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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 12 de maio de 2017

5º DOMINGO DA PÁSCOA-Ano A

5º DOMINGO DA PÁSCOA
14 de Maio de 2017
Cor: Branco
Evangelho - Jo 14,1-12


Irmãs e irmãos. Acreditemos em Jesus Cristo o Filho de Deus que veio ao mundo para nos salvar! Jesus provou sua divindade por meio de muitos milagres.  Continuar lendo



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“NINGUÉM VAI AO PAI SENÃO POR MIM"! - Olívia Coutinho


5º DOMINGO DA PÁSCOA

Dia 14  de Maio de 2017

Evangelho - Jo 14,1-12

Neste quinto Domingo  da Páscoa, somos chamados a desenvolver o dom da  fé, que recebemos de  Deus como uma semente plantado por Ele no nosso coração!
 É caminhando, que crescemos na fé, é crescendo na fé, que crescemos no amor, na fraternidade, na vida de comunhão com Deus e com os irmãos.
A fé, não é algo que se tem e pronto, a fé é construção, uma construção que se desenvolve através de um processo lento que vai se solidificando à medida em que nos deixamos inundar pelo amor de  Deus!
 A  fé  é  caminhada é compromisso,  é ver além do  que os olhos humanos alcançam!  É pela fé, que reconhecemos Jesus como o nosso Deus e Senhor, o que não é fruto do esforço humano e  sim, do acolhimento a este  dom de Deus.
Jesus é a revelação do amor do Pai, aos poucos vamos nos envolvendo neste mistério de amor, enxergando  no Filho, a presença amorosa do  Pai!
No  evangelho que a liturgia  de hoje nos apresenta, podemos perceber claramente a paciência de Jesus para com os seus discípulos que apesar de estarem a tanto tempo com Ele,  eram  muito imaturos na fé, tinham muita dificuldades em entender o que Jesus lhes revelava a respeito  de sua volta para o Pai. No desejo de fazer brotar em seus corações, pensamentos positivos, ideias claras sobre a  sua pessoa, sobre a sua missão e  o sentido da sua presença no mundo que poderia dar a eles tranquilidade  durante a sua ausência, Jesus afirma: “Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, afim de que onde eu estiver estejais também vós.” E acrescentou: “Para onde eu vou vós conheceis o caminho.
Tomé, não entendendo o sentido destas palavras, interpela Jesus dizendo: “Nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Esta imaturidade de Tomé, pode ser  encontrada também  em nós: estarmos com Jesus, mas não  reconhecê-Lo como sendo Ele, o caminho que nos leva ao Pai!
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim!” Estas palavras de Jesus, que respondeu a  uma duvida  de Tomé,  devem permanecer em  nós, pois  são palavras que nos indica a vereda autêntica que nos leva a felicidade Plena que é o próprio Jesus.
Ver o Pai, era a coisa mais desejada pelos discípulos, um desejo que fora manifestado por Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” Bastaria  que os discípulos  dessem um passo a mais na fé, para que eles descobrissem na pessoa de Jesus, a presença do  Pai, que estava ali, a tanto tempo com eles na pessoa de Jesus!
 É graças a paciência de Jesus, que hoje nós temos a felicidade de conhecê-Lo através do testemunho dos  discípulos, que apesar de suas fragilidades se mantiveram firmes no propósito de dar continuidade ao projeto de Deus, proposto por Jesus.
Contemplar Jesus, é a única forma de ver a face humana do Pai, não há nada no Pai que não encontramos em Jesus. Através do conhecimento intelectual jamais vamos  conhecer Jesus, nós só vamos conhecê-lo verdadeiramente pelos caminhos da fé!
 A falta de fé, priva-nos da alegria de conhecer Jesus, de tornarmos íntimos Dele, de perceber  a sua presença contínua junto de nós, de sentirmos seguros quanto ao nosso futuro!
A Luz que  verdadeiramente ilumina é aquela que nos conduz  a felicidade plena, Jesus é esta  Luz,  Ele é a presença  de Deus em nós! Deixar-se conduzir por esta Luz,  é deixar-se irrigar pela fonte de água viva que nos levará a um Reino que não terá  fim, que é o coração do Pai.
No final do evangelho, Jesus diz: “Quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai.”
 Quem tem fé, pode realizar obras grandiosas, pois ao voltar para o Pai, Jesus enviou-nos o  Espírito Santo, tudo que fazemos de bom, fazemos  pela a ação do Espírito Santo de Deus em nós!
O amor do Pai é derramado em nós pelo Espírito Santo, vivenciemos este amor permanecendo no Filho!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Jesus caminho, verdade e vida
O evangelho de hoje é parte do discurso de despedida de Jesus. As palavras iniciais nos permitem imaginar a situação da comunidade à qual o evangelista se dirige. Ela parece estar perturbada, desanimada, desorientada, desesperada. Por isso Jesus lhe diz: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também”.
Essas palavras de Jesus valem também para nós hoje, que muitas vezes experimentamos o desânimo, sem saber por onde ou para onde caminhar. São uma exortação, palavras verdadeiramente provocantes para todos e cada um de nós. Neste mundo complexo, nesta realidade plena de desafios, em nossa vida pessoal tantas vezes sofrida, ferida, cheia de contradições e desafios, o Senhor nos olha, estende-nos as mãos; abre-nos o coração e nos enche de serenidade e confiança: “Não se perturbe o vosso coração”.
A fé em Jesus nos traz serenidade, esperança e conforto. Como discípulos e discípulas, precisamos proclamar em alta voz nossa fé nele, nossa entrega a ele, a certeza de que pode dar um sentido à nossa vida. Por isso ele se revela no evangelho como o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Jesus. É precisamente neste mundo de tantos caminhos que o Senhor Jesus nos diz: Eu sou o Caminho. Nestes tempos de tantas “verdades”, ele nos proclama: Eu sou a verdade. Neste mundo que nos tenta, oferecendo vida onde não há vida verdadeira, Jesus anuncia: Eu sou a vida.
Jesus se nos apresenta como aquele que vem de Deus e o único que nos pode revelar de modo pleno, claro e conclusivo o caminho para Deus. Mais ainda, aquele que é nosso caminho é também nossa única verdade e nossa única e verdadeira vida. É diante dele que somos chamados a dar um rumo à nossa existência e à existência da sociedade, da família, da nossa comunidade, das relações sociais, do mundo. O papa Bento XVI dizia: “o mundo tem tantas e tantas medidas para avaliar o bem e o mal, o certo e o errado…” E advertia: “nossa medida é Cristo. Ele é nossa medida porque é o único caminho, a única verdade, a única vida”.
Somos convidados a ficar em contato permanente com Jesus caminho, verdade e vida. E é pela oração, pelos gestos de solidariedade, pela prática do amor que podemos manter esse contato vital com o Mestre.
padre Gilbert Mika Alemick, ssp


