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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 20 de maio de 2016

SANTÍSSIMA TRINDADE-C

SANTÍSSIMA TRINDADE
22 de Maio de 2016

1ª Leitura - Pr 8,22-31

Salmo - Sl 8,4-5.6-7.8-9 (R. 2a)

2ª Leitura - Rm 5,1-5

Evangelho - Jo 16,12-15


Jesus mais uma vez fala sobre a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos. Aquele que não falará por si mesmo, mas sim de tudo o que ouviu do Pai. Ele falará até sobre as coisas futuras. Pois Ele Sabe tudo.     Continua

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PELO BATISMO FOMOS INSERIDOS NA FAMÍLIA TRINITÁRIA! – Olivia Coutinho

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE.

Dia 22 de Maio de 2016

Evangelho de Jo,16,12-15

Mais uma vez, nos unimos no mesmo espírito de fé, para celebrarmos a Festa da Santíssima Trindade!
A Festa da Santíssima Trindade é a festa da Família, a Festa do amor, quando a Igreja nos convida a contemplar o mistério insondável da Trindade Santa!
Mergulhar neste Mistério é fazer a experiência do amor do Pai, que se doou por nós, através do seu Filho que ao morrer na cruz, nos devolveu a vida no seu Espírito!  O Pai nos enviou o Filho, que veio nos ensinar a sermos filhos como Ele!
Ao Colocar esta festa, no domingo seguinte à Solenidade de Pentecostes, quando celebramos a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja nascente, a Igreja vem nos lembrar de que cada domingo é uma festa da Santíssima Trindade, pois o domingo é o dia do Senhor, o dia em que contemplamos o mistério do Deus Família participando da Eucaristia, a comunhão Trinitária!
No antigo testamento, não se fala da Família Trinitária, foi Jesus quem a revelou, entreabrindo o véu que encobria dos nossos olhos, o Deus amor, o Deus Pai, que para relacionar conosco, quis se fazer família: Como Pai, Ele nos criou, como Filho nos redimiu e como Espírito Santo nos santifica!
O Espírito Santo é o guia que nos remete ao coração do Pai, que nos faz entender com clareza, os ensinamentos do Filho, que pelo Batismo nos inseriu na Família Trinitária!
“O Espírito Santo não falará por si mesmo, mas dirá tudo que tiver ouvido...” Esta afirmação de Jesus, vem nos dizer, que mesmo sendo distintas,  nenhuma pessoa da Trindade Santa, age individualmente, um exemplo, que deve ser seguido por cada um de nós. Viver a vida trinitária é fazer o  mesmo  que Jesus fez, é viver comunitariamente!
O evangelho desta Solenidade, fala fundo ao nosso coração, ao colocar esta circularidade entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo! O texto está situado na  última ceia, quando Jesus, prestes a ser entregue as autoridades que o condenaria a morte, dirige suas ultimas palavras aos discípulos, no sentido de suscitar neles pensamentos positivos.
Os discípulos tinham muitas dificuldades em compreender as últimas revelações de Jesus. E Jesus, por sua vez, compreendia essa dificuldade deles: “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreender agora. Quando, porém vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá a verdade.” Estas palavras de Jesus, dirigidas aos discípulos, chama a nossa atenção para a importância de estarmos sempre abertos a ação do Espírito Santo, pois é o Espírito Santo, que nos faz compreender, o que humanamente é impossível  compreender.
O Espírito Santo, nos faz compreender,  nas mais diversas circunstâncias de nossa vida, o sentido das palavras de Jesus que guardamos no coração! Daí, a importância de guardarmos sempre as suas palavras, mesmo quando não as compreendemos.  
O Mistério da Santíssima trindade é inalcançável , mas algo da Santíssima Trindade nos foi revelado: O amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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quinta-feira, 12 de maio de 2016

DOMINGO DE PENTECOSTES-C

MISSA DO DIA

15 de Maio de 2016

1ª Leitura - At 2,1-11


Salmo - Sl 103



2ª Leitura - 1Cor 12,3b-7.12-13



Evangelho - Jo 20,19-23


O Espírito Santo se manifestou no dia do batismo de Jesus sob a forma de uma pomba. No dia de Pentecostes, Ele se manifestou sob as formas de vento forte e de fogo. O vento, segundo a tradição, significava a presença do Espírito de Deus, o qual também pairava sobre as águas.  Leia mais


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“RECEBAM O ESPÍRITO SANTO.” - Olívia Coutinho


DOMINGO DE PENTECOSTES!

Dia 15 Maio de 2016

Evangelho Jo 20,19-23
   
É com muita alegria que celebramos hoje, a solenidade de Pentecostes, o  coroamento do tempo Pascal, quando se cumpre a promessa de Jesus: o envio do Espírito Santo! Espírito Santo, que já se faz presente em nós, mas que muitas vezes, não percebermos a sua ação libertadora e santificadora! 
A definição marcante desta solenidade, podemos dizer que é a "Germinação da Igreja", pois a  caminhada missionária  da Igreja, começa  em Pentecostes, quando o Espírito Santo entra em suas  entranhas e a torna  viva e atuante!
Foi  a partir de Pentecostes, que a igreja começou  a falar, a falar a linguagem do amor, que é uma linguagem universal que mesmo sendo desdobrada em vários idiomas, é a única linguagem capaz de ser compreendida pelos povos de todas as nações!
A missão da Igreja, consiste em revelar aos homens, a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza, está na  abertura a todos os povos e culturas! A Igreja é unidade, ela é a guardiã do amor, do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
 Nesta festa, que  também podemos  chamar de festa missionária, devemos alargar o nosso olhar para o mundo inteiro, onde a  igreja se faz presente na pessoa de muitos missionários, homens e mulheres,  que apesar das inúmeras dificuldades, se prontificam em gastar a vida  na difusão do  evangelho, dando continuidade  a missão de Jesus. Unamos a estes missionários, no desejo  de fazer chegar a outros irmãos, a verdade que liberta!
Sabemos que os desafios de quem se entrega a missionariedade  são inúmeros,  mas sabemos também, que o Espírito Santo anima e dá força a quem abraça a missão  de  anunciar o Evangelho, possibilitando a todos conhecer a verdade que é Jesus!
O evangelho deste domingo de Pentecostes, nos  apresenta  a comunidade de homens Novos, que nasce da cruz e da ressurreição e são libertados pela força santificadora e libertadora do Espírito Santo. 
Tudo começa com o primeiro encontro de Jesus com os  discípulos, logo após a sua ressurreição.   Foi neste  encontro, que Jesus comunicou a eles o seu Espírito num gesto de soprar sobre eles.
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus nos recorda o sopro de Deus na criação, o sopro que deu  vida a criatura humana, gesto que Jesus repete como início de uma nova criação!
Cheios do Espírito Santo, os discípulos se libertam do medo que os aprisionavam  e a partir deste momento, as palavras de Jesus, tornam-se  claras para eles.
 “Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados."
 Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede a igreja, o poder de perdoar pecados.   É Deus quem tem o poder de perdoar pecados, mas Jesus concede este poder e o transmite a sua Igreja. Trata-se do sacramento da reconciliação. 
Quando Jesus disse: “Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados,” não significa uma condenação, e sim, um insistente apelo à conversão.
Não é a Igreja que não perdoa esses pecados, pelo contrário, a Igreja trabalha o arrependimento, favorecendo as condições para que a pessoa possa se redimir.
Pecados não perdoados, são aqueles pecados que mesmo a gente tendo consciência de tê-los, permanecemos neles, não nos abrimos ao arrependimento, o que significa um  fechamento ao Espírito Santo, ou seja, o fechamento à graça do perdão.
No sopro do Espírito Santo sobre os discípulos, é expressa a criação renovada! É o Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão!
Os discípulos só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar o evangelho, depois que receberam o Espírito Santo! Era tão grande a coragem que eles  passaram a ter, e tão seguras  as suas decisões, que eles estavam dispostos a tudo, até mesmo a dar a vida pelo evangelho.
Todos nós recebemos o Espírito Santo no Sacramento do Batismo, sacramento  que é confirmado  no Crisma.
Com Pentecostes, encerra-se o tempo Pascal, mas este acontecimento não é final, é o começo do nosso peregrinar rumo a eternidade.
Os atos dos Apóstolos começaram com o sopro do Espírito Santo, também os nossos atos, devem começar a partir desta  força libertadora  do Espírito Santo, que recebemos no nosso Batismo. 
 A presença  permanente do Espírito Santo em nós, nos estimula a comunicar vida,  a mostrar ao outro as maravilhas que Jesus realiza no meio de nós!
A todo instante somos chamados  a sermos continuadores da comunicação  do  amor de Jesus...

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia 
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A igreja, o espírito e a unidade
1ª leitura (At. 2,1-11)
A primeira leitura narra o milagre das línguas no dia de Pentecostes, interpretado como acontecimento escatológico, a partir da profecia de Jl. 3 (cf. At. 2,16-21). Mas é, sobretudo, o cumprimento da palavra do Cristo (Lc. 24,49; At. 1,4; cf. Jo 14,16-17.26). O sopro do Espírito se faz perceber como um vendaval ao ouvido, como fogo aos olhos. Realiza a transformação do “pequeno rebanho” – os apóstolos reunidos no cenáculo em torno de Maria – em Igreja missionária. Todos ouvem o anúncio do Crucificado-Ressuscitado na língua que eles entendem. Assim acontece também hoje. A Igreja do Cristo se reconhece pelo espaço que ela dá ao Espírito e pela capacidade de proclamar sua mensagem.
2ª leitura (1Cor. 12,3b-7.12-13)
A segunda leitura ensina a unidade do Espírito na diversidade dos dons. “Jesus é o Senhor”, assim soa a profissão de fé que une a Igreja (cf. Fl. 2,9-11). E essa profissão só consegue manter-se na força do Espírito (1Cor. 12,3; cf. Rm. 10,9). O mesmo Espírito que produz a unidade da profissão de fé dá também a multiformidade dos serviços na Igreja. Todos os que pertencem a Cristo são membros diversos do mesmo Corpo (cf. Rm. 12,3-8; Ef. 4,4-6). Se a primeira leitura mostra mais o que o Espírito causa para fora (a missão proclamadora), a segunda evoca mais a obra “intraeclesial” do Espírito (para dentro): do mesmo Espírito provém a multiformidade dos dons, comparada às múltiplas funções que movimentam um mesmo corpo. Paulo chama isso de “carismas”, dons da graça (de Deus); pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (a qual, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.
Sequência: Veni Sancte Spiritus
Esse hino expressa maravilhosamente o sentido profundo do dom do Espírito à comunidade dos fiéis como chama do amor de Deus em Cristo. Não se deixe de pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, em contato com esse rico texto.
Evangelho (Jo 20,19-23)
Esse evangelho, que retoma em parte o do segundo domingo pascal, descreve o dom do Espírito feito pelo Cristo ressuscitado. Celebramos a Sexta-Feira Santa, Páscoa e Pentecostes em três dias diferentes, mas a realidade é uma só: a “exaltação” de Cristo na cruz e na glória, fonte do Espírito que ele nos dá. Se Lucas descreve a manifestação do Espírito no anúncio no quinquagésimo dia da ressurreição (I leitura), João descreve o dom do Espírito no próprio dia da ressurreição de Jesus. Essa, de fato, é a visão joanina da “exaltação” ou “enaltecimento” de Jesus: sua morte, ressurreição e dom do Espírito constituem uma realidade única, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,31-37). Jesus aparece aos seus, identifica-se pelas marcas de sua paixão e morte e comunica-lhes a sua paz, que ele prometera (cf. 14,27). Então, concede-lhes o dom do Espírito, que os capacita para tirar o pecado do mundo, ou seja, para continuar a missão salvadora do próprio Jesus (cf. 1,29.35). O mundo ressuscita com Cristo, pelo Espírito dado à Igreja.
Laço de amor da nova criação
O Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Nesse sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda, assim, a entender o que é “renovação carismática”: não uma avalanche de fenômenos de um movimento religioso, mas o espírito da unidade, do perdão e da mútua solidariedade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial.
Pentecostes, festa do “Divino” Espírito Santo, é oportunidade para entender melhor uma realidade central de nossa fé: o Espírito de Deus que nos é dado em virtude de nossa fé em Jesus Cristo. O ponto de partida pode ser o Evangelho de João, que narra como, no próprio dia da Páscoa, o Jesus glorioso comunica aos apóstolos, da parte do Pai, o Espírito Santo, para que exerçam o poder de perdoar os pecados. Pois Jesus é “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), e os discípulos devem continuar essa missão.
São Lucas, na 1ª leitura, dos Atos dos Apóstolos, distingue diversos momentos. No seu evangelho e no início do livro dos Atos, descreveu a Páscoa da ressurreição e a ascensão do Senhor Jesus como entrada na glória, com a manifestação do Espírito Santo ocorrendo poucos dias após, mais exatamente 50 dias depois da Páscoa, no Pentecostes (que significa “quinquagésimo dia”). Nesse dia, em que a religião de Israel comemora o dom da Lei no monte Sinai, descem sobre os apóstolos como que línguas de fogo, para que eles proclamem o evangelho a todos os povos, representados em Jerusalém pelos romeiros da festa, que ouvem a proclamação cada qual em sua própria língua.
Entre os primeiros cristãos, os de Corinto gostavam demais do “dom das línguas”, pelo qual eles podiam exclamar frases em línguas estranhas. Mas Paulo os adverte de que os dons não se devem tornar fonte de desunião. Os fiéis, com sua diversidade de dons, devem completar-se, como os membros de um mesmo corpo (II leitura). No milagre de Pentecostes, um falava e todos entendiam (em sua própria língua). No “dom das línguas”, ou glossolalia, corre-se o perigo de que todos falem e ninguém entenda. Por isso, Paulo prefere um falar que todos entendam (ler 1Co. 14).
Nós hoje somos chamados a renovar o milagre de Pentecostes: falar uma língua que todos entendam, a linguagem da justiça e do amor. É a linguagem de Cristo, e é uma “língua de fogo”! Aliás, o evangelho nos lembra que a primeira finalidade do dom do Espírito é tirar o pecado do mundo (Jo 20,22-23). A linguagem do Espírito é a linguagem da justiça e do amor. Por outro lado, devemos reconhecer a enorme diversidade de dons no único “corpo” da Igreja. Somos capazes de considerar as nossas diferenças (pastorais, ideológicas etc.) como mútuo enriquecimento? Pomo-las em comum? O diálogo na diversidade pode ser um dom do Espírito muito atual.
padre Johan Konings, sj

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Assim se exprime o  Concílio  do Vaticano II a respeito do Espírito Santo:  “Terminada na terra o obra  que o Pai confiou ao Filho, o Espírito Santo foi enviado  no dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja e, por Cristo, no único Espírito terem os fiéis acesso junto ao Pai.  Ele é o Espírito da vida,  a fonte de água que jorra para a vida eterna. Por ele o Pai dá a vida aos homens mortos pelo pecado, até ressuscitar em Cristo seus corpos mortais” (Lúmen  Gentium, 4).
Ele vem como o vento e como o fogo, como a brisa e como a chama. Lucas descreve com tintas fortes a chegada do Espírito que procede do Pai e do Filho e que é derramado em nossos corações como água benfazeja.
Os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar. Unidos. Unidos esperando a força do alto. Unidos com medo dos judeus.
Primeiro uma ventania forte, um barulho que parece ensurdecer. O Espírito é força que desinstala. Ele sopra, dilata, recria, transforma, desarruma, empurra. Não deixa que a Igreja se acomode, se instale, se fixe. O Espírito é movimento. Questiona a vida das paróquias, dos movimentos, das estruturas que gostam de se fixar. Não admite qualquer forma de fixismo.  Assim, a força do Espírito não é conivente com o velho, com o ultrapassado. O Espírito abre caminhos insuspeitados. Nada de caminhos batidos. O Espírito costuma apontar para o insuspeitado, para o excepcional. Afasta-se da mesmice e da rotina empobrecedora.
O Espírito quando chega é luz que esclarece.  Os viandantes não sabem que rumo  escolher, ignoram a decisão a ser tomada. O Espírito é luz e claridade no meio das trevas.  É luz que ajuda o discernimento: como educar nossos filhos, que caminhos tomar para que o resto de nossa vida seja bem sucedido, como chegar à santidade quando o pecado mora em nós, que caminhos tomará a pastoral em nossos dias, que trilhas percorrerá a vida consagrada.
O Espírito é brisa suave que a tudo impregna. Belamente rezamos na seqüência da missa de  Pentecostes:  “No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem”.
O Espírito é impregnação, interiorização, inabitação.  Ele cria comunhão entre os povos.  Vários povos,  várias línguas e todos compreendem o que ele pede. Essa força suave reza em nós. Dentro de cada um ele geme, rezando em nós.  Os que se abrem à sua ação se tornam hospedaria dele.
Quando o  sacerdote, na celebração eucarística, estende as mãos sobre as oferendas ele  atualiza a presença de Jesus entre nós, o mesmo Espírito que fizera o Verbo nascer da Virgem Maria.Assiste a Igreja e não permite que ela tome caminhos errados nas coisas essenciais.
Festa do vento e do fogo.  Festa solene do Espírito derramado como água no coração dos fiéis.

padre Johan Konings, sj

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A Igreja, o Espírito e a Unidade
Pentecostes é a plenificação do Mistério pascal: a comunhão com o Ressuscitado só é completa pelo dom do Espírito, que continua em nós a obra do Cristo e sua presença gloriosa.
A liturgia de hoje acentua a manifestação histórica do Espírito no milagre de Pentecostes (1ª leitura) e nos carismas da Igreja (2ª leitura), sinais da unidade e paz que o Cristo veio trazer. Isto, porque a pregação dos apóstolos, anunciando o Ressuscitado, supera a divisão de raças e línguas, e porque a diversidade de dons na Igreja serve para a edificação do povo unido, o Corpo do qual Cristo é a cabeça. Ambos estes temas podem alimentar a reflexão de hoje.
No antigo Israel, Pentecostes era uma festa agrícola (primícias da safra, no hemisfério setentrional). Mais tarde, foi relacionada com o evento salvífico central da Aliança mosaica: ganhou o sentido de comemoração da proclamação da Lei no monte Sinai. Tomou-se uma das três grandes festas em que os judeus subiam em romaria a Jerusalém (as outras são Páscoa e Tabernáculos). Foi nesta festa que aconteceu a “explosão” do Espírito Santo, a força que levou os apóstolos a tomarem a palavra e a proclamarem, diante da multidão reunida de todos os cantos do judaísmo, o anúncio (“querigma”) de Jesus Cristo. Seria errado pensar que o Espírito tivesse sido dado naquele momento pela primeira vez. O evangelho (de João) nos ensina que Jesus comunicou o Espírito no próprio dia da Páscoa. O Espírito está sempre aí. Mas foi no dia de Pentecostes que esta realidade se manifestou ao mundo. Por isso, ele aparece em forma de línguas, operando o milagre das línguas e reparando a “confusão babilônica” (cf. vigília)15.
A essa proclamação universal aludem o canto da entrada (opção 1), a oração do dia e a 1ª leitura. O Espírito leva a proclamar os magnalia Dei em todas as línguas. O conteúdo desta proclamação, já o conhecemos dos domingos anteriores: é o querigma da ressurreição de Jesus Cristo. Novamente, o Sl. 104[103] comenta este fato (salmo responsorial).
A 2ª leitura mostra, por assim dizer, a obra “intra-eclesial” do Espírito: a multiformidade dos dons, dentro do mesmo Espírito, como as múltiplas funções em um mesmo corpo. Paulo chama isto de “carismas”, dons da graça de Deus; pois sabemos muito bem que tal unidade na diversidade não é algo que vem de nossa ambição pessoal (que, normalmente, só produz divisão). É o Espírito do amor de Deus que tudo une.
No evangelho encontramos a visão joanina da “exaltação” de Jesus: é a realidade única de sua morte, ressurreição e dom do Espírito, pois sua morte é a obra em que Deus é glorificado, e seu lado aberto é a fonte do Espírito para os fiéis (Jo 7,37-39; 19,3 1-37; cf. vigília). Assim, no próprio dia da ressurreição, Jesus aparece aos seus para lhes comunicar a sua paz (cf. 14,27) e conceder o dom do Espírito, para tirar o pecado do mundo, ou seja, para que eles continuem sua obra salvadora (cf. 1,29.35).
Este Espírito do Senhor exaltado é o laço do amor divino que nos une, que transforma o mundo em nova criação, sem mancha nem pecado, na qual todos entendem a voz de Deus. É essa a mensagem da liturgia de hoje. O mundo é renovado conforme a obra de Cristo, que nós, no seu Espírito, levamos adiante. Neste sentido, é a festa da Igreja que nasceu do lado aberto do Salvador e manifestou sua missão no dia de Pentecostes. Igreja que nasce, não de organizações e instituições, mas da força graciosa (“carisma”) que Deus infunde no coração e nos lábios. A festa de hoje nos ajuda a entender o que é renovação carismática: não uma avalanche de fenômenos estranhos, mas o espírito do perdão e da unidade que ganha força decisiva na Igreja. O Espírito Santo é a “alma” da Igreja, o calor de nossa fé e de nossa comunhão eclesial. A antiga seqüência Veni Sancte Spiritus expressa isso maravilhosamente, e seria bom pôr os fiéis, mediante canto ou recitação, novamente em contato com esse rico texto.
A Igreja, por sua unidade no Espírito, no vínculo da paz (Ef. 4,3), toma-se sacramento (sinal operante), do perdão, da unidade, da paz no inundo, na medida em que ela o coloca em contato com o senhorio do Cristo pascal, no querigma e na práxis.
15. Este tema lembra uma antiga lenda judaica, segundo a qual, no Sinal, a proclamação da Lei teria sido confiada aos setenta anciãos, em setenta línguas (no relato do Pentecostes cristão, o anúncio é confiado aos doze apóstolos, talvez em doze línguas).
Johan Konings "Liturgia dominical"


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Em todo o Antigo Testamento, o sábado é respeitado como o dia do Senhor, lembrando o dia em que Deus descansou após criar o mundo, porém, após a ressurreição de Jesus, o Dia do Senhor passa a ser o domingo, onde todo o Seu povo se reúne para celebrar a vitória de Jesus sobre a morte.
Os apóstolos estão reunidos, com as portas fechadas por temerem represália dos líderes judeus, pois se sentem sozinhos, sem a presença de Jesus. Acuado, o povo cristão não poderá promover a vitória da vida sobre a morte, pois, para que esta vitória ocorra é preciso coragem para enfrentar os desafios do mundo. Eles estão com medo, porque ainda não receberam o Espírito Jesus, e o medo é um freio que impede as ações de testemunharem o Cristo Ressuscitado.
Jesus vem ao encontro de seus apóstolos, e mesmo com as portas fechadas, Ele se põe diante deles, demonstrando que para Ele não existem barreiras que não possam ser vencidas, e lhes deseja a paz que os liberta da aflição e do medo. ”A paz esteja com vocês” é a mesma saudação que Ele usou na sua despedida (Jo. 14,27). É a saudação de um vencedor do mundo e da morte e, por isso, Ele pode comunicar a paz. É a saudação do Cordeiro que irá alimentar a comunidade.
A atitude de Jesus de mostrar-lhes as marcas da crucificação, por um lado é para que eles O reconheçam mas, por outro demonstra que a vitória da vida sobre a morte não apaga a crueldade da crucificação, mas fortalece os cristãos para que, com a alegria da vitória, possam assumir a missão maior que Jesus entregou a seu povo. Quem vai garantir a missão dos cristão é o Espírito Santo. Jesus soprou sobre eles o Seu Espírito, o sopro da vida nova que remete ao sopro de Javé quando criou o Homem. Aqui nasce uma nova comunidade.
De agora em diante,batizados no Espírito Santo, Jesus envia seus discípulos para a missão de dar continuidade ao Seu projeto de vida, projeto este que consiste em mostrar, através de palavras e, principalmente ações, que a vida ofertada por Jesus é a vida livre do pecado, pois o maior poder que Ele deixa à humanidade é o de perdoar. Mas, Jesus não os envia sozinhos. Todo aquele que aceita a missão de Jesus em sua vida, recebe Dele o Espírito Santo de Deus, um elo com o Pai, através do qual, todos compreendem os ensinamentos de Jesus e promovem ações de transformação da humanidade pelo Amor Divino.
Pequeninos do Senhor
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Recebei o Espírito Santo
O dom do Espírito Santo foi um elemento fundamental na experiência missionária dos primeiros cristãos. Com a ascensão do Senhor, eles se viram às voltas com uma tarefa descomunal: levar a mensagem do Evangelho a todo o mundo. A missão exigiria deles inculturar a mensagem, fazendo o Evangelho ser entendido por pessoas das mais variadas culturas. Deveriam ser capazes de enfrentar dificuldades, perseguições e, até mesmo a morte, por causa do nome de Jesus. Muitos problemas proviriam dos judeus, pois a ruptura com eles seria inevitável, dada a intransigência da liderança judaica para com a comunidade cristã que tomaria um rumo considerado inaceitável. Sem dúvida, não faltariam problemas dentro da própria comunidade, causados por partidarismos, falsas doutrinas e atitudes incompatíveis com a opção pelo Reino.
Os discípulos eram demasiado fracos para, por si mesmos, levar a cabo uma empresa tão grande. Jesus, porém, concedeu-lhes o auxílio necessário ao comunicar-lhes o Espírito Santo. Fortalecidos pelo Espírito, eles não se intimidaram, antes, cumpriram, com denodo, o ministério da evangelização.
O dom de Pentecostes renova-se, cada dia, na vida da Igreja. O Espírito, ontem como hoje, não permite que os cristãos cruzem os braços diante do mundo a ser evangelizado.
padre Jaldemir Vitório

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Que o Espírito de Deus envie do céu um raio de luz para iluminar o nosso mundo. Ele vem e se hospeda em nós. É o pai dos pobres, o consolo que acalma e alivia. No muito trabalho e na aflição, Ele é o nosso alívio. Não podemos nada sem Ele. É a brisa suave nos dias de calor. Ele lava o que está sujo, rega o que está seco e cura o doente. Aquece no frio, guia no escuro e dobra o que é duro. Que Ele venha e derrame sobre toda a Igreja os seus sete dons. Que o mundo inteiro sinta a amorosa presença do Espírito pela presença amiga e gratuita da Igreja. Que no entusiasmo dos membros da Igreja pela causa de Cristo e do Evangelho o mundo inteiro perceba que o Amor existe. Que o Espírito nos conceda falar línguas que os outros entendam e com o dom das línguas renovar a esperança.

At. 2,1-11
Cinqüenta dias depois da Páscoa, a comunidade de Israel celebrava a Festa das Semanas. Nesse dia, o qüinquagésimo ou pentecostes em grego, o Espírito Santo veio sobre a comunidade dos apóstolos e discípulos reunidos com Maria, a mãe de Jesus. Desde então, os cristãos chamam de Pentecostes o dia da vinda do Espírito Santo e consideram esse dia o início da vida da Igreja de Jesus.
Nesses dias sopra sobre Jerusalém um vento quente vindo do deserto chamado de hamissim, que também quer dizer cinqüenta. Foi assim que o Espírito começou a se manifestar. Um vento forte passou pelo lugar onde os discípulos estavam reunidos. A palavra “espírito” significa sopro ou vento. Línguas de fogo pairaram sobre a cabeça de cada um deles e aconteceu o fenômeno das línguas. Eles começaram a falar em outras línguas. Por causa da festa das Semanas, havia muita gente de fora em Jerusalém. Os discípulos estavam anunciando as maravilhas de Deus e cada um os entendia na sua própria língua.

Sl. 103 (104)
Se Deus tira o seu sopro todas as criaturas morrem e voltam ao pó da terra, canta o Salmista. Se Ele envia o seu vento, o seu sopro, todas as criaturas nascem de novo e se renova a face da terra.

1Co. 12,3b-7.12-13
É por graça do Espírito Santo que podemos dizer que Jesus é o Senhor. Ele nos dá esse dom e todos os outros que estão distribuí-
dos na comunidade cristã. Temos muitas atividades, muitos tipos de serviços, e tudo em vista do bem de todos. O Espírito, porém, é um só. Todos nós que fomos batizados no único e mesmo Espírito formamos um só corpo. É o Espírito que nos junta na unidade. Bebemos todos da mesma fonte, que é o Espírito.
Jo 20,19-23 – Lemos no Evangelho de são João que, já no dia da ressurreição, Jesus soprou sobre os discípulos reunidos e lhes deu o Espírito Santo para o perdão dos pecados. Eles estavam reunidos com as portas fechadas quando Jesus ressuscitado entrou e deu a todos a paz. Foi um momento de grande alegria. Novamente Jesus desejou a paz a todos e soprou sobre eles. Um gesto muito interessante e muito significativo porque o Espírito Santo é sopro de vida. Ao dizer “recebam o Espírito Santo”, disse também: “Quem for perdoado por vocês estará perdoado, quem não for não estará”. Não recebemos o Espírito para não perdoar. Se não perdoarmos, o pecado permanece. É melhor perdoar sempre para que o pecado desapareça.
cônego Celso Pedro da Silva
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“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava”. Que Espírito é este, que encheu hoje os apóstolos e a inteira Igreja de Cristo?
Ele é o Espírito do Ressuscitado, soprado pelo Cristo Senhor: “Jesus disse: ‘Como o Pai me enviou (no Espírito Santo), eu também vos envio (neste mesmo Espírito)!"Depois soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo!”
Nele, tudo fora criado desde o princípio: “O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas” (Sb. 1,7). Somente no Santo Espírito podemos compreender que toda a criação e toda a história são penetradas pela vida de Deus que nos vem pelo Cristo; somente no Santo Espírito podemos perceber a unidade e bondade radicais da criação que nos cerca, mesmo com tantas trevas e contradições. É o Santo Espírito, doce Consolador, que nos livra do desespero e da falta de sentido!
Nele tudo se mantém, tudo tem consistência, tudo é precioso: “Encheu-se a terra com as vossas criaturas: se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem e da terra toda a face renovais”. É por sua ação constante que tudo existe e persiste no ser. Sem ele, tudo voltaria ao nada e nada teria consistência real. Nele, tudo tem valor, até a mais simples das criaturas...
Sem ele, nada, absolutamente, podemos nós: “Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele!” Por isso Jesus disse: “Sem mim, nada podeis fazer (Jo 15,5)”, porque sem o seu Espírito Santo que nos sustenta e age no mais íntimo de nós, tudo quanto fizéssemos não teria valor para o Reino dos Céus. Jesus é a videira, nós, os ramos, o Espírito é a seiva que, vinda do tronco, nos faz frutificar...
Ele é a nova Lei – não aquela inscrita sobre tábuas de pedra, mas inscrita no nosso coração (cf. Ez. 11,19; Jr. 31,31-34), pois “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm. 5,5). A lei de Moisés, em tábuas de pedra, fora dada no Sinai em meio a relâmpagos, trovões, fogo, vento e terremotos (cf. Ex 19); agora, a Nova Lei, o Santo Espírito nos vem em línguas de fogo e vento barulhento e impetuoso, para marcar o início da Nova Aliança, do Amor derramado no íntimo de nós!
Ele tudo perdoa e renova e, Cristo, pois é Espírito para a remissão dos pecados: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados!” É, pois, no Espírito que a Santa Igreja anuncia a paz do Evangelho do perdão de Deus para a humanidade em Cristo Jesus!
Ele nos une no Corpo de Cristo, que é a Igreja, pois “fomos batizados num único Espírito para formarmos um só corpo...” – Neste Corpo, ele nos enche de dons, carismas e ministérios, pois “a cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum”. É no Espírito que a Igreja é uma na diversidade de tantos dons e carismas; uma nas diferenças de seus membros...
Ele faz a Igreja falar todas as línguas, fá abrir-se ao mundo, procurar o mundo com “santa inquietude”, não para render-se ao mundo ou imitá-lo ou perder-se nele, mas para “anunciar as maravilhas de Deus” em Cristo Jesus, chamando o mundo à conversão e à vida nova em Cristo!
Enfim, Ele torna Jesus sempre presente no nosso coração e no coração da Igreja e no testemunha incessantemente, sempre e em tudo que Jesus é o Senhor, pois “ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo!” – para a glória de Deus Pai.


O tema deste domingo é, evidentemente, o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes, o Espírito dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo.
O Evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É o Espírito que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho no mundo desse amor que Jesus viveu até às últimas conseqüências.
Na primeira leitura, Lucas sugere que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar, que une numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas.
Na segunda leitura, Paulo avisa que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros; por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço de todos.
1ª leitura - AMBIENTE
Já vimos que o livro dos “Actos” não pretende ser uma reportagem jornalística de acontecimentos históricos, mas sim ajudar os cristãos – desiludidos porque o “Reino” não chega – a redescobrir o seu papel e a tomar consciência do compromisso que assumiram, no dia do seu batismo.
No que diz respeito ao texto que nos é proposto e que descreve os acontecimentos do dia do Pentecostes, não existem dúvidas de que é uma construção artificial, criada por Lucas com uma clara intenção teológica. Para apresentar a sua catequese, Lucas recorre às imagens, aos símbolos, à linguagem poética das metáforas. Resta-nos decodificar os símbolos para chegarmos à interpelação essencial que a catequese primitiva, pela palavra de Lucas, nos deixa. Uma interpretação literal deste relato seria, portanto, uma boa forma de passarmos ao lado do essencial da mensagem; far-nos-ia reparar na roupagem exterior, no folclore, e ignorar o fundamental. Ora, o interesse fundamental do autor é apresentar a Igreja como a comunidade que nasce de Jesus, que é assistida pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai.
MENSAGEM
Antes de mais, Lucas coloca a experiência do Espírito no dia de Pentecostes. O Pentecostes era uma festa judaica, celebrada cinqüenta dias após a Páscoa. Originariamente, era uma festa agrícola, na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo; mas, no séc. I, tornou-se a festa histórica que celebrava a aliança, o dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. Ao situar neste dia o dom do Espírito, Lucas sugere que o Espírito é a lei da nova aliança (pois é Ele que, no tempo da Igreja, dinamiza a vida dos crentes) e que, por Ele, se constitui a nova comunidade do Povo de Deus – a comunidade messiânica, que viverá da lei inscrita, pelo Espírito, no coração de cada discípulo (cf. Ez. 36,26-28)
Vem, depois, a narrativa da manifestação do Espírito (At. 2,2-4). O Espírito é apresentado como “a força de Deus”, através de dois símbolos: o vento de tempestade e o fogo. São os símbolos da revelação de Deus no Sinai, quando Deus deu ao Povo a Lei e constituiu Israel como Povo de Deus (cf. Ex. 19,16.18; Dt. 4,36). Estes símbolos evocam a força irresistível de Deus, que vem ao encontro do homem, comunica com o homem e que, dando ao homem o Espírito, constitui a comunidade de Deus.
O Espírito (força de Deus) é apresentado em forma de língua de fogo. A língua não é somente a expressão da identidade cultural de um grupo humano, mas é também a maneira de comunicar, de estabelecer laços duradouros entre as pessoas, de criar comunidade. “Falar outras línguas” é criar relações, é a possibilidade de superar o gueto, o egoísmo, a divisão, o racismo, a marginalização… Aqui, temos o reverso de Babel (cf. Gn. 11,1-9): lá, os homens escolheram o orgulho, a ambição desmedida que conduziu à separação e ao desentendimento; aqui, regressa-se à unidade, à relação, à construção de uma comunidade capaz do diálogo, do entendimento, da comunicação. É o surgimento de uma humanidade unida, não pela força, mas pela partilha da mesma experiência interior, fonte de liberdade, de comunhão, de amor. A comunidade messiânica é a comunidade onde a ação de Deus (pelo Espírito) modifica profundamente as relações humanas, levando à partilha, à relação, ao amor.
É neste enquadramento que devemos entender os efeitos da manifestação do Espírito (cf. At. 2,5-13): todos “os ouviam proclamar na sua própria língua as maravilhas de Deus”. O elenco dos povos convocados e unidos pelo Espírito atinge representantes de todo o mundo antigo, desde a Mesopotâmia, passando por Canaã, pela Ásia Menor, pelo norte de África, até Roma: a todos deve chegar a proposta libertadora de Jesus, que faz de todos os povos uma comunidade de amor e de partilha. A comunidade de Jesus é assim capacitada pelo Espírito para criar a nova humanidade, a anti-Babel. A possibilidade de ouvir na própria língua “as maravilhas de Deus” outra coisa não é do que a comunicação do Evangelho, que irá gerar uma comunidade universal. Sem deixarem a sua cultura e as suas diferenças, todos os povos escutarão a proposta de Jesus e terão a possibilidade de integrar a comunidade da salvação, onde se fala a mesma língua e onde todos poderão experimentar esse amor e essa comunhão que tornam povos tão diferentes, irmãos. O essencial passa a ser a experiência do amor que, no respeito pela liberdade e pelas diferenças, deve unir todas as nações da terra.
O Pentecostes dos “Actos” é, podemos dizê-lo, a página programática da Igreja e anuncia aquilo que será o resultado da ação das “testemunhas” de Jesus: a humanidade nova, a anti-Babel, nascida da ação do Espírito, onde todos serão capazes de comunicar e de se relacionar como irmãos, porque o Espírito reside no coração de todos como lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.
ATUALIZAÇÃO
• Temos, neste texto, os elementos essenciais que definem a Igreja: uma comunidade de irmãos reunidos por causa de Jesus, animada pelo Espírito do Senhor ressuscitado e que testemunha na história o projeto libertador de Jesus. Desse testemunho resulta a comunidade universal da salvação, que vive no amor e na partilha, apesar das diferenças culturais e étnicas. A Igreja de que fazemos parte é uma comunidade de irmãos que se amam, apesar das diferenças? Está reunida por causa de Jesus e à volta de Jesus? Tem consciência de que o Espírito está presente e que a anima? Testemunha, de forma efetiva e coerente, a proposta libertadora que Jesus deixou?
• Nunca será demais realçar o papel do Espírito na tomada de consciência da identidade e da missão da Igreja… Antes do Pentecostes, tínhamos apenas um grupo fechado dentro de quatro paredes, incapaz de superar o medo e de arriscar, sem a iniciativa nem a coragem do testemunho; depois do Pentecostes, temos uma comunidade unida, que ultrapassa as suas limitações humanas e se assume como comunidade de amor e de liberdade. Temos consciência de que é o Espírito que nos renova, que nos orienta e que nos anima? Damos suficiente espaço à ação do Espírito, em nós e nas nossas comunidades?
• Para se tornar cristão, ninguém deve ser espoliado da própria cultura: nem os africanos, nem os europeus, nem os sul-americanos, nem os negros, nem os brancos; mas todos são convidados, com as suas diferenças, a acolher esse projeto libertador de Deus, que faz os homens deixarem de viver de costas voltadas, para viverem no amor. A Igreja de que fazemos parte é esse espaço de liberdade e de fraternidade? Nela todos encontram lugar e são acolhidos com amor e com respeito – mesmo os de outras raças, mesmo aqueles de quem não gostamos, mesmo aqueles que não fazem parte do nosso círculo, mesmo aqueles que a sociedade marginaliza e afasta?
2ª leitura - AMBIENTE
A comunidade cristã de Corinto era viva e fervorosa, mas não era uma comunidade exemplar no que diz respeito à vivência do amor e da fraternidade: os partidos, as divisões, as contendas e rivalidades perturbavam a comunhão e constituíam um contra-testemunho. As questões à volta dos “carismas” (dons especiais concedidos pelo Espírito a determinadas pessoas ou grupos para proveito de todos) faziam-se sentir com especial acuidade: os detentores desses dons carismáticos consideravam-se os “escolhidos” de Deus, apresentavam-se como “iluminados” e assumiam com freqüência atitudes de autoritarismo e de prepotência que não favorecia a fraternidade e a liberdade; por outro lado, os que não tinham sido dotados destes dons eram desprezados e desclassificados, considerados quase como “cristãos de segunda”, sem vez nem voz na comunidade.
Paulo não pode ignorar esta situação. Na primeira carta aos Coríntios, ele corrige, admoesta, dá conselhos, mostra a incoerência destes comportamentos, incompatíveis com o Evangelho. No texto que nos é proposto, Paulo aborda a questão dos “carismas”.
MENSAGEM
Em primeiro lugar, Paulo acha que é preciso saber ajuizar da validade dos dons carismáticos, para que não se fale em “carismas” a propósito de comportamentos que pretendem apenas garantir os privilégios de certas figuras. Segundo Paulo, o verdadeiro “carisma” é o que leva a confessar que “Jesus é o Senhor” (pois não pode haver oposição entre Cristo e o Espírito) e que é útil para o bem da comunidade.
De resto, é preciso que os membros da comunidade tenham consciência de que, apesar da diversidade de dons espirituais, é o mesmo Espírito que atua em todos; que apesar da diversidade de funções, é o mesmo Senhor Jesus que está presente em todos; que apesar da diversidade de ações, é o mesmo Deus que age em todos. Não há, portanto, “cristãos de primeira” e “cristãos de segunda”. O que é importante é que os dons do Espírito resultem no bem de todos e sejam usados – não para melhorar a própria posição ou o próprio “ego” – mas para o bem de toda a comunidade.
Paulo conclui o seu raciocínio comparando a comunidade cristã a um “corpo” com muitos membros. Apesar da diversidade de membros e de funções, o “corpo” é um só. Em todos os membros circula a mesma vida, pois todos foram batizadas num só Espírito e “beberam” um único Espírito.
O Espírito é, pois, apresentado como Aquele que alimenta e que dá vida ao “corpo de Cristo”; dessa forma, Ele fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é o responsável pela unidade desses diversos membros que formam a comunidade.
ATUALIZAÇÃO
• Temos todos consciência de que somos membros de um único “corpo” – o corpo de Cristo – e é o mesmo Espírito que nos alimenta, embora desempenhemos funções diversas (não mais dignas ou mais importantes, mas diversas). No entanto, encontramos, com alguma freqüência, cristãos com uma consciência viva da sua superioridade e da sua situação “à parte” na comunidade (seja em razão da função que desempenham, seja em razão das suas “qualidades” humanas), que gostam de mandar e de fazer-se notar. Às vezes, vêem-se atitudes de prepotência e de autoritarismo por parte daqueles que se consideram depositários de dons especiais; às vezes, a Igreja continua a dar a impressão – mesmo após o Vaticano II – de ser uma pirâmide no topo da qual há uma elite que preside e toma as decisões e em cuja base está o rebanho silencioso, cuja função é obedecer. Isto faz algum sentido, à luz da doutrina que Paulo expõe?
• Os “dons” que recebemos não podem gerar conflitos e divisões, mas devem servir para o bem comum e para reforçar a vivência comunitária. As nossas comunidades são espaços de partilha fraterna, ou são campos de batalha onde se digladiam interesses próprios, atitudes egoístas, tentativas de afirmação pessoal?
• É preciso ter consciência da presença do Espírito: é Ele que alimenta, que dá vida, que anima, que distribui os dons conforme as necessidades; é Ele que conduz as comunidades na sua marcha pela história. Ele foi distribuído a todos os crentes e reside na totalidade da comunidade. Temos consciência da presença do Espírito e procuramos ouvir a sua voz e perceber as suas indicações? Temos consciência de que, pelo fato de desempenharmos esta ou aquela função, não somos as únicas vozes autorizadas a falar em nome do Espírito?
Evangelho - AMBIENTE
Este texto situa-nos no cenáculo, no próprio dia da ressurreição. Apresenta-nos a comunidade da nova aliança, nascida da ação criadora e vivificadora do Messias. No entanto, esta comunidade ainda não se encontrou com Cristo ressuscitado e ainda não tomou consciência das implicações da ressurreição. É uma comunidade fechada, insegura, com medo… Necessita de fazer a experiência do Espírito; só depois, estará preparada para assumir a sua missão no mundo e dar testemunho do projeto libertador de Jesus.
Nos “Atos”, Lucas narra a descida do Espírito sobre os discípulos no dia do Pentecostes, cinqüenta dias após a Páscoa (sem dúvida por razões teológicas e para fazer coincidir a descida do Espírito com a festa judaica do Pentecostes, a festa do dom da Lei e da constituição do Povo de Deus); mas João situa no anoitecer do dia de Páscoa a recepção do Espírito pelos discípulos.
MENSAGEM
João começa por pôr em relevo a situação da comunidade. O “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo” (v. 19a), são o quadro que reproduz a situação de uma comunidade desamparada no meio de um ambiente hostil e, portanto, desorientada e insegura. É uma comunidade que perdeu as suas referências e a sua identidade e que não sabe, agora, a que se agarrar.
Entretanto, Jesus aparece “no meio deles” (vers. 19b). João indica desta forma que os discípulos, fazendo a experiência do encontro com Jesus ressuscitado, redescobriram o seu centro, o seu ponto de referência, a coordenada fundamental à volta do qual a comunidade se constrói e toma consciência da sua identidade. A comunidade cristã só existe de forma consistente se está centrada em Jesus ressuscitado.
Jesus começa por saudá-los, desejando-lhes “a paz” (“shalom”, em hebraico). A “paz” é um dom messiânico; mas, neste contexto, significa, sobretudo, a transmissão da serenidade, da tranqüilidade, da confiança que permitirão aos discípulos superar o medo e a insegurança: a partir de agora, nem o sofrimento, nem a morte, nem a hostilidade do mundo poderão derrotar os discípulos, porque Jesus ressuscitado está “no meio deles”.
Em seguida, Jesus “mostrou-lhes as mãos e o lado”. São os “sinais” que evocam a entrega de Jesus, o amor total expresso na cruz. É nesses “sinais” (na entrega da vida, no amor oferecido até à última gota de sangue) que os discípulos reconhecem Jesus. O fato de esses “sinais” permanecerem no ressuscitado, indica que Jesus será, de forma permanente, o Messias cujo amor se derramará sobre os discípulos e cuja entrega alimentará a comunidade.
Vem, depois, a comunicação do Espírito. O gesto de Jesus de soprar sobre os discípulos reproduz o gesto de Deus ao comunicar a vida ao homem de argila (João utiliza, aqui, precisamente o mesmo verbo do texto grego de Gn. 2,7). Com o “sopro” de Deus de Gn. 2,7, o homem tornou-se um “ser vivente”; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova e faz nascer o Homem Novo. Agora, os discípulos possuem a vida em plenitude e estão capacitados – como Jesus – para fazerem da sua vida um dom de amor aos homens. Animados pelo Espírito, eles formam a comunidade da nova aliança e são chamados a testemunhar – com gestos e com palavras – o amor de Jesus.
Finalmente, Jesus explicita qual a missão dos discípulos (v. 23): a eliminação do pecado. As palavras de Jesus não significam que os discípulos possam ou não – conforme os seus interesses ou a sua disposição – perdoar os pecados. Significam, apenas, que os discípulos são chamados a testemunhar no mundo essa vida que o Pai quer oferecer a todos os homens. Quem aceitar essa proposta será integrado na comunidade de Jesus; quem não a aceitar, continuará a percorrer caminhos de egoísmo e de morte (isto é, de pecado). A comunidade, animada pelo Espírito, será a mediadora desta oferta de salvação.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã só existe de forma consistente, se está centrada em Jesus. Jesus é a sua identidade e a sua razão de ser. É n’Ele que superamos os nossos medos, as nossas incertezas, as nossas limitações, para partirmos à aventura de testemunhar a vida nova do Homem Novo. As nossas comunidades são, antes de mais, comunidades que se organizam e estruturam à volta de Jesus? Jesus é o nosso modelo de referência? É com Ele que nos identificamos, ou é num qualquer ídolo de pés de barro que procuramos a nossa identidade? Se Ele é o centro, a referência fundamental, têm algum sentido as discussões acerca de coisas não essenciais, que às vezes dividem os crentes?
• Identificar-se como cristão significa dar testemunho diante do mundo dos “sinais” que definem Jesus: a vida dada, o amor partilhado. É esse o testemunho que damos? Os homens do nosso tempo, olhando para cada cristão ou para cada comunidade cristã, podem dizer que encontram e reconhecem os “sinais” do amor de Jesus?
• As comunidades construídas à volta de Jesus são animadas pelo Espírito. O Espírito é esse sopro de vida que transforma o barro inerte numa imagem de Deus, que transforma o egoísmo em amor partilhado, que transforma o orgulho em serviço simples e humilde… É Ele que nos faz vencer os medos, superar as cobardias e fracassos, derrotar o cepticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a audácia profética, testemunhar o amor, sonhar com um mundo novo. É preciso ter consciência da presença contínua do Espírito em nós e nas nossas comunidades e estar atentos aos seus apelos, às suas indicações, aos seus questionamentos.

P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho