estava cumprindo o que fora anunciado pelos Profetas8: E sucederá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne... (9) Os que receberem a efusão do Espírito não serão já uns poucos privilegiados, como os companheiros de Moisés (10), ou como os Profetas, mas todos os homens, na medida em que se abrirem a Cristo (11). A ação do Espírito Santo deve ter produzido tal assombro nos discípulos e nos que os escutavam que todos estavam fora de si, cheios de amor e de alegria.
II. A vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes não foi um acontecimento isolado na vida da Igreja. O Paráclito santifica-a continuamente, como também santifica cada alma, através das inúmeras inspirações que se escondem em “todos os atrativos, movimentos, censuras e remorsos interiores, luzes e conhecimentos que Deus produz em nós, prevenindo o nosso coração com as suas bênçãos, pelo seu cuidado e amor paternal, a fim de nos despertar, mover, estimular e atrair para as santas virtudes, para o amor celestial, para as boas resoluções, para tudo aquilo que, numa palavra, nos conduz à nossa vida eterna” (12). A sua ação na alma é “suave e aprazível [...]; Ele vem salvar, curar, iluminar” (13).
No dia de Pentecostes, os Apóstolos foram robustecidos na sua missão de testemunhas de Jesus, a fim de anunciarem a Boa Nova a todos os povos. Mas não somente eles: todos os que crerem nEle terão o doce dever de anunciar que Cristo morreu e ressuscitou para nossa salvação. E sucederá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas, e os vossos jovens verão visões, e os vossos anciãos sonharão sonhos. E sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei o meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão14. Assim pregou São Pedro na manhã de Pentecostes, que inaugurava a época dos últimos dias, os dias em que o Espírito Santo foi derramado de uma maneira nova sobre aqueles que crêem que Jesus é o Filho de Deus e põem em prática a sua doutrina.
Todos os cristãos têm desde então a missão de anunciar, de cantar as magnalia Dei (15), as maravilhas que Deus fez no seu Filho e em todos aqueles que crêem nEle. Somos agora um povo santo para publicar as grandezas dAquele que nos transferiu das trevas para a sua luz admirável (16).
Ao compreendermos a grandeza da nossa missão, compreendemos também que ela depende da nossa correspondência às moções do Espírito Santo, e sentimo-nos necessitados de pedir-lhe freqüentemente que lave o que está manchado, regue o que está seco, cure o que está doente, acenda o que está morno, retifique o que está torcido17. Porque sabemos bem que no nosso interior há manchas, e partes que não dão todo o fruto que deveriam porque estão secas, e partes doentes, e tibieza, e também pequenos desvios, que é necessário retificar.
III. Para sermos mais fiéis às constantes moções e inspirações do Espírito Santo na nossa alma, “podemos atentar para três realidades fundamentais: docilidade [...], vida de oração e união com a Cruz.
Em primeiro lugar, docilidade, “porque é o Espírito Santo quem, com suas inspirações, vai dando tom sobrenatural aos nossos pensamentos, desejos e obras. É Ele quem nos impele a aderir à doutrina de Cristo e a assimilá-la com profundidade; quem nos dá luz para tomarmos consciência da nossa vocação pessoal e força para realizarmos tudo o que Deus espera de nós”18.
O Paráclito atua sem cessar na nossa alma: não dizemos uma só jaculatória se o Espírito Santo não nos move a dize-la (19), como nos mostra São Paulo na segunda leitura da Missa. Ele está presente e inspira-nos quando lemos o Evangelho, quando oramos, quando descobrimos uma luz nova num conselho recebido, quando meditamos uma verdade de fé que talvez já tivéssemos considerado antes muitas vezes. Percebemos que essa luz não depende da nossa vontade. Não é coisa nossa, mas de Deus. É o Espírito Santo quem nos move suavemente a abeirar-nos do sacramento da Penitência, a levantar o coração a Deus num momento inesperado, a realizar uma boa obra. É Ele quem nos sugere um pequeno sacrifício ou nos faz encontrar a palavra adequada que anima uma pessoa a ser melhor.
Vida de oração, “porque a entrega, a obediência, a mansidão do cristão nascem do amor e para o amor se orientam.E o amor leva à vida de relação, à conversa assídua [...]. A vida cristã requer um diálogo constante com Deus Uno e Trino, e é a essa intimidade que o Espírito Santo nos conduz [...]. Acostumemo-nos a procurar o convívio com o Espírito Santo, que é quem nos há de santificar; a confiar nEle, a pedir a sua ajuda, a senti-lo perto de nós. Assim se irá dilatando o nosso pobre coração, teremos mais ânsias de amar a Deus e, por Ele, a todas as criaturas” (20).
União com a Cruz, “porque na vida de Cristo, o Calvário precedeu a Ressurreição e o Pentecostes, e esse mesmo processo se deve reproduzir na vida de cada cristão [...]. O Espírito Santo é fruto da Cruz, da entrega total a Deus, da procura exclusiva da sua glória e da completa renúncia a nós mesmos” (21).
Podemos terminar a nossa oração fazendo nossas as súplicas contidas no hino que se canta na Seqüência da Missa deste dia de Pentecostes: Vinde, Espírito Santo, e enviai do céu um raio da vossa luz. Vinde, Pai dos pobres; vinde, doador de graças; vinde, luz dos corações. Consolo ótimo, doce hóspede da alma, doce refrigério, vinde! Vós sois descanso no trabalho, na aflição remanso, no pranto consolo. Ó luz santíssima, enchei o mais íntimo do coração dos vossos fiéis [...]. Dai aos vossos fiéis, que em Vós confiam, os vossos sete dons. Dai-lhes o mérito da virtude, dai-lhes o porto da salvação, dai-lhes a eterna alegria (22).
Para chegarmos a um convívio mais íntimo com o Espírito Santo, nada tão eficaz como aproximar-nos de Santa Maria, que soube secundar como ninguém as inspirações do Espírito Santo. Os Apóstolos, antes do dia de Pentecostes, perseveravam unânimes na oração, com algumas mulheres e com Maria, a Mãe de Jesus (23).
Francisco Fernández-Carvajal
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quarta-feira, 13 de maio de 2015

ASCENSÃO

ASCENSÃO DO SENHOR

Evangelho - Mc 16,15-20


17 de Maio de 2015
Ano   B

-ASCENSÃO-José Salviano


         Durante quarenta dias após a sua ressurreição, Jesus se  MOSTROU VIVO por várias vezes aos amigos e às pessoas desconhecidas.  Jesus recomenda aos apóstolos para não se afastarem de Jerusalém, pois Ele irá enviar o BATISMO DO FOGO DO ESPÍRITO SANTO  em breve. E através desse BATISMO especial, Jesus promete que os apóstolos iriam receber o PODER DO ESPÍRITO SANTO, o qual desceria sobre eles, para que tivessem toda força e coragem necessária para testemunhar a pessoa do Filho de Deus,  Jesus Cristo.  Continua

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“IDE PELO MUNDO INTEIRO E ANUNCIAI O EVANGELHO A TODA CRIATURA!” – Olívia Coutinho


DOMINGO - ASCENSÃO DO SENHOR

 

Dia 17 de Maio de 2015

 

Evangelho Mc16,15-20

 

Celebramos hoje, a ascensão do Senhor, a plenitude da Páscoa!
Contemplando a ascensão do Senhor, estamos também nos preparando para a grande festa litúrgica de Pentecostes: a vinda do Espírito Santo! Espírito Santo, que já está no meio de nós, mas que nem sempre percebemos a sua ação no mundo.

O momento é propício para refletirmos sobre  a importância do nosso batismo, ocasião em que recebemos o Espírito Santo, é o Espírito Santo que nos insere na comunidade cristã! 

A vitória de Jesus, que é também a nossa vitória, começa na ressurreição e se concretiza na ascensão! Viver esta verdade, é vivenciar já aqui na terra, as alegrias do céu, o que não significa ignorar os problemas existentes aqui na terra, afinal, não é olhando para o alto que vamos encontrar Jesus, e sim, olhando para a nossa realidade terrena, para os rostos desfigurados de tantos irmãos excluídos.

Ao contrário da sua morte, a ascensão de Jesus, ou seja, a subida de Jesus ao céu, não foi vista pelos discípulos como uma separação, pelo contrário, foi a partir de então, que eles passaram a sentir a presença de Jesus mais forte ainda,  graças a presença  do espírito Santo neles.

A todo instante, somos beneficiados pelos frutos da ascensão do Senhor, a grande riqueza que nos foi conquistada por Jesus: a presença contínua do Espírito Santo em nós!  O Espírito Santo é o sopro vital que nos reanima, que nos revigora, que coloca um brilho novo nos nossos olhos!

“Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura!” Esta, foi a convocação que Jesus fez aos primeiros discípulos antes de sua volta para o Pai!  A partir desta convocação, abriram-se as cortinas de uma nova era, sinalizando os primeiros passos da igreja missionária, a Igreja que vai ao encontro do povo!

Através dos discípulos, o anuncio do Reino, espalhou por todo o universo, como fagulhas de fogo, incendiando o coração da humanidade com a presença viva do Cristo libertador, o Deus Filho, que mudou o rumo da nossa história, que nos tirou da solidão das trevas, replantando em nossos corações a semente da esperança! Graças ao testemunho dos discípulos, Jesus ficou conhecido em todos os rincões da terra! Testemunho, que continuou com os discípulos de todas as gerações e que continua através de nós, discípulos de hoje!  

Hoje, somos nós, os responsáveis pela propagação deste anúncio, é urgente a necessidade de fazer chegar a outros corações, a proposta de um Reino de paz, de amor e de justiça implantado por Jesus aqui na terra! Como seguidores de Jesus,  não podemos deixar que  irmãos nossos, sejam privados da alegria de vivenciar a presença do Cristo Ressuscitado em suas vidas!

“Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado.” Eis ai, a responsabilidade de quem assume o compromisso de anunciar o Reino de Deus, pois é a partir deste anuncio, que muitos irmãos  terão a oportunidade de conhecer o caminho da salvação!

Antes, pensávamos que a missão de anunciar o Reino de Deus, era somente dos padres, bispos, religiosos, hoje, nós sabemos que é missão de todo batizado! A partir do nosso batismo, estaremos aptos  para a assumir o compromisso de anunciadores da Boa Nova do Reino! Não precisamos partir para terras estrangeiras como fizeram os primeiros discípulos, podemos anunciá-lo no meio em que vivemos! E mesmo quando pensamos não ter sabedoria suficiente para anunciá-lo com palavras, podemos fazer Jesus chegar ao outro, com o nosso testemunho de vida!

O anuncio do reino, só produzirá frutos, quando feito através do nosso mergulho na profundidade do amor do Pai, só quem vive fundamentado neste amor, tem meios pra fazer Jesus chegar ao outro!

Entre a solenidade da ascensão e Pentecostes a Igreja convida-nos a celebrar a semana da unidade dos cristãos. Participar deste mutirão em favor da unidade,  é apostar na diversidade e não na adversidade, é tornar possível, viver a unidade na diversidade! 
Mesmo na diversidade, todos nós  pertencemos ao corpo de Jesus, a  uma só família: a família de Deus: PAI, FILHO, ESPÍRITO SANTO.

FIQUE NA PAZ DE JESUS!