A liturgia de hoje deve ser contemplada à luz da leitura evangélica, tomada de João. Essa leitura, junto com o prólogo de João, fornece, como veremos, a chave da mensagem do Quarto Evangelho: a manifestação de Deus em Jesus Cristo. Por outro lado, a primeira e a segunda leituras dirigem nosso olhar para a comunidade nascida da fé em Jesus, a Igreja. Por isso, a dinâmica da homilia poderá desdobrar-se na ordem inversa das leituras, pois o que o evangelho faz entrever é a base daquilo que as leituras evocam.
1ª leitura (At. 6,1-7)
A primeira leitura continua a narração dos primórdios da jovem comunidade nos tempos depois da Páscoa e Pentecostes. A caridade cria novas tarefas, porque o crescimento da comunidade tinha trazido um novo problema. Além dos convertidos do judaísmo tradicional de Jerusalém, entraram convertidos do “judeu-helenismo”, judeus helenizados, que viveram nas cidades comerciais do Mediterrâneo, ou pagãos convertidos, prosélitos, que tinham aderido ao judaísmo e agora passavam à comunidade cristã. A entrada dessas pessoas, que não pertenciam aos clãs tradicionais, tornou necessário um novo serviço na comunidade: a organização da assistência às viúvas desse grupo e do “ministério dos pobres” em geral, ao lado dos apóstolos, que serão em primeiro lugar servidores da Palavra e fundadores de comunidades.
2ª leitura (1Pd. 2,4-9)
A segunda leitura casa bem com a primeira. Fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos construtores” (1Pd 2,7; cf. o salmo pascal, Sl. 118[117],22). Em 1Pd 2,9, a Igreja é chamada pelo título por excelência do povo de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do Reino”, sinal e primeira realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade dos que receberam o batismo na noite pascal. Graças ao Concílio Vaticano II, valorizamos agora melhor esse sacerdócio dos fiéis, que designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como tal, isto é, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; nesse sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial, pois este é o serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquele é a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja, como comunidade, e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a obra de Cristo.
Evangelho (Jo. 14,1-12)
No domingo passado, Cristo foi chamado a “porta das ovelhas”. No evangelho de hoje, vemos com maior clareza por que Cristo é o acesso ao Pai: Caminho, Verdade e Vida. O sentido desses três termos, que constituem uma unidade (o Caminho da Verdade e da Vida), é apresentado mediante pequena encenação. Jesus inicia sua despedida (Jo. 13,31-17,26) dizendo que sua partida é necessária: ele vai preparar um lugar para seus discípulos. Quando Jesus sugere que eles conhecem o caminho, Tomé, o cético, responde que não o conhecem. Então, Jesus explica que ele mesmo é o caminho da Verdade e da Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai. Na Bíblia, caminho e caminhar significam muitas vezes o modo de proceder. O caminho ou caminhar reto é o que hoje chamaríamos de moral ou virtude. Portanto, se Jesus chama a si mesmo de caminho, não se trata de algo teórico, uma doutrina, mas de um modo de viver. É vivendo como Jesus viveu que conhecemos o seu caminho e encontramos a vida e a verdade às quais ele nos conduz (v. 6a). Se, pois, ele diz que ninguém vai ao Pai senão por ele (v. 6b), não está proclamando uma ortodoxia que exclui os que não confessam o mesmo credo, mas dá a entender que os que chegam ao conhecimento/experiência de Deus são os que praticam o que ele, em plenitude, praticou: o amor e a fidelidade até o fim. E isso pode acontecer até fora do credo cristão.
Depois da pergunta de Tomé, temos a pergunta de Filipe: “Mostra-nos o Pai, isso nos basta” (Jo. 14,8). Ora, qualquer judeu piedoso, qualquer pessoa piedosa, quer conhecer Deus – que Jesus costuma chamar de Pai. Porém, diz João no prólogo de seu evangelho, ninguém jamais viu a Deus (Jo. 1,18). Agora, Jesus explica a Filipe: “Quem me viu, viu o Pai”. Nesse momento, quando (segundo a contagem judaica) já se iniciou o dia de entregar a vida por amor até o fim, Jesus revela que, nele, contemplamos Deus. Nosso perguntar encontra nele resposta; nosso espírito, verdade; nossa angústia, a fonte da vida. Nesse sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis para nós. “O Unigênito, que é Deus e que está no seio do Pai, no-lo fez conhecer” (Jo 1,18). Jesus não falou assim quando realizava seus “sinais”: o vinho de Caná, o pão para a multidão, nem mesmo a cura do cego ou a revivificação de Lázaro. Pois o sentido último para o qual a atuação de Jesus apontava não era fornecer vinho ou pão, ou substituir um médico ou curandeiro, mas manifestar o amor do Pai, o Deus-Amor.
Trata-se de ver a Deus em Jesus Cristo na hora de sua entrega por amor. Para saber como é Deus, o Absoluto da nossa vida, não precisamos contemplar outra coisa senão a existência de Jesus de Nazaré, “existência para os outros”, na qual Deus imprimiu seu selo de garantia, no coroamento que é a ressurreição. Muitas vezes, tentamos primeiro imaginar Deus para depois projetar em Jesus algo de divino (geralmente, algo de bem pouco humano…). Devemos fazer o contrário: olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, para sua palavra e sua morte, e depois dizer: assim é Deus – isso nos basta (cf. Jo. 14,8-9). E isso é possível porque Jesus, trilhando até o fim o caminho que ele mesmo é, assumindo ser a “graça e a verdade” (Jo. 1,14), o amor e a fidelidade de Deus até o fim, mostra Deus assim como ele é, pois “Deus é amor”, diz o mesmo João em sua primeira carta (1Jo 4,8.16). Podemos dizer, com Paulo, que Jesus é o rosto do Pai, a perfeita imagem dele (cf. Cl 1,15). Assim como Jesus procede, Deus é. Ele está no Pai e o Pai está nele (Jo. 14,11), e quem a ele se une fará o que ele fez, e mais ainda, agora que ele se vai para junto do Pai (14,12) e deixa, por assim dizer, o campo aberto para a ação dos que crêem nele, animados pelo Espírito-Paráclito (14,13-17, continuação do texto de hoje).
Dicas para reflexão
Para o cristão, o gesto de amor e fidelidade de Jesus até o fim é a suprema revelação de Deus. Não podemos, nesta existência terrena, conhecer a Deus em si. Ele é “o além de nossos horizontes”. Mas ele se manifesta a nós no justo e santo, aquele que faz sua vontade e lhe pertence por excelência, Jesus de Nazaré. Mais exatamente: quando este, “na carne” (cf. 1Jo 4,2), leva a termo o amor e a fidelidade (“a graça e a verdade”, Jo 1,14), os traços fundamentais de Deus já manifestados no seu agir em relação a Israel (veja, por exemplo, Ex 34,6). Jesus, Palavra de Deus “acontecendo em carne” (cf. Jo 1,14), não se limita a um só povo. Toda a carne humana é assumida nesse homem, que vive o amor e a fidelidade de Deus até o fim, de modo que o que se pode dizer de Deus é isto: “Deus é amor”. Amor que ama primeiro e é conhecido em Jesus, mas também quando amamos nossos irmãos (1Jo 4,10-12).
Aí entra o pensamento acerca da comunidade eclesial, que constitui o segundo grande tema deste domingo. Como Cristo encarnou o que Deus fundamentalmente significa para a humanidade – amor radical –, sua comunidade é chamada a manifestar essa mesma realidade de Deus ao mundo. Aí está sua santa vocação, seu sacerdócio, de que participam todos os que foram batizados em Cristo (e, assim, no Pai e no Espírito). Ser cristão não é simplesmente proclamar um credo ou pertencer a uma instituição, mas encarnar o Deus-Amor trilhando o “caminho” que é Jesus.
padre Johan Konings, sj



Formados e instruídos pela palavra
Três leituras, três ensinamentos, três momentos para o crescimento da comunidade do Ressuscitado.
A palavra do Senhor se espalhava (At. 6,7) - A comunidade que nasceu da pregação de Jesus e de sua paixão, morte e ressurreição ia fazendo seu caminho. Estava se dilatando. Dois serviços pareciam importantes: o cuidado caridoso das viúvas e a pregação da palavra. Chegaram aos apóstolos reclamações a respeito o descuido das viúvas por parte deles. Ora, os apóstolos estavam plenamente conscientes de  que não podiam deixar de pregar. Eles haviam aprendido que a fé nasce da audição, da pregação. A solução foi a criação de um grupo que haveria de se ocupar do serviço da caridade. O nome mais conhecido do grupo criado era o de Estevão. Esses dois serviços continuam urgentes e atuais em nossas comunidades. Necessário fazer de sorte  que homilias, catequeses, leitura orante da Bíblia não faltem na vida dos discípulos. A fé nasce da escuta da Palavra. Ministros preparados são instrumentos do nascimento de Deus no coração dos fiéis. Necessário  também que muitos cuidem dos necessitados mais próximos e todos empreendamos empenhos na linha da justiça e da paz. “Entretanto, a palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé” (At. 6,7).
Pedras vivas de um edifício espiritual - Em sua primeira carta Pedro faz uma das mais clássicas e profundas descrições desse povo novo nascido da paixão, morte e ressurreição de Jesus: “Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para sua luz maravilhosa”.
Através do testemunho e da pregação dos apóstolos após a ressurreição e com a efusão do Espírito foram se reunindo os discípulos desse Mestre da Galiléia que foi confirmado pelo Pai como Senhor, arrancado da morte. Ora, esse povo novo é raça escolhida, como sacerdotes oferecem a criação, o trabalho,a vida ao Pai. Os membros desse povo santo e novo se reúnem para ouvir ensinamento dos apóstolos, celebram a presença de seu Mestre no seu meio. Pela alegria de viver a fé anunciam as obras realizadas em suas vidas. Foram tirados das trevas a agora iluminam o mundo com a claridade de sua vida. São igreja viva. São pedras vivas.
Pois eu vou para o Pai - Nesta quadra do ano litúrgico estamos prestes a celebrar a solenidade da ascensão do Senhor. Ele desaparecerá de diante dos homens. A natureza humana de Jesus, nossa carne humana, penetrará na glória. Esse que vai para o Pai promete ficar entre nós até a consumação dos séculos. E toda a comunidade cristã se rejubila com sua ascensão e fica esperando a força do alto, o paráclito que vem completar a obra começada pelo Filho.
frei Almir Ribeiro Guimarães



Jesus, Caminho, Verdade e Vida
No domingo passado, Cristo foi chamado a “porta das ovelhas”. No Evangelho de hoje vemos com maior clareza por que Cristo é o acesso ao Pai: Caminho, Verdade e Vida. O sentido destes três termos, que constituem uma unidade (o Caminho da Verdade e da Vida) é apresentado através de uma pequena encenação. Jesus inicia sua despedida dizendo que é uma viagem necessária, para lhes preparar um lugar, e que eles conhecem o caminho. Tomé (!) responde que não. Jesus explica que ele mesmo é o caminho da Verdade e da Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai. Toda pessoa piedosa quer conhecer Deus. Mas, nos diz João no prólogo de seu evangelho, ninguém jamais o viu… (Jo. 1,18).
Agora, Jesus explica a Filipe, que lhe pede para mostrar-lhe o Pai: “Quem me vê, vê o Pai”. Em outros termos: em Jesus contemplamos Deus. Nosso perguntar encontra nele resposta, nosso espírito, verdade, nossa angústia, a fonte da vida. Neste sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tomam acessíveis para nós. “O Unigênito no-lo fez conhecer” (Jo. 1,18).
Mas que significa conhecer, ver Deus em Jesus Cristo? Significa que, para saber como é Deus, o Absoluto da nossa vida, não precisamos contemplar outra coisa que a existência de Jesus de Nazaré, “existência para os outros”, à qual Deus imprimiu seu selo de garantia, no coroamento da Ressurreição. Muitas vezes tentamos primeiro imaginar Deus, para depois projetar em Jesus algo de divino (geralmente algo de bem pouco humano…). Devemos fazer o contrário: olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, palavra e morte, e depois dizer: assim é Deus - isso nos basta (cf. Jo. 14,8-9). Ele está no pai e o Pai nele (14,11), e quem a ele se une, fará o que ele fez, e mais ainda, agora que ele se vai (14,12).
Somos conscientes da semelhança entre o rosto do Cristo e o rosto dos oprimidos. As palavras: “Quem me vê, vê o Pai”, pronunciadas na véspera da cruz, recebem entre nós uma atualidade especial. Quem tem medo de encarar os rostos dos pobres e sofridos no meio de nós não é capaz de conhecer a glória do amor do Pai, que se dá a ver no rosto coroado de espinhos de Jesus, o homem de Nazaré.
Na perspectiva deste evangelho, ganha um sentido bem especial o canto da entrada: Deus revelou sua justiça diante dos povos, a saber, na existência de Jesus Cristo, coroada pela ressurreição.
As duas primeiras leituras descrevem a constituição da comunidade do Cristo. A 1ª leitura, At. 6, narra a conflituosa expansão da comunidade no meio dos judeus helenistas (que ganharam sua própria “administração” — os sete diáconos); e também no meio dos sacerdotes. O salmo responsorial comenta este episódio no sentido da providência de Deus para todos os seus.
E a 2ª leitura, continuação da carta de Pedro (2,4-9), canta a dignidade do povo constituído em Cristo, construído com pedras vivas sobre a pedra rejeitada pelos construtores, que se tomou a pedra angular.
A oração do dia é inspirada em Jo. 8,31ss: a liberdade dos filhos de Deus, filhos adotivos, por certo, mas verdadeiramente “gente da casa” para Deus, e herdeiros de sua graça e vida; é à realização escatológica dessa realidade que alude o começo do evangelho de hoje (“Na casa de meu Pai há muitas moradas”). O canto da comunhão inspira-se em Jo. 15 (alegoria da videira, tema central deste domingo no ano B).
padre Johan Konings "Liturgia dominical"




1ª leitura: (At. 6,1-7) Expansão da Igreja entre os helenistas; os diáconos
Continua a narração dos primórdios da Igreja. Seu crescimento traz problemas. Além dos convertidos do judaísmo tradicional, entram agora também convertidos do “judeu-helenismo” (judeus helenizados, que viveram nas cidades comerciais do Mediterrâneo; ou pagãos convertidos anteriormente ao judaísmo: prosélitos). A organização da assistência às viúvas deste grupo provocou um novo serviço na comunidade: os diáconos. Eles assumem o “ministério dos pobres” em geral.
* cf. At. 1,14; 2,42; 13,3; 1Tm. 4,14.

2ª leitura: (1Pd. 2,4-9) A Igreja, templo de pedras vivas; Cristo, pedra angular
A presente leitura é rica em imagens, que se determinam mutuamente. Cristo é a pedra viva, rejeitada, morta, mas ressuscitada por Deus; quem a ele se une na construção, é pedra viva também. Viver como Cristo é o sacrifício “espiritual” (= conforme o “espírito”, a força de Deus). Por isso, somos santificadores como ele: o sacerdócio régio que nos é conferido pelo batismo.
* 2,4-6 cf. Ef. 2,20-22; Is. 28,16 * 2,7-8 cf. Sl. 118[117],22; Is. 8,14-15 * 2,9 cf. Ex. 19,5-6; Ef. 1,14; Cl. 1,12-13.

Evangelho: (Jo 14,1-12) Jesus, caminho e revelação do Pai
Jesus prepara os seus para a hora de seu afastamento. V. 1-4 são consolação: a fé em Deus e Jesus vence a dor da separação. Jesus promete que ele voltará para levá-los à glória do Pai. Mas também no tempo intermédio, o fiel não fica abandonado. Ele conhece seu destino, o caminho. Aliás, destino e caminho são o mesmo: Jesus. Ele é caminho, basta “ir por ele” (cf. 10,9: a porta); ele é também o destino: a verdade, Deus mesmo se torna acessível. Quem o vê, vê Deus. Assim, a verdade não é uma doutrina, mas uma vida. A gente a alcança, vivendo a vida de Jesus.
* 14,1-4 cf. Jo 14,17; 10,28-30 * 14,5-7 cf. Hb 10,20; Jo 8,19 * 14,9 cf. Jo 1,18 * 14,10 cf. Jo 10,30.38; 12,49. 
O sacerdócio dos fiéis
O tempo litúrgico depois da Páscoa aprofunda o sentido do batismo cristão, intimamente ligado à Páscoa. As leituras de hoje convidam a uma reflexão sobre o sacerdócio comum de todos os batizados.
A 1ª leitura nos fala do desenvolvimento da jovem comunidade. A caridade cria novas tarefas: surgem os “diáconos” (= servidores) da comunidade, ao lado dos apóstolos (que serão em primeiro lugar servidores da palavra e fundadores de comunidades; seus sucessores são os bispos). As comunidades estabelecidas recebem um colégio de anciãos ou presbíteros. Nestes serviços reconhecemos o que hoje se chama a “ordem” do sacerdócio ministerial (bispos, presbíteros, diáconos).
A 2ª leitura fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos construtores”. A Igreja é chamada, com o título do povo de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do reino”, sinal e primeira realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade daqueles que receberam o batismo na noite pascal.
O sacerdócio dos fiéis, reafirmada no Concílio Vaticano II, designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como tal, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; neste sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial. Pois este é o serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquele é a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja como comunidade e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a obra de Cristo.
No belíssimo evangelho deste domingo aprendemos como é esse Deus do qual nossa vida será o culto, a celebração no mundo em que vivemos: ele tem o rosto de Jesus.
padre Johan Konings




A Primeira Carta de Pedro
Nestes domingos, a segunda leitura da liturgia é tomada da Primeira Carta de Pedro. Estamos no Tempo Pascal. Nos primórdios da Igreja, ministrava-se o batismo aos novos cristãos na noite pascal. Ora, a Primeira Carta de Pedro contém ensinamentos valiosos para alimentar a firmeza e a perseverança dos recém-batizados. E também para nós, que, na noite pascal, pronunciamos a renovação de nosso compromisso batismal.
A carta foi provavelmente redigida na comunidade judeu-cristã de Roma, que guardava de modo especial a tradição do Apóstolo Pedro. Talvez seja um “testamento literário” de Pedro, editado por seus discípulos, depois de sua despedida deste mundo. Quando a carta recebeu a redação que atualmente conhecemos, Pedro já se tinha tornado uma figura de grande prestígio em toda a Igreja.
A carta usa a autoridade do Apóstolo para consolar, animar e exortar os cristãos que. no Império Romano, sofrem vários tipos de hostilidades e provações. Evangelizados há pouco, estes cristãos não pertencem mais ao “mundo pagão” dos seus pais e amigos, mas ainda não estão muito firmes na nova vida recebida no batismo. A carta quer dar-lhes uma identidade cristã e firmar a solidariedade e a unidade.
É uma carta-encíclica, que passa de comunidade em comunidade. Ela se dirige “aos eleitos que vivem como estrangeiros na dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1Pd 1,1), regiões da atual Turquia. Por passar de comunidade em comunidade, ela é contada, no Novo Testamento, entre as “cartas católicas”, isto é, universais: Tiago; 1 e 2 Pedro; 1, 2 e 3 João; Judas.
Para ajudar os cristãos a compreenderem o seu papel na situação difícil em que vivem, 1Pd alude, com freqüência, à experiência dos seus antepassados na fé, o povo de Israel. A “releitura” do êxodo do Egito e do exílio babilônico tem a finalidade de fortalecer a autocompreensão e a conduta cristãs. Este tema pode também ajudar os cristãos de hoje a se situarem no mundo do século XX. Trata-se dos “cristãos como minoria sócio-religiosa”. Diversas vezes, a carta chama seus leitores de “estrangeiros” e “forasteiros” (ou “peregrinos”), isto é, pessoas que não pertencem plenamente à sociedade ambiente. Esses termos lembram a frase do Deuteronômio dizendo que o povo de Deus foi “estrangeiro” no Egito (Dt 10,19). O povo de Israel foi como que hóspede dos egípcios, até certo momento (quando veio um novo faraó, que não conhecera José, os egípcios reduziram o povo à escravidão: Ex 1,8). Ora, os cristãos no Império Romano, pelo fim do século I, eram um pouco como os filhos de Israel no Egito: cidadãos de segunda categoria. Como não participavam do culto oficial prestado ao Imperador, não tinham plenos direitos civis, nem sequer o direito de casar com uma “cidadã”, embora pudessem ser requisitados para o exército e pagassem taxas e impostos, inclusive extras. 
Também hoje, um verdadeiro cristão será necessariamente como um estrangeiro no mundo. Não participará do culto do consumo e do prazer e, se ele se dedica ao trabalho comunitário, aos marginalizados e excluídos, terá de enfrentar a mentalidade neoliberal que proclama que o jogo do mercado (o lucro que cada um pode fazer) é a maneira mais fácil para manter o equilíbrio econômico (excluindo os que não conseguem acompanhar). O próprio fato de ter uma fé absoluta em Jesus e em Deus, seu Pai, torna o cristão fiel estranho para o mundo, pois atualmente muitas pessoas trocam de religião como trocam de roupa, de barzinho ou de parceiro(a)...
Ora, a consciência de sermos estrangeiros não deve suscitar em nós o desejo de fugir do mundo, mas, antes, de enfrentá-lo, dando o nosso testemunho de fé e de caridade, e a “razão de nossa esperança” (1Pd 3,15). Por isso, quero observar que muitas bíblias traduzem mal o versículo 2,11, escrevendo “como peregrinos e forasteiros neste mundo”, dando a impressão de que este mundo é um lugar de passagem com o qual nada temos a ver. O texto original da Bíblia não contém as palavras “neste mundo” e deveria traduzir-se “como estrangeiros residentes” (cf. a “carteira de estrangeiro” no Brasil).
padre Johan Konings "Descobrir a Bíblia partir da liturgia"




“Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e sabedoria ...” (At. 6,3ab). 
A Liturgia da Palavra de hoje nos vai orientando aos poucos para a figura de Jesus, o escolhido de Deus para a obra da salvação da humanidade em Igreja.
Para que a todos os homens a Salvação chegue, Deus precisa de ajuda de muitas pessoas. A Primeira Leitura de hoje nos mostra como os apóstolos não conseguiam fazer todo o serviço que a Igreja lhes pedia. Foi então que decidiram condividir suas tarefas com outros homens.
Porém para o trabalho em Igreja não são aptas todas as pessoas.
Deus escolhe quem Ele quer, por meio da ação do Espírito Santo sobre a comunidade.
Foi assim que os primeiros diáconos foram escolhidos.
Eram necessários para distribuir os bens dos cristãos aos mais pobres, viúvas e órfãos.
A comunidade reunida ouviu o parecer de São Pedro:
“Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e sabedoria ...” (At. 6,3ab).
As condições que tais homens deviam preencher eram: boa fama, repletos do Espírito e sabedoria.
Em outras palavras: sem estas condições não prestariam o trabalho que a Igreja lhes pedia. Uma vez escolhidos os sete diáconos, os apóstolos se puseram em oração e estendendo as mãos sobre as cabeças de cada escolhido, lhes deram a unção do Espírito Santo.
Para esta escolha, o sinal de Deus foi o Espírito Santo. Portanto não foi somente a comunidade cristã com os apóstolos que deste modo mostraram como Deus desejava cuidar de sua Igreja.
E aqui chegamos ao ponto importante: é Deus quem governa a Igreja, por meio de homens que inspira com o dom do Espírito Santo.
Pensemos nos atuais guias da Igreja: o Papa, os Bispos, os Presbíteros, os Diáconos. Todos recebem a imposição das mãos e o dom do Espírito Santo para exercerem a tarefa que a Igreja lhes confia. Estes são os seus ministros ordinários.
Os Ministros extraordinários da Eucaristia e da Palavra recebem o “envio” por parte dos ministros ordinários. Participam deste modo da responsabilidade que a Igreja confiou aos ministros ordinários. A responsabilidade é grande. Precisam ser “cheios de Espírito Santo e sabedoria” como os diáconos da Igreja primitiva.
A Igreja como um todo é a beneficiária destes ministérios.
E como Igreja, todos nós pedimos a Deus que os inspire, ilumine com os dons do Espírito Santo.
Salmo Responsorial: Sl. 32(33),1-5.18-19.
O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem ... [Sl. 32(33),18a].
Na Primeira Leitura vimos como Deus escolhe pessoas para ajudarem os ministros ordinários da Igreja.
Se perguntarmos: como Deus os escolhe?
O Salmo Responsorial nos dá uma resposta entre outras:
O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem ... [Sl. 32(33),18a].
Isto quer dizer que Deus não escolherá ninguém para o ministério da Igreja que não O ame em primeiro lugar.
Os Ministros da Igreja foram escolhidos por Deus antes de tudo: Deus viu que seus escolhidos tinham fé e observaram Seus Mandamentos, a começar pelo primeiro, o de amá-Lo sobre todas as coisas.
Jesus Cristo escolheu pessoalmente seus discípulos como quis, isto é, vendo as qualidades espirituais e humanas de cada um deles. Antes de tudo eram pessoas fiéis a Deus, respeitando os Mandamentos. Foi por isso que Jesus lhes disse:
“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi
e vos designei para irdes
e para que produzais fruto
e vosso fruto permaneça”. (Jo. 15,16).
Nesta escolha Jesus, como Deus Pai, pousou Seu olhar sobre os que temiam a Deus, os discípulos escolhidos. Se um de seus discípulos O traiu, isto não significa que desde o início de sua chamada fosse traidor.
Atendamos ao convite deste Salmo Responsorial: que Deus pouse seu olhar sobre os bons cristãos católicos para que os escolha a serviço de Sua comunidade santa, a Igreja.
Segunda Leitura: 1Pd 2,4-9.
“Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus” (1Pd 2,4)
São Pedro nesta carta nos mostra duas eleições de Deus:
Primeiro: Jesus foi o escolhido de Deus para anunciar o Reino a Seu Povo Santo dando origem à Igreja. No entanto, nem todos os judeus concordaram com esta escolha de Deus. Os líderes de Israel rejeitaram Jesus, a “pedra angular” prevista pelos profetas (Is 28,16) e pelo Salmo 117(118),22.
Segundo: os batizados, os cristãos desde o início da Igreja, foram escolhidos por Deus. São Pedro diz que, ao contrário dos líderes de Jerusalém, receberam o anúncio do Reino de Deus feito por Jesus, aceitaram o Batismo e formaram a Igreja. Estes são, nas palavras de São Pedro:
“... a estirpe escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que Ele conquistou para proclamar as obras admiráveis Daquele que vos chamou das trevas para a Sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9). 
Estas são qualificações elevadas pelas quais Deus escolheu sua comunidade, como uma família, uma estirpe, um tipo especial de pessoas, participantes do sacerdócio de Jesus Cristo, nação santa e Povo Eleito. Tudo isto é a Igreja tal como teve seu início na primeira geração.
Não significa que nós hoje, não sejamos escolhidos por Deus da mesma maneira que a primeira geração. Como os primeiros cristãos, Deus nos mostra sua escolha dando-nos as mesmas tarefas e ministérios:
“... para proclamar as obras admiráveis
Daquele que vos chamou das trevas para a Sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9). 
Cumprindo nossa missão, cada batizado em particular, não vagamos sem destino pelo mundo. Há um ponto de chegada, um fim da História da Salvação, em que chegaremos à Sua Luz maravilhosa.
E isto porque seguimos Jesus, fomos escolhidos por Ele, que nos disse: “Eu sou a Luz do mundo” (Jo 8,12; 9,5; 12,46). 
E isto, ainda, porque “... nos aproximamos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus” (1Pd 2,4).
Permaneçamos junto de Jesus Cristo. Tudo o mais nos será dado.
Evangelho: Jo 14,1-12.
Jesus respondeu: 
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6).
Concentremos nossa atenção no fim do que Jesus disse:
“Ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Jo 14,6c).
Isto porque aqui Jesus se apresenta como o escolhido por Deus para levar a Si toda a humanidade. 
E porque Deus escolheu Jesus para esta missão neste mundo, fez com que Ele fosse o Caminho, a Verdade e a Vida. 
Se Jesus deu aos apóstolos e diáconos missões específicas, tudo isto procede da missão que Deus mesmo deu a Jesus em benefício da humanidade.
Deus escolheu seu Filho para que levassem a Si todas as pessoas.
Jesus deu a Igreja pessoas escolhidas por Seu Pai para O ajudarem a levar a Deus todas as pessoas.
As pessoas que em Igreja participam desta missão de Jesus Cristo, são as escolhidas, amadas, abençoadas com o dom do Espírito Santo, e enviadas ao mundo.
Assim tem início e fim em Deus todo o Plano Salvador da humanidade.
Assim alcançaremos o que São Pedro nos disse, sair das trevas para a Luz, eternamente:
“... [somos] a estirpe escolhida, ... o povo que Ele conquistou para proclamar as obras admiráveis Daquele que vos chamou das trevas para a Sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9).
Consideremos o grande Plano Salvador de Deus.
Em Deus tudo tem início e tudo tem seu ponto de chegada. Chegamos ao Pai por meio de Jesus e de Sua Igreja.
Não nos esqueçamos da mensagem central da Liturgia da Palavra deste domingo: a Salvação nos vem: 
- pela decisão amorosa que Deus toma para salvar a todos; 
- pela entrega, ao Filho, da missão salvadora neste mundo; 
- pela escolha de colaboradores de Jesus na Igreja: os ministros ordenados e não ordenados. 
Este Plano, desde agora em operação por Deus, alcançará sua plena realização no fim dos tempos, quando tudo voltará para Deus, o Criador e Salvador. 
padre Valdir Marques, SJ




Caminho do Pai
No Evangelho de João, Jesus se declara o Caminho, a Verdade e a Vida. O que Ele quer dizer com isso? O que muda no conceito que existia até então, trazido através dos tempos baseado no Antigo Testamento?
Para o povo de Israel, a Lei representava o caminho a seguir, a verdade em que acreditar e a vida a possuir como consequência. Praticando a Lei, as pessoas entendiam que podiam chegar até Deus (caminho) porque nela Deus comunicava o seu projeto (verdade) e assim estariam de posse das suas promessas (vida).
No final do capítulo anterior Jesus institui o mandamento do amor como sendo o principal mandamento a ser seguido, e agora em sequência, diz ser Ele mesmo o Caminho, a Verdade e a Vida, e completa que para chegar a Deus é preciso mais do que simplesmente seguir a lei, é preciso agir com amor. E, é nesse amor que Ele se encontra, ou seja, o único caminho capaz de conduzir para o encontro definitivo com Deus.
As palavras de Jesus são enigmáticas para os discípulos. Ele fala usando termos novos, e por isso os discípulos não entendem.
Diante da perturbação deles, como era possível enxergar na pessoa de Jesus a imagem invisível de Deus?
Jesus explica-lhes que, junto com o Pai, Ele está inseparavelmente comprometido com a vida, e quem com a vida se compromete torna-se membro da família de Deus. Isto é o que Ele quer transmitir quando diz: “Quem me vê, vê o Pai.”
Quando Jesus declara que somos capazes de realizar obras tão grandes ou maiores que as dEle, está apontando para a missão da comunidade de Deus: estar sempre a serviço da vida para todos.
Ao criar o mundo, Deus fez o ser humano à sua imagem e semelhança. E Jesus, plenamente humano, é ao mesmo tempo o espelho no qual contemplamos o rosto do Pai, e uma presença do amor fiel no meio dos homens.
Pequeninos do Senhor



Após a ceia e o lava-pés, e depois da saída de Judas, Jesus estabelece um diálogo de intimidade com seus discípulos. Ele lhes dirige palavras de esclarecimento, que também lhes proporcionam confiança e segurança. São palavras que penetram fundo no coração e fortalecem nossa fé. Fortaleceram, da mesma forma, a fé dos discípulos, mais tarde, quando começaram a perceber que Jesus continuava vivo entre eles. São palavras que alimentam nossa oração e nossa prática de vida.
O amor de Deus e de Jesus para conosco está aí vivamente expresso. Crer em Deus e crer em Jesus é fonte de paz para o coração e para a comunidade. O ir e vir de Jesus não é um percurso entre a terra e o céu. É o percurso da fé, neste mundo, no seguimento de Jesus, que é o caminho, a verdade e a vida que levam ao Pai. E esta fé comprometida com as obras de Jesus, na fraternidade, na misericórdia e na justiça, abre espaço para a morada do Pai e de Jesus em cada um.
Pelo amor, na partilha e na solidariedade, vivido na missão e nas comunidades, os discípulos são levados por Jesus à comunhão na casa do Pai.
padre Jaldemir Vitório




O que a falta de fé pode fazer na vida do discípulo...
Toda a liturgia da palavra deste quinto domingo da Páscoa repousa sobre a preocupação com a unidade da comunidade, depois da morte e ressurreição do Senhor. A unidade e a comunhão dos discípulos são sinais e, ao mesmo tempo, frutos da presença de Jesus Cristo ressuscitado dos mortos. No caso do início do capítulo 6 dos Atos dos Apóstolos, a unidade da comunidade é ameaçada pelo aumento do número dos que aderiam à fé em Jesus Cristo. Com esse aumento, começou a haver uma contenda entre dois grupos: os cristãos convertidos do judaísmo e os cristãos convertidos do paganismo. Quando cresce o número de pessoas, quando aumenta a diversidade, inclusive cultural, a comunidade pode apresentar seu ponto de fragilidade e necessita de atenção. O problema é que as viúvas dos gregos não eram assistidas em suas carências. Os Doze não dão mais conta de todo trabalho a ser feito e de socorrer todas as necessidades. É preciso que eles permaneçam fiéis ao seu ministério específico (v. 4), suscitando e verificando os diferentes carismas de serviço presentes na comunidade, e colocando-os a serviço do bem de todos. A proposta e a escolha dos “sete” (vv. 3.5) foram a solução para aquele problema específico da comunidade.
Há outras ameaças à unidade da comunidade: a tristeza, a desilusão, a frustração. O capítulo 14 de João é a continuação do discurso de despedida de Jesus no contexto da última ceia. O anúncio da paixão e morte desconcerta os discípulos, na linguagem do próprio evangelho, “perturba”, agita. A preocupação de Jesus nesse discurso é com essa situação dos discípulos. A preocupação é com o que a falta de fé pode fazer na vida do discípulo decepcionado, frustrado, perturbado. A falta de fé fez e faz os discípulos abandonarem o Senhor e a própria comunidade. Por isso, o início do trecho de hoje do evangelho é um convite à fé (v. 1). O apoio da vida em Deus é o que sustenta o discípulo ante o desfecho dramático da existência terrena de Jesus. É a fé que permite ver um sentido em todas as coisas, até mesmo nas mais trágicas situações da nossa história, da história de Jesus que “passou por este mundo fazendo o bem”. A fé é que permitirá, mais tarde, sentir a morte de Jesus como lugar a partir do qual brilha a Glória de Deus.
Carlos Alberto Contieri,sj





Neste domingo quinto do Tempo da Páscoa, elevemos o olhar ao Ressuscitado; deixemo-nos tomar por sua palavra: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Estejamos atentos: estas não são palavras ditas ao vento, para ninguém! São palavras, é exortação a nós, cristãos de agora; palavras para cada um de nós e para nós todos, palavras verdadeiramente provocantes!
No mundo complexo, numa realidade plena de desafios, na nossa vida pessoal tantas vezes sofrida, tantas vezes ferida, cheia de tantas contradições e desafios, o Senhor nos olha, estende-nos as mãos, abre-nos o coração e nos enche de serenidade e confiança: “Não se perturbe o vosso coração!”
Pensemos nos desafios dos tempos atuais: o desafio de crer e testemunhar o Senhor em situações tão cheias de promessas, mas também tão confusas. Pois bem, o Senhor insiste: “Tendes fé em Deus, tende fé em mim também!” Ter fé em Cristo! Eis o desafio para nós! Ontem, como hoje, é necessário proclamar nossa fé nele, nossa entrega a ele, nossa certeza de que ele pode dar um sentido à nossa existência. E por quê? Não seria loucura, alienação, infantilidade, confiar assim, de modo tão absoluto, em um alguém? Por que apostar toda a vida em Jesus e somente em Jesus? Por que não um pouquinho de Buda, um pouquinho de Maomé, um pouquinho de Dalai Lama, um pouquinho de esoterismo, um pouquinho mais de consumismo e outro tantinho de rédea solta aos nossos instintos? Por que somente Cristo? Por que absolutizar Jesus? Eis a resposta, que ele mesmo nos dá; eis a resposta surpreendente! Escutemo-la: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim!” É precisamente neste mundo de tantos desafios e de tantos caminhos, que o Senhor Jesus nos diz: Eu sou o Caminho! Nestes tempos de tantas verdades, ele nos proclama: Eu sou a Verdade! Neste mundo que nos tenta, oferecendo vida onde não há vida verdadeira, Jesus anuncia: Eu sou a Vida! De fato, ele não é simplesmente um profeta, um sábio, não é alguém a quem podemos admirar e seguir ao lado de outros personagens igualmente ilustres! Jesus se nos apresenta como aquele que vem de Deus e é o único que nos pode revelar de modo pleno, de modo claro e conclusivo o caminho para Deus! Mais ainda: Aquele que é nosso Caminho é também nossa única Verdade e nossa única e verdadeira Vida!
É diante dele que temos sempre que nos decidir, que somos chamados a dar um rumo à nossa existência e à existência da sociedade, da família, das relações sociais, do mundo. Bento XVI dizia, pouco antes de sua eleição, que o mundo tem tantas e tantas medidas para avaliar o bem e o mal, o certo e o errado... E ele advertia: nossa medida é Cristo! Eis! Ele é nossa medida porque é o único Caminho, a única Verdade, a única Vida! O que o Sucessor de Pedro quis dizer, o próprio Apóstolo Pedro nos afirma na segunda leitura da Missa de hoje: “Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus! Com efeito, nas Escrituras se lê: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido!’ Mas, para os que não crêem, ‘a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular pedra de tropeço e rocha que faz cair’”. Não há como escapar: diante de Cristo, é necessária uma escolha, uma decisão! Aqui não se tem nada a ver com ser conservador ou progressista, otimista ou pessimista! Aqui tem-se a ver com a experiência tremenda de Deus que entregou seu Filho ao mundo para ser nossa Vida e Caminho e os homens a rejeitaram. Ora, é diante do Cristo, Caminho, Verdade e Vida que nossa existência será julgada, que o mundo será examinado! E, no entanto, ele será sempre sinal de contradição e pedra de tropeço... Vimos, agora mesmo, por ocasião da eleição do novo Papa, tantas idéias disparatadas – algumas, para nossa tristeza, apresentadas até mesmo por padres ou religiosos... Alguns se iludem, pensando numa Igreja que faça o jogo da moda, que diga amém a um modo de pensar, agir e viver estranho ao Evangelho! Que engano tão danado! A renovação da Igreja está em voltar sempre a Cristo e nele se reencontrar sempre, retomando o vigor, como de uma fonte puríssima! O verdadeiro serviço à humanidade e ao mundo é apresentar o Cristo e nele colocar toda a esperança!
“Não se perturbe o vosso coração!”
Já nos inícios da Igreja havia tensões, desafios, dificuldades externas e internas. Pois bem, já ali o Senhor dizia aos cristãos: “Não se perturbe o vosso coração!” Já ali lhes garantia a grandeza do amor do Pai: “na casa do meu Pai há muitas moradas!” E já ali, entre as consolações de Deus e as provações da vida, “a Palavra do Senhor se espalhava”. Portanto, não temamos em colocar toda a nossa confiança no Senhor; não hesitemos em procurar de todo o coração seguir os passos do Senhor Jesus! A oração inicial da Missa de hoje exprimiu muito bem o que espera o cristão, ao colocar no Senhor a sua existência. Recordemo-la: "Ó Deus, Pai de bondade, concedei aos que crêem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna!” – Eis o que buscamos, o que esperamos, o que temos a certeza de alcançar: a liberdade verdadeira e a herança eterna!
dom Henrique Soares da Costa



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