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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 15 de agosto de 2017

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA-Ano A

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
 Solenidade
20 de Agosto de 2017
Cor: Branco
Evangelho - Lc 1,39-56


Neste domingo a Igreja celebra uma das festas mais importantes e mais antiga da sua história, que é Assunção de Maria ao céu. Continuar lendo



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Com a festa da Assunção de Nossa Senhora, a Igreja quer nos recordar que Maria é a aurora (o amanhecer, o início) da Igreja triunfante, ou seja, a comunidade daqueles que estão salvos, plenamente realizados conforme o projeto de Deus; ela é a primeira dentre as criaturas humanas que está, de corpo e alma (a primícia), junto a Deus Pai. Se ela é a primícia, então, após ela seguimos nós! Para que isso aconteça é necessário que lutemos contra o mal promovendo e preservando o bem (1ª leitura), que sejamos movidos pelo otimismo da certeza da Ressurreição (2ª leitura) e nos dediquemos, sem cessar, a servir a quem mais precisa certos de que Deus é sempre o Senhor da História (Evangelho). “Maria é o que seremos um dia”. Ela representa para nós esperança. Mas antes disso, devemos fazer a nossa parte neste mundo.
1ª leitura: Ap. 11, 19;12,1.3-6.10
A luta entre o bem e o mal
O contexto histórico no qual foi escrito o livro do Apocalipse era caracterizado pela cruel perseguição contra os cristãos (final do I século). A saída inteligente adotada pelos evangelizadores foi o uso da linguagem simbólica para continuarem o anúncio da pessoa de Jesus Cristo (o evangelho). Cada símbolo tinha um significado; usavam códigos e, assim, a mensagem chegava a todos e era entendida. Nesse texto, cheio de símbolos e permeado por complexos detalhes, são apresentados dois estranhos personagens: uma mulher e um dragão (crocodilo, Jacaré: símbolo da personificação do mal, da brutalidade, da violência, representava os impérios, notoriamente violentos). O palco no qual se apresenta esses personagens é o “céu”, termo genérico que indica a transcendência física, material, geográfica e cultural. Os dois personagens fazem parte da história da humanidade, e mas o mesmo tempo vão além e podem estar em qualquer lugar: é o conflito dos opostos, representativos do bem e do mal, do joio e do trigo, da cultura da vida e da cultura da morte! Vejamos as principais características de cada um deles:
a) A mulher: estava vestida de sol, tinha a lua sob os pés e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas, estava grávida e deu a luz seu Filho que veio para governar todas as nações com cetro de ferro, seu filho foi levado para junto de Deus, a mulher fugiu para o deserto. Essa Mulher, em vestes de sol, o sol é símbolo do poder e da beleza divina – representa alguém (ou comunidade) que vive em profunda sintonia com Deus, em comunhão com sua sabedoria; tinha a lua sob os pés: símbolo de poder, mas seu brilho depende do Sol, trata-se de um poder dependente (de Deus); sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas: imagem símbolo de reconhecimento, glória, honra; estava grávida e deu a luz seu Filho que veio para governar todas as nações com cetro de ferro, seu filho foi levado para junto de Deus, a mulher fugiu para o deserto.  Essa mulher é o povo judeu, formada pelas 12 tribos, que vivia na dependência do Deus das promessas e da aliança, que ao longo da história da Salvação “engravida” e dá à Luz o Messias, Jesus Cristo. Os Israelitas foram duramente dominados e perseguidos por muitos impérios: egípcio, babilônico, persa, grego, romano. Mas também o texto pode ser aplicado à Maria, mulher cheia de honras - (“Todas as gerações me chamarão de bendita" (Lc. 1,48) - reconhecida, amada e respeitada pelos 12 apóstolos, foi perseguida, fugiu para o Egito para proteger seu Filho, Senhor da História (cetro de ferro). A fuga para o deserto significa sua profunda e incessante comunhão com Deus.
b) O dragão: tinha cor de fogo, sete cabeças e 10 chifres, sobre as cabeças sete coroas, com sua cauda varria a terça parte das estrelas do céu atirando-as sobre a terra, pára diante da mulher grávida pois queria devorar o seu filho. O que significa esse dragão? Antes de identificarmos os personagens vejamos o significado das suas características. O dragão, símbolo da personificação do mal, era uma imagem simbólica comum em muitas culturas da antiguidade; cor de fogo: violento, sanguinário, destruidor; sete cabeças e 10 chifres: as sete cabeças representam excelência na liderança e os chifres são instrumentos de dominação e violência; as coroas representam, como já vimos, o poder e a honra devota, reconhecida, apoiada;  a cauda que varria a terça parte das estrelas do céu atirando-as sobre a terra: significa que esse poder tinha consequências negativas: a corrupção dos bons através da mentira, da ilusão, da falsidade  (cair do céu= corromper aquele que é bom, coisa típica do tentador, o demônio). No entanto, esse terrível dragão para diante da mulher grávida: sinal de respeito, de timidez, de medo, de reconhecimento da própria fraqueza. Esse Filho temido e respeitado, é Jesus Cristo. Jesus ressuscitado, é o senhor da morte, da história e do universo. O império romano, o “dragão da história” daquele período, não eliminou a igreja, não dizimou as comunidades...
Nossa vida
O texto apesar de complexo nos dá muitas e profundas mensagens simples:
1) Em nossa história contemporânea há muitos “dragões” que tiram o brilho de muitas estrelas: pessoas, instituições, comunidades, aliciando-as e lançando-as para baixo. Esses dragões são a corrupção, a falsidade, o “faz de conta” (a hipocrisia), a mentira, a idolatria, o consumismo, o individualismo, o egoísmo, a sede de fama, a ganância de poder, o hedonismo, o materialismo, os vícios, e o sucesso a todo custo! A figura do “dragão destruidor” pode corresponder ainda, à cultura da indiferença, da lei do mais forte! O mal assume forma, organização, gerando uma “pseudo-cultura” (mentalidade, criminalidade sistêmica, organizada)... Os bons devem se unir, fazer frente à indiferença, desencadear processos de mudanças saudáveis, desconstruir a aliciante cultura da morte (ideologias)!  Se existe a crescente e criativa criminalidade organizada, por que não promovermos sempre mais a organização de pessoas na promoção do Bem, em forma de Rede?
2) Em nossa sociedade também há muitas “mulheres grávidas” (pessoas boas, “homens de boa vontade”, instituições que promovem a dignidade humana) que são perseguidas porque trazem no seu ventre boas idéias, valores, ideais nobres, projetos de transformação que desencadeiam processos de transformação positiva; isso incomoda, porque estimula mudanças profundas nas pessoas e na sociedade. São perseguidos! Apesar da perseguição é necessário manter a gravidez, dar à Luz tudo aquilo que é bom que se materializa em saudáveis iniciativas e projetos.
3) A fuga para o deserto representa a experiência da comunhão com Deus. Quem quer dar à Luz boas coisas (iniciativas, sonhos, projetos...) deve buscar em Deus a força para preservar seus bons ideais. Sem mística quem luta contra os males do mundo, logo se cansa e acaba abandonando tudo.

