.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Jesus é a Pedra angular

27º DOMINGO TEMPO COMUM

5 de Outubro de 2014
Evangelho - Mt 21,33-43

-MATARAM O FILHO DO DONO DA VINHA-José Salviano


          O proprietário da vinha é Deus. A vinha é o povo de Israel e o judaísmo, é o povo de Deus que foi libertado do Egito. Os empregados são os profetas. Os vinhateiros são os saduceus, ou a elite dos judeus. O filho do proprietário é Jesus Cristo. Leia mais

============================
============================

A Palavra de Deus deste XXVII domingo comum recorda-nos uma história de amor, misteriosa, triste e destinada a nos fazer pensar... É a história do Povo de Israel. Não sua história simplesmente na forma de crônica, de rosário de fatos, um após o outro, no correr do tempo. Aqui a história é apresentada em forma de parábola, uma parábola do amor de Deus, o Amado, por sua vinha; uma parábola de decepção, de vinhateiros assassinos, de um Filho querido jogado fora da vinha...
Na primeira leitura, de Isaías, Deus se queixa de sua vinha pela boca de seu profeta: “Um amigo meu plantou videiras escolhidas... esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens”. Eis a história de Israel, a vinha amada: o Senhor plantou seu povo: esperou bons frutos, mas vieram frutos azedos: “A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá é sua amada plantação; eu esperava deles frutos de justiça – e eis a injustiça; esperava obras de bondade – e eis a iniqüidade”. Ante tal infidelidade, o Senhor diz pelo profeta: “Vou desmanchar a cerca, e ela será devastada, vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. Vou deixá-la inculta e selvagem...” Eis o triste resumo da história do Povo de Deus da antiga aliança. Tão amado, tão preferido, Israel não foi fiel à aliança, Israel não deu os frutos de amor, de sensibilidade para com seu Deus, de total dedicação a ele que o Senhor esperava.
Essa atitude do primeiro povo chegou ao extremo na atitude dos chefes judeus da época de Jesus: misteriosamente, eles rejeitaram Jesus, expulsaram-no da vinha de Deus e mataram-no. O fato é que Israel foi se fechando para aliança com o seu Deus e, quando o Messias veio, o Povo amado não teve a capacidade para reconhecê-lo e acolhê-lo... Recordemos como Jesus fala de seu próprio destino na parábola de hoje: o proprietário que planta a vinha é o Pai do céu, a vinha amada é a casa de Israel – essa vinha que, já vimos, deu frutos azedos; os vinhateiros são os chefes do povo, aos quais Deus confiou sua vinha; o Senhor enviou seus empregados para receber os frutos: são os profetas e todos aqueles que advertiram o povo de Deus para que se convertesse. Os vinhateiros espancaram e mataram esses enviados. O Pai, então, enviou o Filho, o Amado, o Herdeiro. “Vinde, vamos matá-lo!” – eis a terrível palavra dos vinhateiros, a sentença dos chefes judeus! E tomam o Filho amado, expulsam-no como um maldito e matam-no! Diante disso, a conclusão do Evangelho é tremenda, é misteriosa: a vinha será tirada e dada a outros. A eleição de Israel passará para um novo Povo, a Igreja; Jesus, a pedra rejeitada, será a pedra angular de uma nova construção – o Novo Povo de Deus, a Igreja do Novo Testamento, nascida do seu sangue.
Que história impressionante: um povo tão amado, um povo singular. Um povo de santos... e que perdeu a oportunidade de reconhecer e acolher o Messias tão esperado e tão desejado! Um povo que deveria ser ministro da salvação de toda a humanidade e não soube compreender sua missão... Ao mesmo tempo, nosso misterioso nascimento: somos a Igreja, resto de Israel, do qual Deus fez, em Cristo, um Novo Povo, para testemunhar o Senhor e levar seu nome aos confins da terra. Somos um povo, caríssimos: mais que brasileiros, somos Igreja; mais que tudo, somos o Povo de Deus da nova aliança, somos a vinha do Senhor, enxertada no verdadeiro tronco, que é Jesus, a verdadeira videira! Sem merecer, por graça de Deus, eis o que somos!
A Escritura nos diz que todas essas coisas aconteceram para nos servir de exemplo (cf. 1Cor. 10,6)... Não somos melhores que os judeus, não devemos desprezá-los nem condená-los! É verdade que jamais a aliança passará para um terceiro povo, jamais a Igreja perderá sua condição de Novo Povo de Deus. Compreendamos: a verdadeira vinha nova é o próprio Cristo: "Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor" (Jo 15,1). Vinha bendita, verdadeira cepa da antiga vinha, Israel! Jesus é a videira, nós, os ramos: "Eu sou a videira e vós os ramos" (Jo 15,5). Ele é o tronco bendito e nós, sua Igreja, os ramos que não se podem separar dele! É por isso que jamais essa Igreja, nova vinha unida ao tronco, poderá perder a condição de videira escolhida, amada e eleita. Mas, atenção: os ramos, individualmente, podem ser arrancados: "Todo ramo que em mim não produz fruto o Pai corta" (Jo 15,2). Eis, meus caros: devemos, sim, perguntar pela nossa fidelidade a Deus que, em Jesus, nos fez ramos da sua nova vinha! Que frutos, caríssimos, estamos dando? Uvas doces? Uvas azedas? Uvas nenhumas? Quais são nossos frutos? São nossas obras, são nossas atitudes, é nosso modo de viver? O Senhor espera de nós uma vida segundo a sua vontade, segundo aquilo que o Senhor Jesus nos mostrou e viveu; o Senhor espera de nós um testemunho de amor profundo a ele, para que o mundo descubra e corresponda ao seu amor! Na segunda leitura deste hoje, o Apóstolo nos exorta: "Irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor. Praticai o que aprendestes e recebestes. Assim o Deus da paz estará convosco". Eis aqui um belo programa de frutos dados por um ramo enxertado em Cristo!
Igreja de Deus, aqui reunida para a Eucaristia, é a vinha amada do Senhor! Vinha por vezes ameaçada de devastação, seja pela perseguição do mundo que não crê, seja pelos seus próprios pecados, que azedam os frutos que deveriam ser doces! Convertei-vos, Igreja de Deus em Cristo; convertei-vos e dai frutos em vossa vida!
Quanto a vós, Senhor Deus, Senhor da vinha, “Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai! Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao Rebento que firmastes!” Olhai, Pai Santo, a face do vosso Filho Jesus, morto e ressuscitado, que oferecemos em sacrifício eucarístico: tende piedade de nós; dai-nos força, vida e paz!
dom Henrique Soares da Costa


Trabalhar na vinha do senhor
O tema da vinha é predominante na liturgia de hoje. Trata-se de parábola comum ao Antigo e ao Novo Testamentos da qual primeiro os profetas e, depois, Jesus se serviram para falar do amor de Deus e da ingratidão do ser humano. Na primeira leitura, Isaías descreve a história de Israel como a história da vinha que o Senhor plantou e à qual deu condições para que produzisse bons frutos. O evangelho resume a metáfora de Isaías e a desenvolve, falando de outros imensos benefícios feitos por Deus, primeiramente o envio dos profetas e, enfim, o envio do Filho como prova suprema de amor. A segunda leitura pode ser tomada como um convite à gratidão para com Deus e como compromisso de nossa parte para darmos abundantes frutos de boas obras.
Evangelho (Mt. 21,33-43)
Entregarão os frutos no tempo certo
Numa releitura do texto de Isaías, o evangelho de hoje vem acentuar a importância dos líderes religiosos no exercício de sua missão na comunidade: cuidar da vinha.
O cultivo da vinha exige muita dedicação, porque ela representa freqüentemente os escolhidos de Deus, que são muito valiosos para ele. O dono da vinha esteve distante até o tempo em que ela deveria dar frutos e a confiou a “empregados”. Jesus está dizendo a seus interlocutores que eles são apenas servos de Deus, que a função deles é entregar os frutos para o verdadeiro dono, mas eles quiseram fazer as coisas do jeito deles.
Os servos quiseram a parte que pertencia a Deus. Mas somente o Senhor tem a última palavra na condução do povo. E somente a Deus pertence o louvor, não aos líderes religiosos. Então a liderança religiosa já não estará com aquele grupo; caberá a quem fizer a vinha produzir frutos para Deus.
Essa realidade criticada pelo evangelho está presente na Igreja em todos os tempos, porque o ser humano é sempre tentado a usurpar o lugar de Deus. Para aprendermos a assumir nosso papel na liderança da comunidade, basta olhar para Jesus, que não se apegou a seu ser igual a Deus, mas assumiu a condição de servo (cf. Fl. 2,6-7). E ele é o herdeiro da vinha. Por isso, Jesus é o caminho a ser seguido não somente pelos líderes religiosos, mas por todos os cristãos que queiram realizar na sua vida a vocação humana e cristã: ser para Deus. Se realizarmos essa vocação, certamente a vinha do Senhor dará muitos frutos no seu tempo.
1ª leitura (Is. 5,1-7)
Esperava que produzisse uvas boas
O poeta canta em versos a história de amor entre seu Amigo e a vinha. Primeiramente destaca o cuidado que seu Amigo teve para com ela: preparou a terra, plantou mudas selecionadas; deu-lhe proteção permanente com vigias, construindo uma torre; evitou que as uvas se estragassem, fazendo um tanque de amassar uvas. Esses cuidados fizeram dela uma “vinha preciosa” (Jr. 2,21). Contudo a vinha não correspondeu às expectativas de seu proprietário. Para Isaías, a vinha é Israel e Judá, a totalidade do povo de Deus. Que expectativas não foram correspondidas? O exercício da justiça e do direito.
O poeta afirma que seu Amigo, o proprietário da vinha, identificado com o Senhor dos exércitos, convoca os moradores de Jerusalém para julgar a vinha. O proprietário faz duas perguntas: a primeira sobre as próprias atividades, e a segunda sobre a produção da vinha. No final, o proprietário dá uma sentença, anunciando o que fará. E suas atividades para com a vinha serão o oposto dos cuidados iniciais. O ápice é o v. 7, no qual estão em contraste as expectativas de Deus e a resposta negativa do povo.
A vinha não produz os frutos esperados, o povo não realiza obras que agradam a Deus, especificamente a justiça e o direito. Essas palavras da primeira leitura são bem atuais; hoje elas se dirigem a nós que somos povo de Deus em Jesus Cristo.
2ª leitura (Fl. 4,6-9)
Ocupai-vos com tudo o que é bom
O texto da segunda leitura traça um itinerário para que o cristão possa ter uma práxis que seja fruto de seu relacionamento com Deus.
Primeiramente diz: “Não vos preocupeis com coisa alguma”. Isso não significa ser irresponsáveis nas tarefas, nas atribuições, nas profissões, nos relacionamentos familiares etc., e sim que as preocupações com o cotidiano não devem tomar demasiado espaço em nossa vida. Quanto mais se confia em Deus, tanto mais os pensamentos ficam livres de aflições e ansiedades (cf. Mt. 6,25 e 1Tm. 5,8).
Se alguma situação se torna muito difícil para nós, então devemos nos reportar a Deus com orações e súplicas. A palavra “súplica”, no idioma em que o texto foi escrito, denota o sentido de algo do qual necessitamos muito, de alguma coisa vital para nós. Mas as orações e súplicas devem estar unidas à ação de graças, porque devemos agradecer a Deus antes mesmo de receber a resposta dos nossos pedidos. Talvez Deus não realize exatamente o que esperamos, mas sabemos que ele sempre responde às nossas orações e por isso devemos agradecer imediatamente.
Em seguida, após depositarmos nossas dificuldades nas mãos de Deus, então já não estaremos tão estressados como antes e poderemos saborear “a paz que supera todo entendimento” (v. 7). Sentimos paz não porque a situação foi resolvida, mas porque ela já não nos sufoca – afinal, somos a vinha bem cuidada de Deus.
E como nossa mente já não está sobrecarregada com preocupações e ansiedades, então podemos nos ocupar com o que é essencial (v. 8): levar uma vida exemplar no mundo (dar testemunho), sendo verdadeiros, sabendo respeitar a dignidade do outro, sendo amáveis, sendo puros, enfim, praticando as virtudes.
Paulo termina dizendo que esse comportamento os filipenses aprenderam observando o modo como ele, Paulo, se comportava. Quem dera as pessoas pudessem também aprender essas coisas pelo testemunho dos cristãos. Então o mundo inteiro seria uma vinha que produz frutos agradáveis para Deus.
Pistas para reflexão
Também para os membros da Igreja valem as palavras de Isaías e de Jesus; por isso a homilia deve evitar estabelecer contraposição entre Israel e Igreja, para não deixar os cristãos numa posição muito confortável. Se a vinha, que é a vida de cada fiel na Igreja, não der frutos, Jesus dirá hoje as mesmas palavras que dirigiu aos líderes religiosos da sua época.
Estamos iniciando o mês missionário, e todo batizado deve ser “vinha do Senhor”, dar frutos e evitar o comodismo que freia a missão. Esta não deve ser entendida como atividade individual e fruto de recursos e capacidades humanas, mas sempre como colaboração com a obra missionária de Cristo, pois ele é a origem e fonte de toda atividade missionária na Igreja.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj


"O Reino de Deus será tirado de vocês e será entregue a um povo,
que produzirá seus frutos"
1ª leitura: Is. 5,1-7
O poema da vinha do Senhor conta a decepção que Deus teve com o seu povo. Como o agricultor, Deus plantou uma vinha que é o povo de Israel e tomou todos os cuidados necessários, para que sua vinha produzisse uvas saborosas. Na hora da colheita só encontrou uvas azedas. O profeta, que fala em nome de Deus, convida os ouvintes a serem juízes entre o agricultor e a vinha; convida-os a responder a esta pergunta carregada de ternura e dedicação e ao mesmo tempo de ressentimento. O que poderia ainda ter sido feito por minha vinha e eu não o fiz? Eu contava com uvas gostosas, mas por que ela produziu uvas azedas? Os ouvintes, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, parecem responder: Na verdade o Senhor fez tudo! O Senhor só poderia esperar uvas saborosas! Os ouvintes, implicitamente, aprovam a decisão do Senhor da vinha. Que decisão ele tomará? Ele vai proceder exatamente ao contrário do que fez anteriormente. Vai deixar a vinha totalmente desprotegida, vai derrubar a sua cerca e vai entregá-la à devastação. Não vai cuidar dela mais. Inclusive, vai proibir às nuvens que a molhem com chuva. É aqui que começamos a descobrir que o agricultor é o próprio Deus. O verso seguinte de fato diz: "Pois a vinha do Senhor Todo Poderoso é a casa de Israel, e os cidadãos de Judá são sua plantação querida". Com todo zelo de agricultor, com todo o carinho de urna mãe, Deus liberta seu povo da escravidão egípcia e o planta na Terra Prometida, para produzir uma sociedade justa e fraterna. Deus não tinha mais nada a fazer senão esperar os frutos desejados. Mas, ao invés de reinar o direito, "domina a violação do direito", ao invés da justiça esperada, "só se ouvem os gritos dos injustiçados".
Em sua decisão o agricultor disse que vai deixar sua vinha "ser devastada e calcada aos pés". É uma referência à invasão do exército assírio que devastará o país de Israel, que é a vinha do Senhor. Israel não deu os frutos desejados do direito e da justiça, cerca protetora; agora não poderá reclamar da ruína. 
2ª leitura: Fl. 4,6-9
Qual o significado desse v 6? “Não se angustiem com nada: sempre em orações e súplicas com ação de graças apresentem suas necessidades a Deus”. O que angustiava a comunidade? Entre outras coisas temos uma referência no v 2, onde duas líderes da comunidade, Evódia e Síntique, estavam brigadas. Paulo pede que elas façam as pazes. Parece que o v 6 nos remete a um contexto de celebração comunitária, onde as necessidades devem ser apresentadas a Deus juntamente com orações, súplicas e agradecimentos. O momento da celebração eucarística traz para todos essa serenidade de espírito, essa tranquilidade de que todos precisamos para a boa convivência, para pedir e para agradecer a Deus. A celebração é uma espécie de oásis diante das angústias e dos conflitos em que vivemos. Como consequência de nossa celebração - nossas orações, súplicas e ação de graças - nos encheremos da paz de Deus em Cristo Jesus.
Finalmente, Paulo aponta o ideal do comportamento do cristão. O cristão deve estar sempre voltado para o que é virtude, o que merece louvor. Termina colocando-se como exemplo. Os filipenses devem se espelhar nas palavras e no comportamento de Paulo; assim o Deus da paz estará com a comunidade.
Evangelho: Mt. 21,33-43
Esta parábola, dirigida aos chefes do povo de Deus, se inspira no canto da vinha (Is 5, 1-7 – 1ª Leitura). O proprietário é Deus, a vinha é o povo e os vinhateiros são os chefes do povo, representados aqui pelos sumo-sacerdotes e anciãos. Como em Isaías, Deus cercou a vinha de todos os cuidados possíveis, ela tem tudo para produzir seus frutos de justiça e direito. Esses cuidados de proprietário pela sua vinha sintetizam todo o zelo de Deus ao longo da história do seu povo.
"Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos". Lembremos que os vinhateiros são os chefes do povo. E quem são os empregados? São os mensageiros - os profetas - que Deus vai enviando ao seu povo ao longo da história. Mas o que os vinhateiros fazem com os empregados? Não os acolhem. Pelo contrário vão sendo cada vez mais agressivos com eles: agarram, espancam, apedrejam e matam. O proprietário, paciente e incansavelmente, manda outros empregados. Mas a crueldade se repete. O proprietário, ainda esperançoso, envia seu próprio Filho, pensando que ao Filho eles respeitariam. É Deus esgotando todo o seu amor por nós, arriscando o que tinha de mais precioso. É a última tentativa de Deus, mas é também a última chance dos vinhateiros. E o que acontece? Deus sentiu de perto a trama da maldade humana nos representantes do povo. Perpetuam a injustiça, pisam no direito e eliminam os portadores destes ideais. Não respeitaram nem mesmo o Filho de Deus, mas ambicionaram sua herança; aqui está o sentido da ambição e poder sobre o povo. "Agarraram o Filho, jogaram-no fora da vinha e o mataram". Jesus, de fato, foi morto fora dos muros da cidade.
A essa altura Jesus lança para eles uma pergunta provocadora: "Quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?" Eles responderam ingenuamente sobre o próprio destino: "com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão o fruto no tempo certo".
Jesus, primeiro, cita o SI. 118,22s, mostrando-se como a pedra angular sem a qual nenhuma construção se sustenta. Jesus é, portanto, a sustentação do povo de Deus, que vai produzir frutos de justiça e direito. Em segundo lugar, Jesus decreta a sentença contra os chefes do povo: "O Reino de Deus será tirado de vocês e será entregue a um povo, que produzirá seus frutos".
Os vinhateiros de hoje estão produzindo os frutos de justiça e de direito?
dom Emanuel Messias de Oliveira


A nossa responsabilidade diante dos apelos de Deus
Nos tempos de Jesus, havia nas colinas da Galiléia, ricos latifundiários estrangeiros que arrendavam suas propriedades a agricultores do lugar e que, na época das colheitas, mandavam representantes para receber a parte da produção que lhes tocava. Sucedia que, às vezes, esses representantes fossem maltratados, e até mesmo assassinados, pelos arrendatários. Este expediente extremo tornava‑se uma tentação maior quando a pessoa do representante se identificava com a do herdeiro. Pois segundo as leis do tempo sobre a herança, uma propriedade, quando da morte do seu dono sem herdeiros, passava para as mãos de quem a ocupasse por primeiro.  Portanto, combinando o canto da vinha de Isaías (5,1-7) e a situação social da época, Jesus conta uma parábola aos chefes judeus na qual Ele revela a clara consciência de ser o enviado de Deus, o Filho, que está sendo rejeitado pelos chefes de Israel e a grave responsabilidade deles.  As consequências serão terríveis. São livres e soberanos na decisão de acolhe-lo ou rejeita-lo, mas já não serão livres das conseqüências da própria escolha.  Como aparece já no canto de Isaías, a vinha é Israel, Deus é o seu dono e os enviados são os profetas que Ele mandou sucessivamente para fazer o seu povo recordar a Aliança. Porém, os profetas foram, em geral, perseguidos e, não raro, assassinados.  Na plenitude dos tempos, Deus mandou o seu próprio Filho, esperando que, por ele, Israel tivesse maior consideração e o acolhesse, mas rejeitou-o igualmente. Matou‑o, crucificando‑o fora dos muros de Jerusalém. O que Deus poderia ter feito ainda por este povo, Ele que, na imensidão do seu amor, deu o que de mais precioso tinha: seu próprio Filho único? Ele chegou à plenitude do seu dom dando‑se a si mesmo no Filho.  Nada mais lhe resta! O texto diz que Ele tomará a vinha àqueles arrendatários infiéis e dá-la-á a outros que a façam frutificar, significando que Deus rejeitará os chefes judeus e todos aqueles que não acolheram a mensagem de seu Filho e formará um novo povo eleito.  Na verdade, porém, não é Deus que rejeita. Ele é tão misericordioso e longânime que, para salvar o seu povo, enviou continuamente sucessivos mensageiros e, por fim, mandou o seu próprio Filho. Um Deus assim não rejeita ninguém, nem mesmo quem o rejeita tão descaradamente. Aqueles que não aceitam Jesus são excluídos em razão de sua própria escolha.  São Francisco de Assis, neste mês de outubro, seja exemplo de acolhida incondicional a Cristo e à mensagem do Evangelho.
frei Aloísio Antônio de Oliveira OFV Conv



“O Reino vos será tirado”
Uma história em parábola.
O ano litúrgico é uma grande escola para conhecermos Jesus, sua missão e os caminhos pelos quais corresponder ao Deus que se nos revelou. As celebrações têm um aspecto especular, isto é, são um espelho para nos vermos e ajustar nossos caminhos. Os primeiros cristãos, principalmente os de origem judaica, e eram muitos, colocavam-se diante do problema: Se Deus escolheu um povo para ser o depositário das promessas, das alianças, por que agora os pagãos entram em pé de igualdade na comunidade cristã? Jesus ensina que o Reino é aberto a todos os povos e igualmente aos judeus. Os judeus não perdem seu passado. Paulo é claro; “A eles pertence a adoção filial, a glória… e dos quais descende Cristo segundo a carne” (Rm. 9,1-5). E diz também: “Israel ficou endurecido” (Rm. 11,7).
Os judeus não foram recusados. Ao tronco da oliveira doméstica foi enxertada a oliveira selvagem. Se esta floresceu, quanto mais florescerá o ramo natural (16-36). O ensinamento de Jesus não se dirige ao povo, mas aos chefes que eram os responsáveis a quem Deus confiou este povo. Nesta parábola podem, sobretudo, os que têm alguma responsabilidade sobre o povo, seja religiosa, civil ou social, fazer um exame de consciência, pois a eles ela se dirige.
Deus quer os frutos.
A profecia de Isaias mostra o desencanto de Deus contra a falta de correspondência a seu plano. A parábola ensina que a vinha é o povo. Deus cuidou dela com tanto carinho e, quando veio buscar os frutos, só encontrou uvas azedas que são o sangue derramado e a injustiça. O texto da parábola é uma síntese da história do povo e de suas contínuas recusas. Ela é feita para os chefes do povo, que, tendo a responsabilidade sobre ele não o levou a produzir frutos para Deus. Os profetas foram mortos por cobrarem esses frutos. Deus mandou Jesus, o Filho, que veio anunciar a vontade de Deus. Também Ele foi morto e fora da vinha, isto é, fora das portas da cidade. Ele, que foi recusado, tornou a pedra angular do novo edifício. É Ele quem deu a Deus os resultados da vinha. O povo produzirá frutos. A vinha não é devastada, mas tem outro responsável que a faz produzir frutos para Deus.
O Reino vos será tirado
Deus fez muito por seu povo e agora faz por nós que recebemos a herança de Deus. Deus é fiel. Se formos infiéis, Ele pode confiar a outros o cuidado de sua plantação. Deus se comprometeu em fazer sua parte. Mas, se a Igreja e a sociedade, nas pessoas de seus responsáveis, a quem Deus seu povo e seu Reino, repetirem o que fizeram os chefes dos judeus, seremos todos excluídos. Muitas vezes nos questionamos sobre a fuga de tantos da Igreja. Temos as seitas, o ateísmo, o laicismo e outros nomes. Será que não estamos obstruindo o plano de Deus com leis, costumes, políticas religiosas, filosofias que pouco tem a ver com o Evangelho? A vinha será dada a outros que possam produzir para Deus. Daremos um testemunho melhor se formos mais coerentes. O que podemos fazer para corresponder aos compromissos que Deus fez para conosco? O que esta Palavra nos questiona? Paulo dizendo: “Praticai o que aprendestes e recebestes de mim ou que de mim vistes e ouvistes” (Fl. 4,9). Quando nos reunimos, é preciso ouvir o que Deus tem a nos dizer. A celebração não é só uma oração, mas um questionamento e uma missão.

1. Os cristãos vindos do judaísmo tinham dificuldades de aceitar os vindos do paganismo em pé de igualdade. Paulo ensina que, Jesus foi recusado pelos chefes do povo. Deus abriu a fé aos povos, mas não fechou a eles. A parábola se dirige aos chefes. Agora a parábola é uma chamada aos que dirigem o povo.
2. A parábola, como o texto de Isaias e salmo 79, comparam o povo à vinha. Deus pediu os frutos do povo e os chefes mataram os profetas e também a Jesus. Ele e agora o novo chefe, pedra de alicerce que dará os frutos a Deus.
3. Deus nos confiou esta vinha. Se não formos fiéis, Ele dará a outros. Os chefes da Igreja e da sociedade, se não derem os frutos a Deus, haverá a mesma exclusão. Vemos as saídas da Igreja. Não será por isso? E preciso dar os frutos a Deus
História bem contada.
A parábola narrada por Jesus é a história do povo de Deus. Ele e Isaias, como também o salmo, chamam o povo de “a vinha, a plantação do Senhor”. No dizer de Isaías, Deus escolheu este povo, como se escolhe uma boa muda para plantar. Depois regou, adubou e entregou aos meeiros para cuidar. Na hora de colher não deu fruto.
Jesus diz a razão porque o dono não recebeu os frutos. O dono mandou os empregados buscar a parte dele. Mas os meeiros bateram e mataram os empregados. Depois mandou o filho. Pegaram o filho e o mataram fora da vinha.
Quem eram os empregados? Os donos do povo, as autoridades religiosas e civis. Então a plantação vai ser tirada deles e dada a outros que possam entregar os frutos. Assim aconteceu com o povo. Deus cuidou tanto dele. Mas mataram os profetas e matam o Filho, Jesus.
Assim acontece: o Reino vai ser tirado deles e dado a outros povos produzam os frutos e entregá-los a Deus.
Assim, acontece com a Igreja e com a sociedade: Se não promovemos o povo e usamos o povo para nosso proveito, o Reino passa para outros. Será que não é essa a causa de tanta gente abandonar a Igreja? As autoridades tanto civis como religiosas devem se examinar.
padre Luiz Carlos de Oliveira


Primeira leitura: Isaías 5,1-7
O “cântico da vinha”, uma das mais belas passagens de toda a Sagrada Escritura, foi escolhido para hoje em função do Evangelho da parábola dos vinhateiros homicidas. É frequente, na Sagrada Escritura, o uso da imagem da vinha para designar o povo de Deus: Jr. 2,21; Ez. 15,1-8; 17,3-10; 19,10-14; Jl. 1,7; Sl. 79/80,9-17. Este texto põe em contraste a amorosíssima solicitude de Yahwéh para com o seu povo e a ingrata correspondência deste, o que lhe acarretará tremendas consequências: o amor de Deus, assim como o amor dos pais, não pode ser impunemente desprezado, pois é um amor criador de tudo o que somos e temos. Nos vv. 1-4, o profeta expõe a parábola, sob a forma de um amoroso idílio; nos vv. 5-6 é introduzido Deus a vituperar a negra ingratidão do seu povo, que não corresponde, ao não dar mais que uvas amargas; no v. 7 o Profeta explica a parábola.
2 A “torre” e o “lagar” não tem nenhum simbolismo especial. A torre servia para um guarda defender a vinha dos ladrões, chacais e raposas. O lagar era escavado no chão, nalgum sitio rochoso da zona da vinha.
Segunda Leitura: Filipenses 4, 6-9
No capítulo 4 «a carta atinge o ponto culminante do desenvolvimento do pensamento» (H. Schlier). «Em todas as circunstâncias…, orações com súplicas e ações de graças» (v. 6). A oração não é apenas para alguns momentos particulares da vida, ou do dia; a oração deve ser constante (cf. 1Ts. 1,2; 5,17; Lc. 18,1); e não se trata de uma vaga união a Deus, mas de uma oração concreta com súplicas e ações de graças. Para quem vive em união com Deus, não há lugar para andar aflito. Pouco antes, no v. 4, após um insistente apelo à alegria (4,4; 2,18; 3,1) – uma «alegria no Senhor», que é algo de fundamental na vida cristã – são Paulo adverte: «não vos inquieteis com coisa alguma» (v. 6); e, como consequência natural, «a paz de Deus» vos guardará, o que dito como uma bênção (v. 7). Esta «paz de Deus, que está acima de toda a inteligência» é «incompreensível: quem a recebe não a explica com reflexões racionais… Não há paz sem batalha, interna e externa; mas na batalha interna, por exemplo, na renúncia, na necessidade mais tremenda, na solidão, na dor, vem sobre nós a paz de Deus, a paz mandada por Deus, a paz que é o próprio Deus, como amor e bondade que Ele é» (H. Schlier).
8-9 «Tudo o que é virtude…» Temos aqui a canonização das virtudes morais naturais, ou humanas. O cristianismo assume e eleva à ordem sobrenatural os valores humanos. O Concílio encarece estas virtudes aos presbíteros, citando esta passagem (PO 3). São Paulo usa aqui – a única vez – o mesmo vocábulo da filosofia ética grega: «aretê». E O Apóstolo não receia apresentar-se como modelo a seguir: «o que aprendestes, recebestes e vistes em mim».
Evangelho: Mateus 21, 33-43
A parábola de hoje está na sequência da lida há oito dias, a dos dois filhos. O «proprietário» é Deus; a «vinha» é o povo de Israel; «uns agricultores» representam os chefes e orientadores do povo: «príncipes dos sacerdotes a anciãos do povo». «Os criados» são os profetas; estes foram, em geral, mal recebidos e maltratados pelos responsáveis do povo (cf. Mt. 23, 37; At. 7,42; Hb. 11,36-38). «Por fim, mandou-lhes o próprio filho». Fica aqui patente a natureza divina de Jesus, que não é mais um enviado de Deus, entre outros, mas é «o seu próprio Filho».
39 «Lançaram-no fora da vinha e mataram-no»: uma alusão à crucifixão de Jesus, que se veio a fazer fora dos muros de Jerusalém.
41 «Arrendará a vinha a outros vinhateiros»: assim, a Igreja é designada como o novo «Israel de Deus» (cf. Gl. 6,16).
Sugestões para a homilia
a. Das muitas imagens usadas pelos autores sagrados para falar do antigo Povo de Israel e da Igreja, a vinha é muito rica e sugestiva. Dela são hoje apresentados dois textos clássicos.
Tudo o que se relaciona com a vinha é especialmente delicado: a escolha do terreno, a plantação das cepas, a enxertia, o amparo da vinha e a colheita. Iguais atitudes devemos ter pela Igreja, que é a realização histórica de um mistério ou plano que Deus foi revelando ao longo da história. A Igreja foi prefigurada, preparada, fundada, manifestada e será um dia consumada na eternidade (LG 2).
A imagem da vinha aparece no salmista ao falar da saída do Povo de Israel do Egito como «videira que o Senhor transplantou» para a nova terra; aparece na luta de Elias com Nabot; e aparece no hino da liturgia da tarde de Sexta-feira santa.
É esse carinho pela Igreja que a 1ª leitura e o Evangelho nos querem transmitir: é a vinha do Senhor. Vinha, vinho e sangue de Jesus são palavras que se atraem na revelação bíblica e na piedade cristã.
A meditação sobre a Igreja como comunidade objetiva e mistério de salvação é muito oportuna. Numa cultura individualista e subjetivista, sente-se fatalmente uma desafeição das pessoas pela Igreja, apresentando como suficiente a consciência individual.
b. A Igreja é um dom de Deus, um dom para nos libertar dos labirintos dos sentimentos religiosos e guiar-nos no caminho da salvação, e para ajudar a sociedade civil. A esses dois aspectos se referem as duas grandes constituições conciliares sobre a Igreja: uma sobre a Igreja em si mesma, apresentada como obra da Trindade (LG.1-5); outra sobre a Igreja no mundo atual apresentada como sua colaboradora (GS. 1-3).
A Igreja ajudada a estabelecer com Deus relações robustas, seguras e frutuosas: é o caminho traçado pelo próprio Deus, é a nova vinha do Senhor. Sem a Igreja, essas relações tornar-se-iam nebulosas, geradoras de angústia, anárquicas, como vemos acontecer nos que se afastaram da Igreja. Os catequistas e educadores da fé têm aqui um momento para refletirem na sua ação catequética.
A Igreja ajuda o próprio mundo, cujas alegrias e esperanças deve fazer suas (GS 1). As realidades do mundo – família, cultura, trabalho, atividade econômica e política – sem a luz do Evangelho correm o perigo de entrar em anarquia, e por isso devem merecer dos cristãos apoio e ajuda específicos (GS 33-53). A resposta de Paulo aos Filipenses que, cheios de fervor escatológico, se interrogavam sobre o seu contributo na sociedade do tempo, pode ser um bom resumo da atitude cristã na sociedade civil: incutir na sociedade «tudo o que for verdadeiro, justo, amável, de boa reputação», numa palavra, os valores fundamentais da verdade e da justiça. Uma sociedade pode ser pobre, mas, se for construída sobre critérios de verdade e de justiça, será sempre uma sociedade humana e de paz.
Nesta sua relação com o mundo, a Igreja deve ser de serviço, de ajuda, sal e fermento, e não de proprietária: é que o mundo será sempre mundo, com valores e estruturas terrenas, frágeis, imperfeitas, evolutivas, e o sal e o fermento cristãos nunca lhe retirarão essa fragilidade. A Igreja deve contribuir para o progresso pois ele pode ajudar muito para o reino de Deus, mas o progresso nunca se confunde com o reino de Deus (GS. 39)
Na oração da anáfora eucarística rezaremos «pela Igreja dispersa pelo mundo para que se mantenha unida ao Papa e aos seus Bispos»; e, logo depois do Pai Nosso, pediremos para o mundo «a paz em nossos dias», paz que é fruto da justiça e da verdade.
Fernando Silva - Geraldo Morujão


A vinha que deus plantou
Um dia, no discurso da Última Ceia, na vigília de sua Morte, Jesus disse: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor ...Vós sois os ramos" (Jo. 15,1.5). Esse simbolismo vale não apenas para a vinha singular, que é Cristo, brotada das mãos do Divino Agricultor, mas vale também para toda a vinha do Povo de Deus, que o Senhor plantou com o maior carinho dentro da caminhada da História da salvação. Ele arrancou do Egito essa vinha e a transplantou para uma terra privilegiada. E ela cresceu, e estendeu seus ramos até o mar e seus rebentos até o rio ( cf. SI. 79). Isaías canta em grandes louvores os cuidados de Deus para com essa vinha. Fez tudo por ela! Pôde até perguntar: "Que mais podia fazer por minha vinha, que não o tenha feito (Is. 5,5)? Lamentavelmente ela foi ingrata. Em vez de uvas boas que dela se poderiam esperar, só produziu uvas azedas.
O simbolismo da vinha era muito usado pelos profetas e sábios do Antigo Testamento. Nem podia ser diversamente, vivendo como viviam numa terra singularmente caracterizada pelo cultivo da videira. Jesus - o maior de todos os profetas e o mais sábio de todos os sábios - não podia fugir a essa norma. E a imagem da vinha aparece freqüentemente no Evangelho. Sem falar que o próprio Evangelho é o vinho novo, fervilhante de vida, que Ele vai colocar nos odres novos dos corações renovados pela sua pregação.
Hoje lemos em São Mateus a dramática parábola dos vinhateiros criminosos, que maltrataram e mataram os enviados do dono da vinha que a tinha arrendado para eles. Os três sinópticos trazem a parábola. Está chegando a hora da prisão e morte de Cristo. Jesus o sabe. E a parábola mostra como Ele está a par de O Divino Mestre começa contando que o dono de um campo plantou uma vinha e a rodeou de todos os cuidados, para que ela pudesse crescer em segurança e a seu tempo dar frutos, que seriam transformados em vinho no lagar construído junto à própria vinha. Esse proprietário teve que viajar, e arrendou a vinha para vinhateiros que, no devido tempo, lhe entregariam os lucros obtidos com a produção.
Quando chegou a época, o proprietário mandou emissários seus para receber o que lhe era devido.
Mas os vinhateiros prenderam a uns, apedrejaram a outros e mataram a alguns. Um segundo grupo de emissários, mandados em seguida, foram tratados da mesma maneira. O dono pensou então: vou mandar meu próprio filho. A ele certamente o respeitarão. Mas foi pior. Os vinhateiros, malvados se alvoroçaram completamente: "É o herdeiro. vamos, matemo-lo. E ficaremos donos da herança" (Mt. 21,38); E assim fizeram. Arrastaram-no para fora da vinha e o mataram. É fácil ver aqui a alusão ao fato que Jesus foi crucificado fora dos muros de Jerusalém. Como é fácil ver a seqüência dos anunciadores da mensagem de Deus de acordo com as palavras , da carta aos hebreus: "muitas vezes e de muitas maneiras Deus falou a nossos pais por meio dos profetas; por último nos falou em seu Filho a quem constituiu herdeiro de tudo" (Hb. 1,1.2).
A conclusão da parábola, o próprio Jesus a faz dizer pelos seus ouvintes, entre os quais predominavam na ocasião fariseus e príncipes dos sacerdotes. Perguntou-lhes o Mestre que é que o dono da vinha iria fazer com esses vinhateiros criminosos. A resposta foi que iria liquidar esses malfeitores e arrendaria a vinha para outros vinhateiros que lhe pagassem o fruto no tempo devido.
E Jesus então conclui com uma proclamação que é o coroamento glorioso de todo o drama dos sofrimentos por que iria passar: "Não lestes acaso na Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular? Eis a obra do Senhor. Ela é admirável aos nossos olhos? Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será retirado e será dado a um povo que o faça frutificar" (Ibid., 42-43).
O Israel étnico, que prepara a chegada do Messias, cede lugar ao Israel universal, que é o novo povo de Deus! qualificado na carta aos gálatas.
padre Lucas de Paula Almeida, CM


A Vinha do Senhor...
Estamos no mês de outubro, dedicado ao rosário e às missões, com o tema: "Missão na ecologia".
A liturgia continua o tema da vinha, que representa Israel, o povo eleito, precursor da Igreja, o novo Povo de Deus.
Na 1ª leitura, Isaías, com o "cântico da vinha", narra a história do amor de Deus e a infidelidade do seu Povo. (Is. 5,1-7) É um lindo poema composto pelo profeta, talvez a partir de uma canção de vindima. Através do profeta (o trovador), Deus (o amigo) julga seu povo (a vinha), descrevendo o amor de Deus e a resposta do Povo. Um agricultor escolheu o terreno mais adequado, escolheu cepas da melhor qualidade, tomou todos os cuidados necessários.
O sonho dele era a colheita dos frutos do seu trabalho... Mas a decepção foi grande: só deu uvas azedas... "Que mais poderia eu ter feito por minha vinha e não fiz?"
Reação: seu amor se transforma em ódio: derruba o muro de proteção, permite que os transeuntes a pisem livremente e que o inço tome conta...
Os frutos, que o Senhor esperava, eram "o direito e a justiça", respeito pelos mandamentos e fidelidade à Aliança. Ao invés, viu "sangue derramado" e "gritos de horror": infidelidade, injustiça, corrupção, violência... Muitas manifestações religiosas solenes, sem uma verdadeira adesão a Deus.
Daí o castigo de Deus: a invasão dos assírios e depois dos babilônios, que destruíram a vinha e deportaram os israelitas como escravos.
Hoje há ainda "sangue derramado" e gritos de horror"?
Na 2ª leitura, Paulo apresenta virtudes concretas, que os cristãos devem cultivar na própria vinha. São esses os frutos que Deus espera da sua "vinha". (Fl. 4,6-9)
No Evangelho, Jesus retoma e desenvolve o poema da vinha (Mt. 21,33-43)
Um Senhor planta uma vinha com todo o cuidado e tecnologia necessária e a confia a uns vinhateiros, conhecedores da profissão. Chega o tempo da vindima, manda buscar a colheita e vem a surpresa. Não entregam os frutos e maltratam os enviados. Não respeitam nem o próprio filho do dono. Chegam a matá-lo. A "vinha" não será destruída, mas os trabalhadores serão substituídos.
A parábola é uma releitura da história da Salvação: ilustra a recusa de Israel ao projeto de salvação de Deus. A vinha é o Povo de Deus (Israel). O dono é Deus, que manifestou muito amor pela sua vinha. Os vinhateiros são os líderes do povo judeu. Os enviados são os profetas... o próprio Cristo "morto fora da vinha".
Resultado: a "vinha" será retirada e confiada a outros trabalhadores, que ofereçam ao "Senhor" os frutos devidos e acolham o "Filho" enviado.
Reação do Povo: tentam prender Jesus, pois percebem que a Parábola se refere a eles...
Quem são esses "outros", aos quais é entregue a vinha? Somos todos nós, membros do novo Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir seus frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.
Que tipo de frutos está faltando?
Os homens do tempo de Isaías e também de Jesus eram muito piedosos, zelosos nas práticas religiosas, no respeito do sábado. Mas não foi da falta disso que Deus se queixou. Isaías resume a queixa de Deus nas palavras do dono da vinha: "Esperei deles justiça, e houve sangue derramado; esperei retidão de conduta e o que ouço são os gritos de socorro de gente que foi explorada e maltratada..."
Será que isso acontecia só no passado?
Ainda hoje devemos testemunhar diante do mundo, em gestos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha, de serviço, a realidade do Reino, que Jesus veio propor.
Não podemos reduzir tudo a apenas umas práticas religiosas?
Os guardas da vinha quiseram até se transformar em "donos". Esse perigo não pode estar presente ainda hoje em nossas comunidades? Não somos "donos", mas apenas administradores...
Deus nunca desiste de sua obra de amor e salvação!
Uma verdade consoladora, mas também um alerta: diante do fracasso com alguns... Deus não desiste... Mas Ele recomeça com outros.
Será que Deus está satisfeito dos frutos que estamos produzindo? 
Missão na ecologia! Nesse mês missionário, somos convidados a renovar com Deus a Aliança. Que frutos estamos produzindo para a realização do Reino de Deus?
Se hoje não somos missionários, não é esse um sinal de que estamos sendo maus vinhateiros. Não significa um desprezo para com a vinha do Senhor?
Nesse caso: "O Reino também nos será tirado e entregue a outros que produzam frutos".
padre Antônio Geraldo Dalla Costa



Dar vigor à fé - promover os frutos da Missão
A vinha tem o seu cantor. “A vinha do Senhor é o seu povo”, canta o salmo responsorial. Trata-se de uma vinha plantada com amor, cuidada e protegida com alegria e esperança, como canta o profeta Isaías (I leitura) num dos seus famosos cânticos poéticos, razão pela qual lhe chamam o “Dante da literatura bíblica”. Infelizmente, porém, a vinha – isto é o povo – foi infiel: chegado o tempo da colheita as esperanças deixam lugar a desilusões e amargura; em lugar de frutos de justiça e retidão o povo produziu frutos de sangue e de opressão (v. 7). De fato, na parábola de Jesus, os vinhateiros, além de se apropriarem da colheita, tornam-se homicidas: espancam, lapidam e matam não só os enviados do dono da vinha, mas o seu próprio filho. Não é difícil ver a semelhança com os acontecimentos da morte de Jesus (v. 39). Mas Deus recupera ‘a pedra’ – Jesus! – pedra rejeitada por alguns construtores, e faz dela  o fundamento da salvação, para todos os povos. Só quem o aceita e permanece nele produz muito fruto, porque sem ele nada podemos fazer (cf Jn. 15,5). Por isso mesmo, Deus não desiste, não cede perante a desilusão, volta a tentar depois de cada recusa, não renuncia aos frutos: Apresenta sempre a outros povos o mesmo Salvador para que, unidos a ele, dêem frutos de salvação (v. 34.41.43).
A história das missões vai registrando os acontecimentos e um contínuo suceder-se de povos que, uma época depois de outra, acolhem ou recusam o anúncio do Evangelho, com as respectivas conseqüências de bem ou de mal. Por certo que nenhum povo se pode definir como melhor do que os outros, mas sempre nos convida a uma séria reflexão missionária o fato do nascer e florescer de tantas comunidades cristãs que mais tarde desapareceram, em várias regiões do mundo. De tantas comunidades cristãs que em outros tempos floresciam no Norte de África e no Médio Oriente, hoje restam só os nomes. Entretanto, outros continentes se abriram ao Evangelho e continuam a dar frutos; enquanto que alguns povos que cresceram na fé agora dão sinais de cansaço e de decadência, com frutos que escasseiam. Como recuperar o vigor fresco da fé? É este o grande desafio para uma pastoral missionária eficaz.
Paulo, na carta aos Filipenses (II leitura) fala de uma comunidade que, a seu tempo, deu bons frutos. No texto de hoje ele oferece uma lista de oito frutos que urge cultivar e procurar: tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso, digno de louvor (v. 8), como garantia da paz dom Deus e uns com os outros (v.7.9). São valores que convidam a pensar positivamente, e que constituem as bases para os caminhos principais e mais urgentes da missão da Igreja no mundo:  o diálogo com as outras religiões, a inculturação, o diálogo ecumênico, a promoção da justiça, a defesa da criação...
Paulo recomenda estes valores humanos e religiosos aos cristãos da comunidade de Filipos, a primeira que ele mesmo fundou na Europa durante a sua segunda viagem missionária (nos anos 49-50); uma comunidade com a qual mantinha um relacionamento particularmente afetuoso. As origens desta comunidade de Filipos oferecem sugestões interessantes para a missão. Depois do concílio de Jerusalém, Paulo visitara de novo as comunidades do Médio Oriente, onde instituiu responsáveis de comunidade, e procurava novas zonas para evangelizar (Actos 16,6-7), até que uma vez, em Troas, a visão de um macedônio lhe abriu o caminho para entrar num mundo novo: “Passa à Macedônia e ajuda-nos!” (Actos 16,9.10). O mar a atravessar era estreito, mas ia ser uma passagem deveras significativa: para Paulo e os seus companheiros tratava-se da entrada na Europa; os projectos de Paulo apontavam já para Roma, a capital do império. Os inícios em Filipos e o convite do Macedônio (“Passa à Macedônia e ajuda-nos!”) constituem um fato emblemático e um chamamento missionário às comunidades eclesiais de todo o tempo e lugar, para que estejam atentas ao grito, claro ou silencioso, de tantos macedônios de hoje (pessoas, povos, acontecimentos e situações), sobretudo quando nos aproximamos do Dia Mundial das Missões.
A Palavra do Papa
 “Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja, a agressividade. Com uma certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar. Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem. Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios…  Permiti que Cristo arda em vós, ainda que isto possa às vezes implicar sacrifício e renúncia. Não tenhais medo de poder perder alguma coisa, ficando, no fim, por assim dizer de mãos vazias. Tende a coragem de empenhar os vossos talentos e os vossos dotes pelo Reino de Deus e de vos dar a vós mesmos – como a cera da vela –, para que o Senhor ilumine, por vosso meio, a escuridão. Sabei ousar ser santos ardorosos, em cujos olhos e coração brilha o amor de Cristo e que, deste modo, trazem luz ao mundo... «Onde há Deus, há futuro!».
Bento XVI
Aos Jovens, em Friburgo, na Alemanha, 24.09.2011


A nova vinha do Senhor
Deus escolheu o Povo de Israel como sua vinha predileta, libertou-o da escravidão do Egito, conduziu-o à terra prometida, cuidou dele com o mesmo carinho com que o vinhateiro cuida a sua vinha, defendeu-o dos inimigos que o cercavam… Que mais poderia ter feito por este povo, para que desse frutos abundantes e saborosos de boas obras: de fidelidade à Aliança, de cumprimento fiel dos Mandamentos, de amor misericordioso?...Porém, muitas vezes não foi assim. Israel deu frutos amargos, uvas más, obras perversas. Em lugar de frutos de justiça e de fidelidade, Israel abandonou o Senhor, desprezou o seu Deus, virou-se para os deuses dos povos pagãos que o rodeavam, caindo na idolatria. Revoltaram-se contra o dono da vinha, perseguiram e mataram muitos profetas e acabaram por matar o próprio Filho Unigênito, crucificando-O no Calvário.
A vinha do Senhor, por Israel ter abandonado o seu Deus, veio a ser vítima do seu próprio desregramento, até chegar à queda de Jerusalém, à destruição do seu Templo e à dispersão dos judeus por todas as nações.
Porém, as promessas de Deus permanecem.
O projeto salvífico do Senhor não mudou. A vinha do Senhor não acabou: foi dada a um outro povo que produza os seus frutos, ao novo Israel de Deus, à Igreja de Jesus Cristo. Esta eleição tem como ponto de partida um ato de pura benevolência da parte de Deus, sem qualquer mérito da nossa parte. A nova Vinha, a Igreja, o povo cristão é o Corpo de Jesus Cristo. E porque Cristo é fiel, a Igreja também o será e dará fruto e fruto abundante. Ao longo dos séculos, o Povo de Deus tem trazido todas as nações aos pés de Jesus Cristo.
Porém, cada um de nós, como membros que somos desta Igreja Santa, como ramos desta cepa que Jesus plantou, pode falhar e ser estéril e, o que é pior, pode ser infiel à sua vocação, ser cortado e ser lançado ao fogo. As próprias comunidades menores podem também desaparecer, se os seus membros não derem os frutos que Deus espera delas. Foi o drama das igrejas da Ásia Menor de que fala o Apocalipse, de algumas comunidades cristãs do norte de África tão florescentes nos primeiros séculos do cristianismo, é o drama de países inteiros que caíram na indiferença religiosa e até na incredulidade depois de muitos anos de fidelidade e de boas colheitas.
Deus espera de nós frutos saborosos de boas obras. Mas só os daremos na medida da nossa união a Cristo: «Eu sou a cepa, vós as varas. Aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer» (Jo. 15,5). Esta vida íntima de união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis, de modo especial, pela participação ativa na sagrada Liturgia e pela oração contínua.
Perguntemo-nos: os lares cristãos estão dando os frutos de filhos que Deus espera deles? Os esposos cristãos estão dando frutos de fidelidade que os faça cada vez mais felizes? As comunidades cristãs estão dando os frutos apostólicos que o mundo necessita? Os cristãos estão dando frutos de entrega aos seus irmãos mais pobres e necessitados? Existem os frutos de generosidade e entrega neste mundo tão necessitado de mais vocações?
dom Antonio Carlos Rossi Keller


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

TRABALHAR NA VINHA

26º DOMINGO TEMPO COMUM

Evangelho - Mt 21,28-32
28 de Setembro de 2014
Ano A

Comentários-Prof.Fernando


-TRABALHAR NA VINHA!-José Salviano


Qual dos dois fez a vontade do pai?
VOCÊ ESTÁ FAZENDO A VONTADE DO PAI?

Prezados irmãos.  Não é o nosso falar, mas sim o nosso agir que demonstra se estamos ou não fazendo a vontade do Pai. Infelizmente, nem sempre aqueles que falam  muito bem, que falam bonito, com discursos que impressionam, são aqueles que vivem a palavra em toda sua plenitude.  O que é muito lamentável, pois o nosso falar deveria ser seguido no nosso  agir .  Leia mais
============================
“OS COBRADORES DE IMPOSTOS E AS PROSTITUTAS VOS PRECEDEM NO REINO DE DEUS.” Olívia Coutinho.

26° DOMINGO COMUM

Dia 28 de Setembro de 2014

Evangelho De Mt 21,28-32

Neste domingo, nós comemoramos o dia da Bíblia, o livro Sagrado onde encontramos todas as orientações para nossa vivencia do dia a dia!
Para tornarmos verdadeiros seguidores de Jesus, precisamos mergulhar na profundidade do amor do Pai, nos revelado pela  Bíblia!
Assim como a força da chuva que cai de mansinho no chão duro, fazendo brotar a semente adormecida no seio da terra, a palavra de Deus, quando acolhida no nosso coração, tem a força de arrebentar  as correntes que nos  aprisionam!
De nada adianta fazermos uma leitura breve da bíblia, é preciso meditar, aprofundar, “ruminar” as palavras, deixar penetrar em nossas veias a seiva que vem das profundezas de suas raízes, só assim, vamos poder de fato, compreender a palavra de Deus e vivê-la!
A palavra de Deus é fonte de vida, mas se não nos inundarmos desta fonte, dando vida a esta palavra através de nossas ações, ela cairá no vazio, não frutificará no mundo através de nós! Quando embebedamos desta fonte de vida, vamos a cada dia nos tornando não somente conhecedores da palavra de Deus, mas principalmente, anunciadores desta palavra com o nosso testemunho de vida!
O Evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, nos adverte sobre o perigo que corremos quando ficamos somente na interpretação da palavra de Deus e não a colocamos em prática!
Quem conhece a palavra de Deus e não a vive, se condena,  pois não vive a justiça e o perdão.  Era o que acontecia com os líderes religiosos do tempo de Jesus, eles conheciam bem as escrituras, mas não viviam o que conheciam, colocavam fardos pesados nos ombros do povo e eles mesmos ficavam somente no discurso, não viviam o que falavam.
No texto, Jesus desmascara estas autoridades ao dizer: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no reino dos céus.” Isto é, o povo excluído por estes líderes, ouviu as pregações de João e se converteram, endireitando os seus caminhos, enquanto que estes líderes, não deram crédito ao testemunho de João e o pior ainda, não aceitaram Jesus como sendo o Messias, o Deus encarnado.
E para que eles pudesse rever a própria vida, Jesus conta a parábola dos dois filhos convocados pelo pai a trabalhar na vinha. O pai representa Deus, os dois  filhos representam dois posturas diferente diante o chamado de Deus.  Uma parábola que serve de advertência para muitos de nós, que dizemos sim a Deus, mas não nos comprometemos com o que assumimos com Ele.
Na parábola, o “não” do primeiro filho, representa os cobradores de impostos e  as prostitutas, estes, a princípio disseram não a Deus, optando por caminhos contrários, mas depois se converteram. Já  o “sim” do segundo  filho, representa os líderes religiosos que disseram sim a Deus, mas um sim  que ficou somente na palavra, não os levou à conversão.
Com qual filho nos identificamos?  Com aquele que disse não, mas que depois se arrependeu e foi trabalhar na vinha? Ou com aquele  que disse  sim, mas que o seu sim ficou somente na palavra?
Operário da vinha do Senhor, não é aquele que fica somente no discurso, ditando o que o outro deve fazer.  Operário da vinha do Senhor,  é aquele que coloca a mão na maça, que ensina fazendo, como Jesus fazia!
Jesus não usava teorias para ensinar os discípulos, Ele os ensinava com as suas atitudes.
O nosso sim à Deus, deve ser sincero, deve ser um sim, que nos coloque à serviço do Reino como o sim de Maria!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook


============================
A Palavra de Deus deste domingo recorda-nos que nossa relação com o Senhor não é algo estático, congelado, adquirido uma vez por todas. Ninguém pode dizer que possui uma amizade permanente com o Senhor, amizade que é garantida para sempre e não poderia jamais ser perdida. Não! Não é assim! Nossa relação com o Senhor é um caminho, caminho dinâmico, que vai se configurando na nossa vida, crescendo ou diminuindo, aprofundando-se ou morrendo, conforme nossa atitude em cada fase de nossa existência. O Senhor é sempre fiel, não muda jamais; quanto a nós, devemos cuidar de ir sempre crescendo, de fé em fé, de esperança em esperança, de amor em amor, na nossa relação com o Senhor. É isto que as leituras de Ezequiel e do Evangelho nos sugerem. O profeta Ezequiel, em nome de Deus, previne: “Quando o justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre!” Eis, que exemplo trágico: o amigo de Deus que morre para a vida com Deus! E por quê? Porque se descuidou e foi matando a relação com o Senhor, a ponto de matar Deus no seu coração e morrer para a relação com Deus! Ninguém pode dizer: “Já fiz tanto, já dei tanto ao Senhor, já renunciei tanto. Agora basta! Vou estacionar!” Isso seria regredir, definhar no caminho do Senhor, morrer para a vida com Deus! Mas, o contrário também é verdadeiro. Escutemos: “Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os céus pecados, com certeza viverá; não morrerá!” Eis a bondade do Senhor, que não nos prende no passado pecaminoso: Senhor da vida, teu amor nos faz recomeçar sempre! Não há desculpas para não mudarmos de vida, para não recomeçarmos, para não deixarmos nosso atoleiro de pecado, de vício de preguiça espiritual! O Senhor nos espera sempre hoje, no aqui e no agora; ainda que não muitas vezes não acreditemos mais em nós mesmos, ele continua crendo em nós, ele nos dá sempre a chance de experimentar seu perdão e sua misericórdia!
O que o Senhor falou pela boca de Ezequiel, Jesus confirma na parábola do Evangelho deste hoje. Quem são os dois filhos? O primeiro, que não queria obedecer ao pai, mas depois se arrependeu, são os pecadores que, arrependidos e humilhados, de coração acolheram Jesus e o Reino que ele veio anunciar; o segundo filho, que prometeu fazer a vontade do pai e, depois, fez como bem quis e entendeu, são aqueles escribas e fariseus, justos aos seus próprios olhos, caprichosos e auto-suficientes, que terminaram perdendo o Reino de Deus por recusarem acolher Jesus e sua palavra. Eis, caríssimos: o que estamos sendo diante de Deus? Estamos sendo generosos para com ele? Temos acolhido sua vontade na nossa vida? Temos sido atentos aos seus apelos? Deveríamos sempre progredir no caminho do Senhor...
Progredimos quando o amamos, quando fazemos sua vontade, quando a ele nos dedicamos; progredimos quando crescemos na virtude, progredimos quando somos fiéis aos nossos compromissos para com ele... Mas, entre nós, há aqueles que regridem, que esmorecem, que esfriam e se afastam... aqueles que pensam que podem ser cristãos numa atitude de comodismo burguês...
Que fazer para não parar? Que fazer para crescer no caminho do Senhor? São Paulo nos indica um caminho de grande beleza, simplicidade e eficácia, um caminho indispensável a todos nós! Quereis crescer na estrada de Deus? Quereis experimentar seu amor? Quereis viver de verdade? Então, “tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus!” Que conselho! Contemplar Jesus, aprender dele, do seu coração, seus sentimentos de total amor e total doação em relação ao Pai e a nós; aprender sua doçura, sua humildade, sua obediência radical ao Pai: “Ele, existindo na condição divina, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se igual aos homens, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz”.
Em Cristo, temos o hábito de pensar em Jesus, de contemplar essa sua atitude? Olhemos a cruz, aprendamos a lição do Senhor! Cristo nunca se buscou a si próprio, mas esvaziou-se totalmente, desejando somente a vontade do Pai. Por isso foi livre, por isso foi a mais perfeita e completa manifestação do Reino de Deus, pois isso o Pai o exaltou, o glorificou, encheu-o de vida plena!
Pois, bem, o apóstolo nos convida a contemplar Jesus, escutar Jesus, para adquirir os sentimentos de Jesus e, assim, viver a vida de Jesus. Viver assim, é ser amigo de Deus, é viver de verdade e tornar-se sinal de vida divina para os outros. Isso os cristãos deveriam ser; isso a Igreja deve ser! Pensem no quadro encantador que São Paulo traça: “Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão... aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, e cada um não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro!” Eis, caríssimos, o que é ter os sentimentos do Cristo; eis o que é viver para Deus; eis o que é ser já agora, testemunha daquela verdadeira vida que o Senhor nos dará por toda a eternidade! Cresçamos nesse caminho, progridamos nessa vida, para vivermos de verdade. Como pede a oração inicial desta santa missa: “Ó Deus, derramai em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais!”
dom Henrique Soares da Costa

============================

Ensina-me, senhor, os teus caminhos (Sl. 25,4)
Os textos de hoje nos mostram que o reino de Deus entra em diálogo com o ser humano para que este possa distinguir entre o modo como se dá a ação divina e a maneira humana de proceder. O ser humano é uma tarefa, ele nunca vai estar terminado; sua existência no mundo é um constante fazer-se e refazer-se baseado nas decisões tomadas com livre-arbítrio.
Quem é bom pode deixar o caminho do bem, e quem é perverso pode abandonar a vereda do mal. Por isso, Deus está constantemente chamando o ser humano para que deixe os caminhos tortuosos e diga um “sim” consciente e maduro que seja realmente “sim”. Para isso, Deus envia mediadores, na tentativa de chegar ao coração humano.
Contudo, as pessoas podem recusar o chamado de Deus, fazer pouco caso de sua proposta ou até mesmo ser hostis com os mediadores que ele envia. É sobretudo por orgulho que opõem obstáculos à própria salvação. Por isso, exorta-nos o apóstolo: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo”.
Evangelho (Mt. 21,28-32)
João ensinou o caminho da justiça e não acreditaram nele
Jesus, para nos instruir sobre nossas próprias escolhas, conta-nos a parábola dos dois filhos que mudaram de atitude. Deus nos fez livres. A salvação que ele nos oferece é puro dom. Cabe a nós responder “sim” ou “não” a esse convite. O livre-arbítrio possibilita ao ser humano acolher em sua vida o bom ou o mau caminho. Há sempre a possibilidade de mudar de rumo. É isso o que nos mostra o texto. Ambos os irmãos mudaram de rumo. Um fez a vontade do pai e o outro não.
Estar no rumo certo não é sinônimo de segurança, pois podemos ser facilmente levados para outro caminho se não nos mantivermos atentos ao chamado constante de Deus. Por isso a necessidade constante de conversão, porque não estamos prontos. E os que se acham “santos” são muito facilmente propensos ao erro, mais do que os que têm firme consciência das próprias limitações. Os “santos” acabam afogando-se na sua soberba e se fecham à graça divina. Ao contrário, os pecadores são mais abertos para acolher a graça, pois confiam apenas na misericórdia de Deus.
Fazer a vontade de Deus é muito mais acolhê-lo na vida diária do que proclamar discursos vazios, destituídos de testemunho de vida. Deus nos chama constantemente a viver seu amor na doação total de nossa vida ao irmão. Deve-se viver esse chamado nos atos cotidianos, nas relações interpessoais, nas próprias escolhas. Fazendo assim, caminha-se na justiça e no testemunho fidedigno do reino de Deus.
1ª leitura (Ez. 18,25-28)
Deus ensina o caminho aos pecadores
O texto começa com uma estranheza: “o caminho do Senhor não é direito” (v. 25). Pensava-se dessa forma porque Deus não fazia o que se esperava, a saber: recompensar o “justo” e castigar os “injustos”. Esse modo diferente de Deus proceder irritava as pessoas tidas como santas naquela época.
Por meio do profeta, Deus toma a palavra e põe as intenções humanas às claras: os caminhos humanos é que são tortuosos, mas, apesar disso, Deus continua chamando, respeitando o livre-arbítrio e perdoando a cada um de seus filhos.
Em primeiro lugar, Deus se dirige aos tidos por justos. O que se pode dizer de uma pessoa realmente justa? Como pode ser qualificada uma pessoa convertida? Aquele que aparentemente é santo e irrepreensível e comete atos que fazem transparecer grande maldade no coração pode ser considerado justo ou convertido? Segundo o texto que foi proclamado, a pessoa que se qualifica assim não é verdadeiramente justa, e Deus, que tudo vê, considera os atos de iniquidade dela, e não sua suposta justiça externa.
Outros são tidos por pecadores, hereges, infiéis, gentinha de má conduta. A estes Deus convida à conversão e, caso tenham abertura para acolher o perdão divino, é-lhes assegurado que não serão considerados os atos praticados numa vida desregrada, muitas vezes afetada por condicionamentos sociais, religiosos e psicológicos.
Enfim, o texto bíblico exorta todos à conversão, e a todos está destinado o perdão de Deus.
2ª leitura (Fl. 2,1-11)
O esvaziamento de Cristo nos ensina o caminho para Deus
O apóstolo Paulo pede aos filipenses que tenham os mesmos sentimentos de Cristo (v. 5). Com isso, ele espera resolver o problema daquela comunidade: egoísmo e arrogância (v. 3) e dissensões internas que ameaçavam o amor, a unidade e o companheirismo. Mas quais seriam os sentimentos de Cristo que o apóstolo deseja inculcar nos filipenses?
Para definir bem de que se trata, Paulo usa o termo “esvaziamento” ou “abaixamento”, que significa privar-se de poder ou abdicar de um direito que se possui. Cristo não se apegou à sua condição divina nem usou dos privilégios dela em favor de si mesmo, mas assumiu a existência humana como servo. O abaixamento de Cristo não é apenas tornar-se humano, mas, além disso, tornar-se servo.
Isso caracteriza a totalidade da vida de Jesus, que assumiu as limitações humanas e esteve à mercê de nosso egoísmo e violência, responsáveis pela sua morte terrível na cruz. Porque, acima de tudo, ele quis atender ao bem-estar e aos interesses dos outros em vez de ter interesses egocêntricos.
Esse modo de viver de Jesus nos ensina o caminho para Deus. É descendo a escada da humildade que ascendemos ao reino definitivo. Esses critérios são diferentes dos critérios humanos, mas são o único e legítimo caminho para a verdadeira humanização e para Deus.
Pistas para reflexão
O momento atual é marcado por uma religiosidade intimista e subjetiva de relacionamento vertical: o indivíduo e Deus. Isso traz como consequência a ideologia da prosperidade: “Eu não cometo pecados escandalosos e, em troca, Deus me abençoa com o que quero”. Esse tipo de religiosidade suscita a ideia de um Deus castigador que está contra os “maus” e recompensa os “bons”. As leituras de hoje mostram que tal pensamento é tortuoso e não representa os critérios de Deus. Por isso é bom destacar na homilia a gratuidade, o cuidado com os mais fracos, a tolerância e o diálogo que constroem comunidade.
Hoje é o dia da Bíblia, palavra de Deus, “luz para os passos, lâmpada para o caminho” (Sl 119,105). Esta data não deve passar sem algum destaque na comunidade. Há um clamor uníssono para que a palavra de Deus seja o centro da vida e da missão da Igreja. Este dia é ótima oportunidade para que sejam iniciados (ou melhorados) eventos que destaquem a centralidade da palavra de Deus em toda a Igreja, começando pelas comunidades mais simples e pequenas até atingir o mundo inteiro.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj

============================

Há sempre a possibilidade de um recomeço
Há pessoas que dizem que são do Senhor, mas não são. Há aqueles que afirmam não quererem trabalhar na vinha do Senhor, mas vão. Mateus nos conta hoje a parábola dos dois filhos:  um disse que aceitava trabalhar na vinha, mas não foi e o outro, dizendo que não ia, foi. O sim precisa ser sim... e o não pode, quem sabe se transformar num sim...
Há pessoas que, desde a sua mais terna infância, seguem o Senhor com um gênero sólido de vida cristã, coerente, numa fidelidade criativa. Há também os que, de alguma forma,  foram se acostumando às coisas religiosas, colocando ritos, praticando isso e aquilo, mas na realidade tudo com um coração ritualístico.  Na hora dos grandes convites de Deus para ir mar a adentro não mostram coragem... dizem sim... colocam preces, mas não conseguem fazer de sua vida um hino de serviço à vinha do Senhor.
Há a epopéia desse filho da parábola que não queria aceitar o convite:  “Não quero”. Os herdeiros da tradição vetero-testamentária  não conseguiram arrumar seu interior e acolher Jesus. Os pagãos e os pecadores que, na realidade, no principio disseram um não, mudaram a orientação de sua escolha:  “Em verdade eu vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus”.
 Viver é sempre um desafio. Vamos fazendo nossa trajetória e nossas escolhas. Pode ser que muitos sem  uma família ordenada, pessoas que foram sendo levadas, por seus instintos e na pobreza de cada um, a um estilo de vida distante das insinuações e dos convites amorosos  de Deus. Esses são os filhos que disseram que não iam... mas depois se converteram, mudaram a arrumação de seu interior... as prostitutas e os cobradores de impostos  experimentaram uma festa no coração com a transformação e a conversão do coração.
A epístola aos  filipenses, uma carta de Paulo cheia de ternura,  leva seus leitores a um crescimento no amor de Deus. Os seguidores de Cristo precisam respirar unidade: “...aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando  a unidade”. Os que querem acertar no seu seguimento terão algumas  “marcas”: não fazer nada por competição e vanglória, mas tudo com humildade; nada de agir com mentalidade de competição; julgue que o outro seja mais importante;  não cuidar apenas o que é seu; ter os mesmos sentimentos de Jesus que sendo de condição divina se tornou obediente até à morte de cruz.
frei Almir Ribeiro Guimarães

============================

A verdadeira obediência
Ao aproximar-se o fim do ano litúrgico acentuam-se os temas da conversão e da graça, enquanto se desenha com sempre maior nitidez a perspectiva final.
Em Ez. 18,25-28 (1ª leitura), Deus se defende da acusação de injustiça levantada contra seu modo de julgar; e confirma: quando um “justo” se desvia, ele se perde; quando um malvado se converte, ele se salva. Jesus expõe esse tema na parábola dos dois filhos, o do “sim, senhor”, que promete e não faz, e o do “não”, que se arrepende e faz. Qual dos dois faz o que seu pai deseja? O último. Então é este o justo de verdade: vai bem com Deus. E, para explicar mais uma vez que “os últimos serão os primeiros”, Jesus ensina aos “bons” (os fariseus) que os publicanos e as meretrizes os precederão no Reino, pois acreditaram na pregação de penitência de João Batista e se converteram, mas os fariseus não (evangelho).
Olhemos o caso do filho que diz “sim”, mas não vai. Para entender bem o evangelho de Mateus, que continuamente opõe a graça do Reino ao cálculo auto-suficiente dos fariseus, devemos colocar-nos na pele dos que devem se converter, os fariseus. Pois se achamos que já nos convertemos o bastante, estamos perdidos. É bom identificarmos-nos com os fariseus e deixar tinir os nossos ouvidos com as palavras que Jesus lhes dirige. Estamos acostumados a dizer “sim, senhor” a Deus e a todo mundo. Já fomos batizados sem o saber, fazemos de conta de acreditar tudo o que a Igreja diz etc. O papa manda, e nós obedecemos, mas quando é muito difícil, damos um jeito... Dizemos “sim”, mas fazemos o que nós queremos.
Entretanto, há prostitutas que se prostituíram porque precisavam viver e os “bons” se prontificaram a usá-las. Há publicanos que vivem do suborno, porque há “bons” que usam seus serviços. Mas entre os publicanos e as meretrizes encontram-se os/as que, algum dia, descobrem que podem andar por outros caminhos e ser filhos e filhos de Deus tão bem como qualquer pessoa. Então, deixam a bebida e tornam-se bons pais de família e até pregadores na Assembléia de Deus...
Jesus repreende os “bons” porque não se converteram. E hoje, alguém está pregando a conversão para “os bons”? Talvez os profetas não estejam falando bastante claro. Os que optaram pelos pobres e marginalizados fogem do âmbito dos “bons cristãos” para não ter de enfrentar esse público. Mas, mesmo assim, “a voz do Batista” ainda não emudeceu. Os bons é que mais precisam de que se insista na sua conversão. Pois converter-se é mais difícil para eles do que para os pecadores reconhecidos. Converter-se significa que antes não se estava tão bem como parecia. Ora, para quem já perdeu a cara, é relativamente fácil reconhecer isso. Mas largar uma posição de estima significa entrar na incerteza... isso não é fácil para os “bons”. Mas que experimentem pelo menos!
O caso do primeiro filho se aplica aos pecadores patentes. Eles dizem “não” a Deus. Mas muitos deles - talvez por certa simplicidade de coração e por não terem o costume das falsas justificativas - são atingidos pela bondade de Deus e o desejo de lhe corresponder. E acabam fazendo sim!
A 2ª leitura incita a profunda conversão, a recebermos em nós o espírito de Jesus Cristo, que, em obediência ao plano do amor do Pai, se esvaziou por nós, tomando a figura do último dos homens. Se Jesus se esvaziou de sua justa glória divina por que não nos esvaziaríamos de uma grandeza enganadora - a justiça que nos atribuímos aos nossos próprios olhos - ou de qualquer forma de grandeza passageira (bens materiais, honra etc.), para sermos completamente doados aos nossos irmãos. Em harmonia com a 2ª leitura, pode-se escolher o prefácio dos domingos do tempo comum VII (a obediência de Cristo).
O espírito da liturgia de hoje acentua a “obediência”, que não significa submissão a rejeitável usurpação, mas dar “audiência a quem o merece. Obediência legítima e sabedoria e justiça. E mais: se sabemos que Deus nos mostra um caminho incomparável (em Jesus Cristo), então, obedecer-lhe é o melhor que podemos fazer para nós mesmos e para nossos irmãos: obedecer por amor. Nesta hipótese, a obediência já não pode ser meramente formal, do tipo “sim, senhor”. Terá de ser um movimento do interior do nosso coração e mexer com nosso íntimo, exatamente como aconteceu àquele filho que, primeiro, não quis, mas depois sentiu a injustiça que estava cometendo em relação ao “Pai de bondade” e executou o que lhe fora pedido.
Johan Konings "Liturgia dominical"
============================
No Evangelho de hoje, Jesus está no Templo em Jerusalém ensinando ao povo. Ali os chefes dos sacerdotes e os anciãos O questionam sobre Sua autoridade. Jesus responde fazendo outra pergunta que eles preferem não responder e, por isso, Ele também não responde à pergunta.
Em seguida na presença de todo o povo, Jesus faz um questionamento para que todos reflitam sobre a realidade que vivem, e para saber como anda o entendimento daquilo que Ele vinha pregando.
Jesus conta a história de um pai e seus dois filhos a quem deu uma ordem. O filho mais velho que aparentemente demonstra ser egoísta e responde com agressividade, arrependido atende ao pedido de seu pai; e o mais novo, que pela resposta positiva, demonstra ser bom e obediente, não faz o que o pai lhe pede e não cumpre com a sua palavra.
Com esta parábola, Jesus aponta para a hipocrisia e mostra que as aparências muitas vezes enganam.
Muitas pessoas se acham mais amigas de Deus porque rezam e frequentam os templos e, por isso, se acham livres do pecado, se julgam mais justas que as outras, as mais certas, mas não se comprometem com a obra do Pai, não praticam tudo que dizem, não obedecem e não fazem a vontade de Deus. Por outro lado, tantas outras que vivem à margem da sociedade, como os mais pobres e marginalizados do tempo de Jesus, tantas vezes consideradas erradas e pecadoras, ouviram os ensinamentos de João Batista, arrependeram-se e se converteram, ou seja, mudaram a direção da sua vida e tornaram-se dignas de participar do Reino de Deus. Estes são como o filho mais velho da história que representa os pecadores e os marginalizados que aceitam a mensagem de Jesus e se comprometem com a proposta da justiça. O filho mais novo recorda ‘as pessoas de bem’, maquiadas de religiosidade e justiça, prontas a se escandalizar e a se levantar em defesa de uma suposta verdade, mas que são presas fáceis do dinheiro e do apego à matéria.
Jesus ensina, com esta parábola, que a atitude do filho mais velho é fruto da humildade, do arrependimento, do respeito e do desejo de estar próximo de Deus por amor verdadeiro a Ele, e que ser filho obediente do Pai não é uma questão apenas de pronunciar belas palavras, mas de gestos e atitudes que vêem de encontro com a prática de Jesus.

É bom rezar a Deus pedindo que Ele nos dê tempo para uma verdadeira penitência. E podemos pedir-lhe tal tempo porque Ele não desiste de nós e está sempre à espera do nosso retorno. Vivemos dizendo “sim” e fazendo o “não”. Dizemos e não praticamos; ouvimos, cantamos, e fazemos o contrário.
Outros dizem “não”. Não acredito em Deus, não sou praticante, não leio o Evangelho, mas depois acabam fazendo o que sua consciência manda que façam. Se a consciência for bem formada, farão o que Deus quer. Deus olha os corações e vê nossos gestos concretos. Eles revelam nosso projeto de vida. É evidente que as palavras devem expressar a verdade do nosso pensamento e da nossa vontade, mas nem sempre é assim. Nem sempre as palavras correspondem ao nosso projeto de vida.
Mt. 21,28-32 – Conversando com os sacerdotes do Templo e os anciãos do povo, Jesus lhes faz uma pergunta contando uma pequena história, muito simples, mas reveladora do pensamento de Deus.
Um homem tinha dois filhos. Pediu a um que fosse trabalhar na sua plantação. Ele disse que não ia e depois foi. O outro disse logo que ia, mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do Pai? Aquele que foi trabalhar, é claro. Há muita gente dizendo “não” a Deus, mas depois cai em si, se arrepende e faz o que Deus quer. Assim aconteceu com as prostitutas e os cobradores de impostos que ouviram a pregação de João Batista e mudaram de vida. Os sacerdotes e os anciãos, porém, viram isso e não aceitaram a pregação de João Batista nem se converteram. Certamente eles achavam que não tinham nada para se converter porque não eram nem prostitutas nem cobradores de impostos, mas deviam pelo menos prestar atenção na pregação de João e rever a própria vida. Por isso, acrescenta Jesus, na fila de entrada no céu, as prostitutas e os cobradores de impostos irão na frente dos sacerdotes do Templo e dos anciãos do povo.
Ez. 18,25-28 – Não critiquemos a Deus na sua bondade e misericórdia, diz o profeta Ezequiel. O justo não deve se desviar da justiça, e a pessoa má, que mostra o seu arrependimento praticando o direito e a justiça, terá a vida que não termina. O homem justo também tem os seus erros, mas não os reconhece e com isso os seus erros aumentam. O grande erro de quem se considera justo é não aceitar que Deus perdoe o pecador.
Sl. 24 (25) – O Senhor é piedade e retidão por isso Ele reconduz os pecadores ao bom caminho, dirige os humildes na justiça e ensina o seu caminho aos pobres.
Fl. 2,1-11 – Vivamos todos em harmonia, procurando a unidade. Não façamos nada por competição ou por vaidade, mas com humildade. Pense que o outro é mais importante do que você. Não cuide só do que é seu, cuide também do que é do outro. Quem assim vive tem os mesmos sentimentos do coração de Jesus Cristo. Ele é Deus como o Pai e o Espírito Santo e, no entanto, aceitou se tornar homem como nós, rebaixando-se, fazendo-se em tudo semelhante a nós, menos no pecado. Ele se humilhou e se fez obediente até a morte e morte de cruz. Por isso Deus, o Pai, o colocou lá no alto, acima de tudo, e aqui na terra todos se ajoelham diante d’Ele e proclamam, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor.
cônego Celso Pedro da Silva
============================
O tema central da liturgia de hoje é a justiça do Reino. A primeira leitura está no contexto do Exílio da Babilônia. O povo acusa Deus de injusto e de agir incorretamente. Entre o povo havia a idéia de que o pecado marcava para sempre a vida e a descendência de quem pecava. O profeta, como porta voz de Deus, mostra que a salvação de uma pessoa não depende de seus antepassados e parentes.
Deus nos julga conforme o que somos hoje. Nunca é tarde para nos arrependermos, porque Deus quer a vida para todos. Ezequiel nos fala em praticar o direito e a justiça, nos convertermos constantemente. Julgar que somos “justos” é uma cegueira pessoal que faz semear dúvidas sobre a conduta e as crenças de quem é diferente de nós. Filipos, comunidade dividida por causa do espírito de competição e egoísmo, foi a primeira cidade da Europa a receber a mensagem cristã, entre os anos 55-57. Por isso, Paulo apresenta Jesus como modelo de filho fiel e obediente que se torna servo e convida os que se dizem seguidores dele a terem “o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus”. Para fazermos a vontade do Pai, a Carta aos Filipenses nos mostra o caminho assumido por Jesus: “Esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo”. O fato de sermos cristãos, de exercermos um ministério na Igreja, não deve ser motivo de elogios, de prepotência, de nos sentirmos mais e melhores que outras pessoas. É motivo sim de solidariedade, de espírito de comunhão e serviço; de um permanente processo de encarnação no mundo dos excluídos. Nesta carta, Paulo nos lembra que o esvaziar-se de qualquer orgulho é o caminho de quem deseja seguir Jesus até as últimas consequências. O Evangelho de hoje conta a parábola do filho que diz “não”, mas se arrepende e vai trabalhar na vinha do Pai; e do outro filho que diz “sim, senhor” ao pai, mas não vai. Jesus pergunta quem fez a vontade do Pai. Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo dizem que é o filho que disse “não”, mas cumpriu a vontade do Pai. Jesus completa dizendo que os cobradores de impostos e as prostitutas vão preceder no Reino de Deus os chefes que não acreditaram na pregação de João Batista e no caminho de justiça que ele ensinou. Fazendo o que Deus espera, quem é pecador torna-se justo; não fazendo, quem se considera justo torna-se pecador.
Hoje ouvimos uma das frases mais duras de Jesus: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus”. A lei que Jesus exige é colocar em prática a vontade do Pai que ama toda pessoa e, em especial, os mais necessitados e desprezados. Jesus nos ensina a reconhecer a justiça das pessoas que não têm boa fama, mas praticam a justiça. Ensina-nos a denunciar, para o bem delas e de todos que sofrem sua influência, as que têm boa fama, os considerados santos, mas não praticam a justiça, conforme o projeto do Pai. Jesus é o filho que diz “sim” e faz o que o Pai


A liturgia do 26º domingo do tempo comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer “sim” a Deus e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus – um compromisso que signifique um empenho real e exigente na construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilônia a comprometerem-se de forma séria e consequente com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver, com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança.
O Evangelho diz como se concretiza o compromisso do crente com Deus… O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.
A segunda leitura apresenta aos cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana, fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projetos.
1ª leitura: Ez. 18,25-28 - Ambiente
Ezequiel, o “profeta da esperança”, exerceu o seu ministério na Babilônia no meio dos exilados judeus. O profeta fez parte dessa primeira leva de exilados que, em 597 a.C., Nabucodonosor deportou para a Babilônia.
A primeira fase do ministério de Ezequiel decorreu entre 593 a.C. (data do seu chamamento à vocação profética) e 586 a.C. (data em que Jerusalém foi conquistada uma segunda vez pelos exércitos de Nabucodonosor e uma nova leva de exilados foi encaminhada para a Babilônia). Nesta fase, o profeta preocupou-se em destruir as falsas esperanças dos exilados (convencidos de que o exílio terminaria em breve e que iam poder regressar rapidamente à sua terra) e em denunciar a multiplicação das infidelidades a Jahwéh por parte desses membros do Povo judeu que escaparam ao primeiro exílio e que ficaram em Jerusalém.
A segunda fase do ministério de Ezequiel desenrolou-se a partir de 586 a.C. e prolongou-se até cerca de 570 a.C. Instalados numa terra estrangeira, privados de Templo, de sacerdócio e de culto, os exilados estavam desiludidos e duvidavam de Jahwéh e do compromisso que Deus tinha assumido com o seu Povo. Nessa fase, Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e transmitir ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador não tinha abandonado nem esquecido o seu Povo.
Até esta altura, Israel refletia a sua relação com Deus em termos coletivos e não em termos individuais. A catequese de Israel considerava que a Aliança tinha sido feita, não com cada israelita individualmente, mas com toda a comunidade. Assim, as infidelidades de uns (inclusive dos antepassados) traziam sofrimento e morte a toda a comunidade; e a fidelidade de outros (inclusive dos antepassados) era fonte de vida e de bênção para todos.
Os exilados liam à luz desta perspectiva teológica o drama que tinha caído sobre eles. Consideravam que eram justos e bons, que não tinham pecado e que estavam ali a expiar os pecados de toda a nação. Havia até um refrão muito repetido por esta altura: “os pais comeram as uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados” (Ez. 18,2b). Parece ser uma reprovação velada à ação de Deus que, na perspectiva da teologia da época, fez dos exilados o bode expiatório de todas as infidelidades da nação. É justo, isto? Está certo que os justos paguem pelos pecadores?
É a estas questões que o profeta Ezequiel vai tentar responder.
Mensagem
Na verdade, os membros do Povo de Deus que estão exilados na Babilônia não podem “sacudir a água do capote” e presumir de justos e inocentes: não há justos e inocentes neste processo, uma vez que todos, sem exceção, são responsáveis por atitudes de infidelidade a Jahwéh e de desrespeito pelos seus mandamentos. Fará algum sentido que os exilados acusem Jahwéh de ser injusto, depois de terem violado sistematicamente a aliança e terem cometido tantos pecados e infidelidades (v. 25)?
Para além disso, Israel não pode continuar a esconder-se atrás de uma responsabilidade coletiva, que implica todos, mas não responsabiliza ninguém. Chegou a altura de cada membro do Povo de Deus se sentir pessoalmente responsável diante de Deus pelas suas ações e pelos compromissos assumidos no âmbito da Aliança. Cada membro do Povo de Deus tem de descobrir que, quando fizer escolhas erradas e se obstinar nelas, sofrerá as consequências; e que quando abandonar os caminhos de egoísmo e de pecado e optar por Deus e pelos seus valores, encontrará a vida (vs. 26-28).
Significa isto que o pecado de um membro da comunidade não afeta os outros irmãos, membros da mesma comunidade? É claro que afeta. O pecado introduz sempre elementos de desequilíbrio, de desarmonia, de egoísmo, de ruptura, que atingem todos aqueles que caminham conosco… Mas o que Ezequiel aqui pretende sublinhar é que cada homem ou mulher tem de sentir-se pessoalmente responsável diante de Deus pelas suas opções e pelos seus atos.
Esta superação da mentalidade coletiva, dando lugar à responsabilidade individual, é um dos grandes progressos na história teológica de Israel. Doravante, o Povo aprenderá a reagir em termos individuais e não em termos de massa. Está aberto o caminho para uma Nova Aliança: uma Aliança que não é feita genericamente com uma comunidade, mas uma Aliança pessoal e interior, feita com cada crente.
Atualização
Antes de mais, a leitura convida-nos a tomar consciência de que um compromisso com Deus é algo que nos implica profundamente e que devemos sentir pessoalmente, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. No nosso tempo – no tempo da cultura do plástico, do “light”, do efêmero – há alguma tendência a não assumir responsabilidades, a não absolutizar os compromissos (no mundo do futebol e da política há até uma máxima que define a flutuabilidade, a incoerência, a contradição em que as pessoas se movem: “o que é verdade hoje, é mentira amanhã”). Mas, com Deus, não há meias tintas: ou se assume, ou não se assume. Como é que eu sinto esses compromissos que assumi com Deus no dia do meu Batismo e que ao longo da vida, nas mais diversas circunstâncias, confirmei? Trata-se de algo que eu levo a sério e que eu aplico coerentemente a toda a minha existência e às opções que faço, ou de algo que eu só me lembro quando se trata de fazer uma bonita festa de casamento na igreja ou de cumprir a tradição e batiza os filhos?
O profeta Ezequiel convida-nos também a assumir, com verdade e coerência, a nossa responsabilidade pelos nossos gestos de egoísmo e de auto-suficiência em relação a Deus e em relação aos irmãos. Entre nós, no entanto, muitas vezes “a culpa morre solteira”. Há homens e mulheres que não têm o mínimo para viver dignamente? A culpa é da conjuntura econômica internacional… Há situações de violência extrema e de injustiça? A culpa é do governo que não legisla nem coloca suficientes polícias nas ruas… A minha comunidade cristã está dividida, estagnada e não testemunha suficientemente o amor de Jesus? A culpa é do Papa, ou do bispo, ou do padre… E a minha culpa? Eu não terei, muitas vezes, a minha quota-parte de responsabilidades em tantas situações negativas com que, dia a dia, convivo pacificamente? Eu não precisarei de me “converter”?

2ª leitura: Fl. 2,1-11 - Ambiente
Filipos, cidade situada no norte da Grécia, era uma cidade habitada majoritariamente por veteranos romanos do exército. Estava organizada à maneira de Roma e era uma espécie de Roma em miniatura. Os seus habitantes gozavam dos mesmos privilégios dos habitantes das cidades de Itália.
A comunidade cristã de Filipos foi fundada por Paulo no verão de 49, no decurso da sua segunda viagem missionária. Numa das estadias de Paulo na prisão (em Éfeso?), a comunidade enviou um dos seus membros para o ajudar e uma generosa quantia em dinheiro para prover às necessidades do apóstolo.
Apesar de ser uma comunidade viva, piedosa e generosa, a comunidade cristã de Filipos não era uma comunidade perfeita. O desprendimento, a humildade, a simplicidade, não eram valores demasiado apreciados entre os altivos patrícios romanos que compunham a comunidade.
É neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Trata-se de um texto que, em termos literários, apresenta duas partes. A primeira (vs. 1-5), em prosa, contém recomendações concretas de Paulo aos Filipenses acerca dos valores que devem cultivar. A segunda (vs. 6-11), em poesia, apresenta aos Filipenses o exemplo de Cristo (trata-se, provavelmente, de um hino pré-paulino, recitado nas celebrações litúrgicas cristãs e que Paulo integrou no texto da carta).
Mensagem
Na primeira parte (vs. 1-5), Paulo, em tom solene, pede aos altivos romanos que constituem a comunidade de Filipos que não se deixem dominar pelo orgulho, pela auto-suficiência, pela vaidade, pela ambição, que só provocam egoísmo e divisão. Recomenda-lhes que vivam unidos, que se amem e que sejam solidários, pois foi isso que Cristo, não só com palavras, mas com a própria vida, ensinou aos seus discípulos. Na segunda parte (vs. 6-11), Paulo vai referir-se, com mais pormenor, ao exemplo de Cristo. Para apresentar esse exemplo, Paulo recorre, então, ao tal hino litúrgico, que celebrava a “Kenosis” (“despojamento”) de Cristo e a sua exaltação.
Cristo Jesus – nomeado no princípio, no meio e no fim – constitui o motivo do hino. Dado que os Filipenses são cristãos, quer dizer, dado que Cristo é o protótipo a cuja imagem está configurada, têm a iniludível obrigação de comportar-se como Cristo. Como é o exemplo de Cristo?
O hino começa por aludir subtilmente ao contraste entre Adão (o homem que reivindicou ser como Deus e lhe desobedeceu – cf. Gn. 3,5.22) e Cristo (o Homem Novo que, ao orgulho e revolta de Adão responde com a humildade e a obediência ao Pai). A atitude de Adão trouxe fracasso e morte; a atitude de Jesus trouxe exaltação e vida.
Em traços precisos, o hino define o “despojamento” (“kenosis”) de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Não deixou de ser Deus; mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse “abaixamento” assumiu mesmo foros de escândalo: Ele aceitou uma morte infamante – a morte de cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical, da entrega total da vida.
No entanto, essa entrega completa ao plano do Pai não foi uma perda nem um fracasso: a obediência e entrega de Cristo aos projetos do Pai resultaram em ressurreição e glória. Em consequência da sua obediência, do seu amor, da sua entrega, Deus fez d’Ele o “Kyrios” (“Senhor” – nome que, no Antigo Testamento, substituía o nome impronunciável de Deus); e a humanidade inteira (“os céus, a terra e os infernos”) reconhece Jesus como “o senhor” que reina sobre toda a terra e que preside à história.
É óbvio o apelo à humildade, ao desprendimento, ao dom da vida que Paulo faz aos Filipenses e a todos os crentes: o cristão deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos; esse caminho não levará ao aniquilamento, mas à glorificação, à vida plena.
Atualização
Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados em muitos dos nossos ambientes contemporâneos. De acordo com os critérios que presidem ao nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com auto-suficiência e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros. Como pode um cristão (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?
Paulo tem consciência de que está a pedir aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo. Também a nós é pedido um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?
Evangelho: Mt. 21,28-32 - Ambiente
O texto que nos é proposto neste domingo situa-nos em Jerusalém, na etapa final da caminhada terrena de Jesus. Pouco antes, Jesus entrara em Jerusalém e fora recebido em triunfo pela multidão (cf. Mt. 21,1-11); no entanto, o entusiasmo inicial da cidade foi sendo substituído, aos poucos, por uma recusa categórica em acolher Jesus e o seu projeto.
Os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo – os líderes religiosos judaicos – aparecem como o motor da oposição a Jesus. Eles não estão dispostos a reconhecer Jesus como o Messias de Deus e a aceitar que Ele tenha um mandato de Deus para propor aos homens uma nova realidade – a realidade do Reino. Há uma tensão no ar, que anuncia a proximidade da paixão e da morte de Jesus.
No quadro que antecede o episódio que nos é hoje proposto – mas que está em relação direta com ele – os líderes judeus encontraram-se com Jesus no Templo; perguntaram-Lhe com que autoridade Ele agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt. 21,23-27). Jesus respondeu-lhes convidando-os a pronunciarem-se sobre a origem do batismo de João. Os líderes judaicos não quiseram responder: se dissessem que João Baptista não vinha de Deus, tinham medo da reação da multidão (que considerava João um profeta); se admitissem que o batismo de João vinha de Deus, temiam que Jesus lhes perguntasse porque não o aceitaram… Diante do silêncio embaraçado dos seus interlocutores, Jesus deu-lhes a entender que não tinha uma resposta para lhes dar, enquanto eles continuassem de coração fechado, na recusa obstinada da novidade de Deus (anunciada por João e proposta pelo próprio Jesus).
Na sequência, Jesus vai apresentar três parábolas, destinadas a ilustrar a recusa de Israel em acolher a proposta do Reino. Com elas, Jesus convida os líderes da nação judaica a refletir sobre a situação de “gueto” em que se instalaram e a reconhecerem o sem sentido das suas posições fixistas e conservadoras. O nosso texto é a primeira dessas três parábolas.
Mensagem
A parábola dos dois filhos ilustra duas atitudes diversas diante dos desafios e das propostas de Deus.
O primeiro filho foi convidado pelo pai a trabalhar “na vinha”. A sua primeira resposta foi negativa: “não quero”. No contexto familiar da Palestina do tempo de Jesus, trata-se de uma resposta totalmente reprovável, particularmente porque uma atitude deste tipo ia contra todas as convenções sociais… Enchia um pai de vergonha e punha em causa a sua autoridade diante dos familiares, dos amigos, dos vizinhos. No entanto, este primeiro filho acabou por reconsiderar e por ir trabalhar na vinha (vs. 28-29).
O segundo filho, diante do mesmo convite, respondeu: “vou, sim, senhor”. Deu ao pai uma resposta satisfatória, que não punha em causa a sua autoridade e a sua “honra”. Ficou bem visto diante de todos e todos o consideraram um filho exemplar. No entanto, acabou por não ir trabalhar na vinha (v. 30).
A questão posta, em seguida, por Jesus, é: “qual dos dois fez a vontade do pai?” A resposta é tão óbvia que os próprios interlocutores de Jesus não têm qualquer pejo em a dar: “o primeiro” (v. 31).
A parábola ensina que, na perspectiva de Deus, o importante não é quem se comportou bem e não escandalizou os outros; mas, de acordo com a lógica de Deus, o importante é cumprir, realmente, a vontade do pai. Na perspectiva de Deus, não bastam palavras bonitas ou declarações de boas intenções; mas é preciso uma resposta adequada e coerente aos desafios e às propostas do Pai (Deus).
É certo que os fariseus, os sacerdotes, os anciãos do Povo, disseram “sim” a Deus ao aceitar a Lei de Moisés… A sua atitude – como a do filho que disse “sim” e depois não foi trabalhar para a vinha – foi irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas, do ponto de vista do cumprimento da vontade de Deus, a sua atitude foi uma mentira, pois recusaram-se a acolher o convite de João à conversão. Em contrapartida, aqueles que, de acordo com o “política e religiosamente correto” disseram “não” (por exemplo, os cobradores de impostos e as prostitutas), cumpriram a vontade do Pai: acolheram o convite de João à conversão e acolheram a proposta do Reino que Jesus veio apresentar (v. 32).
Lida no contexto do ministério de Jesus, esta parábola dava uma resposta àqueles que O acusavam de acolher os pecadores e os marginais – isto é, aqueles que, de acordo com as “convenções”, disseram não a Deus. Jesus deixa claro que, na perspectiva de Deus, não interessam as convenções externas, mas a atitude interior. O que honra a Deus não é o que cumpre ritos externos e que dá “boa impressão” às massas; mas é o que cumpre a vontade de Deus.
Mais tarde, a comunidade de Mateus leu a mesma parábola numa perspectiva um pouco diversa. Ela serviu para iluminar a recusa do Evangelho por parte dos judeus e o seu acolhimento por parte dos pagãos. Israel seria esse “filho” que aceitou trabalhar na vinha mas, na realidade, não cumpriu a vontade do Pai; os pagãos seriam esse “filho” que, aparentemente, esteve sempre à margem dos projetos do Pai, mas aceitou o Evangelho de Jesus e aderiu ao Reino.
Atualização
Antes de mais, a parábola dos dois filhos chamados para trabalhar “na vinha” do pai sugere que, na perspectiva de Deus, todos os seus filhos são iguais e têm a mesma responsabilidade na construção do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e quer ver todos os seus filhos – sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, de formação intelectual – implicados na concretização desse projeto. Ninguém está dispensado de colaborar com Deus na construção de um mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno. Tenho consciência de que também eu sou chamado a trabalhar na vinha de Deus?
Diante do chamamento de Deus, há dois tipos de resposta… Há aqueles que escutam o chamamento de Deus, mas não são capazes de vencer o imobilismo, a preguiça, o comodismo, o egoísmo, a auto-suficiência e não vão trabalhar para a vinha (mesmo que tenham dito “sim” a Deus e tenham sido batizados); e há aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa. De que lado estou eu? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os seus desafios, a empenhar-me na construção de um mundo mais bonito e mais feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um papel ativo no projeto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o mundo?
O que é que significa, exatamente, dizer “sim” a Deus? É ser batizado ou crismado? É casar na igreja? É fazer parte de uma confraria qualquer da paróquia? É fazer parte da equipa que gere a Fábrica da Igreja? É ter feito votos num qualquer instituto religiosos? É ir todos os dias à missa e rezar diariamente a liturgia das horas? Atenção: na parábola apresentada por Jesus, não chega dizer um “sim” inicial a Deus; mas é preciso que esse “sim” inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na “vinha” do Senhor. Ou seja: não bastam palavras e declarações de boas intenções; é preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de paz. Como me situo face a isto: sou um cristão “de registro”, que tem o nome nos livros da paróquia, ou sou um cristão “de fato”, que dia a dia procura acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus apelos e colaborar com Ele na construção de uma nova terra, de justiça, de paz, de fraternidade, de felicidade para todos os homens?
Nas nossas comunidades cristãs aparecem, com alguma frequência, pessoas que sabem tudo sobre Deus, que se consideram família privilegiada de Deus, mas que desprezam esses irmãos que não têm um comportamento “religiosamente correto” ou que não cumprem estritamente as regras do “bom comportamento” cristão… Atenção: não temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e marginalizar… Na perspectiva de Deus, o importante não é que alguém se tenha afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado trabalhar “na vinha”. A este propósito, Jesus diz algo de inaudito aos “santos” príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo: “os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o Reino de Deus”. Hoje, que é que isto significa? Hoje, quem são os “vós”? Hoje, quem são os “publicanos e mulheres de má vida”?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

============================