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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

2º DOMINGO DA QUARESMA-B


2º DOMINGO DA QUARESMA
25 de Fevereiro – Ano B

Evangelho Mc 9,2-10


-JESUS SE TRANSFIGUROU DIANTE DELES-José Salviano


A transfiguração foi mais uma das muitas demonstrações de poder de Jesus Cristo. Continuar lendo


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“ESTE É O MEU FILHO AMADO. ESCUTAI O QUE ELE DIZ!”- Olivia Coutinho

2º  DOMINGO DA QUARESMA

Dia 25 de Fevereiro de 2018

Evangelho de Mc9,2-10

Neste tempo quaresmal, somos convidados a percorrer o  caminho que Jesus percorreu, atualizando esta  caminhada no contexto do mundo de hoje.
É percorrendo o caminho que Jesus percorreu que vamos tomando consciência da grandiosidade do seu amor, e que é no cotidiano da nossa vida, que devemos responder a este amor sem limites fazendo do seu caminho, o nosso caminho.
A Quaresma é um período de interiorização da fé, tempo da escuta, de ouvir mais do que falar.
A liturgia deste tempo, nos leva a um retiro interior, a confrontar  o nosso comportamento  com a Palavra de Deus, com o objetivo  de ajustar o nosso  viver, nos valores do evangelho.
O Evangelho que a liturgia deste Domingo nos convida a refletir, narra a transfiguração de Jesus. “Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha e foi transfigurado diante deles;Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar”.
A transfiguração de Jesus foi um prenuncio do seu retorno glorioso para o Pai, momento, em que Ele revela aos discípulos, de forma visível, a sua intimidade com o Pai, assegurando-os da sua ressurreição!
Na transfiguração,  Pedro, Tiago e João, puderam visualizar o encontro de Jesus com o Pai. A partir de então, eles, que andavam tristes, com as últimas revelações de Jesus, sobre o desfecho trágico de sua trajetória terrena, se encheram de alegria, pois diante de Jesus transfigurado, eles tiveram a certeza de que a vida e a ação Jesus, não terminariam com a sua morte. 
Pedro Tiago e João, tiveram a alegria de testemunhar a glória de Jesus junto ao Pai, um testemunho, que eles deveriam guardar, e que, por exigência  de Jesus, só deveria ser revelado aos demais  discípulos, logo após a sua morte, o que seria um grande consolo para eles, saber que a morte de Jesus, não poria fim no relacionamento deles.
Assim como Pedro desejou construir três tendas para que eles pudessem ficar no alto da montanha com Jesus, longe dos perigos e sem precisar batalhar a vida, nós também, certamente, desejaríamos o mesmo! Essa pode ser a nossa grande tentação dos dias de hoje: buscar a nossa comodidade, o nosso bem estar, sem pensar na necessidade do outro. 
Rezar, ouvir e meditar a palavra, agrada muito a Deus, mas Ele quer que façamos muito mais, Deus quer que desçamos do alto da “montanha”, que voltemos à planície, pois é aqui, neste chão, que Ele quer contar conosco, na construção de um mundo melhor, no amparo a tantos irmãos, desfigurados, vítimas das injustiças sociais que os impede de terem  uma vida digna.
Precisamos sair de nossas tendas, abrir mão da nossa zona de conforto, descruzar os nossos braços, desvendar os nossos olhos e nos por à caminho, afinal, há muito o que fazer neste mundo tão desigual, mundo, que a cada dia vai perdendo de vista, o horizonte da paz!
A transfiguração de Jesus, testemunhada  pelos os discípulos, trouxe-nos  a certeza, de que há uma vida melhor por vir!
Este episódio deve nos animar, afinal, foi transfigurado, que Jesus nos mostrou o lado positivo da cruz! Estejamos certos: A cruz não é sinal de morte, e sim, sinal de vida, de vitória da vida sobre a morte!
Conduzidos por Jesus não haveremos de temer a cruz, pois com Ele, estaremos seguros, cientes, de que a cruz, não será definitiva na nossa vida, como não foi definitiva  na vida Dele.
Não deixemos que os ventos contrários, apaguem o brilho do rosto transfigurado de Jesus refletido em nós, cultivemos este brilho, na certeza, de que ele será um farol, nas nossas passagens pelos os túneis escuros de nossa vida.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! Olívia Coutinho

PARA OUVIR O ÁUDIO DESTA REFLEXÃO, ACESSE  O LINK:  



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Transfigurar-se
O segundo domingo da Quaresma está centrado no Evangelho da transfiguração. De fato, este tempo é tradicionalmente chamado tempo de conversão e, tranfigurar-se outra coisa não é do que, à luz de Cristo, encontrar um sentido novo para a vida e marcar todos os caminhos pelas exigências do Evangelho. A conversão reclama depois a fidelidade de que é modelo Abraão. Por isso a liturgia começa por descrever o sacrifício de Isaac, prova indiscutível da fidelidade daquele que foi classificado como pai da fé (1ª leitura). O sacrifício de Isaac porém, outra coisa não é do que o anúncio profético do sacrifício de Cristo. Deus, na sua extrema bondade pelos homens, não hesitou em oferecer-lhes o seu próprio Filho que, “sendo de condição divina, se humilhou a si mesmo tomando a forma humana e sendo sacrificado na cruz” (Fil. 2,8). O gesto de Abraão anuncia o gesto de Deus Pai a oferecer em sacrifício o seu Filho Jesus (2ª leitura). O Evangelho, ao descrever a transfiguração, permite entender que Jesus veio para levar à perfeição, na sua missão redentora, toda a Lei e os Profetas.
1. O sacrifício de Isaac
Abraão, na sua velhice, por vontade de Deus, teve um filho, Isaac. Nele se cumpria a promessa de Deus de que Abraão seria o pai de um grande povo (cf. Gn 17, 20). É então, incompreensível que Deus peça a Abraão o sacrifício do seu filho. Mas Abraão é fiel e sobe ao monte preparando-se para sacrificar Isaac. Deus porém suspendeu o braço de Abraão. Isaac foi salvo e em sua vez foi imolado um cordeiro. É preciso compreender esta estranha proposta de Deus. Abraão vinha da Caldeia onde era norma sacrificar os filhos aos deuses. Para cumprir a tradição que ele conhecia pensa que Deus lhe pede o sacrifício do filho. Deus, porém, em Abraão altera todos os ritos. Isaac é salvo e o sacrifício é feito com um cordeiro. A simbologia é extremamente bela, porque quer o filho de Deus, simbolizado em Isaac, quer o cordeiro, outra coisa não são do que o anúncio do sacrifício redentor que Jesus Cristo, Cordeiro Pascal, vai celebrar.
2. O sacrifício redentor de Cristo
Os cristãos sabem que têm um intercessor em Jesus Cristo. Referindo-se em tudo à Pessoa de Jesus, que deu a vida no sacrifício do Calvário, os cristãos sabem que serão justificados. Por causa do sacrifício de Cristo já não tem lugar a condenação, desde que se aceite a mensagem de que Jesus é portador. De fato, “se Deus está por nós quem é que pode estar contra nós?” (Rm. 8,31). E Deus deu-nos o Seu Filho, entregue à morte para que todos sejamos salvos. A salvação é a razão do sacrifício de Cristo.
3. A transfiguração dos homens
Esta página do Evangelho não se refere apenas a Jesus que, no alto do monte, se revela filho muito amado de Deus. Presente e transfigurado entre Moisés e Elias, Ele é a síntese de toda a Lei e dos Profetas. Síntese esta que se reconhece na voz de Deus “este é o meu Filho muito amado no qual pus todo o meu amor” (Mc. 9,7). Os apóstolos, Pedro, Tiago e João, pensaram ficar por ali, no alto do monte, a contemplar. Jesus, porém, convidou-os a descer até ao convívio de todos os homens para lhes anunciarem que Jesus é o Filho de Deus. Com a transfiguração de Jesus são os discípulos que se transfiguram em Apóstolos.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”




Neste domingo damos o segundo passo para a Páscoa recordando a experiência de Jesus e seus discípulos no alto do monte Tabor que chamamos de “transfiguração”, a segunda revelação da divindade de Jesus após o seu Batismo.
É um tema que está bem de acordo com o espírito da Quaresma porque o que nós procuramos neste tempo é a “transfiguração“ de nossa vida desfigurada, numa existência luminosa e radiante. Será preciso subir ao monte Tabor da oração e da contemplação para entrar no mistério de Deus. Desta forma estaremos preparados para enfrentar as dificuldades da vida e as contradições que põem a prova a nossa fé.
A Quaresma é um processo de humanização e espiritualização.
A Liturgia da Palavra nos apresenta a Abraão ouvindo o mandato de Deus e decidindo, com fé e obediência, sacrificar o próprio filho para cumprir a sua Palavra (1ª leitura). Este mesmo Deus Pai nos exorta a escutar a voz do seu Filho que caminha para o sacrifício da cruz (como outrora Isaac) para a salvação da humanidade (evangelho). É através deste Filho que o Pai está presente no meio de nós e nos livra de todo mal (2ª leitura). Por isso, é preciso abrir o coração para escutar a voz de Deus.
1ª leitura: Gênesis 22,1-2.9-13.15-18
A história de Abraão faz parte da origem de um povo com a missão de trazer a bênção de Deus para toda a humanidade, mas, antes de tudo, é o exemplo supremo de toda uma vida orientada pela fé e pela obediência incondicional a Deus.
Deus pede a Abrão que renuncie a todo o seu passado (terra, pátria, família... - Gênesis, 12) para entrar na posse da promessa divina: «Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei;... Em você, todas as famílias da terra serão abençoadas». Muitos obstáculos parecem tornar impossível a realização dessa promessa (como a velhice dele e a esterilidade da esposa), mas Abraão atende o apelo divino e aceita o risco sem restrições. No entanto, quando a promessa começa a cumprir-se com o nascimento do filho, Isaac, Deus lhe pede, num ato supremo de fidelidade, que renuncie agora ao seu futuro, eliminando seu próprio filho (o “filho da promessa”). Como poderia, então, ser pai desse povo prometido sem o seu único descendente? A ordem de Deus não só entra em contradição com a lógica humana, mas até mesmo com a lógica divina do plano e Deus.
Uma provação impossível para qualquer pai. Tinha que decidir entre Deus e seu filho. Tão grande e inquebrantável, porém, era a sua fidelidade que, com muita dor no coração, decide obedecer a ordem de Deus, mesmo que não possa entende-la. O texto mostra a luta interior e dramática de Abraão. Mas, no momento em que está pronto para obedecer e realizar o sacrifício do seu filho, Deus intervém mostrando que não é a vida de Isaac que Ele queria, mas o coração de Abraão.
Ao renunciar à paternidade física, Abraão a recupera, agora multiplicada, tornando-se Pai da Fé e modelo de disponibilidade e fidelidade para todos os que acreditam em Deus. A entrega de Abraão nas mãos do Pai só encontra semelhança na entrega de Jesus na cruz. A diferença está em que Isaac não morreu e dele nasceu um novo povo. Jesus morreu e da sua morte nasceu uma nova humanidade, dando “o poder de se tornarem filhos de Deus a todos aqueles que... acreditam no seu nome” (João 1,12).
2ª leitura: Romanos 8,31b-34
Paulo destaca a confiança que deve animar-nos, pois tudo o que Deus fez por nós, em Cristo, mostra como Ele está do nosso lado. Tanto assim, que Deus foi muito além do que tinha pedido a Abraão. Ele, que deteve a mão de Abraão, “não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós”.
Conhecendo o amor de Deus por nós, manifestado em Cristo, nada mais temos a temer: nem dificuldades, nem perseguições, nem qualquer forma de dominação. Neste ponto, Paulo lança o desafio: “Quem acusará os escolhidos de Deus? É Deus quem torna justo! Quem condenará?”. O único que poderia fazê-lo seria o próprio Cristo. Mas Ele deu a vida por nós, ”ressuscitou” e “está à direita de Deus e intercede por nós”. Nada poderá desfazer o que Ele já realizou. Nada, portanto, poderá impedir o testemunho dos cristãos.
Sabendo da presença de Deus ao nosso lado, poderemos enfrentar os problemas da vida com paz e serenidade. Os olhos de nossa fé enxergarão melhor o que nos aproxima de Deus sem medo de tudo aquilo que atrapalha a nossa vida.
Evangelho: Marcos 9,2-10
A transfiguração é sinal da Ressurreição e de que a vida e ação de Jesus não terminam na sua morte. Ele continuará a estar presente no mundo através de seus discípulos. Daí por que Jesus levou consigo os discípulos mais chegados: Pedro, Tiago e João (os mesmos que o acompanharão um dia na agonia em Getsémani). Certamente queria prepará-los para enfrentar o “escândalo da cruz”.
Ao dizer o evangelista Marcos que “desceu uma nuvem e os cobriu com sua sombra”, quer indicar que entraram no mistério de Deus e, nessa experiência mística, lhes foi revelada a identidade de Jesus: «Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!».
Tão profunda foi aquela experiência que “Pedro não sabia o que dizer” e propôs ao Senhor interromper o caminho para ficar por ali mesmo, desfrutando antecipadamente da Páscoa, sem passar pela noite escura da Cruz («Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.»). Não era uma proposta ruim, mas havia um compromisso de fidelidade ao projeto de salvação para toda a humanidade do qual Jesus não abriria mão. O caminho para Jerusalém precisava ser continuado, mesmo que os discípulos estivessem com receio do que lá poderia acontecer. Nós, também, não podemos instalar-nos nas “tendas” do egoísmo, do comodismo e da falta de solidariedade; precisamos comprometer-nos com a realidade da vida cotidiana para seguir vivendo e anunciando a Boa Nova com rosto alegre e “transfigurado”.
Aquela visão durou o que um relâmpago (“E, de repente, eles olharam em volta e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles”). Lá estava Jesus, de novo, um homem que caminhava para a morte. Só que, agora, os discípulos o acompanhavam sabendo que aquele homem era o Filho de Deus. A experiência do monte Tabor iluminou a mente deles, preparando-os para, mais tarde, serem testemunhas do sacrifício do Senhor em Jerusalém.
Na transfiguração, Jesus se manifesta como o ponto de encontro entre a Lei (Moises) e os Profetas (Elias). A voz de Deus mostra que, daqui por diante, Ele é a única autoridade. Todos os que ouvem o convite de Deus e seguem Jesus até o fim, começam desde já a participar da sua vitória final, quando ressuscitarão com Ele.
A Palavra de Deus na vida
A celebração de hoje transcorre entre duas grandes provações nas quais está em jogo a vida. A provação de Abraão, que corre o risco de perder tudo ao sacrificar o “filho da promessa”, Isaac, e a provação para a qual Jesus caminha, indo para Jerusalém e sabendo que lá será imolado pela salvação de toda a humanidade. As provações fazem parte de nossa vida e podem colocar em crise a nossa fé.
Estas situações limite, porém, não podem se avolumar de tal forma que cheguem a eliminar a nossa confiança. São Paulo pergunta: “Se Deus está a nosso favor, quem estará contra nós?” Ou seja, mesmo que a provação pareça ser maior do que podemos suportar, temos Deus do nosso lado e, nesse caso, quem poderá nos derrotar? Ele não permitirá que a morte nos elimine como aconteceu com a ressurreição de Jesus.
A fé diante das provações, mais do que auto-motivação ou elemento de auto-ajuda, é uma atitude de confiança que nasce naquele que acolhe o convite do Pai para ouvir a  Palavra de Jesus («Este é o meu Filho  amado. Escutem o que ele diz!»). Por tanto, o monte Tabor não é um local; o Tabor é o encontro com a Palavra de Deus, a qual tem a força para nos “transfigurar”, para nos encorajar nos momentos da provação.
Você está precisando de um impulso em sua vida interior? Você está angustiado a ponto de perder a luz de sua vida? A Liturgia faz o convite para subir com Jesus ao Tabor, ouvir e contemplar a glória divina através da Palavra do Filho que o Pai manda ouvir. O caminho da fé é sempre assim: entre a sombra da provação e a alegria da luz. Esse é o momento de mostrar que, realmente, confiamos em Deus. Nessa confiança está o núcleo central da experiência de fé.
Deus merece confiança absoluta porque “não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós”. Pode parecer que  Ele pede muito (pediu o filho a Abraão), mas, na realidade, é Deus quem dá. Se Ele dá o mais valioso, que é seu próprio Filho, “como não nos dará  também todas as coisas junto  com o seu Filho?”. Nossa confiança em Deus não tem nada de cega e irracional; ela torna-se muito razoável e bem fundamentada.
Pensando bem...
+ Como poderemos enfrentar a provação, com serenidade e confiança, se nunca tivemos experiência de Deus na vida?
Ter experiência de Deus significa estar acostumado ao trato íntimo com Ele na oração, na forma de um diálogo afetuoso como de um filho para seu pai. A Quaresma pode ser o nosso Tabor se aproveitarmos este tempo de graça para entrar em comunhão com Ele.
+ Há um paralelismo evidente entre Isaac subindo ao monte Moria (“Abraão pegou a lenha do holocausto e a colocou nas costas do seu filho Isaac”- Gênesis 22,6) e Jesus subindo ao monte Calvário com a cruz às costas.
O paralelismo se quebra no desenlace final: a mão que deteve Abraão não impediu a morte de Jesus.
Desta forma, a tão alto custo, Deus mostrou o extremo inimaginável do amor que Ele tem por nós.
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2012...
A experiência da doença é sempre um convite à reconciliação e à harmonização com o nosso próprio ser pois a doença mostra a profunda igualdade dos seres humanos e tem o poder de suscitar a solidariedade entre as pessoas.
É por isto que o tema proposto nesta Campanha da Fraternidade, FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA, sob o lema "Que a saúde se difunda sobre a terra", está sendo considerado como a principal preocupação e a pauta reivindicatória mais comum da população brasileira a respeito das políticas públicas.
Nesta Campanha da Fraternidade, não podemos fechar os olhos diante da realidade em que vivemos. Justamente o objetivo da Campanha é refletir sobre a realidade da saúde do Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizando a sociedade por uma melhoria no sistema público de saúde. O SUS, que deveria ser modelo para o mundo, ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade, sobretudo para os mais necessitados destes serviços. Estamos percebendo isto?
padre Ciriaco Madrigal



A Transfiguração do Senhor
Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles.
3.Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas.
Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus.
Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.
Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados.
Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o.
E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles.
Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos.
E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos.
“A Transfiguração de Jesus ilumina antecipadamente o evento de seu sacrifício na Cruz. Do Pai, recebemos nesta celebração os frutos da vitória de Cristo e somos enviados para levar ao mundo a vida e a salvação que Ele quer proporcionar a todos”. (Liturgia Diária)
Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte
O Papa Emérito Bento XVI disse que no episódio da Transfiguração “Jesus queria que os seus discípulos, em particular aqueles que teriam a responsabilidade de guiar a Igreja nascente, fizessem uma experiência direta da sua glória divina, para enfrentar o escândalo da cruz. Com efeito, quando chegar a hora da traição e Jesus se retirar para rezar no Getsêmani, terá próximos precisamente Pedro, Tiago e João, e pedir-lhes-á que vigiem e rezem com Ele ( Mt 26, 38). Eles não conseguiram fazê-lo, mas a graça de Cristo sustentá-los-á e ajudá-los-á a acreditar na Ressurreição”.
O Catecismo (§568) ensina: “A transfiguração de Cristo tem por fim fortalecer a fé dos Apóstolos em vista da paixão: a subida à «alta montanha» prepara a subida ao Calvário. Cristo, cabeça da Igreja, manifesta o que o seu Corpo contém e irradia nos sacramentos: «a esperança da Glória”.
E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus.
”A beleza da glória celeste que a Igreja esperando procura, Cristo a mostra no alto do monte, onde mais que o sol claro fulgura. Este fato é nos tempos notável: ante Pedro, Tiago e João, Cristo fala a Moisés e Elias sobre a sua futura Paixão. Testemunhas da lei, dos profetas e da graça estando presentes, sobre o Filho, Deus Pai testemunha, vindo a voz duma nuvem luzente. Com a face brilhante de glória, Cristo hoje mostrou no Tabor o que Deus tem no céu preparado aos que o seguem, vivendo no amor”. (Liturgia das Horas)
“Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os teus discípulos contemplaram a tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai”. (Liturgia Bizantina)
Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o
São João Paulo II disse que a liturgia de hoje “convida-nos a dirigir o olhar para o rosto do Filho de Deus que no alto do monte, como de maneira concorde atestam os Sinópticos, se transfigura diante de Pedro, Tiago e João, enquanto da nuvem a voz do Pai proclama: “Este é o Meu Filho amado. Escutai o que Ele diz” (Mc. 9, 7). São Pedro, ao recordar com emoção o evento, afirmará: “Fomos testemunhas oculares da Sua majestade” (2 Pd. 1, 16).
O Papa Francisco explicou: “Ressoa do alto a voz do Pai que proclama Jesus seu Filho predileto, dizendo: «ouvi-O» (v. 5). Esta palavra é importante! O nosso Pai que disse a estes apóstolos, e diz também a nós: «Ouvi Jesus, porque é o meu Filho predileto». Mantenhamos, esta semana, esta palavra na mente e no coração: «Ouvi Jesus!». E isto não é o Papa que o diz, é Deus Pai, a todos: a mim, a vós, a todos, todos! É como uma ajuda para ir em frente pelo caminho da Quaresma. «Ouvi Jesus!». Não esqueçais”.
Conclusão
“Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e Todo-Poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu esplendor. E com o testemunho da lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Eias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará à glória da ressurreição. E, enquanto esperamos a realização plena de vossas promessas, com os anjos e com todos os santos, nós vos aclamamos, dizendo a uma só voz…” (Prefácio da Santa Missa do Evangelho da Transfiguração)
Oração
Senhor Jesus, que eu possa ver no rosto sofrido do meu irmão, o Teu próprio rosto transfigurado pelo sofrimento na Tua paixão e morte na Cruz. Senhor Jesus, que eu ouça sempre a Ti como o Pai pediu. E que eu possa seguir todos os dias os ensinamentos de Tua Palavra. Amém.
Testemunho de Vida
Na peregrinação que fizemos à Terra Santa, em 1997, subimos ao Monte Tabor, onde ocorreu a Transfiguração de nosso Senhor Jesus. E ao chegar ao alto da montanha, fiquei pensando o quanto Jesus caminhava por toda aquela região. A subida era bem íngreme. No Monte Tabor se encontra a Basílica da Transfiguração. No centro da Basílica, há uma pintura que retrata a cena do Evangelho ocorrida naquele local: a Transfiguração de Jesus. É tudo muito especial. É um lugar de muito silêncio. É um local de contemplação. Lá do alto avista-se vários lugares da Terra Santa.





"E transfigurou-se diante deles"
Domingo da transfiguração do Senhor. Jesus transfigurado institui a Aliança. Celebramos o 2º domingo da Quaresma, em nossa caminhada pascal, rumo a Jerusalém, local onde Jesus vai ser entregue, condenado, morto e ressuscitado. Nesse caminho, subimos a montanha com Jesus, Pedro, Tiago e João para fazermos a experiência da intimidade com o próprio Jesus, participar de sua glorificação e recebermos o mandamento de escutá-lo sempre.
A transfiguração-iluminação de Jesus nos faz enxergar os rostos "desfigurados" de tantos irmãos e irmãs, pobres, doentes, sofredores, que clamam por saúde para ter uma vida digna.
Levando em conta o "tempo oportuno" da Quaresma, que luzes nos traz a liturgia de hoje para a transfiguração do mundo?
Primeira leitura - Gn. 22,1-2.9a.10-13.15-18
Esta leitura mostra Deus fazendo uma "Aliança com Abraão". Ele que oferece seu único filho obedecendo a voz de Deus. Abraão, nosso pai na fé, teve que fazer em sua vida muitos atos de fé, para entender a promessa de Deus. Como entendemos pela primeira leitura deste segundo domingo da Quaresma, o sacrifício de Abraão é a prova da sua fé em Deus. Isaac era o filho único de Abraão, "o filho da velhice e da promessa divina". E agora Deus pede-lhe o sacrifício da sua vida. Suprema prova de fé, confiança, obediência e fidelidade de um homem justo. Mas no momento crucial, o Anjo do Senhor interrompe o braço de Abraão, e um carneiro substitui o filho no sacrifício. Por causa da sua fidelidade comprovada, Deus renova a promessa a Abraão: descendência numerosa, posse de terra, bênção para o seu povo e para as nações de toda a terra. Na realidade, o pano de fundo deste quadro bíblico, bem antigo reforça ainda mais a fé de Abraão no Deus da vida. "O núcleo central aqui é crer, mesmo em meio à escuridão.
O conhecimento do rosto de Deus que "nenhum homem viu, nem pode ver" (1 Timóteo 6,16) não é imediato, mas é um caminho que avança por etapas. Neste crescimento as pessoas purificam progressivamente essas imagens que são frutos dos seus medos, para chegar a descobrir o autêntico rosto de Deus que tem em Jesus, "imagem do Deus invisível" (Colossenses 1,15), a sua plena e definitiva revelação (cf. João 1,18).
No tempo da Bíblia, sacrificar o próprio filho à divindade era considerado válido (cf. Juízes 11,32-39), porque as crianças não tinham nenhum valor. Em Jerusalém, no vale da Geena, havia altares nos quais eram oferecidas crianças ao deus Moloch (Jeremias 7,31; 2 Reis 16,3; 21,6; 23,10). O autor do texto do Gênesis quer acabar de modo autoritário com esta macabra tradição, declarando que o Senhor, o Deus de Israel, não exige sacrifícios humanos. Enquanto o deus que requer a Abraão o sacrifício do seu único filho é chamado "Eloim" (versículo 1), nome comum das divindades, o que impede Abraão é o "anjo de Javé" (versículos 11.12.15), expressão com a qual na Bíblia se indica o próprio Senhor (cf. Gênesis 16,10-13). São as divindades dos pagãos que pedem sacrifícios humanos, mas não o Deus de Israel (cf. Oséias 6,6).
Já desde o início, o autor adverte que Deus submeteu Abraão a uma prova, como para prevenir o horror que os sacrifícios humanos causavam aos hebreus (cf. 2Reis 3,27). Sabemos que os cananeus, em certas circunstâncias, ofereciam sacrifícios humanos, especialmente de crianças.
Os antigos redatores do relato tiveram também uma intenção litúrgica: convencer o povo a não mais oferecer a Deus "sacrifícios de crianças" (cf. Juízes 11,10-30; 2Reis 16,3; 21,6; Deuteronômio 12,31; Jeremias 7,31; 19,5; 32,35), que parecem ter alcançado grande sucesso nos séculos VIII e VII.  Ao relembrar que todo primogênito pertencia a Deus (Êxodo 22,28-30), a lei insistia logo na obrigação de resgatá-lo (Êxodo 34,19-20; Deuteronômio 15,19-23) por um sacrifício de substituição, isto é, o de animais.
O Judaísmo lerá o episódio do sacrifício de Abraão no sentido de uma meditação do sofrimento, isto é, ele fará do sacrifício de Isaac, sobretudo no "livro dos Jubileus", a cena-tipo da investidura do futuro Messias sofredor, episódio lido na liturgia dos Tabernáculos, que é, precisamente, uma liturgia da investidura do futuro Messias. O único interesse desta relação entre o episódio do sacrifício de Isaac e a investidura do Messias é manifestar, desta forma, a fé num Messias sofredor. Assim, compreendemos que foi dentro do contexto de uma festa dos Tabernáculos (Mateus 17 e 21) que Cristo revelou aos seus discípulos o Messias sofredor. O relato da transfiguração é a prova mais evidente deste fato.
O sacrifício de Isaac é visto pelos santos Padres como uma prefiguração do sacrifício de Cristo. Diversos elementos comprovam isto: Isaac é filho único; é muito amado por Abraão; Isaac se presta docilmente. Por outro lado, justamente porque Isaac não é sacrificado, mas em seu lugar é imolado um cordeiro, muitos vêem nesse cordeiro uma prefiguração de Cristo que morreu por nós.
Mas o que se destaca no relato do sacrifício de Isaac é a grandeza da fé de Abraão. Ele é alguém que crê até o absurdo, porque tem certeza de que Deus é poderoso e bom para conduzi-lo à realização de suas promessas.
 Salmo responsorial 115/116,10.15-19
É um salmo de ação de graças individual. Uma pessoa se encontrou diante de um perigo mortal, clamou, foi ouvida e agora agradece diante de todo o povo. O justo confia em Deus, que liberta os pobres e necessitados. É neste clima de fé, que o justo cumpre seus votos.
A fé consiste em continuar a crer que nada pode separar a pessoa do amor de Deus (cf. Romanos 8,38-39), e que o Pai tem cuidado dos Seus filhos mesmo quando os acontecimentos da existência parecem demonstrar o contrário e se faz a experiência do sofrimento e da morte.
O rosto de Deus neste Salmo é de um Deus que inclina o ouvido, salva e liberta. É o mesmo esquema do êxodo: o povo clama, Deus escuta e liberta. E o Deus deste Salmo é o mesmo do êxodo e da aliança.
Uma frase importante do Salmo é: "É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos". Custa para Deus aceitar que a vida de seus fiéis desapareça prematuramente. Deus sofre quando um de seus servos morre de uma enfermidade fatal, isto é, sente muito quando a doença acaba com a vida de uma servo seu. Porque Ele é o Deus da vida.
Foi por isso que Jesus curou todos os doentes que encontrou em suas viagens missionárias, vencendo até a própria morte. E por causa disso muitos aprenderam a amar Deus Pai em Deus Filho.
Cantemos louvores ao Pai que nos salva da morte e dá a paz e a salvação a todos os que põem nele a sua confiança.
Segunda leitura - Romanos 8,31-34
Mostra-nos que Deus não poupou seu próprio Filho em vista da Aliança. São Paulo, escrevendo aos romanos, compara Deus Pai a Abraão e Jesus a Isaac. Nada nos separará do amor de Cristo, que por nós morreu e ressuscitou. Nele temos a certeza da vitória, a certeza da transfiguração. Não podemos perder de vista esta certeza. É preciso lembrar que quando o apóstolo Paulo fala de "eleitos" (v. 33) não é um termo exclusivista, mas nos diz respeito a todo aquele que recebe o dom de Deus. Nos sinóticos, eleitos é a comunidade escatológica (Marcos 13,20.22.27); no apocalipse são os que venceram e perseveravam até o fim (Apocalipse 17,14).
Paulo, antes de abordar a questão dos judeus (capítulo 9), eleva a Deus, numa linguagem triunfal, litúrgica e lírica, um hino ao seu amor. "Se Deus está conosco, quem será contra nós?" A resposta é, certamente, nada e ninguém. Ou melhor, poderão estar contra nós os homens e o mundo, mas temos a certeza de que não prevalecerão, pois nosso aliado é imbatível, não perde nunca. Aqui, Paulo retoma Romanos 5,5-8, onde mostra que a esperança cristã, fundada no amor de Deus para conosco, não poderá deixar lugar para inquietações. Nem mesmo a morte poderá atemorizar a pessoa humana, pois também ela foi vencida (1 Coríntios 15,54).
Paulo ilustra a grande novidade representada pela vida e morte de Jesus Cristo: a revelação de um Deus que não pede sacrifícios para as pessoas mas, se sacrifica Ele mesmo pelas pessoas, um Deus que não a vida mas dá a própria vida. Da parte deste Deus as pessoas não devem esperar condenação, mas só absolvições. É esta a Boa Notícia, o Evangelho, que as pessoas esperam.
Com Jesus cumpriu-se a passagem definitiva da religião para a fé. Enquanto na religião a pessoa é tentada a amar e a servir o seu deus, com Jesus é Deus que ama e Se coloca ao serviço das pessoas. A pessoa não deve merecer o amor de Deus, mas pode acolhê-lo apenas como dom gratuito: esta é a fé (cf. Lucas 17,11-19). O deus da religião pede obediência às suas leis, o Pai pede que imitemos o seu amor (cf. Lucas 6,35); o deus da religião condena e castiga, o Pai e Jesus absolve e perdoa. Paulo quer difundir esta certeza nos cristãos. Todos os que acolheram na sua vida a Jesus como Senhor e Mestre não estão sós, mas têm um Deus que se fez seu servo e por amor deles tudo transforma em bem (cf. Romanos 8,28). A adesão a Jesus não elimina os inevitáveis sofrimentos da vida, mas dá a cada um uma força nova para os enfrentarem.
Evangelho - Marcos 9,2-10
Jesus vence a tentação no deserto e agora está transfigurado. Na transfiguração os discípulos Pedro, Tiago e João fazem uma experiência mística, antecipada, da ressurreição, mas eles ainda não entendem seu significado (v. 10). O evangelista Marcos, imediatamente depois do anúncio de Jesus da sua paixão e morte em Jerusalém, para onde caminha, nos mostra no evangelho desse segundo domingo da Quaresma, uma magnífica visão teológica da figura de Cristo, "antecipando já o triunfo da sua ressurreição". Jesus, além de homem mortal, "é o Filho imortal de Deus", o Messias anunciado "na lei e pelos profetas", representados no monte da transfiguração por Elias e Moisés.
Não que os mortos aparecem para comunicar mensagem. Moisés e Elias simbolizam a Lei e os Profetas que naquele momento testemunham Jesus Cristo, isto é, todo o Primeiro Testamento se cumpre em Jesus e também aprova a sua missão. No Prefácio da oração eucarística de hoje transparece o sentido da transfiguração: "Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo seu esplendor. E com o Testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará à glória da ressurreição".
Devido a esta sua condição, "o esplendor da divindade penetra e transfigura a sua humanidade" que transparece na glória do Filho amado do Pai e preanuncia a exaltação final. Aqui, a teologia da cruz aparece unida ao kerigma da ressurreição, e aparece claro o núcleo da cristologia primitiva: "fusão da divindade com a humanidade de Cristo", Messias e Filho de Deus. Jesus chegará à glória da ressurreição, mas não sem ter passado antes pela prova suprema da sua "paixão e morte". As leituras recordam o dom de Deus no Filho Jesus para a Nova Aliança. É nesta luz que deve ser entendido o relato evangélico da transfiguração "este é o meu filho predileto", aquele que é dado e se oferece para a Aliança. Este Jesus transfigurado é quem foi oferecido pelo Pai aos homens e mulheres para restabelecer a Aliança. Uma característica importante é que Elias e Moisés não aparecem aos discípulos, mas a Jesus. A atenção se concentra em Jesus porque Elias e Moisés desaparecem ficando somente Jesus. O êxodo de que fala o Evangelho significa a morte de Jesus. Aí ensina-se que para os justos a morte é um "êxodo", uma passagem da terra para Deus, e não uma eliminação da companhia dos viventes.
No "mistério da transfiguração", Marcos dá prioridade a Elias sobre Moisés. "E lhes apareceram "Elias e Moisés", conversando com Jesus" (9,4). Marcos cita primeiro o nome de Elias. Mateus no momento da transfiguração cita Moisés antes de Elias: "Nisto apareceram-lhes "Moisés e Elias", conversando com Jesus" (Mateus 17,5). Porque se Elias é João Batista, é claro que ele anuncia o sofrimento do Messias por seus próprios sofrimentos (cf. a explicação de Jesus em Marcos 9,12-13). Portanto, tudo indica ser esta a perspectiva do "Messias sofredor" que está no centro do Evangelho de Marcos.
Aos olhos de Marcos o episódio da transfiguração aparece, antes de tudo, como a revelação de Jesus aos melhores do grupo dos apóstolos: Pedro, Tiago e João. Eles também estarão próximos Dele no Getsêmani: Marcos 14,33.
A transfiguração mostra essencialmente na tomada de consciência, pelos três apóstolos, de que Jesus é verdadeiramente o Messias entronizado pela "festa dos Tabernáculos" (festa das Tendas). A citação dos "seis dias" (v. 2) faz referência à duração clássica desta festa; a montanha e a nuvem são elementos tradicionais próprios a esta festa, bem como habitar em três  tendas sugeridas por Pedro (v. 5). Jesus é certamente o Messias que cada ano na festa dos Tabernáculos é entronizado antecipadamente, revestindo-O de brancura e de luz (versículo 3) e investindo-O da própria Palavra de Deus (v. 7). Mas no livro "judeu dos Jubileus", quase contemporâneo dos evangelhos, já anunciava que o Messias esperado por ocasião da "festa dos Tabernáculos seria um Messias sofredor". Ora, Cristo acaba precisamente de anunciar aos seus discípulos que sua paixão está próxima (Marcos 8,31-38).
Da Palavra para o cotidiano da vida
 Analisando o contexto de Abraão, o que significa hoje crer apesar de todas as aparências em contrário? O que representa segundo o apóstolo Paulo, a força do amor de Deus "que é por nós"? Parece que a resposta está naquela conversa de Elias e Moisés com Jesus. Marcos não diz qual foi o assunto dessa conversa, mas Mateus e Lucas falam que a conversa foi sobre a paixão, morte e ressurreição de Jesus (o mistério da Páscoa). Os discípulos ainda não entendiam o que significava a ressurreição (v. 10). Mais tarde compreenderiam que a ressurreição era a utopia do mundo novo, cujo primeiro fruto foi a ressurreição de Jesus.
Os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) narram a cena da transfiguração de Jesus depois das tentações. A transfiguração de Jesus é um aperitivo do mundo novo que virá. Não podemos, porém, ficar aí parados, acomodados em tendas. É preciso descer do monte e enfrentar os conflitos do dia-a-dia da nossa vida. Na celebração de hoje entendemos que o começo da fé é escutar Jesus, o Filho amado do Pai, como nos diz a voz saída da nuvem da transfiguração. Cristo é a Palavra pessoal do Pai; e onde melhor se houve é na solidão e no vazio interior. Por isso, devemos "subir à montanha", com Jesus, para orar e depois descer e enfrentar a realidade que precisa de justiça e paz.
A cena da transfiguração revela aos discípulos, que haviam escutado de Jesus o anúncio da paixão, um sinal da sua vitória sobre a morte. Pedro, os discípulos e todos os demais que esperam um Messias no sentido de um rei terrestre, devem mudar de mentalidade. A palavra de ordem é escutar o filho amado de Deus.
A fé exigida das testemunhas da transfiguração leva hoje a Igreja a não fugir das necessárias encarnações na realidade e do despojamento que essas mesmas encarnações acarretam consigo, a fim de não procurar um Reino de poder que se separe da morte. A Igreja também é alertada a não desejar encarnação sem transfigurar a realidade. Ela só é chamada a estar presente nas estruturas da sociedade para transformá-las. A Igreja só é chamada a transformar a sociedade aceitando morrer a todo conforto e a toda auto-segurança.
Levando em conta o tempo oportuno da Quaresma, que luzes nos traz a liturgia deste domingo para a transfiguração de cada um de nós, de nossa Igreja e do mundo?
O mundo novo já está em ação com a ressurreição de Jesus, embora passando pela cruz, pelos caminhos das contradições deste mundo. É preciso crer contra todas as aparências e apostar neste mundo novo, transfigurado, que supera as idolatrias e mortes e se põe em andamento a promessa feita a Abraão, retomada por Jesus e mostrada no último livro da Bíblia como "um novo céu e uma nova terra" (Apocalipse 21,1). No mundo torto em que vivemos, o caminho de Cristo e o nosso é o da cruz. Mas além dela está a manhã da ressurreição gloriosa.
A transfiguração de Jesus é um "aperitivo" do mundo novo que haverá de vir. Não podemos, porém, ficar aí parados (acomodados em tendas.). É preciso descer do monte e enfrentar os conflitos do dia-a-dia deste mundo.
A Palavra se faz celebração
A Glória do crucificado
Segundo o Rito Romano, as procissões de entrada em nossas celebrações eucarísticas são presididas pela cruz. Essa cruz, segundo a tradição, é a cruz gloriosa, que manifesta tanto a morte quanto a ressurreição redentoras de Jesus. O costume no início do Cristianismo, era representar o Cristo vivo sobre a mesma, somente mais tarde as cruzes começaram a ostentar o Cristo morto, conforme conhecemos contemporaneamente. . Muito antiga também era a cruz gemada, que recorda as marcas da paixão-ressurreição, do abaixamento e humilhação total de Cristo, nos quais residem toda a sua exaltação e dignidade.
Neste tempo da Quaresma, em que os cristãos são convocados a converter o coração e buscar a misericórdia divina é ocasião para viver a espiritualidade da genuflexão diante da cruz do Salvador. Sobe-se ao monte Calvário, simbolizado pelo sacramento da Eucaristia para depois descer aos jardins do sepulcro vazio, com os pés da fé.
A Palavra de Deus no monte
Seguindo o itinerário quaresmal, a eucologia litúrgica insiste no fato de que a Palavra de Deus que calibra o olhar dos batizados, para que reconheçam na cruz a glória do Filho: "alimentai o nosso espírito com a vossa Palavra, para que purificado o olhar da nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória." O monte da Transfiguração aparece como uma estilização do que acontecerá no monte Calvário. Ao celebrarmos o acontecimento que lá se deu, damo-nos a oportunidade de ser conduzidos por Deus, verdadeiro guia no caminho quaresmal, a redescobrir a chave interpretativa  para compreender a paixão do Salvador.
Ligando a Palavra com a ação eucarística
No prefácio da oração eucarística de hoje transparece o sentido da transfiguração: "Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos profetas, simbolizados em Moisés e Elias, nos ensina que, pela paixão e cruz, chegará á glória da ressurreição.
O aspecto mais profundo da espiritualidade da Quaresma consiste na participação do mistério de Cristo, ou seja, sua paixão e ressurreição. A eucaristia é a celebração memorial da ceia de Jesus. É isto que expressamos no coração da liturgia eucarística: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus! A aclamação eucarística expressa bem que anunciamos o mistério da morte e ressurreição do Senhor, enquanto esperamos a sua vinda glorioso. Nas nossas celebrações antecipamos festivamente o grande banquete celeste e nosso encontro com o Cristo glorioso "Eu vos digo: Não beberei mais deste fruto da videira até o dia em que convosco beberei o vinho novo no Reino do meu Pai" (Mt. 26,29). Assim, a assembléia litúrgica é um sinal escatológico do encontro com o Ressuscitado, o Cordeiro imolado.
Porém, para que a nossa liturgia seja agradável a Deus, é necessário que ela seja continuada na grande missão de transfigurar este mundo tão marcado por contradições em Reino de Deus.
padre Benedito Mazeti




Do rosto transfigurado aos rostos desfigurados
A questão de fundo em Marcos, “quem é Jesus?” encontra a sua resposta no coração do Evangelho, na transfiguração de Jesus. Uma boa chave de leitura do Evangelho da transfiguração, como dos outros textos bíblicos e litúrgicos deste domingo encontramo-la na antífona de entrada: “Procurai o seu rosto. É o teu rosto, Senhor, que eu procuro. Não me escondas o teu rosto”. A resposta a esta súplica insistente vem de um “monte alto, num lugar isolado”, onde Jesus “se transfigurou” diante de três discípulos escolhidos: “as suas vestes tornaram-se esplendentes, branquíssimas; nenhum lavadeiro desta terra seria capaz de as fazer assim tão brancas” (v. 2-3). Marcos insiste sobre este esplendor luminoso que manifesta exteriormente a identidade de Jesus; de fato a cor branca é, aqui, sinal do âmbito de Deus, de alegria e de festa. A luz não vem de fora, vem de dentro da pessoa de Jesus. Lucas faz bem em sublinhar, no texto paralelo ao nosso, que “Jesus subiu ao monte para rezar, e, enquanto rezava, o seu rosto mudou de aspecto” (Lc. 9,28.29). É no seu encontro com o Pai que Jesus se transforma: a plena identificação com o Pai resplende no seu rosto.
O caminho de transformação interior é o mesmo seja para Jesus seja para o apóstolo: a oração vivida como escuta e diálogo na fé e no abandono humilde em Deus, tem a capacidade de transformar a vida do cristão e do missionário. De fato, a contemplação, a oração é a experiência que funda a missão. Tal foi também a experiência de Pedro, certo de não ter ido “atrás de fábulas artificiosamente inventadas”, tendo sido uma das três “testemunhas oculares ... quando estávamos com ele sobre o santo monte” (2Pd. 1,16.18). Mesmo se assustado e confuso (v. 6), Pedro teria preferido evitar aquele “êxodo” em Jerusalém, do qual Moisés e Elias falavam com Jesus (Lc. 9,31), parando o correr do tempo naquela agradável vinda do Reino (v. 5) como uma eterna “festa das tendas” (Zc. 14,16-18). Superada que foi a crise da paixão, aquela experiência de intimidade com o Mestre e o ter escutado aquele Filho predileto do Pai (v. 7) confirmaram a vocação e o compromisso de Pedro numa missão corajosa de anúncio, até ao martírio.
Pedro precisou de sair dos seus esquemas mentais para entrar no modo de pensar de Deus (Mt. 16,13). O mesmo aconteceu com Abraão, de quem o segundo domingo da Quaresma nos apresenta sempre algum acontecimento emblemático (o chamamento, a aliança, o filho Isaac): ele compreendeu que não devia seguir o costume dos sacrifícios humanos bastante difuso entre os povos vizinhos (Moabitas, Amonitas e outros). A mensagem desta narração é bastante clara (1ª leitura): “O primeiro ensinamento, o mais evidente e imediato, é que o Deus de Israel repudia, como um crime abominável, o sacrifício dos filhos. Exigir sacrifícios humanos foi sempre uma característica dos ídolos. O Deus de Israel, pelo contrário, imobilizando o braço de Abraão que estava para golpear o filho, mostra-se como o Senhor que ama a vida (Sb. 11,26), aquele que a todos dá vida (At. 17,25) e não deseja a morte de ninguém (Ez. 18,32)” (F. Armellini). Estudando a narração do sacrifício de Isaac com os critérios da inculturação missionária, vê-se claramente a força da Palavra de Deus que julga, corrige e purifica os costumes dos povos.
O rosto transfigurado e fascinante de Jesus é um prelúdio da sua condição definitiva, depois da Páscoa, condição semelhante à que nos espera: “Aquele corpo que se transfigura aos olhos atônitos dos apóstolos, é o corpo de Cristo nosso irmão, mas é também o nosso corpo chamado à glória; aquela luz que o inunda é e será também a nossa parte de herança e de esplendor. Somos chamados a partilhar aquela mesma glória, porque ‘participamos na vida divina” (2Pd. 1,4). Um destino incomparável”. Assim escreveu Paulo VI na mensagem que tencionava dar durante o Angelus de domingo dia 6 de Agosto de 1978, festa da Transfiguração, poucas horas antes da sua morte.
É nesta vocação à vida e à glória que a dignidade de toda a pessoa humana encontra o seu fundamento, que por nenhum motivo de deveria corromper. Infelizmente, o rosto de Jesus aparece muitas vezes desfigurado em tantos rostos humanos, como afirma o documento dos bispos da América Latina em Puebla (México, 1979): “Esta situação de extrema pobreza espalhada por toda a parte manifesta-se na vida real com traços muito concretos, nos quais deveríamos reconhecer a imagem de Cristo que sofre, do Senhor que nos interroga e nos interpela” (n. 31). E apresentam-se, em seguida, uma série de deturpações: rostos de crianças  doentes, abandonadas, exploradas; rostos de camponeses abandonados e explorados; rostos de operários com salários de fome, desempregados, despedidos; rostos de velhinhos, marginalizados pela sociedade civil e familiar (cf. Puebla 32-43). E a lista podia continuar com as situações que bem conhecemos nos nossos ambientes. São outros tantos apelos insistentes à consciência de quem tem responsabilidade e aos missionários do Evangelho de Jesus.
padre Romeo Ballan
“Perante os terríveis desafios da pobreza de tão grande parte da humanidade, a indiferença e o fechar-se cada um no seu próprio egoísmo colocam-se num contraste intolerável com o olhar de Cristo.
O jejum e a caridade, juntamente com a oração, que a Igreja nos propõe de modo particular no período da Quaresma, oferecem-nos a ocasião propícia para nos configurarmos àquele olhar. O exemplo dos santos e a experiência de muitos missionários que caracterizam a história da Igreja constituem indicações preciosas sobre como melhorar e sustentar o desenvolvimento” (Bento XVI - Mensagem para a Quaresma 2006 - comentando o olhar cheio de compaixão que Jesus dirige às multidões: cf. Mt. 9,16)
EUNTES



1ª leitura –Gn. 22,1-2.9a.10-13.15-18
Estamos diante de uma grande prova de fé. Uma fé vivida no silêncio. Confiança sim. Mas talvez mais do que confiança, a fé é uma entrega, Deus tirou o chão dos pés de Abraão e ele continuou a acreditar. Prometeu-lhe longa descendência e pede-lhe o único e possível (!) herdeiro em sacrifício. A essa altura encheríamos Deus de perguntas; arriscaríamos até blasfêmias, pois muitos o fazem por razões menores. Abraão silencia-se e prepara a oferta. É a grande prova. Por trás do texto está a rejeição por parte de Israel dos sacrifícios humanos (crianças principalmente) dos cultos cananeus. O texto quer mostrar que Deus não quer sacrifícios humanos.
Em silêncio doloroso Abraão prepara a entrega total. Entregar o filho único é entregar tudo, todo o futuro. É quase devolver a Deus tudo o que Deus prometeu. Mas Abraão conservou a fé na providência de Deus. Quando Isaac pergunta sobre a vítima do sacrifício, Abraão responde: “Deus providenciará”. No momento do sacrifício, Abraão revela o trágico desígnio de Deus. A vítima será o filho Isaac. Isaac aceita, obediente. Coração estraçalhado do pai e do filho. Rasgos de obediência e de fé inefáveis. Momentos de dor, uma mistura de aceitação e agonia. Caberia bem uma pergunta naquele momento. Só uma: Será que Deus não vai intervir? É isso mesmo que ele quer? Mas a grandeza da fé do grande patriarca o faz engolir seco as razoáveis perguntas naquele momento fatal e fúnebre. Abraão não reserva para si nada. Esvaziou-se até mesmo de perguntas. Entregou tudo. Exatamente neste momento Deus intervém. Abraão superou a grande prova. Isaac é substituído por um cordeiro. Assim a lei mosaica exigia para o resgate do primogênito. Deus recompensa a grande fé do patriarca: abundância de bênçãos, descendência numerosa. “Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque tu me obedeceste”. Jesus Cristo, descendente de Abraão é bênção de Deus para todos os povos. O sacrifício de Isaac é prefiguração do sacrifício de Cristo.
2ª leitura – Rm. 8,31b-34
O capítulo 8º da carta aos Romanos fala da vida cristã no Espírito. “A lei do Espírito da vida em Jesus Cristo te libertou da lei do pecado e da morte”. Começa assim o capítulo 8o trazendo-nos um profundo conforto espiritual e animando a nossa esperança de continuar na luta contra tudo que conduz à morte. Nossa certeza, nossa confiança, nossa esperança se fundamentam no amor de Deus. É o que vai dizer o nosso texto: “Se Deus é por nós quem poderia ser contra nós”. Paulo está contemplando extasiado a grandeza do amor de Deus e a sua estupenda confiança no seu modo de agir em favor de nós. Recordando o sacrifício de Isaac (Gn. 22,6) como expressão máxima da generosidade de Abraão, afirma que se Deus não nos poupou nem seu próprio Filho, o que ele deixaria de fazer por nós? A medida de seu amor por nós é um amor sem medida. Paulo pergunta, retoricamente, quem acusará os eleitos de Deus? Eleitos são todos aqueles que recebem o dom de Deus, são os cristãos que estão tentando corresponder à sua vocação. É claro que os eleitos de Deus têm quem os acusa. Só que estes estão perdendo tempo. Se Deus os declara justos, quem os condenará? O único que teria autoridade para isso seria Jesus Cristo. Ele nos acusaria?
Por nós ele deu a vida, por nós ele ressuscitou. Ele está sentado à direita de Deus para interceder por nós. Podemos caminhar tranquilos: Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Evangelho – Mc. 9,2-10
A transfiguração é um oásis para a sede dos discípulos. Os discípulos acompanham Jesus e percebem que o povo não o entende. Nem eles o entendem. Só em 8,29 Pedro, em nome dos discípulos, consegue dizer: “Tu és o Cristo”. Mas isto não estava significando ainda muita coisa para Pedro, pois, logo em seguida, Jesus o repreende severamente chamando-o de satanás, adversário do projeto de Deus. Palavras duras! Agora Jesus os consola. Ele escolhe os três mais difíceis para subir o monte com ele. Jesus investe mais em Pedro, Tiago e João. Eles precisam mais. Jesus se transfigura. A brancura e o esplendor das vestes vão indicar a vitória de Jesus sobre o mal e a morte. É uma amostra antecipada da sua ressurreição gloriosa. Moisés representa a Lei. Representa a libertação do Egito. A palavra de Jesus vai substituir a autoridade da lei. A entrega total de Jesus vai trazer a libertação definitiva. Elias é o representante dos profetas, o restaurador do javismo; foi quem libertou o povo da idolatria que gera opressão. Moisés e Elias (a Lei e os Profetas) sintetizam todo o Primeiro Testamento mostrando que o que vale agora é o Segundo Testamento em Jesus. Pedro quer fazer três tendas lá em cima. O povo lá embaixo comemorava a festa das Tendas, que lembrava a caminhada do deserto e esperava o Messias libertador. Pedro esquece da luta do povo. Lá em cima está tão bem que até esquece de si e de seus companheiros. As tendas são para perpetuar a visão de Moisés, Elias e Jesus. Mas ele não sabe o que fala. O evangelista faz questão de salientar a ignorância dos discípulos em todo o evangelho. A nuvem é a presença divina; a voz vem do Pai para mostrar que a autoridade compete agora não a Moisés nem a Elias, mas ao Filho amado. É a ele que todos devem ouvir daqui para frente. Mais uma vez o evangelista responde à pergunta: Quem é Jesus?