Salmo 45 (44)
Este salmo é um lindo poema de elogio a um rei (cf. Sl 45,2) em sua nobre função de ser defensor da verdade e promotor da justiça. Verdade e justiça não se separam. No poema o autor descreve qual é a função do rei: abençoado por Deus (os reis eram ungidos) deve lutar pela causa da verdade, da pobreza e da justiça (cf. Sl 45,3-5). Nesse nobre ideal e missão deve permanecer porque ama a justiça e odeia a injustiça (cf. Sl 45,7-8). E assim e por isso, recebe reconhecimentos e honras (cf. Sl 45,9-18).

2ª leitura: 1 Cor. 15, 20-27ª
Na Ressurreição de Jesus cristo está a nossa esperança
No capítulo 15 da primeira carta aos Coríntios, Paulo nos apresenta a doutrina da Ressurreição. Na Ressurreição de Jesus Cristo está a fonte da nossa esperança. Também nós participamos dessa mesma experiência a fim de que se conclua em nós, o projeto do Pai e após nossa morte terrena vivenciaremos a nossa plenitude. Neste texto Paulo nos apresenta Jesus Cristo “como primícias dos que morreram” (cf. 1 Cor 15, 20.23). O termo “primícia”, de origem agrícola, nos faz pensar nos primeiros frutos colhidos de uma lavoura, depois, a seu tempo, vem a colheita (o fim da história). Aplicado a Jesus Cristo significa que, sendo Ele Ressuscitado as primícias, logo também nós participaremos dessa glória depois. O objetivo de tudo é a maior glória de Deus (cf. 1Cor. 15,25), “pois é preciso que Ele Reine”... essa é a sua natureza, o seu ser.  O seu absoluto reinado implica necessariamente a submissão a si, tudo aquilo que lhe é contrário.
Nossa vida
A esperança da nossa Ressurreição certa da parte de Jesus Cristo, deveria ser para nós, todos dias, uma contínua fonte de alimento da nossa dinâmica e criativa serenidade e otimismo. Muitas vezes, olhamos pouco para o nosso fim glorioso (chamado, vontade de Deus) e acabamos nos atrapalhando demais nos meandros das circunstâncias (ou meios) terrenas. O grande mal acontece quando nos contradizemos apostando num fim glorioso, mas nos apegamos em experiências ou atitudes negativas portadoras de pessimismo, escravidão e morte. O tema da Ressurreição com a festa da Assunção tem tudo a ver! A festa da assunção é a celebração da certeza que tudo aquilo que Deus projetou para cada um de nós, em Maria isso já aconteceu. Para nós é sinal de esperança. A festa da assunção de Maria é já a celebração dessa realidade para ela. Por isso dizemos que Maria é aquilo que nós seremos. Como compromisso dessa esperança, devemos nos esforçar para ser o que Ela foi (aberta, solidária, perseverante, serviçal, profética...).
Evangelho: Lc. 1,39-56
A grandeza reconhecida: Maria e Deus
O texto se compõe de duas partes: a primeira realça a atitude de Maria frente à necessidade de sua prima Isabel e a segunda é o cântico de Maria. Maria parte para a região montanhosa dirigindo-se apressadamente à casa da sua prima Isabel, grávida de seis meses e idosa! Maria tinha consciência de ser a Mãe do Messias, o Salvador da Humanidade, mas assume uma postura de serva dos necessitados. Por isso tem pressa de fazer o bem à Isabel; vai logo, rápido, não enrola! Maria nos ensina que para fazer o Bem devemos ser rápidos, apressados, dinâmicos, decididos! Mas esse bem tem um custo. Maria faz sacrifícios: submete-se ao forte sol, à poeira, atravessa um deserto, sobe montes... O bem nos custa e somente quem é capaz de abraçá-lo com suas conseqüências merece digno aplauso. No encontro das duas mães (Isabel e Maria, ambas grávidas) a criança (João Batista) alegrou-se no ventre sua mãe – “a criança pulou de alegria mo meu ventre” (Lc 1,41.44). Isabel reconhece a grandeza de Maria por ser a mãe Jesus. Maria, em sua gravidez, leva consigo a Santíssima Trindade e por isso é também portadora do Espírito Santo pois nesse encontro “Isabel ficou cheia do Espiro Santo” (Lc. 1,41b, 43). A segunda parte do texto é cântico de Maria, conhecido como magnificat, por ser uma oração magnífica, profunda nos seu conteúdo e reveladora de um brilhante perfil de Fé de Maria. O cântico de Maria está em profunda sintonia com a sincera oração dos pobres, daqueles que depositavam sua esperança só em Deus, que conservavam em seu coração a expectativa de ver o Messias como fez o velho Simeão (cf. Lc. 2,25-29). Alguns aspectos ressaltamos nesta bonita oração de Maria: a) O primeiro é o ato de louvor a Deus manifestando sua convicção de que tudo o que lhe aconteceu é Dom de Deus (Graça!) e não mérito seu. “A minha alma engrandece o Senhor e meu Espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lc. 1,46) porque Deus “olhou”, “mostrou”, “fez”, “estendeu”, “dispersou”, “derrubou”, “encheu”, “socorreu”... Deus é o grande protagonista da sua vida e da história. Deus faz maravilhas surpreendentes! Esse reconhecimento dos feitos divinos em sua vida pessoal e ao longo da história é uma convicção Mariana. b) O segundo é a importância dada à ação de Deus em favor dos pobres em detrimento dos ricos (egoístas), soberbos, orgulhosos, poderosos... Deus é o senhor da história e seguindo os critérios evangélicos “quem se humilha será elevado e quem se eleva será humilhado” (Mt. 23,12).
Nossa vida
O que Maria foi ontem, somos chamados a ser hoje: decididos na promoção do bem, sensíveis aos necessitados, capazes de experiências de solidariedade e capazes de pagar o preço necessário, pois fazer o bem tem um preço! Sensibilidade para com os mais necessitados! Maria reconhece os dons divinos em sua vida pessoal, bem como as intervenções de Deus na história. Maria é a mestra da solidariedade, pois é capaz de romper com a sua comodidade, com seu bem-estar pessoal e lança-se a caminho indo ao encontro daquela que necessitava da sua ajuda. Maria serve sua prima Izabel, mulher necessitada, representante de todos os necessitados. A relação parental entre Maria e Isabel é significativa pois nos ensina que devemos começar a servir os necessitados que estão mais próximos de nós, que  muitas vezes, são nossos próprios parentes ou aqueles com os quais cotidianamente convivemos. Outra mensagem significativa é quanto ao otimismo de Maria diante da história reconhecendo nela a intervenção da mão divina. Às vezes, somos pessimistas e não somos capazes de reconhecer os dons que recebemos de Deus em nossa vida pessoal e na nossa história contemporânea. Maria tem uma visão otimista da história: tem fé e sabe que Deus é o protagonista apesar do barulho dos promotores da maldade.
Antônio de Assis Ribeiro - SDB (padre Bira)