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Hoje, celebramos o mistério da Ascensão do Senhor. É mistério porque brota do coração de Deus, é mistério porque ultrapassa tudo quanto possamos imaginar, é mistério porque nos dá a vida eterna.
A hodierna solenidade é uma só com a do dia de Páscoa: Aquele que admiramos ressuscitado em glória na Ressurreição, hoje, contemplamo-lo à direita de Deus, com a mesma autoridade do Pai, e o proclamamos Cabeça da Igreja, Senhor sobre toda a criação, sobre toda a humanidade, princípio e fim da história humana e Juiz dos vivos e dos mortos. No dia da Páscoa contemplamos o Cristo resplendente de Glória; na Festa de hoje, contemplamos o que essa glória significa para nós todos.
Primeiramente, a Ascensão do Senhor nos faz compreender com o coração que o Cristo que por nós se fez homem, como um de nós viveu e por nós morreu, ele mesmo, agora, com a sua humanidade glorificada, está à Direita do Pai. Isto é admirável: um da nossa raça, o homem Jesus, participa agora do mesmo poder divino, acima de todas as criaturas. Que mistério: nele, a nossa humanidade está totalmente glorificada! Como dizia a oração inicial desta santa missa, “a Ascensão do Filho já é a nossa vitória” porque nós, enxertados nele, a ele unidos no batismo e na eucaristia, somos membros do seu Corpo, que é a Igreja; e sabemos: onde já está a nossa Cabeça, estaremos também nós um dia! Como diz a segunda leitura da missa de hoje, chegaremos “todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude”. Vede, portanto, que destino a festa deste hoje nos revela: chegar à estatura do Cristo em sua plenitude! Nada menos que isso pode saciar o coração humano; nada menos que isso pode nos contentar, pode nos dar paz! Olhemos para o Cristo glorioso à direita do Pai e veremos a que somos chamados... Contemplai, pois o nosso destino! Pensai que miséria a do nosso mundo, que vive de bagatelas, empenha todo o seu afeto com futilidades e procura alegria e plenitude no que é efêmero! Tanto maior a grandeza que contemplamos em Cristo, mais deveria nos espantar a ilusão e alienação do mundo atual! Recordai, caros, a exortação do apóstolo: “Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai Às coisas celestes e não às coisas terrestres. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl. 3,1-4).
Em segundo lugar, sentado como Senhor à Direita do Pai, Jesus é o Senhor do universo e de toda a história. Vede a criação! Pensai nas galáxias, recordai as estrelas, imaginai a riqueza de vida nas profundezas do mar, pensai ainda na sede de infinito do coração humano... De tudo isso Cristo é Senhor; tudo caminha para ele, ele é a Finalidade de tudo... também da história humana. Por mais que o homem pecador trame contra Cristo, por mais que o mundo hodierno volte suas costas ao Senhorio do Ressuscitado, tudo caminha para ele e ele triunfará ao fim de tudo – ele é o alfa e o ômega, o A e o Z, o Princípio e o Fim de todas as coisas!
Por tudo isso, ele é o Juiz de tudo quanto existe. Terá valido a pena, terá sentido, o que estiver sob o seu senhorio de paz, de amor, de vida, de justiça e de santidade. Tudo quanto não condisser com o seu reinado perecerá, passará, pois não servirá para mais nada a não ser para ser jogado fora e pisado pelos homens.
Mais ainda: o Senhor Jesus, hoje no mais alto dos céus, é Cabeça da Igreja. Aquele que é o Unigênito de Deus, pela sua ressurreição e pelo dom do seu Espírito, tornou-se o Primogênito de muitos irmãos, Cabeça do seu Corpo, que é a Igreja. O Cristo pleno de glória que está nos céus, é nossa cabeça e dele continuamos recebendo a vida, que é o próprio Espírito Santo. Esta vida vem-nos sobretudo nos sacramentos, especialmente da Eucaristia, na qual recebemos o Cristo morto e ressuscitado, pleno do Santo Espírito, Senhor que dá a vida. Olhando para Aquele que está à direita do Pai e é nossa Cabeça e Princípio, como não nos alegrar? Como não nos encher de esperança? Como não ter a certeza que nossa vida caminha para a Plenitude? Não estamos sozinhos! A Igreja jamais estará sozinha – seu Senhor é o mesmo que está à direita do Pai; seu Esposo e Cabeça é o rei da Glória!
Por fim a festa de hoje - que, de certo modo já nos prepara para o encerramento do tempo da Páscoa, com o Pentecostes, no próximo domingo - a festa de hoje nos convida a colocar os pés nas estradas do mundo - na nossa família, no nosso trabalho, entre os nossos amigos, na vida social... pés nas estradas do mundo para proclamar o senhorio de Cristo. Lembrai-vos hoje da sua promessa, lembrai-vos da sua missão: “Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas até os confins da terra!” Coragem, pois, caríssimos! Se conhecermos Jesus de verdade, se o experimentarmos realmente na nossa vida, se crermos na sua glória e esperarmos com todo nosso coração participar dela, seremos, então, suas testemunhas e nossa convicção, nosso amor e nossa esperança invencível contagiarão a muitos.
Portanto, “homens da Galiléia, por que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus há de voltar, do mesmo modo que o vistes subir!” Façamos, pois, como nossos irmãos das origens que saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam”.
dom Henrique Soares da Costa
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A solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, a comunhão com Deus. Sugere também que Jesus nos deixou o testemunho e que somos nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.
No Evangelho, Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, ajuda-os a vencer a desilusão e o comodismo e envia-os em missão, como testemunhas do projeto de salvação de Deus. De junto do Pai, Jesus continuará a acompanhar os discípulos e, através deles, a oferecer aos homens a vida nova e definitiva.
Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projeto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus - a mesma vida que espera todos os que percorrem o mesmo "caminho" que Jesus percorreu. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar a olhar para o céu, numa passividade alienante; mas têm de ir para o meio dos homens continuar o projeto de Jesus.
A segunda leitura convida os discípulos a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa "esperança" de mãos dadas com os irmãos - membros do mesmo "corpo" - e em comunhão com Cristo, a "cabeça" desse "corpo". Cristo reside no seu "corpo" que é a Igreja; e é nela que se torna hoje presente no meio dos homens.
1ª leitura- At. 1,1-11 - AMBIENTE
O livro dos "Atos dos apóstolos" dirige-se a comunidades que vivem num certo contexto de crise. Estamos na década de 80, cerca de cinquenta anos após a morte de Jesus. Passou já a fase da expectativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o "Reino" e há uma certa desilusão. As questões doutrinais trazem alguma confusão; a monotonia favorece uma vida cristã pouco comprometida e as comunidades instalam-se na mediocridade; falta o entusiasmo e o empenho do quadro geral é o de um certo sentimento de frustração, porque o mundo continua igual e a esperada intervenção vitoriosa de Deus continua adiada. Quando vai concretizar-¬se, de forma plena e inequívoca, o projeto salvador de Deus?
É neste ambiente que podemos inserir o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura. Nele, o catequista Lucas avisa que o projeto de salvação e de libertação que Jesus veio apresentar passou (após a ida de Jesus para junto do Pai) para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito. A construção do "Reino" é uma tarefa que não está terminada, mas que é preciso concretizar na história, e exige o empenho contínuo de todos os crentes. Os cristãos são convidados a redescobrir o seu papel, no sentido de testemunhar o projeto de Deus, na fidelidade ao "caminho" que Jesus percorreu.
MENSAGEM
O nosso texto começa com um prólogo (vs. 1-2) que relaciona os "Atos" com o 3 Evangelho - quer na referência ao mesmo Teófilo a quem o Evangelho era dedicado, quer na alusão a Jesus, aos seus ensinamentos e à sua ação no mundo (tema central do 3° Evangelho). Neste prólogo são também apresentados os protagonistas do livro - o Espírito Santo e os apóstolos, vinculados com Jesus.
Depois da apresentação inicial, vem o tema da despedida de Jesus (vs. 3-8). O autor começa por fazer referência aos "quarenta dias" que mediaram entre a ressurreição e a ascensão, durante os quais Jesus falou aos discípulos "a respeito do Reino de Deus" (o que parece estar em contradição com o Evangelho, onde a ressurreição e a ascensão são apresentados no próprio dia de Páscoa - cf. Lc 24). O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre. Aqui define, portanto, o tempo simbólico de iniciação ao ensinamento do Ressuscitado.
As palavras de despedida de Jesus (vs. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar "até aos confins do mundo". Temos resumida aqui a experiência missionária da comunidade de Lucas: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo, desde Jerusalém a Roma. Na realidade, trata-se do programa que Lucas vai apresentar ao longo do livro, posto na boca de Jesus ressuscitado. O autor quer mostrar com a sua obra que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito.
o último tema é o da ascensão (vs. 9-11). Evidentemente, esta passagem necessita de ser interpretada para que, através da roupagem dos símbolos, a mensagem apareça com toda a claridade.
Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu (v. 9a). Não estamos a falar de uma pessoa que, literalmente, descola da terra e começa a elevar-se; estamos a falar de um sentido teológico (não é o "repórter", mas sim o "teólogo" a falar): a ascensão é uma forma de expressar simbolicamente que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai.
Temos, depois, a nuvem (v. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra, a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do divino (cf. Ex. 13,21.22; 14,19.24; 24,15b-18; 40,34-38). Ao mesmo tempo, simultaneamente esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, luz e sombra, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos.
Temos ainda os discípulos a olhar para o céu (v. 10a). Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projeto de libertação do homem e do mundo.
Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (v. 10b). O branco sugere o mundo de Deus, o que indica que o seu testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar, na história, a obra de Jesus, embora com a esperança posta na segunda e definitiva vinda do Senhor.
O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o "caminho" de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.
ATUALIZAÇÃO
+ A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos, antes de mais, que uma vida vivida na fidelidade aos projetos do Pai é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo "caminho" de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.
+ A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens nossos irmãos. É essa a atitude que tem marcado a caminhada histórica da Igreja? Ela tem sido fiel à missão que Jesus, ao deixar este mundo, lhe confiou?
+ O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia?
Qual o real impacto desse testemunho na nossa família, no local onde desenvolvemos a nossa atividade profissional, na nossa comunidade cristã ou religiosa?
+ É relativamente frequente ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus gostam mais de olhar para o céu do que se comprometerem na transformação da terra. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e às angústias dos homens, ou vivemos de olhos postos no céu, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquietações, pelas misérias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperanças que enchem o coração dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solidários com todos os homens, particularmente com aqueles que sofrem?
2ª leitura - Ef. 1,17-23 – AMBIENTE
A carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma "carta circular" enviada a várias igrejas da Ásia Menor, numa altura em que Paulo está na prisão (em Roma?). Q seu portador é um tal Tíquico. Estamos por volta dos anos 58/60.
Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada no oriente.
Em concreto, o texto que nos é proposto aparece na primeira parte da carta e faz parte de uma ação de graças, na qual Paulo agradece a Deus pela fé dos efésios e pela caridade que eles manifestam para com todos os irmãos na fé.
MENSAGEM
À ação de graças, Paulo une uma fervorosa oração a Deus, para que os destinatários da carta conheçam "a esperança a que foram chamados" (v. 18). A prova de que o Pai tem poder para realizar essa "esperança" (isto é, conferir aos crentes a vida eterna como herança) é o que Ele fez com Jesus Cristo: ressuscitou-Q e sentou-Q à sua direita (v. 20), exaltou-Q e deu-Lhe a soberania sobre todos os poderes angélicos (Paulo está preocupado com a perigosa tendência de alguns cristãos em dar uma importância exagerada aos anjos, colocando-os até acima de Cristo - cf. Co. 1,6). Essa soberania estende-se, inclusive, à Igreja - o "corpo" do qual Cristo é a "cabeça". Q mais significativo deste texto é, precisamente, este último desenvolvimento. A ideia de que a comunidade cristã é um "corpo" - o "corpo de Cristo" - formado por muitos membros, já havia aparecido nas "grandes cartas", acentuando-se, sobretudo, a relação dos vários membros do "corpo" entre si (cf. 1Cor. 6,12-20; 10,16-17; 12,12-27; Rm. 12,3-8); mas, nas "cartas do cativeiro", Paulo retoma a noção de "corpo de Cristo" para refletir sobre a relação que existe entre a comunidade e Cristo.
Neste texto, em concreto, há dois conceitos muito significativos para definir o quadro da relação entre Cristo e a Igreja: o de "cabeça" e o de "plenitude" (em grego, "pleroma").
Dizer que Cristo é a "cabeça" da Igreja significa, antes de mais, que os dois formam uma comunidade indissolúvel e que há entre os dois uma comunhão total de vida e de destino; significa também que Cristo é o centro à volta do qual o "corpo" se articula, a partir do qual e em direção ao qual o "corpo" cresce, se orienta e constrói, a origem e o fim desse "corpo"; significa ainda que a Igreja/corpo está submetida à obediência a Cristo/cabeça: só de Cristo a Igreja depende e só a Ele deve obediência.
Dizer que a Igreja é a "plenitude" ("pleroma") de Cristo significa dizer que nela reside a "plenitude", a "totalidade" de Cristo. Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse "corpo" onde reside, que Cristo continua todos os dias a realizar o seu projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse "corpo", Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo "seja tudo em todos" (v. 23).
ATUALIZAÇÃO
+ Na nossa peregrinação pelo mundo, convém termos sempre presente "a esperança a que fomos chamados". A ressurreição/ascensão/glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação. Formamos com Ele um "corpo" destinado à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançar - apesar das dificuldades - nesse "caminho" do amor e da entrega total que Cristo percorreu.
+ Dizer que fazemos parte do "corpo de Cristo" significa que devemos viver numa comunhão total com Ele e que nessa comunhão recebemos, a cada instante, a vida que nos alimenta. Significa também viver em comunhão, em solidariedade total com todos os nossos irmãos, membros do mesmo "corpo", alimentados pela mesma vida. Estas duas coordenadas estão presentes na nossa existência?
+ Dizer que a Igreja é o "pleroma" de Cristo significa que temos a obrigação de testemunhar Cristo, de torná-l'O presente no mundo, de levar à plenitude o projeto de libertação que Ele começou em favor dos homens. Essa tarefa só estará acabada quando, pelo testemunho e pela ação dos crentes, Cristo for "um em todos".
(Nota: em vez desta leitura, pode-se escolher a seguinte leitura facultativa: Ef 4,1-13)
Evangelho - Mc. 16,15-20 – AMBIENTE
A perícope de Mc. 16,9-20 distingue-se, no conjunto do Evangelho segundo Marcos, por se apresentar com um estilo e com vocabulário muito diferentes do resto do texto. Aliás, os manuscritos mais importantes e mais antigos que conservaram este Evangelho concluíam o texto de Marcos em 16,8, com o medo das mulheres que, na manhã de Páscoa, encontraram o túmulo vazio. Provavelmente, foi assim que Marcos terminou o seu Evangelho, dando-lhe um final "aberto" e como que convidando o leitor a completar o relato com a sua própria experiência pessoal de seguimento de Jesus, superando o medo, "vendo" Jesus e dando testemunho d'Ele.
No entanto, este final pareceu deixar insatisfeitos os leitores de Marcos e apareceram várias tentativas de dar ao Evangelho segundo Marcos um final mais satisfatório. Algumas dessas tentativas estão, aliás, atestadas em diversos documentos antigos que nos transmitiram o texto do segundo Evangelho. De entre os diversos ''finais'' que apareceram, houve um que se impôs aos outros. Trata-se de um texto de meados do séc. II, que apresenta um resumo das aparições de Jesus ressuscitado contadas por outros evangelistas. Embora tardio e não redigido por Marcos, este "final" é, contudo, parte integrante da Escritura Sagrada. A Igreja reconhece-o como canônico, como inspirado por Deus e como Palavra de Deus.
O texto que nos é proposto é parte da perícope em causa. Os elementos apresentados no texto são pequenos resumos de relatos feitos por outros evangelistas. Assim, a aparição de Jesus ressuscitado aos Onze depende de Lc. 24,36-43 e de Jo 20,19-29; a definição da missão dos apóstolos depende de Mt. 28,16- 20 e de Lc. 24,44-49; o relato da Ascensão depende de Lc. 24,50-53 e de At. 1,4-11.
O quadro traçado pelo autor da perícope apresenta os discípulos a reagir de uma forma muito negativa ao fato de Jesus já não estar com eles. Na manhã da ressurreição, eles estavam "em luto e em pranto" (Mc 16,10); depois, receberam o testemunho das mulheres que encontraram Jesus ressuscitado, com incredulidade e com um coração obstinado (cf. Mc 16,14). Num caso e noutro, negam-se a ir em frente e a continuar a aventura que começaram com Jesus. Têm medo de arriscar e preferem ficar comodamente instalados a "lamber as feridas". É o anti-seguimento eD encontro com Jesus ressuscitado vai, porém, obrigá-los a sair do seu letargo e a assumir os seus compromissos e responsabilidades, como membros da comunidade do Reino.
MENSAGEM
A questão central abordada no nosso texto é a do papel dos discípulos no mundo, após a partida de Jesus ao encontro do Pai. O texto consta de três cenas: Jesus ressuscitado define a missão dos discípulos; Jesus parte ao encontro do Pai; os discípulos partem ao encontro do mundo, a fim de concretizar a missão que Jesus lhes confiou.
Na primeira cena (vs. 15-18), Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, acorda-os da letargia em que se tinham instalado e define a missão que, doravante, eles serão chamados a desempenhar no mundo
A primeira nota do envio e do mandato que Jesus dá aos discípulos é a da universalidade DA missão dos discípulos destina-se a "todo o mundo" e não deverá deter-se diante de barreiras rácicas, geográficas ou culturais. A proposta de salvação que Jesus fez e que os discípulos devem testemunhar destina-se a toda a terra. Depois, Jesus define o conteúdo do anúncio: o "Evangelho". O que é o "Evangelho"? No Antigo Testamento (sobretudo no Deutero-Isaías e no Trito-Isaías), a palavra "evangelho" está ligada à "boa notícia" da chegada da salvação para o Povo de Deus. Depois, na boca de Jesus, a palavra "Evangelho" designa o anúncio de que o "Reino de Deus" chegou à vida dos homens, trazendo-lhes a paz, a libertação, a felicidade. Para os catequistas das primeiras comunidades cristãs, o "Evangelho" é o anúncio de um acontecimento único, capital, fundamental: em Jesus Cristo, Deus veio ao encontro dos homens, manifestou-lhes o seu amor, inseriu-os na sua família, convidou-os a integrar a comunidade do Reino, ofereceu-lhes a vida definitiva. Tal é o único e exclusivo "evangelho", a "boa notícia" que muda o curso da história e que transforma o sentido e os horizontes da existência humana.
O anúncio do "Evangelho" obriga os homens a uma opção. Quem aderir à proposta que Jesus faz, chegará à vida plena e definitiva ("quem acreditar e for batizado será salvo"); mas quem recusar essa proposta, ficará à margem da salvação ("quem não acreditar será condenado" - v. 16).
O anúncio do Evangelho que os discípulos são chamados a fazer vai atingir não só os homens, mas "toda a criatura". Muitas vezes o homem, guiado por critérios de egoísmo, de cobiça e de lucro, explora a criação, destrói esse mundo "bom" e harmonioso que Deus criou. Mas a proposta de salvação que Deus apresenta destina-se a transformar o coração do homem, eliminando o egoísmo e a maldade. Ao transformar o coração do homem, o "Evangelho" apresentado por Jesus e anunciado pelos discípulos vai propor uma nova relação do homem com todas as outras criaturas - uma relação não mais marcada pelo egoísmo e pela exploração, mas pelo respeito e pelo amor. Dessa forma, nascerá uma nova humanidade e uma nova natureza.
A presença da salvação de Deus no mundo tornar-se-á uma realidade através dos gestos dos discípulos de Jesus comprometidos com Jesus, os discípulos vencerão a injustiça e a opressão ("expulsarão os demônios em meu nome"), serão arautos da paz e do entendimento dos homens ("falarão novas línguas"), levarão a esperança e a vida nova a todos os que sofrem e que são prisioneiros da doença e do sofrimento ("quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados"); e, em todos os momentos, Jesus estará com eles, ajudando-os a vencer as contrariedades e as oposições.
Na segunda cena (v. 19), Jesus sobe ao céu e senta-Se à direita de Deus. A elevação de Jesus ao céu (ascensão) é uma forma de sugerir que, após o cumprimento da sua missão no meio dos homens, Jesus foi ao encontro do Pai e reentrou na comunhão do Pai.
A entronização de Jesus "à direita de Deus" mostra, por sua vez, a veracidade da proposta de Jesus. Na concepção dos povos antigos, aquele que se sentava à direita de Deus era um personagem distinto, que o rei queria honrar de forma especial D Jesus, porque cumpriu com total fidelidade o projeto de Deus para os homens, é honrado pelo Pai e sentado à sua direita. A proposta que Jesus apresentou, que os discípulos acolheram e que vão ser chamados a testemunhar no mundo, não é uma aventura sem sentido e sem saída, mas é o projeto de salvação que Deus quer oferecer aos homens.
Na terceira cena (v. 20), descreve-se resumidamente a ação missionária dos discípulos: eles partiram (quer dizer, deixaram para trás as seguranças e afetos humanos por causa da missão) a pregar (quer dizer, a anunciar com palavras e com gestos concretos essa vida nova que Deus ofereceu aos homens através de Jesus) por toda a parte (propondo a todos os homens, sem exceção, a proposta salvadora de Deus).
O autor desta catequese assegura aos discípulos que não estão sozinhos ao longo durante a missão. Jesus, vivo e ressuscitado, está com eles, coopera com eles e manifesta-Se ao mundo nas palavras e nos gestos dos discípulos.
A festa da Ascensão de Jesus é, sobretudo, o momento em que os discípulos tomam consciência da sua missão e do seu papel no mundo. A Igreja (a comunidade dos discípulos, reunida à volta de Jesus, animada pelo Espírito) é, essencialmente, uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação que Jesus veio trazer aos homens.
ATUALIZAÇÃO
+ Jesus foi ao encontro do Pai, depois de uma vida gasta ao serviço do "Reino"; deixou aos seus discípulos a missão de anunciar o "Reino" e de torná-lo uma proposta capaz de renovar e de transformar o mundo. Celebrar a ascensão de Jesus significa, antes de mais, tomar consciência da missão que foi confiada aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do "Reino" na vida dos homens. Estou consciente de que a Igreja - a comunidade dos discípulos de Jesus, a que eu pertenço também - é hoje a presença libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens? Como é que eu procuro testemunhar o "Reino" na minha vida de todos os dias - em casa, no trabalho ou na escola, na paróquia, na comunidade religiosa?
+ A missão que Jesus confiou aos discípulos é uma missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas não podem ser obstáculos para a presença da proposta libertadora de Jesus no mundo. Tenho consciência de que a missão que foi confiada aos discípulos é uma missão universal? Tenho consciência de que Jesus me envia a todos os homens - sem distinção de raças, de etnias, de diferenças religiosas, sociais ou econômicas - a anunciar-lhes a libertação, a salvação, a vida definitiva? Tenho consciência de que sou responsável pela vida, pela felicidade e pela liberdade de todos os meus irmãos - mesmo que eles habitem no outro lado do mundo?
+ Tornar-se discípulo é, em primeiro lugar, aprender os ensinamentos de Jesus - a partir das suas palavras, dos seus gestos, da sua vida oferecida por amor. É claro que o mundo do século XXI apresenta, todos os dias, desafios novos; mas os discípulos, formados na escola de Jesus, são convidados a ler os desafios que hoje o mundo coloca, à luz dos ensinamentos de Jesus. Preocupo-me em conhecer bem os ensinamentos de Jesus e em aplicá-los à vida de todos os dias?
+ No dia em que fui batizado, comprometi-me com Jesus e vinculei-me com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A minha vida tem sido coerente com esse compromisso?
+ É um tremendo desafio testemunhar, hoje, no mundo os valores do "Reino" (esses valores que, muitas vezes, estão em contradição com aquilo que o mundo defende e que o mundo considera serem as prioridades da vida). Com frequência, os discípulos de Jesus são objeto da irrisão e do escárnio dos homens, porque insistem em testemunhar que a felicidade está no amor e no dom da vida; com frequência, os discípulos de Jesus são apresentados como vítimas de uma máquina de escravidão, que produz escravos, alienados, vítimas do obscurantismo, porque insistem em testemunhar que a vida plena está no perdão, no serviço, na entrega da vida. O confronto com o mundo gera muitas vezes, nos discípulos, desilusão, sofrimento, frustração. Nos momentos de decepção e de desilusão convém, no entanto, recordar as palavras de Jesus: "Eu estarei convosco até ao fim dos tempos". Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.

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Jesus espera-nos no céu
I. SEGUNDO O EVANGELHO de São Lucas, o último gesto de Jesus Cristo na terra foi uma bênção1. Os Onze tinham partido da Galiléia e ido ao monte que Jesus lhes indicara, o monte das Oliveiras, perto de Jerusalém. Os discípulos, ao verem novamente Aquele que havia ressuscitado, adoraram-no2, prostraram-se diante dEle como seu Mestre e seu Deus. Agora estão muito mais profundamente conscientes daquilo que já muito tempo antes tinham no coração e haviam confessado: que o seu Mestre era o Messias3.
O Mestre fala-lhes com a majestade própria de Deus: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra4. Jesus confirma a fé dos que o adoram e ensina-lhes que o poder que irão receber deriva do próprio poder divino. A faculdade de perdoar os pecados, a de renascer para uma vida nova mediante o Batismo... são o próprio poder de Cristo que se prolonga na Igreja. Esta é a missão da Igreja: continuar para sempre a obra de Cristo, ensinar aos homens as verdades sobre Deus e as exigências que essas verdades trazem consigo, ajudá-los com a graça dos sacramentos... Jesus diz-lhes: O Espírito Santo descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.
Dizendo isto, elevou-se da terra à vista deles, e uma nuvem o ocultou5. Assim nos descreve São Lucas a Ascensão na primeira leitura da Missa de hoje.
Foi-se elevando pouco a pouco. Os Apóstolos permaneceram um longo tempo olhando para Jesus que ascendia ao céu com toda a majestade, enquanto lhes dava a última bênção, até que uma nuvem o ocultou. Era a nuvem que acompanhava a manifestação de Deus6: “Era um sinal de que Jesus tinha entrado já nos céus”7.
A vida de Jesus na terra não termina com a sua morte na Cruz, mas com a Ascensão aos céus. É o último mistério da vida do Senhor aqui na terra. É um mistério redentor, que constitui, com a Paixão, a Morte e a Ressurreição, o mistério pascal. Convinha que os que tinham visto Cristo morrer na Cruz, entre os insultos, desprezos e escárnios, fossem testemunhas da sua exaltação suprema. Cumprem-se agora diante dos seus olhos as palavras que um dia o Senhor lhes tinha dito: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus8.
Contemplamos a Ascensão do Senhor aos céus no segundo mistério glorioso do Santo Rosário. “Jesus foi para o Pai. – Dois anjos de brancas vestes se aproximam de nós e nos dizem: Homens da Galiléia, que fazeis olhando para o céu? (Act., I, 11)
“Pedro e os restantes voltam para Jerusalém – cum gaudio magno – com grande alegria (Luc., XXIV, 52). – É justo que a Santa Humanidade de Cristo receba a homenagem, a aclamação e a adoração de todas as hierarquias dos Anjos e de todas as legiões dos bem-aventurados da Glória”9.
II. “HOJE NÃO SÓ FOMOS constituídos possuidores do paraíso – ensina São Leão Magno nesta solenidade –, mas com Cristo ascendemos, mística mas realmente, ao mais alto dos céus, e conseguimos por Cristo uma graça mais inefável que a que havíamos perdido”10.
A Ascensão fortalece e estimula a nossa esperança de alcançarmos o Céu e incita-nos constantemente a levantar o coração a fim de procurarmos as coisas que são do alto, como nos sugere o Prefácio da Missa. Agora a nossa esperança é muito grande, pois o próprio Cristo foi preparar-nos uma morada11.
O Senhor está já no Céu com o seu Corpo glorificado, com os sinais do seu Sacrifício redentor12, com as marcas da Paixão que Tomé pôde contemplar e que clamam pela salvação de todos nós. A Humanidade Santíssima do Senhor tem já no Céu o seu lugar natural, mas Ele, que deu a sua vida por cada um, espera-nos ali. “Cristo espera-nos. Vivemos já como cidadãos do céu (Phil III, 20), sendo plenamente cidadãos da terra, no meio das dificuldades, das injustiças, das incompreensões, mas também no meio da alegria e da serenidade que nos dá sabermo-nos filhos amados de Deus [...]. E se, apesar de tudo, a subida de Jesus aos céus nos deixar na alma um travo de tristeza, recorramos à sua Mãe, como fizeram os Apóstolos: Tornaram então a Jerusalém... e oravam unanimemente... com Maria, a Mãe de Jesus (Act I, 12-14)”13.
A esperança do Céu encherá de alegria o nosso peregrinar diário. Imitaremos os Apóstolos que “tiraram tanto proveito da Ascensão do Senhor que tudo quanto antes lhes causava medo, depois se converteu em gozo. A partir daquele momento, elevaram toda a contemplação das suas almas à divindade que está à direita do Pai; a perda da visão do corpo do Senhor não foi obstáculo para que a inteligência, iluminada pela fé, acreditasse que Cristo, mesmo descendo até nós, não se tinha afastado do Pai e, com a sua Ascensão, não se separou dos seus discípulos”14.
III. ENQUANTO OLHAVAM atentamente para o céu à medida que Ele se afastava, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco que lhes disseram: Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Este Jesus que acaba de vos deixar para subir ao céu voltará do mesmo modo que o vistes subir15.
“Tal como os Apóstolos, ficamos meio admirados, meio tristes ao ver que Ele nos deixa. Na realidade, não é fácil acostumarmo-nos à ausência física de Jesus. Comove-me recordar que Jesus, num gesto magnífico de amor, foi-se embora e ficou; foi para o Céu e entrega-se a nós como alimento na Hóstia Santa. Sentimos, no entanto, a falta da sua palavra humana, da sua forma de atuar, de olhar, de sorrir, de fazer o bem. Gostaríamos de voltar a vê-lo de perto, quando se senta à beira do poço, cansado da dura caminhada (cfr. Jo. 4, 6), quando chora por Lázaro (cfr. Jo. 11, 35), quando se recolhe em prolongada oração (cfr. Lc. 6, 12), quando se compadece da multidão (cfr. MT. 15, 32; Mc. 8, 2).
“Sempre me pareceu lógico – e me cumulou de alegria – que a Santíssima Humanidade de Jesus Cristo subisse à glória do Pai. Mas penso também que esta tristeza, própria do dia da Ascensão, é uma manifestação do amor que sentimos por Jesus, Senhor Nosso. Sendo perfeito Deus, Ele se fez homem, perfeito homem, carne da nossa carne e sangue do nosso sangue. E separa-se de nós, indo para o céu. Como não havíamos de notar a sua falta?”16
Os Anjos dizem aos Apóstolos que é hora de começar a imensa tarefa que os espera, e que não devem perder um só instante. Com a Ascensão termina a missão terrena de Cristo e começa a dos seus discípulos, a nossa. E hoje, na nossa oração, é bom que ouçamos de novo as palavras com que o Senhor intercede diante de Deus Pai por nós: Não peço que os tires do mundo, do nosso ambiente, do nosso trabalho, da família..., mas que os preserves do mal17. Porque o Senhor quer que cada um no seu lugar continue a tarefa de santificar o mundo, para melhorá-lo e colocá-lo aos seus pés: as almas, as instituições, as famílias, a vida pública... Porque só assim o mundo será um lugar em que se valoriza e se respeita a dignidade humana, em que se pode conviver em paz, com essa paz verdadeira que está tão ligada à união com Deus.
“Recorda-nos a festa de hoje que o zelo pelas almas é um mandamento amoroso do Senhor: ao subir para a sua glória, Ele nos envia pelo orbe inteiro como suas testemunhas. Grande é a nossa responsabilidade, porque ser testemunha de Cristo implica, antes de mais nada, procurar comportar-se segundo a sua doutrina, lutar para que a nossa conduta recorde Jesus e evoque a sua figura amabilíssima”18.
Os que convivem ou se relacionam conosco devem aperceber-se da nossa lealdade, sinceridade, alegria, laboriosidade; temos de comportar-nos como pessoas que cumprem com retidão os seus deveres e sabem atuar como filhos de Deus nas pequenas situações de cada dia. As próprias normas correntes da convivência, que para muitos não passam de algo externo, necessário apenas para o relacionamento social – os cumprimentos, a cordialidade, o espírito de serviço... – devem ser fruto da caridade, manifestações de uma atitude interior de interesse pelos outros.
Jesus parte, mas permanece muito perto de cada um. De modo especial encontramo-lo no Sacrário mais próximo, talvez a menos de uma centena de metros do lugar onde vivemos ou trabalhamos. Não deixemos de procurá-lo com freqüência, ainda que na maioria das vezes só possamos fazê-lo com o coração, para dizer-lhe que nos ajude na tarefa apostólica, que conte conosco para estender a sua doutrina por todos os ambientes.
Os Apóstolos voltaram a Jerusalém em companhia de Santa Maria. Juntamente com Ela, esperam a chegada do Espírito Santo. Disponhamo-nos nós, nestes dias, a preparar a próxima festa de Pentecostes muito unidos a Nossa Senhora.
Francisco Fernández-Carvajal

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1. Os estudiosos da Bíblia concordam em afirmar que Mc. 16,6-20 não é de Marcos. Esses versículos existiam à parte, como um dos relatos pós-pascais. Foram, mais tarde, anexados ao evangelho de Marcos, talvez para atenuar a maneira incomum com que Marcos encerra sua obra.
2. Esse apêndice, contudo, está em íntima sintonia com o evangelho. De fato, os versículos hoje propostos à nossa reflexão falam do mandato de Jesus aos discípulos:
- eles deverão anunciar o evangelho a todos (vv. 15-18), como Jesus tinha feito;
- depois, Jesus é levado ao céu (v. 19);
- a seguir, os discípulos saem a pregar, ajudados pelo Senhor (v. 20).
3. Em outras palavras não há ruptura entre a missão de Jesus e a dos discípulos. A história de Jesus continua no testemunho da comunidade. E é importante não esquecer que, – apesar de ter-se sentado à direita de Deus (v. 19), – Jesus continua caminhando nas estradas da humanidade, nos passos e ensinamentos dos discípulos (v. 20). Isso nos leva a afirmar que a ascensão de Jesus não nos priva de sua presença; pelo contrário, oferece-nos novos modos de senti-lo e de encontrá-lo.
4. O texto de hoje inicia com a ordem de Jesus: “vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a toda criatura!” (v. 15). Começa, assim, definitivamente o tempo da comunidade cristã.
5. No evangelho de Marcos, Jesus se apresenta anunciando o Evangelho (cf. 1,14). Os discípulos, portanto, darão sequência ao que Jesus fez, ampliando o campo de ação:
- em 1,14 – Jesus anuncia o evangelho na Galileia;
- em 16,15 – os discípulos deverão fazê-lo pelo mundo inteiro e a toda criatura.
6. O evangelho de hoje conclui que os discípulos saíram (-segundo a ordem do Senhor) e anunciaram por toda parte (v. 20a) o que o Mestre anunciou: a boa notícia do mundo novo inaugurado com Jesus. Esta será a tarefa da comunidade cristã.
7. Se os vv. 15.20a insistiam na palavra “anunciar”, o v. 16 enfatiza o resultado do anúncio: a fé que ele suscita. O anúncio provoca decisão: crer ou não crer. Também nesse aspecto encontramos ressonância desse versículo nas primeiras palavras de Jesus (Mc. 1,15: creiam no evangelho). A pregação de Jesus leva as pessoas à resposta na fé; o anúncio dos discípulos tem – como resultado – provocar a fé que conduz à salvação: ”quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado” (v. 16).
8. Os vv. 17-18 falam de sinais que acompanharão os que acreditarem (= todos os que aderirem a Jesus na fé)
8.1. – os dois primeiros sinais (expulsar demônios em nome de Jesus e falar novas línguas - v. 17) mostram que a ação é libertadora e comunicadora do mundo novo. De fato, o primeiro milagre que Jesus realiza em Marcos é o da expulsão de um espírito mau (1,21-28; cf. 1,32-34). Com esse gesto, e por força de sua palavra, Jesus vence e elimina tudo o que despersonaliza, oprime e marginaliza as pessoas, falando-lhes a nova linguagem da vida e liberdade. Assim deverão fazer os que tiverem fé em Jesus: libertar as pessoas de todo tipo de alienação.
8.2. – o terceiro e quarto sinais (pegar serpentes ou beber veneno mortal – v. 18a) falam dos confrontos e conflitos suscitados pela fé. Quem anuncia o projeto de Deus sofre oposições imprevistas e veladas (serpentes) ou evidentes e abertas (tentativa de matar os discípulos por envenenamento). Com Jesus foi assim; já em 3,6 do evangelho de Marcos, sua morte fora decretada. Os discípulos não terão sorte diferente. Contudo, o Pai não permitiu que a morte de Jesus tivesse a última palavra. Assim também, ele agirá em favor dos fiéis.
8.3. O quinto sinal (impor as mãos sobre os doentes, curando-os – v. 18b), à semelhança do primeiro e segundo sinais (v. 17), põe os discípulos em estreita comunhão com a prática de Jesus, que optou pelos sofredores, curando-os (cf. 1,34.40-45).
9. O v. 19 marca o fim do caminho de Jesus: ”depois de falar aos discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus”. Agora é a vez dos discípulos e da comunidade re-fazer os passos e ações de Jesus: re-construir o caminho e construir a história.
10. Jesus supera as barreiras do tempo e espaço; está sentado à direita de Deus, mas ao mesmo tempo, ajuda os discípulos, provando, – por meio dos sinais que os acompanham, – que o ensinamento deles é verdadeiro (v. 20b). O tempo da salvação e do Reino de Deus (cf. 1,154) não se fechou; pelo contrário, abriu-se universalmente através da ação de quem crê em Jesus e se torna seu representante em meio aos conflitos.
1ª leitura: At. 1,1–11
11. Atos dos Apóstolos é o segundo livro de Lucas. Com ele o evangelista quer mostrar que os ensinamentos e ações de Jesus continuam nos ensinamentos e ações dos cristãos. Portanto, o livro dos Atos não é um manual de história da Igreja, mas sim o prolongamento da prática do Senhor na vida da comunidade cristã.
12. No evangelho temos a práxis de Jesus, nos Atos temos a práxis apostólica cristã. Assim, quem deseja ser Teo-filo (= amigo de Deus) tem na práxis de Jesus e de seus seguidores as linhas-mestras de inspiração e conduta. A garantia dos dois momentos é o Espírito Santo (v. 2) que esteve presente em Jesus e está presente na comunidade cristã.
13. Toda ação da comunidade está ancorada na experiência do Cristo Ressuscitado:
- “foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas” (v. 3);
- tem o aval do Pai, cuja promessa se realiza em Jesus e na comunidade (v.4b)
- por meio da efusão do Espírito (v. 5),
- que levará a comunidade a identificar sua práxis com a de Jesus.
14. Lucas fala de “quarenta dias” (v. 3b) durante os quais Jesus apareceu e falou aos discípulos sobre o Reino de Deus. O fato não tem caráter cronológico, mas teológico – catequético: a prática cristã nasce da experiência concreta de intimidade e comunhão (= a refeição – v. 4a) com o Senhor Ressuscitado. Dessa intimidade nasce o testemunho cristão, a missão, a evangelização. E a garantia de sucesso está no batismo do Espírito Santo, que é memória continuamente renovada e atualizada do que fez e disse Jesus (cf. Jo 14,26).
15. A pergunta dos discípulos (v. 6) revela a ânsia da comunidade cristã, a fim de que o projeto de Deus se realize completamente. Estão curiosos em saber se existe um limite, uma data até onde se possa resistir e lutar … e depois ” descansar “, sem que haja mais nada a fazer.
16. A resposta de Jesus traz duas indicações: a primeira afirma que o projeto de Deus não depende de uma data histórica: ” não cabe a vocês saber os tempos e as datas” (v. 7) . A segunda é consequência da primeira e manifesta qual deve ser a autêntica preocupação da comunidade: sob a ação da força do Espírito, testemunhar (v. 8) a práxis de Jesus. O projeto de Deus não depende de teorias ou conjecturas, mas do testemunho que atualize o que Jesus fez e disse.
17. Testemunho é como um fio que amarra juntos os dois livros de Lucas. De fato, o evangelho dele se encerra falando desse “testemunho” (24,48). E aqui Jesus renova o compromisso dos discípulos (v. 8b). Nos Atos, após Pentecostes, eles não cessam de repetir que são testemunhas (At. 2,32; 3,15; 4,33; 5,32; 13,3; 22,15). A palavra testemunho é a palavra-chave. Em palavras e ações, prolongam a práxis de Jesus. O testemunho, segundo os Atos, vai se espalhando a partir de Jerusalém, onde Jesus deu o testemunho final com a morte e ressurreição, atinge a Judeia e a Samaria (At. 8,1-8) e chega aos confins do mundo (as viagens de Paulo). O projeto de Deus está aberto e ao alcance de todos.
18. Depois… Jesus foi levado ao céu! O v. 9 fala do arrebatamento de Jesus. A referência à nuvem – símbolo teofânico – nos diz que Jesus pertence definitivamente à esfera de Deus. É a certeza da comunidade de que Jesus cumpriu perfeitamente a vontade do Pai. Contudo, não basta sabê-lo. Torna-se necessário descruzar os braços, deixar de olhar passivamente para o céu, encarar a realidade que nos cerca, perceber que somos todos “homens da Galileia”, comprometidos com o testemunho de Jesus (vv. 10-11).
19. Versículo 11b: E a volta de Jesus? Lucas está falando de parusia ou de teofania? Quando voltará Jesus? No fim dos tempos ou no Pentecostes que leva a comunidade cristã a ser epifania sua, mediante o testemunho? O que importa mesmo, portanto, é a comunidade ser epifania de Jesus mediante seu testemunho!
2ª leitura: Ef. 1,17–23
20. A carta aos Efésios é um texto de Paulo (ou um discípulo dele) dirigido às comunidades dos arredores de Éfeso. Paulo não conheceu essas comunidades. Ele esteve em Éfeso (cf. At. 19-20), onde deu início a uma comunidade cristã, que, por sua vez, fez surgir as comunidades dos arredores.
21. Paulo estava preso e teve conhecimento dessas comunidades, de sua firmeza na fé, do amor que unia a todos na esperança em meio às lutas. Mas ficou sabendo também dos riscos trazidos pelas filosofias do tempo que pregavam um Deus afastado e ausente da vida humana. E era só através de entidades intermediárias (soberanias, poderes, forças, dominações) que se poderia ter acesso a Deus. E Jesus também não passaria de uma dessas entidades intermediárias.
22. Nosso texto pertence à ação de graças e súplica que Paulo faz a Deus por causa dessas comunidades (1,15-23). Dá graças pela fé (adesão a Jesus) e pelo amor (-resposta da fé, que se visualiza no amor solidário) encontrado nos fiéis.
23. E suplica. O conteúdo da súplica é uma espécie de credo cristão. Pela fé e solidariedade os cristãos penetram sempre mais no ser de Deus que está próximo e presente na comunidade. Contudo, é preciso conhecê-lo (v. 17) e conhecer a esperança à qual a comunidade foi chamada (v. 18a).
24. A glória de Deus.
Paulo fala da glória de Deus e emprega outros termos, como potência, eficácia, poder e força, que ampliam a idéia de glória de Deus (… um texto muito denso).
- Longe de ser distante da humanidade, o Deus dos cristãos é um Deus cuja glória depende do fato de existir como Deus da comunidade.
- A glória de Deus é sua ação concreta na história, na vida da comunidade cristã, que prolonga a morte e ressurreição de Jesus.
- Em Jesus, Deus fez conhecer sua glória, mostrando-se tão próximo à humanidade, a ponto de eleger a comunidade cristã como o Corpo de Cristo, a plenitude de Cristo, que preenche tudo em todo o universo (v. 23).
25. Paulo não polemiza contra as entidades intermediárias. Simplesmente mostra às comunidades: – que existe um único Senhor,
- que realizou o projeto do Pai,
- e que esse Senhor está presente na história.
A comunidade cristã é o espaço no qual se revela o projeto de Deus, a realeza absoluta do Cristo Ressuscitado.
R e f l e t i n d o
1. O evangelho de hoje é quase um resumo dos Atos dos Apóstolos. O Cristo glorioso confia aos apóstolos a missão e já prediz aquilo que o livro dos Atos descreve com relação a essa missão: o poder de Cristo acompanha seus discípulos na pregação. O texto insiste mais nos sinais que acompanham a palavra do que no conteúdo da mesma palavra.
2. “Deus estava com eles”. O Senhor glorioso, estabelecido no “poder”, dá uma força incrível aos que pregam o seu “nome” (16,17b; cf. At. 3). Isso continua verdade ainda hoje. A evangelização hoje é acompanhada por sinais que causam tanta admiração quanto os “milagres” descritos em Mc. 16,17-18:
- pessoas que conseguem livrar–se do vício, do fascínio do lucro;
- comunidades que se baseiam não na competição, mas na comunhão;
- apóstolos que parecem abolir as fronteiras humanas;
- pessoas que, sem serem complexadas, vivem o matrimônio (ou a virgindade) em fidelidade. Será que tudo isso é menos significativo do que pegar em cobras ou beber veneno?
3. O evangelho não depende de sinais. Mas, onde há fogo, sai fumaça: a presença do evangelho não pode deixar de chamar a atenção. Transforma a realidade lá onde menos se espera. A Ascensão de Cristo ao céu nos torna os encarregados da missão à qual ele preside, agora em sua glória. Manifestamos seu nome, e os sinais confirmam o seu “poder”, que se encarna na pregação do evangelho. O evangelho não deixa nunca as coisas como estão. Essa é a mensagem de hoje.
4. Depois da ressurreição, Jesus deixou sua missão terrena e subiu aos céus, confiando sua missão aos seus. E o “Senhor cooperava com eles”. Depois da Páscoa, tudo mudou. Antes, Jesus era o profeta rejeitado; depois ele apareceu entrando na glória do Pai – que assim mostrou aos discípulos que Jesus teve razão naquilo que ensinou e realizou.
5. Antes, Jesus chamava os discípulos para serem seus colaboradores; depois, ele é quem “coopera com eles”, pois agora sua obra está nas mãos deles. Jesus encerra sua atividade terrena e entrega sua missão aos discípulos. E ordenou-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura”. Mas prometeu-lhes forças extraordinárias para cumprirem sua missão. Quem se empenha de corpo e alma – pela causa de Deus – faz maravilhas, enquanto o acomodado nada consegue.
6. Movidos pelo amor ao Senhor, os apóstolos se jogaram na pregação e coisas inimagináveis aconteceram. E ficamos ainda hoje, admirados do que fizeram. Por exemplo: José de Anchieta, Teresa de Calcutá, Francisco de Assis, e tantos mais…
7. A festa da Ascensão do Senhor nos ensina a fazer de Jesus realmente ” o Senhor da nossa vida” e a arriscar tudo para levara sua missão adiante – sem se preocupar com o que virá pela frente …. pois ele coopera conosco (muito mais do que imaginamos!).
8. …e coopera de modo extraordinário! Não que o extraordinário em si seja uma prova da divindade. O extraordinário muitas vezes alimenta o sensacionalismo, o exótico, o fantástico, que chama a atenção. Ora, na pregação o extraordinário tem simplesmente a função de sinal quando mostra o Espírito do Ressuscitado a impulsionar o mensageiro, quando faz reconhecer Jesus como Senhor e como aquele que coopera com seus seguidores, como aquele que tem força para mudar o mundo, quando os seus se empenham por isso.
9. Mas esse poder não serve para a glória própria! Serve para o amor, serve para o projeto pelo qual Jesus deu a vida. Não se pode esquecer de que Jesus veio para servir e dar a vida, não para conquistar e ter mais e mais… poder. Veio para manifestar o amor do Pai. O extra-ordinário na evangelização serve para manifestar que o amor de Deus, tornado visível em Jesus Cristo, tem sempre a última palavra.
10. Há grupos que fazem tanta questão de fatos extraordinários… de milagres a toda hora … apostam tudo e toda mensagem em coisas sensacionais. Esquecem-se de que o extraordinário é apenas um sinal (que pode existir ou não) e não a causa principal que está em jogo. Trocam a mensagem pelo milagre. Se não houver milagre… nada feito… Deus não age e não pode ser encontrado. Alguns ficam tão “deslumbrados” que fazem mais milagres do que o mesmo Jesus fez. Será que alguma coisa não está errada? Será que é isto que Jesus quis e quer ao enviar os discípulos a pregar o Reino de Deus?
11. Extraordinário mesmo é apresentar o projeto que Jesus trouxe, a causa que ele abraçou. E essa causa é o amor de Cristo que nos impulsiona.
12. Só para lembrar algumas coisas que deveras seriam extraordinárias hoje:
- transformar as estruturas de nossa sociedade enferrujada em seu egoísmo;
-alcançar a vitória da justiça sobre a corrupção;
- a vitória da vida sobre as enfermidades;
- a vitória da solidariedade sobre o individualismo;
- a vitória da dignidade da vida sobre as muitas formas de degeneração, degradação e vício… Extraordinário mesmo é o que, nas circunstâncias mais contrárias, fala desse amor. Aí “Ele” aparece cooperando conosco.
13. A atitude de ficar olhando para o céu nos lembra Eliseu, recebendo o espírito de Elias (2Rs. 2,11). E nós? Nós já olhamos para o céu e recebemos o Espírito. Está na hora de continuar a missão e o amor de Jesus no meio do mundo. Jesus nos prometeu a força do Espírito Santo. Essa força é a confirmação de que ele continua conosco. A comunidade continuará agindo na história segundo o Espírito de Jesus.
14. “Pai Santo, guarda-os no teu nome para que sejam um como nós … quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome… não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno … como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que me enviaste” (Jo 17,11.12.15.21).
prof. Ângelo Vitório Zambon

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A vida em Deus Mc. 16,15-20
Neste domingo quero refletir com o leitor sobre três realidades: a Ascensão do Senhor; o Dia Mundial das Comunicações Sociais; a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
A Ascensão: celebrar a solenidade da Ascensão é levar o ser humano a pensar no seu destino de homem novo, renascido pelo batismo para uma vida nova. A Ascensão de Cristo é a nossa ascensão. O Cristo que sobe para junto do Pai permanece junto de nós na força do Espírito Santo. E confia-nos a missão de ser seus continuadores. Se queremos participar com ele da vida eterna precisamos, como Ele e com Ele, realizarmos a tarefa de construirmos uma sociedade nova.
Na missão nos é dado realizar os “sinais” de vida:
Expulsar demônios: é combater o poder do mal que estraga a vida. A vida de muita gente ficou melhor pelo fato de ter entrado na comunidade e de ter começado a viver a Boa Nova da presença de Deus em sua vida. Precisamos trabalhar com a força do Espírito Santo contra as forças do mal que acomete as pessoas. Expulsar os demônios da exploração, da mentira, do consumismo, da dominação, do orgulho, da falsidade, da inveja, da ambição, do comodismo, da omissão.
b.Falar novas línguas: é começar a comunicar-se com os outros de maneira nova. Às vezes, encontramos uma pessoa que nunca vimos antes, mas parece que já nos conhecemos há muito tempo. É porque falamos a mesma língua, a língua do amor. Aquela palavra que conforta, que encoraja, que anima. Fazer com que prevaleça essa linguagem, que todos entendem.
Vencer o veneno: há muita coisa que envenena a convivência. Muita fofoca que estraga o relacionamento entre as pessoas. Quem vive a presença de Deus dá a volta por cima e consegue não ser molestado por este veneno terrível. Há muita coisa envenenada que quer tirar nossa alegria, nossa fé; que quer nos impedir de servir melhor as pessoas. Pedirmos ao Senhor que nos livre desse veneno.
Curar os doentes: em todo canto onde aparece uma consciência mais clara e viva da presença de Deus aparece também um cuidado especial para com as pessoas excluídas e marginalizadas, sobretudo para com os doentes. Aquilo que mais favorece a cura é a pessoa sentir-se acolhida e amada. Nossa sociedade está doente: falta amor, carinho, acolhida. Vamos tornar nossa comunidade mais acolhedora. Olhemos com mais carinho aqueles que não podem vir à igreja, os doentes e idosos. Tanta gente esperando nossa presença que cura e conforta!
Dia Mundial das Comunicações Sociais: nesse dia seria bom examinarmos como está nossa comunicação. A começar dentro de nossa casa. Estamos nos entendendo? Paramos para escutar. Comunicamos nossas idas e vindas? Depois, por onde ‘navego’ nas redes sociais? A que programas de TV assisto? Que sites visito? Que tipo de comunicação e relacionamento estabeleço no Facebook, no Orkut etc? As redes sociais são um importante instrumento de comunicação e evangelização. Mas é preciso saber utilizá-los.
O Papa, na Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, fala da importância do silêncio na comunicação: “O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos par falta da adequada confrontação às palavras e às idéias”.
Finalmente gostaria de lembrar um acontecimento fundante na Igreja e para a Igreja: A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: 20 a 27 de maio de 2012. O lema bíblico deste ano é: “Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo” [1Cor. 15,51-58]. Cada um é chamado a transformar a realidade onde vive e a construir um mundo melhor. Temos diante de nós muitos desafios, oremos e mostremos sinais concretos na busca de superação! Sobretudo na busca de superação do preconceito, das distâncias sociais, econômicas e religiosas. A novena ao Espírito Santo deveria ser um tempo forte de buscar maior unidade entre nós, a começar em nossa própria comunidade.
Celebrar a Ascensão do Senhor é viver com o coração no céu e com os pés no chão. É andar sempre com passos firmes e solidários. É ter a capacidade de perceber a presença do Ressuscitado no irmão que sofre, na comunidade reunida, na vida que refloresce.
padre Aureliano de Moura Lima, SDN

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Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!
No domingo passado (13) refletimos sobre o mandamento do amor; contemplamos o amor de Deus manifestado na pessoa, nos gestos e nas palavras de Jesus. No texto do Evangelho (João 15,9-17) encontramos uma catequese sobre o caminho que os discípulos deveriam percorrer após a morte de Jesus e aprendemos que o mandamento do amor é a raiz de toda vida cristã. Neste 7º Domingo da Páscoa a Igreja celebra a Ascensão do Senhor. Depois de quarenta dias de sua Ressurreição Jesus ascendeu ao céu na presença dos Apóstolos. “Ide por todo mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16,15-20). A temática da liturgia da Ascensão é a missão universal dos Apóstolos, os primeiros a darem continuidade à missão de Jesus. “Depois de lhes falar, o Senhor Jesus foi elevado ao céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc. 16,19). Isto significa que Jesus realizou plenamente sua missão e agora vive plenamente sua comunhão com Deus Pai. O desafio que cabe a nos seguidores de Jesus é igualmente subir ao céu. “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide e ensinai a todos os povos... Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt. 28,16=20). Lucas relata que enquanto os abençoava foi levado para o céu (Lc. 24,51). Isto não significa o fim de sua presença entre os homens, mas o começo de sua nova forma de estar no mundo. O mesmo Jesus que subiu ao céu onde está sentado à direita de Deus permanece conosco todos os dias, vive em sua Igreja e através dela continua a obra da salvação. O Apóstolo Paulo diz (Ef. 4,10): Quando Jesus sobe ao céu não está abandonando seus filhos, mas sim enchendo-os com a luz da Sua presença permanente. Na Ascensão os Apóstolos por um instante ficaram sem ação, apenas olhando para o céu; então foram alertados pelos mensageiros de Deus: “Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu? As palavras dos anjos são dirigidas hoje a todos nos. A missão não pode parar – ainda existem lideranças paradas olhando para o céu ou trancadas na sacristia. O momento é de partir para a missão. Disse Jesus: “Receberás o poder do Espírito Santo para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, até os confins da terra. Neste dia mundial das comunicações sociais e início da semana de orações pela unidade dos cristãos, queremos rezar para que o diálogo ecumênico aconteça. A Festa da Ascensão é um convite a continuarmos a celebração do Mistério Pascal na certeza que uma vida vivida na fidelidade a Deus e no serviço aos irmãos, está destinada à glorificação. Nosso eterno mediador junto a Deus elevou-se ao céu, não para afastar-se de nos, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá a gloria da imortalidade. Pense nisto e tenha uma semana abençoada.

Pedro Scherer