O Todo-poderoso fez grandes coisas por mim
Na metade do mês de agosto, explode a alegria na liturgia da Igreja. No hemisfério norte, coincide, ou se fez coincidir, com as festas ancestrais da canícula do verão boreal. À já celebrada alegria das colheitas acrescenta-se agora uma plenitude de alegria ainda maior ao celebrar a Assunção da Virgem Maria. Ela, a mãe de Jesus, é a “primeira cristã”, deveria ser também a primeira a chegar até Jesus.
A fé da igreja quis ver nela a confirmação definitiva de que nossa esperança tem sentido. De que esta vida, ainda que nos pareça ferida de morte, está na realidade grávida de vida, de uma vida que se manifesta já em nós e que devemos celebrar já aqui e agora e, em primeiro lugar, Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa.
Na primeira leitura encontramos um combate frontal entre a debilidade de uma mulher a ponto de dar a luz e a crueldade de um monstro perverso e poderoso que se apropria de uma boa parte do mundo, além de querer arrebatar-lhe o filho. O Apocalipse faz um relato precioso em simbologia na qual as comunidades cristãs podem estar representadas pela mulher, reconhecendo que um setor do cristianismo dos primeiros tempos teve um alto influxo da pessoa de Maria e da presença feminina em seu meio, como sustentáculos da fé e da radicalidade.
Por outra parte, o monstro é um sinônimo do aparato imperial. Com suas respectivas cabeças e chifres, representa os tentáculos do poder civil, militar, cultural, econômico e religioso, empenhado em eliminar o cristianismo, por sua ação profética, já que se tornou incômodo para os poderosos da terra.
A segunda leitura abre com uma bela metáfora da ressurreição de Cristo como primeiro fruto da colheita e logo classifica como todos os que em Cristo vivem, em Cristo morrem, também em Cristo vão ressuscitar. Trata-se de uma afirmação da vida plena para os que assumem o projeto de Jesus como próprio e nesse sentido se fazem partícipes da Glória da ressurreição.
No evangelho, o canto de alegria de Maria, proclamado no evangelho, se faz nosso canto. Temos poucos dados sobre Maria nos evangelhos. Os estudiosos nos dirão que, certamente, este cântico, o Magnificat, não foi pronunciado por Maria, mas que é uma composição do autor do evangelho de Lucas.
Porém, não resta dúvida que, ainda que não seja histórico, recolhe o autêntico sentir de Maria, seus sentimentos mais profundos diante da ação de Deus. Louvar e dar graças. Não se sente grande nem importante por ela mesma, mas pelo que Deus está fazendo através dela.
“Minha alma engrandece ao Senhor”. Maria goza dessa vida em plenitude. Sua fé a fez viver já em sua vida a vida nova de Deus. Há um detalhe importante. O que nos conta o evangelho não acontece nos últimos dias da vida de Maria, quando já supomos que havia experimentado a ressurreição de Jesus, mas antes do nascimento de seu Filho.
Já então Maria estava tão plena de fé que confiava totalmente na promessa de Deus. Maria tinha a certeza de que algo novo estava nascendo. A vida que ela levava em seu seio, ainda em embrião, era o sinal de que Deus se havia colocado a caminho e havia começado a agir em favor de seu povo.
Mais uma vez, em algumas ditaduras, este canto de Maria foi considerado revolucionário e subversivo, por isso censurado. Certamente é revolucionário e sua mensagem tende a virar do avesso a ordem estabelecida, a ordem que os poderosos tentam manter a todo custo.
Maria, cheia de confiança em Deus, anuncia que ele se colocou a favor dos pobres e deserdados deste mundo. A ação de Deus muda totalmente a ordem social do nosso mundo: derruba do trono os poderosos e enaltece os humildes. Não é o isso que estamos acostumados a ver em nossa sociedade.
Tampouco no tempo de Maria. A vida de Deus é oferecida a todos, porém somente os humildes, os que sabem que a salvação somente vem de Deus, estão dispostos a acolhê-la. Os que se sentem seguros com o que têm, esses perdem tudo. Maria soube confiar e estar aberta à promessa de Deus, confiando e crendo mais além de toda esperança.
Hoje Maria anima nossa esperança e nosso compromisso de transformação deste mundo para torná-lo mais de Deus: um lugar de fraternidade, onde todos tenhamos um lugar à mesa que Deus nos preparou. Porém, neste dia Maria anima sobretudo nosso louvor e ação de graças.
Maria nos convida a olhar a realidade com olhos novos e descobrir a presença de Deus, talvez em embrião, porém já presente, ao nosso redor. Maria nos convida a cantar com alegria e proclamar, com ela, as grandezas do Senhor.
Nota crítica: a estas alturas, é importante não falar da Assunção de Maria simplesmente como quem dá por suposto uma viagem quase sideral de Maria ao céu. Não é necessário deter-se mais uma vez na análise do tema dos “dois pisos” da cosmovisão religiosa clássica.
Porém, é necessário, ainda que seja como uma simples indicação, lembrar os ouvintes de que não estamos descrevendo uma assunção sideral, um translado físico, mas uma expressão metafórica, para que não se entenda mal tudo o que com uma bela estética bíblico-litúrgica podemos dizer a respeito.



O nosso coração está alegre porque hoje é a festa da Glória. Festejamos a Assunção de Maria, um dogma de fé que foi instituído pelo papa Pio 12, no ano de 1950.
Gloriosamente, Maria é elevada ao céu em corpo e alma! A justiça de Deus é inquestionável. Uma das coisas mais justas que Deus fez, foi levar Maria para perto de si, em corpo e alma. Não podia ser corrompido pelos vermes aquele corpo que gerou o Filho de Deus. Tinha que ser preservado o Santuário do Espírito Santo. Maria, uma pessoa especial, merecia também receber um tratamento especial.
“Minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Foi assim que Maria iniciou a sua oração em ação de graças ao Pai que Ela tanto amou e para quem nada negou. Toda sua vida foi marcada pela palavra sim.
Dois momentos muito importantes devem ser ressaltados no evangelho de hoje: o primeiro nos mostra Maria dirigindo-se, apressadamente para socorrer Isabel. Encontrou caminhos difíceis na região montanhosa. Entretanto, deixou a caridade falar mais alto, nenhum obstáculo serviu de pretexto para desistir, corajosamente venceu todas as barreiras.
Vamos também gravar em nossos corações este outro momento, quando Maria disse: "Ele olhou para a humildade de sua serva". Estas palavras de Maria nos mostram exatamente o seu caráter, são como um “raio-X” de seu coração. Maria, obediente e desapegada dos bens materiais, é o modelo de humildade.
A humildade da Santíssima Virgem é a causa da sua grandeza! Humilhou-se a ponto de reconhecer sua insignificância e o seu nada, como Ela mesmo dizia. Por tudo isso, o Senhor a exaltou à mais alta dignidade, pela qual será bendita por todas as gerações.
Maria soube enxergar a bondade de Deus e seu imenso amor ao escolhe-la para Mãe do seu próprio Filho. Ela, uma jovem pobre, desconhecida naquela sociedade e residente na periferia de um lugarejo também desconhecido. Porque Deus não escolheu uma rainha para ser a mãe de Seu Filho?
Claro que escolheu! Como se diz popularmente, Maria foi escolhida a "dedo". Deus Pai deu à Maria uma realeza jamais encontrada em nenhuma rainha. O Salvador do mundo, o seu Filho, tinha que ter uma Mãe pura e majestosa. Por isso, Maria é a mais bela e perfeita criatura, preservada até mesmo do pecado original.
Maria, glorificada na Assunção, é a imagem e o modelo da criatura plenamente salva, liberta e realizada. A Assunção de Maria é a grande prova da misericórdia divina, é a união entre o céu e a terra.
A Assunção é um exemplo das maravilhas que Deus preparou para os seus filhos, é uma pequena amostra do que está reservado para os servos que souberem viver a humildade e a caridade.
Jorge Lorente



A visitação
O trecho evangélico mostra Maria visitando Isabel e a oração do magnificat.
Essas duas partes compõem o texto litúrgico de hoje. Na primeira (1,39-45), Maria não se fecha na contemplação do mistério que está vivendo, mas se abre para o próprio necessitado. São Lucas utiliza o episódio para salientar o que se realizara na intimidade de Nazaré; que, somente num diálogo com um interlocutor, poderia deixar o seu escondimento e a sua dimensão individual. A comunicação obedece somente a uma exigência de comunhão: levar aos outros o facho de luz que ilumina Maria. Em seu comentário ao evangelho de Lucas, santo Ambrósio diz: “Maria dirigiu-se às pressas para a montanha, não porque era incrédula quanto à profecia ou insegura quanto ao anúncio ou porque duvidava da prova, mas porque estava feliz com a promessa e desejosa de realizar piedosamente um serviço, com o impulso que lhe vinha da alegria íntima... A graça do Espírito Santo não suporta demoras... Isabel foi a primeira a ouvir a voz, mas foi João que percebeu por primeiro a graça”. O mistério desta singular visita é o mistério da comunicação de duas mulheres, tão diferentes na idade, funções, ambiente, características, mas irmanadas na construção da história da salvação. Ambas trazem um filho no seio e, ao invés de falarem de si mesmas, falam de Deus, da sua grandeza, de suas intervenções prodigiosas. São mães capazes de louvar, de agradecer, de executar.
Na segunda parte (1,46-56), são Lucas, depois de ter pintado Maria como mulher dinâmica que se coloca a caminho e pronta para o encontro, transmite suas palavras. Esse é o discurso mais longo que encontramos no evangelho; contudo, é um discurso com Deus e sobre Deus, é oração, é o magnificat.
O movimento do pensamento: começa pelo indivíduo personalizado no eu de Maria que celebra em primeira pessoa: “Minha alma engrandece... meu espírito exulta...”, isto é, eu proclamo, eu exulto.
Esse eu não é isolado e tem o seu valor porque está relacionado com um tu, que é Deus, o qual não somente motiva a presença do eu inicial, mas o constitui em sua grandeza. Os atributos desse tu: “Salvador, todo-poderoso, santo” justificam suas intervenções históricas: “realiza proezas, dispersa, derruba, despede, socorre, lembra-se...”, que conduzem, no final do cântico, a um nós: “conforme prometera a nossos pais”.
O eu inicial, nascido no contexto comunitário do nós das promessas, realiza, em virtude desse tu, um novo nós, a comunidade dos fiéis que celebra a intervenção salvífica definitiva.
O material: foi dito que o magnificat não tem pensamentos originais, mas re propõem temas bem conhecidos no antigo testamento. Por isso, ele é visto como uma coleta de citações bíblicas. É verdade: Maria re propõem temas antigos, mas carregados de novidade, valorizando o princípio que Deus não faz coisas novas, mas faz novas todas as coisas (Ap. 21,5). Trata-se de enriquecer de novidade as palavras antigas, exatamente como o batismo torna nova uma criatura que já existe, transformando-a a partir de dentro.
padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos - O Mílite



Na plenitude da glória
O Concílio Vaticano II, no seu documento central - a constituição "Lumen Gentium", sobre a Igreja - de certo modo colocou aos pés da Virgem Maria o mais rico ramalhete de flores. É o capítulo VIII dessa Constituição dogmática, o qual tem o sabor de uma solene encíclica. Começa com as palavras "Benignissimus et sapientissimus Deus", e desdobra com altíssima sabedoria bíblica e teológica todas as grandezas que Deus colocou na bem-aventurada Virgem, ao mesmo tempo a divino Poeta: "Umile e alta piú che creatura" (Par. XXXIII, 2). Começa pela Maternidade Divina, fonte e razão de todos os dons de que Deus enriqueceu Maria. Proclama sua Imaculada Conceição, sua plenitude de graça, sua integridade virginal- que a maternidade não destruiu, mas consagrou -, sua presença na vida de Cristo, entrelaçando estrelas e lágrimas da santa Mãe e do divino Filho. Proclama seu poder de intercessão junto de Deus, e o culto que a Igreja lhe presta de um extremo ao outro da terra. Canta especialmente o triunfo final de sua vida, quando foi elevada para junto de Deus em corpo e alma. Aquilo que nós poderíamos chamar "a Páscoa de Maria". Nela se realizou o mesmo que aconteceu com Cristo: "á morte, onde está a tua vitória? - A morte foi absorvida na vitória" (1Cor. 15,54 e 55). Como uma semente rude lançada à terra germina na esplêndida beleza de uma flor, o corpo mortal floresceu na incorruptibilidade do corpo glorioso. Brilhou com uma nova luz aquela passagem da Escritura que diz: "Levanta-te, Senhor, e entra no teu repouso, tu e a arca de tua santidade" (Sl. 131,8). Maria, a verdadeira Arca da Aliança, acompanha a Cristo na sua entrada para a glória.
A Assunção de Maria ao céu, verdade que a Igreja professou desde os primeiros séculos, mas que foi proclamada como dogma pelo papa Pio XII, em 1950, é na verdade o coroamento de todos os dons e grandezas de Maria. Está na lógica de todos os privilégios da santa Virgem, a começar pela sua Conceição Imaculada - que a libertou do pecado e, por conseguinte, das conseqüências do pecado - até toda a identificação com seu Filho, como diz magistralmente o texto do Concílio: "A Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi levada em corpo e alma à glória celeste. E, para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo" (LG. 59/147).
E é assim que a liturgia desta festa nos faz ler a maravilhosa página do Apocalipse, que a Tradição sapientemente aplica a Maria: "Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, tendo a lua como pedestal de seus pés, e ao redor da cabeça uma coroa de doze estrelas" (Ap. 12,1). É um quadro de glória e de beleza, que a ternura filial da Igreja assumiu para louvar a Santa Mãe dos cristãos. Um autor moderno de teologia mariana faz sobre a Assunção de Maria uma belíssima reflexão, sempre atual. É a seguinte: Nós, fiéis, que ainda viajamos pelas incertezas do tempo e da História, somos como tripulantes de uma frota agitada pelas vagas do imenso mar tempestuoso. Enquanto Maria é a nau que já chegou ao porto da eternidade. E nós a contemplamos com olhares de esperança suplicante. Ajudados pela sua maternal intercessão; lá iremos chegar também um dia (Laurentin, Breve tratado de teologia mariana). O papa Pio XII, ao proclamar a Assunção da Virgem Maria, fez implicitamente uma proclamação da dignidade do corpo humano. O homem chega à glória da eternidade, quando sabe valer-se dos órgãos do corpo terreno para fazer o bem. Olhos, mãos, ouvido, cérebro, coração, numa palavra, um corpo posto a serviço de Deus e dos irmãos, foi o que levou Maria à glorificação final. Todos nós podemos e devemos fazer o mesmo. Guardara dignidade do corpo na terra, para que Deus o glorifique no céu.

Segunda homilia

Maria, a rainha da glória  maria assunta em corpo e alma ao céu
Desde que o Brasil eliminou o feriado de l5 de agosto, a festa da Assunção de Maria que se celebra na Igreja Universal nessa data, passou para o domingo seguinte. A festa não podia ficar esquecida no meio da Semana, não só porque celebra a Glorificação de Maria, mas, também, porque nos recorda uma das verdades fundamentais da fé cristã: Nossa Ressurreição, nossa Glorificação. De fato, Maria Assunta ao céu em seu Corpo nos diz o que acontecerá, no “fim dos tempos” a cada um dos que crerem no Senhor Jesus. Olhando Maria glorificada no céu, a Igreja contempla o futuro certo que a espera. O prefácio da Missa da Assunção de Maria ao céu o diz tão belamente: “Elevada à Glória do céu, aurora e esplendor da Igreja triunfante, Maria é consolo e esperança de todo o povo ainda em caminho”. “Nossa Senhora da Glória” e “Nossa Senhora da Vitória” são outras duas maneiras de chamar a Virgem Assunta ao céu, porque, alcançando a vitória final, Maria recebe hoje, toda a Glória possível para uma criatura humana. No dia 1º de novembro de 1950 o papa Pio XII proclamou verdade de fé que a “Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em Corpo e Alma à Glória celeste”. Isto não significa que a Festa da Assunção tenha começado em 1950; apenas que naquele ano, o que sempre o povo acreditara e celebrara foi declarado dogma de fé, isto é, uma verdade da qual ninguém mais poderia duvidar, embora ela possa ainda ser aprofundada por novos estudos.
A festa da Assunção é das mais antigas festas de Maria. Remonta ao século V, de onde temos notícia que se celebrava já no dia 15 de agosto, sem que saibamos a razão da escolha desta data. Não sabemos quando Maria terminou sua peregrinação terrestre. Não há nenhuma palavra a respeito, nos atos dos apóstolos (que conta a vida da Igreja nos primeiros tempos), nem nas cartas. Há lendas que a fazem morrer em Éfeso, no litoral oeste da Ásia menor, para onde a teria levado João Evangelista. Há estudos históricos que dizem ser quase certos que Maria terminou seus dias em Jerusalém e ter sido sepultada no Getsêmani, perto de onde Jesus começou a agonia e onde era o cemitério comum. Quem visita o Jardim das Oliveiras, logo à entrada encontrará a antiquíssima Basílica da Dormição de Nossa Senhora.
Se a Assunção em Corpo e Alma ao céu se deu antes da morte ou depois da morte, é uma questão aberta na Igreja, isto é, tanto podemos aceitar que Maria morreu, como aceitar que ela não morreu. Observemos o texto da verdade de fé que transcreveremos há pouco: “Ele não fala em morte, mas em terminado o curso de sua vida terrena”. Se a Assunção de Maria não está explicitamente contada em nenhum livro do Novo Testamento, como sabemos que ela foi elevada ao céu em Corpo e Alma? A Igreja não pode inventar verdades novas. Mas todas as verdades reveladas podem ser vistas de maneira nova, se os estudos trouxerem maior luz que deixe ver melhor o alcance da verdade.
O dogma de fé da Assunção de Maria se fez à medida que o estudo teológico chegava, vindo de muitos lados, à mesma conclusão. E o povo, com sua sabedoria histórica, seguindo os mestres ou antecedendo-se a eles, “iluminados pela graça e abrasados de amor para com aquela que é Mãe de Deus e nossa Mãe dulcíssima, compreendeu cada vez, com maior clareza a maravilhosa harmonia existente entre os privilégios concedidos por Deus àquela que o mesmo Deus quis associar ao nosso Redentor”( Sobre o assunto de Nossa Senhora No. 14 - Pio XII ) O dogma da Assunção é, portanto, fruto de séculos e séculos de estudo atento, partindo sempre da maternidade divina-humana de Maria, e da devoção sincera do povo, desde os primeiros tempos da Igreja. Há uma pergunta que se faz freqüentemente: “Porque se fala Ascensão de Jesus e Assunção de Maria? Ascensão vem do verbo ascendere, que significa subir. Jesus subiu ao céu com o seu próprio poder, porque era Deus. Assunção vem do verbo assumere, que significa assumir. Maria foi assumida por Deus, foi elevada pela força de Deus, porque, embora Santíssima, era criatura humana, dependente como todas as criaturas. Outra pergunta: Por que que na festa da Assunção se lê o Evangelho da Visitação de Maria a Isabel e o Cântico do Magnificat?
Normalmente, o Evangelho documenta as razões da celebração litúrgica. Como não há no Evangelho nenhum trecho que fala explicitamente da Assunção de Maria, a Igreja foi buscar uma página que falasse da grandeza de Maria. Ora, a grandeza maior de Maria é ser Mãe de Jesus, Mãe de Deus. Isabel reconhece a maternidade divina de Maria e a declara, por isso, “Bendita entre todas as mulheres”. E elogia Maria por ter acreditado no Senhor. A Assunção é a glorificação desta fé sólida de Maria, e a coroação conseqüente de sua Maternidade. O Magnifica é o resumo da História da Salvação. A Assunção é o ápice, para Maria dessa história, que passou pela obscuridade, pela pobreza, pela cruz e lhe exigiu o máximo de fé, de esperança, de dedicação. A festa da Assunção de Maria, ao mesmo tempo que nos faz contemplar a glória da Mãe de Deus, faz-nos pensar também em nosso destino. A Assunção de Maria, ou seja, a glorificação da sua humanidade, sua “subida” aos céus em Corpo e Alma, sua união definitiva e completa com Deus - não é apenas a exaltação de Maria. É também o início e a garantia do destino da Igreja, de todos os “santos”, de todos nós que seguimos a Cristo e a Maria nesta vida. Uma festa assim, em que a liturgia quer nos comunicar alegria é também um apelo a pensar naquilo que é realmente importante. Naquilo que é permanente e perene. Naquilo que não passa e não se corrompe, como não se corrompeu o corpo de Maria Santíssima. É um convite a pensar em Deus, no paraíso, na realização do desejo mais profundo e íntimo da nossa alma: a união com Deus, a contemplação daquele que é a Beleza sem defeito, a Verdade plena, o Amor sem limites. É verdade que este pensamento de Deus e do nosso destino não pode estar presente a todas as horas em nossa vida. São Bernardo, grande devoto de Maria e místico profundo, com viva experiência da união com Deus, dizia que muitas vezes não podemos deixar de voltar o nosso pensamento e nossa atenção às coisas passageiras: temos que cuidar de nossa alimentação, de nossa saúde, de nosso trabalho, das necessidades pequenas e grandes, imediatas e remotas, de nossos irmãos. Mas isto não deve nos fazer esquecer que tudo isso está voltado para um fim mais alto e é na contemplação deste fim, que é o próprio Amor, Deus em pessoa, que podemos e devemos encontrar a maior alegria.
Outro grande santo e místico, João da Cruz, pode nos ajudar a compreender um pouco melhor a nossa caminhada. Pois, muitas vezes, muitos de nós temos dificuldades em pensar no céu, em Deus, na glorificação do nosso corpo, na eternidade junto de Maria e dos santos... São João da Cruz compara a nossa vida a uma montanha, a Carmelo. Só lá em cima é possível encontrar a Deus. Para chegar lá, é preciso subir. Uns dão muitas voltas, para subir mais devagar. São João da Cruz preferia subir direto, o mais rápido possível. Subir é aproximar-se de Deus. Subir é, como subindo qualquer montanha, ter aos poucos uma visão do panorama, da realidade. Subir é desfazer-se de ilusões, das falsas imagens, dos desejos voltados para as coisas pequenas. Subir é abrir sempre mais o coração. Enquanto se sobe, a caminhada é difícil, fatigante. Quando se chega lá em cima, pode-se respirar à vontade, olhar de todo lado, gozar de tudo. Encontrar-se com Deus, subir até Ele, é também encontrar a plena realização de nosso ser, de nossos desejos. Será, objetará alguém, que o homem pode realmente subir até Deus? Quem nos dará as forças para tanto? De fato, como diz Jesus no Evangelho de João, ninguém pode ir ao Pai se o Pai não o atrair. Também de Maria Santíssima não se diz que “subiu” ao céu, mas que foi “Assunta”, assumida, elevada. Só Deus pode nos levar até Deus. Mas isso não deixa de ser, para nós, uma “subida” uma caminhada que nos leva mais perto dEle.
Uma caminhada ou uma subida em que nos é dado, de vez em quando, enxergar ou saborear o que será a chegada. Experimentar a alegria de senti-lo perto. Experimentar e reconhecer os sinais, as provas do seu amor. É o que aconteceu com Maria, como pudemos ver no Evangelho de hoje. Quando ela se encontra com Isabel, quando a alegria contagia até a criança que está ainda no ventre da mãe, Maria experimenta a graça de Deus e vê o que Deus realizará plenamente apenas no dia da Assunção: Deus exalta a sua serva humilde e todas as gerações a chamarão bem-aventurada! Junto com seu destino, Maria vê também o nosso destino, o destino de todos os pobres, humildes e famintos. Deus mantém suas promessas, os cumula de bens, os exalta. Com Maria, então, nesta festa, vamos louvar e exaltar a Deus.
padre Lucas de Paula Almeida, CM



Maria acreditou
Celebramos hoje a Assunção de Nossa Senhora. Foi oficialmente declarada como verdade de fé, pelo papa Pio XII em 1950, mas o fato já era aceito pela Igreja desde o início.
É um dos quatro dogmas marianos. Lembramos que Maria, quando "adormeceu" no Senhor, foi elevada ao céu em corpo e alma.
Seu corpo não sofreu a corrupção, conseqüência do pecado original, que ela não teve.
As leituras nos ajudam a aprofundar o sentido da festa de hoje:
A 1ª leitura nos fala de um grande sinal (Ap. 11,19a; 12,1-6a.10a)
Uma mulher apareceu no céu vestida de sol e coroada de 12 estrelas. Apesar de perseguida pelo dragão, vitoriosa dá à luz um Filho... Esse sinal representa a Igreja: Maria é imagem da Igreja (novo Israel).
Como Maria, a Igreja gera na dor um mundo novo.
E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Na 2ª leitura, Paulo fala da participação no mistério da Ressurreição: primeiro Cristo e depois os que são de Cristo... (1Cor. 15,20-27)
A Mãe de Deus tem lugar privilegiado no grande movimento da Ressurreição.
Maria Nova Eva: Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de Esperança para todos os homens.
No Evangelho, Isabel proclama Maria bem-aventurada. (Lc. 1,39-56) Pela Visitação, na Judéia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva.
Maria Mãe dos crentes: cheia do Espírito Santo, ela acreditou... Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
O texto apresenta uma catequese: "Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel... Ouvida a saudação, Isabel exultou de alegria"
- A saudação usada é "Shallon", que significa Paz... Para os judeus é o resumo dos bens prometidos por Deus ao seu Povo. Nos lábios de Maria, significa: o Messias esperado já chegou.
* Maria leva com Jesus a Paz, a alegria...
"Bendita és tu entre as mulheres..."
- Saudação dirigida a Jael e Judite, no Antigo Testamento... Maria também pertence à categoria dos instrumentos frágeis e pobres, com que Deus se serviu para realizar as suas maravilhas...
"Donde me vem a honra de vir a mim a Mãe do meu Senhor?"
- Palavras de Davi, quando recebeu a Arca da aliança em Jerusalém. Maria é a nova Arca da Aliança. Desde que Deus escolheu fazer-se homem, não habita mais em construções de pedra, em um templo, em um lugar sagrado, mas no ventre de uma mulher. O Filho de Maria é o próprio "Senhor".
Levar o Senhor dentro de si não é um privilégio reservado a Maria. Cada um de nós é chamado a ser, como Maria, uma "Arca da Aliança", com a tarefa de levar o Senhor aos homens.
Existe um Sinal evidente que permite verificar se os cristãos de hoje são "arca da aliança": é a alegria.
Maria onde chega, provoca uma explosão de alegria (Isabel... em Belém...):
- A nossa presença nos diversos ambientes... provoca alegria ou às vezes é motivo de tristeza?
- As comunidades comunicam alegria e esperança?
- Os pobres e marginalizados exultam de alegria em nossos encontros?
"Bem-aventurados és tu porque acreditaste..."
É a primeira bem-aventurança no evangelho de Lucas... Maria é bem-aventurada não porque viu, mas porque acreditou na Palavra do Senhor.
Fé autêntica funda-se na escuta da Palavra e se manifesta na adesão incondicional a essa Palavra...
Nesta festa, Maria nos ensina um tríplice segredo:
- O segredo da fé: "Eis aqui a serva do Senhor".
- O segredo da esperança: "Nada é impossível para Deus".
- O segredo da caridade: "Maria pôs-se a caminho..."
"Minha alma glorifica o Senhor..."
- O cântico de Maria descreve o programa de Deus, que ele começou a realizar desde o início, que prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja.
- Palavras que lembram o "canto de Ana", mãe de Samuel... É um canto composto depois da Ressurreição de Cristo, inicialmente atribuído à "Virgem Israel": pobre, humilhada, desprezada pelos povos vizinhos, mas agora glorificada...
Nos lábios de Maria: Ela é a Virgem Israel, porque dela nasceu o Salvador. É um grito de alegria, de gratidão e de esperança...
Alegremo-nos pela glorificação de Maria e pela esperança de nossa própria Glorificação. Um dia poderemos estar lá, onde ela já está...
No dia dedicado aos "religiosos", Maria é apresentada como modelo de pessoa consagrada e um "sinal" de Deus no mundo de hoje.

Segunda homilia

Celebramos domingo a festa da Assunção de Nossa Senhora. É uma verdade de fé definida pela Igreja em 1950 (Pio XII). Mas esse fato já era aceito pelos primeiros cristãos.
Em Jerusalém, há duas igrejas de Nossa Senhora: da “Dormição“, onde Maria teria morrido… Na cripta, aparece sobre uma mesa a “Virgem adormecida”. Do “túmulo” de Maria, no Getsêmani, onde Maria teria sido enterrada. Ao lado do túmulo uma pintura da Assunção de Nossa Senhora… Essa festa nos convida a erguer o olhar para o céu, onde Nossa Senhora é glorificada em corpo e alma, junto a Jesus ressuscitado, e onde também nós somos esperados.
A Igreja quer celebrar com essa festa o cumprimento do Mistério Pascal. Sendo Maria a “cheia de graça”, sem sombra de pecado, o Pai a quis associar à ressurreição de Jesus.
As leituras bíblicas da missa se relacionam com a festa.
A 1ª leitura fala de um grande sinal: uma mulher vestida como o sol, tendo nos braços um filho, que um dragão quer devorar… (Ap. 11,19-12,1-6.10) A “mulher” é a Igreja, o “dragão” significa o mal e o “menino” é Cristo. Todas as passagens das Escrituras referentes ao povo fiel a Deus podem ser aplicadas à nossa Mãe, Maria Santíssima. Eis porque essa é apresentada à nossa reflexão nesta solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Na 2a leitura, Paulo afirma que um dia todos serão glorificados (1Cor. 15,20-27). Antes, Cristo ressuscitado como primicia dos que morreram… depois os que foram de Cristo… E entre os que foram de Cristo cabe em primeiro lugar, sem dúvida alguma, Nossa Senhora. A Assunção é prenúncio da ressurreição final.
O Evangelho apresenta essa MULHER agraciada por Deus, que vai visitar e servir sua prima Isabel para servir (Lc. 1,39-56). Isabel exulta de alegria pela presença da Mãe do Senhor e aclama:”Bem aventurada és tu porque acreditaste!” Maria é bem aventurada porque confiou na Palavra de Deus. A fé verdadeira não necessita de demonstrações, mas se concretiza pela adesão incondicional a ela. Maria proclama um Hino de louvor ao Senhor pelas maravilhas que Ele realizou nela e em favor dos pobres.
Ela proclama que Deus realizou uma tríplice transformação, para restaurar a humanidade na salvação, obra de Cristo.
No campo religioso: Deus derruba as auto-suficiências humanas, confunde os planos daqueles que nutrem pensamentos de soberba, se inclinam para Deus e oprimem os homens. No campo político: Deus derruba os injustificáveis desníveis humanos, “abate os poderosos de seus tronos e eleva os humildes”. Não quer aqueles que executam os povos, mas aqueles que estão a serviço dos povos para promover o bem das pessoas e da sociedade, sem discriminações raciais, culturais ou políticas. No campo social: Deus confunde a classe baseada no dinheiro e na riqueza. “Cumulou de bens aos famintos e despediu os ricos de mãos vazias”… para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade, porque todos são filhos de Deus.
O Magnificat é um canto composto depois da ressurreição de Cristo, inspirado no canto da mãe de Samuel. Lucas o pôs nos lábios de Maria (1Sm. 2,1-11). A festa da  Assunção é um sinal de esperança para todos nós que estamos a caminho da glória. Maria recebeu, por antecipação, o que Deus reservou a todos os que viverem a exemplo de Maria, com humildade, atentos às necessidades dos irmãos. Por isso, a Assunção não é apenas uma verdade para se crer, mas sobretudo um mistério para penetrar.  É a meta final da minha humanidade, o desfecho inevitável da minha andança, da minha luta e do meu sofrer. É uma luminosa garantia de que também nós seremos o que ela já o é.
Maria é Mãe de Jesus e … nossa: a festa da Assunção de Maria nos mostra hoje a mãe que temos no céu, mas também o caminho que devemos seguir para chegar onde ela já está. Nunca sozinhos, mas na comunidade dos discípulos e irmãos de Jesus, alimentados pela Eucaristia, e por ela conduzidos…  Maria modelo de pessoa consagrada a Deus; Dentro do mês vocacional, hoje estamos lembrando a vocação religiosa… O Religioso e a Religiosa vêem em Maria um modelo a ser seguido: Maria: uma mulher consagrada a Deus, um sinal de esperança para o homem… Como Maria, os religiosos também fazem uma consagração especial a Deus e aos irmãos e devem ser um Sinal de Deus no meio do Povo… Rezemos pelas vocações religiosas, para que as pessoas consagradas continuem sendo ainda hoje no meio do povo: um sinal de Deus.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa





Assunção de nossa senhora
Na anunciação, o anjo informa a Maria a respeito da gravidez de Isabel, como uma garantia de que nada é impossível para Deus. Declarando-se serva do Senhor, Maria concebe Jesus, e como sinal do seu serviço, se dirige apressada para a casa de Zacarias, para encontrar sua parenta Isabel.
O Evangelho deste domingo (missa do dia) mostra o encontro das duas mães agradecidas pelo dom da fecundidade e da vida. O relato mostra também o encontro entre duas crianças, o precursor e o salvador. Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo; João Batista exulta no ventre de Isabel que, cheia do Espírito Santo, proclama Maria bem-aventurada. O relato mostra, sobretudo, que a Santíssima Trindade se revela nos pobres e faz deles a sua morada permanente. O Pai tinha revelado a Maria o dom feito a Isabel, a excluída por causa de sua condição estéril; o Espírito revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, tornara-se a "mãe do Senhor". Assim, a Trindade entra na casa dos pobres humilhados que esperam a libertação. A nossa oração mariana mais comum, a Ave Maria, na primeira parte é constituída exatamente pelas primeiras palavras do anjo a Maria. "Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo". A estas se seguem as primeiras palavras de Isabel: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre". O anjo chama Maria "cheia de graça", Isabel a chama "bendita". Ambas as expressões indicam antes de tudo qual é a relação de Deus com Maria. É desta relação que depende tudo aquilo que podemos afirmar sobre Maria.
As primeiras palavras de Isabel a Maria recordam os elogios feitos às mulheres libertadoras do Antigo Testamento; Jael: "que seja bendita entre as mulheres" (Jz. 5,24); e Judite: "Ó filha, seja bendita pelo Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra" (Jt. 13,18). Também a segunda parte do versículo se inspira nas promessas de vida a Israel: "bendito o fruto do teu ventre" (Dt. 28,4). João pula no ventre de Isabel e esta proclama Maria "bendita", isto é, bem-aventurada. As bênçãos do Antigo Testamento são renovadas definitivamente em Maria. Pedir a bênção é pedir a vida. Só Deus em definitiva pode dar a bênção. E em toda benção humana se pede a bênção de Deus, costume que também nós herdamos dos judeus. Na Bíblia, as pessoas abençoam (dão a benção) quando descobrem a presença de Deus que salva. Maria é motivo de bênção de maneira especial porque se tornou o lugar privilegiado no qual se experimenta Deus. Ela trouxe ao mundo o Senhor da vida por meio do qual foi vencida a morte e chegou até nós à vida eterna. Proclamando-a bendita, Isabel reconhece que Maria é cheia da bênção de Deus. O seu grande grito é um louvor (típico semítico) à ação de Deus, mas também é um grito de alegria por Maria. Em relação à Maria, Isabel experimenta a sua própria condição indigna: "quem sou eu, para merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?". Maria concebeu o Filho do Altíssimo, por isso, é a "mãe do Senhor", a mãe de Deus. Na segunda parte da ave Maria, nós recitamos "Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores". Também nós, como Isabel, reconhecemos ser pecadores e indignos diante da mãe do Salvador. Como ela, reconhecemos a diferença, e temos por Maria o apreço e a veneração que a ela compete.
Enfim, Isabel reconhece a bem-aventurança de Maria por causa de sua atitude: "bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu". Maria acolheu com fé a Palavra do Senhor. Levou a sério tudo o que Deus lhe anunciou. Assim, a fé se torna a forma fundamental da sua relação com Deus. Isabel é apresentada como aquela que por primeiro venerou Maria. Com as suas palavras, ela nos delineia os traços essenciais da figura de Maria. Maria, diante de tudo isso, no canto do Magnificat, fala com júbilo de Deus, daquilo que ele operou nela. Maria fica impressionada pela grandiosidade do Senhor e da sua obra poderosa. E ao mesmo tempo reconhece a sua pequenez. Ela sabe que é pequena e insignificante diante dele. Reconhece tudo isso com sinceridade e não se ensoberbece. No cântico, Maria reconhece que todas as gerações a chamarão bem-aventurada. Não por orgulho, mas porque o motivo de sua bem-aventurança é a obra de Deus nela. Assim, não há nenhum motivo pelo qual nós não possamos venerá-la. O todo-poderoso fez grandes coisas nela. E, como Isabel, nos enchemos de alegria. Com Maria, aprendemos a reconhecer que Deus é grande, poderoso e misericordioso, se dirige aos humildes e permanece absolutamente fiel a sua Palavra. Ele abate a soberba do homem.
padre Carlos



A solenidade da Assunção de Maria
A Assunção de Maria aos céus é o coroamento da glória daquela que é Mãe de Deus por ser a mãe de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Por isto, logo após sua morte, ela conheceu a ressurreição gloriosa e foi elevada aos céus pelo poder divino. Aí a diferença radical entre sua Assunção e a Ascensão de seu Filho, o qual foi para o céu pelas suas próprias forças.
Hoje contemplamos a Virgem Mãe em uma outra dimensão da existência que ainda não é dado aos mortais conhecer por lhes ser inacessível. Dá-se exatamente o que ela mesma disse no seu Cântico, o “Magnificat”, ou seja, “O poderoso fez em mim maravilhas”. O poder de Deus é sua Palavra e esta Palavra vive em Maria, visibilizando nela prodígios extraordinários que culminam com sua Assunção.
Este dogma da fé católica vem, entretanto, lembrar que todos os cristãos estão destinados à mesma glorificação. No Oriente e no Ocidente, nos textos mais antigos deparamos à crença firme nesta verdade teológica e no seu esplêndido apelo. Maria, a nova Eva, sem a mancha do pecado original tinha todas as condições para partilhar a glória de seu divino Filho Ressuscitado. Ela, já na Jerusalém celeste de corpo e alma, é um convite vivo a que o batizado se eleve espiritualmente muito além de suas preocupações puramente terrestres  Ela nos torna atentos aos valores importantes que tantas vezes são negligenciados.
Incita a que se coloque no céu toda esperança. Tudo isto o Papa Pio XII quis recordar ao proclamar dia 10 de novembro de 1950 na Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus” este dogma de fé. Era a  expressão legitima e necessária daquilo em que sempre acreditaram os fiéis. A Assunção foi um ato de Deus que contribui para firmar o desejo de estar com Ele por toda a eternidade, como aconteceu com Maria logo após sua morte.
Maria morreu a exemplo de Jesus, mas foi imediatamente transfigurada, ela a Mãe da Luz, a Teotokos, Mãe de Deus que é luz, e por isto ela logo entrou no gloria que vai além do esplendor das hierarquias celestes. Vitoriosa sobre o pecado, venceu a própria morte. Transfigurada, ressuscitada, ela já realizou o objetivo pelo qual Deus criou e salvou o ser racional, criado à sua imagem e semelhança. A Assunção é um penhor da união do batizado com seu Filho glorificado. Por tudo isto, esta celebração é, igualmente, um louvor ao divino Redentor, pois a Assunção de Maria não foi senão uma extensão especial de tudo que Ele mereceu para a humanidade. Maria é a perfeita imagem da Igreja triunfante do céu. Deus quis antecipar o fim dos tempos para ela e isto é um sinal para todos os fiéis e para toda sua Igreja peregrina nesta terra.
De fato, o corpo humano sujeito à fragilidade e a tantos sofrimentos no dia da ressurreição dos mortos conhecerá o mesmo destino da Mãe de Jesus, quando ressurgir espiritualizado Neste dia é bem que se recordem as palavras de São Paulo: “Ao clangor da última trombeta, pois soará a trombeta, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. É de fato necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que este corpo mortal se cubra da imortalidade” (1 Cor 15,53).
Desta inefável realidade a Assunção de Maria é o luminoso indício. Ela já conheceu a plena vitória sobre a morte, como acontecerá a todos que aderirem plenamente a Deus. A salvação não é algo ilusório, mas real, concreto. Como aconteceu com Maria, também para os verdadeiros seguidores de Cristo os limites de sua condição humana, de sua debilidade, cessarão, sua fronteira será ultrapassada na ventura perene do esplendor do Paraíso.
Isto então não apenas para a alma que já gozava da visão beatífica, mas também para o corpo glorioso que se unirá novamente à alma. Corpo e alma reunidos para o festim da eternidade junto com a Rainha de todos os anjos e santos. Tudo isto deve encorajar o cristão para que não se deixe levar pelas ilusões terrenas, procurando sempre viver de acordo com os preceitos divinos, ajudados pela proteção daquela que lá do céu acompanha cada um de seus filhos que por ela clamam neste vale de lágrimas.
Uma vida ajustada à Palavra de Deus é a grande mensagem desta solenidade na qual todos os corações se voltam para o céu. Ela deseja que cada um se enraíze na escuta e no acolhimento das inspirações celestes. Porque sempre viveu na certeza da presença de Deus, intensamente unida a Ele, Maria mereceu uma honra antecipada. Dela se aprende o sentido do poder do amor que Deus manifestou na vida de Jesus.
Com ela seus filhos se tornam capazes de degustar o louvor ao Ser Supremo, pois ela proclamou: “Minha alam exulta no Senhor, rejubila meu e espírito em Deus meu salvador” Ela entoou um cântico magnífico porque “Deus olhou para a humildade de sua serva”, este Deus que resiste aos soberbos, mas aos humildes oferece a sua graça”. Que a figura da Virgem Assunta aos céus esteja em cada um de nós para que com Ela saibamos exaltar o Senhor. Ela a todos aguarda para os gozos eternos. Magna expectativa, mas fulgente alerta para que não se perca tamanha felicidade!
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho